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Cultura Pop

Love Is The Drug, do Roxy Music, é uma das melhores músicas do mundo

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Love Is The Drug, do Roxy Music, é uma das melhores músicas do mundo

Se você toca baixo ou bateria e nunca ouviu Love is the drug, um dos maiores sucessos do Roxy Music, ouça agora. Aliás, se você toca qualquer instrumento, ouça também. Se não toca nada, mas tem muito interesse por rock e música pop, pare tudo e escute agora. Se nunca nem ouviu falar de uma das bandas preferidas do POP FANTASMA, pior ainda: pode até pular esse texto. Você pode ouvir de tudo na sua vida, mas nem sempre vai conseguir achar uma canção que, em poucos minutos, condense disco music, rock, pop, toques de glam e hard rock (no refrão, com um cowbell sendo batido ensandecidamente).

Na época em que saiu Siren (1975), disco do Roxy Music que tinha essa faixa, ele foi recebido como um disco bastante tranquilo e simplificado. A Rolling Stone analisou o álbum (em resenha de Simon Frith) dizendo que a banda era “decadente” (“entra na gaveta dos fundos, ao lado de Alice Cooper, David Bowie e Bette Midler”, ironiza o texto), e se comportava como um produto.

Frith também falava que o vocalista Bryan Ferry falava os versos da faixa de forma quase marcial, como um militar, e que ele lidava “mais com imagens de emoções do que com as próprias emoções”. Com ou sem irona da parte da revista, Siren é o álbum que muitos fãs do Roxy Music levariam para uma ilha deserta: não era um disco tão exuberante quanto Country life, de 1974 (o de belezas como The thrill of it all), mas trazia grandes canções.

Nesse papo com o The Quietus, o saxofonista Andy Mackay (coautor da canção ao lado do cantor Bryan Ferry) faz uma revelação no estilo “buemba! buemba”. Siren é o disco da banda que ele menos gosta. O álbum, que saiu decorado por uma bela foto da modelo Jerry Hall, então namorada do vocalista Bryan Ferry – que a perderia para Mick Jagger – faz o músico lembrar que a sensação na época era de fim de festa. E isso já era um sentimento do grupo que rolava desde a saída do tecladista Brian Eno, e o começo da carreira solo paralela de Bryan Ferry, no começo da década.

“A sensação de que todos nós deveríamos, como indivíduos, avançar em nossas carreiras, à medida que Bryan espetacularmente avançava, se tornou bem maior”, contou. Mackay começou a costurar pra fora (fez 25 trilhas sonoras para a estação londrina Thames TV, da iTV), mas ficou no Roxy acompanhando tudo detalhe por detalhe. Entre os detalhes, a gravação dos metais de Love is the drug, comandada pelo produtor Chris Thomas. “Chris teve um enorme impacto, particularmente nessa faixa”, reconhece o músico.

https://www.youtube.com/watch?v=cMT501cmLrw

Segundo um artigo antigo da Rolling Stone, Love is the drug, por sinal, poderia ter ficado bem diferente, já que a música, quando foi composta, era bem mais lenta e imponente. Com o tempo, a banda foi fazendo mudanças, criou uma linha de baixo fantástica e uma caixa bem forte de bateria. Mackay confirma as mudanças. “Ela ainda ganhou alguns efeitos especiais, passou a soar como hit e por pouco não foi nosso primeiro número um no Reino Unido”, contou.

O baixista do Roxy Music na época (e criador da linha de baixo) era John Gustafson. Paul Thompson era o baterista, Phil Manzanera era o guitarrista e Eddie Jobson tocava teclados – além de Ferry e Mackay, claro. Gustafson, nascido em Liverpool em 1942 e morto em 2014, tocara em bandas como The Big Three e Merseybeats, e fazia parte da enorme lista de músicos do Roxy Music que em algum momento buscaram abrigo em grupos e projetos de rock progressivo – ele tocaria em 1975 no clássico disco Voyage of the acolyte, do guitarrista do Genesis, Steve Hackett. As linhas de baixo que ele criou para Love is the drug se tornaram tão marcantes que até Nile Rodgers, guitarrista do Chic, citou a música como influência para Good times, da banda. Obviamente, toda a carreira do Duran Duran veio de Love is the drug.

E já que você chegou até aqui, pega aí a transformação radical que uma banda escocesa chamada The Cartoons fez nessa canção em 1983. Há uns anos, essa versão viralizou de leve no Brasil, com gente achando que os timbres do começo da faixa deveriam ser a fonte de inspiração de Ainda é cedo, da Legião Urbana.

Outra versão famosa, você deve conhecer, é a de Grace Jones, gravada em 1980.

E tá aí o Roxy Music recordando seu clássico em 2005 no Live 8.

Leia também no POP FANTASMA:
– Bryan Ferry, aquele sujeito barbudão, que gravou Velvet Underground
– Olha só os outtakes das capas do Roxy Music
– Roxy Music apavorando geral no Musikladen em 1973
– Brian Eno publica outtakes da capa do primeiro disco do Roxy Music no Twitter
Amanda Lear soltando a voz
– Lembra de quando Mick Jagger ficou barbudão?

(com informações de Léo Rocha, Pedro Só e Julio Galdeano)

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Chapterhouse: “O termo shoegaze era depreciativo”

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O Jesus and Mary Chain deu uma de Padre Quevedo indie e explicou numa entrevista ao site Stereogum que isso aí de shoegaze “não existe” – para Jim Reid, em particular, isso não passa de invenção de “algum palhaço do New Musical Express“. Pois bem, num papo com a newsletter First Revival, Stephen Patman, guitarrista, vocalista e fundador do Chapterhouse, uma espécie de “banda de shoegaze original” (que por sinal vem ao Brasil em setembro), deu mais detalhes sobre a origem do termo. E ainda lembrou que não era exatamente um orgulho ser chamado de “olhador de sapato” (shoegazer significa exatamente isso em português).

“O termo shoegaze era um comentário depreciativo, uma provocação”, recorda ele, lembrando que inicialmente, um jornalista chamado Steve Sutherland, da Melody Maker, escreveu que o Chapterhouse e bandas como Moose e Lush eram “a cena que celebra a si própria”. “Basicamente, porque tínhamos o mesmo empresário que o Moose e o Lush (Howard Gough), então saíamos bastante com eles e íamos aos shows uns dos outros. Também conhecíamos o Ride e o Swervedriver de Oxford, porque era bem perto de Reading”, contou.

Ele lembra de uma nomenclatura de tiro curto que surgiu: “Antes disso, chamavam de ‘cena do Vale do Tâmisa’, que incluía nós, Ride, Swervedriver e Slowdive. Então, era assim que chamavam, depois ‘a cena que se celebra'”, diz. “E aí o Andy Ross , que era o chefe da Food Records, estava assistindo ao show do Moose, e os quatro estavam lá parados olhando para baixo. Foi ele quem criou o termo ‘shoegaze’. A Polly (Birkbeck), assessora de imprensa da Food, provavelmente comentou com alguém, e a notícia chegou à imprensa musical, e aí eles começaram a usar o termo”.

Só que o termo – surgido, na prática, de uma postura tímida e mal-ajambrada de palco – acabou se revelando um feitiço que se virou contra um monte de feiticeiros do barulho. “Quando houve uma espécie de mudança na imprensa musical após a euforia inicial de 1991 em torno de tudo, eles (os jornalistas) de repente se voltaram contra nós, e passaram um ano inteiro zombando de nós. E como também saíamos juntos, os jornalistas nos viam reunidos e escreviam colunas de fofoca tirando sarro de nós de alguma forma”, continua. “Foi aí que ouvi o termo shoegaze pela primeira vez, e era um comentário depreciativo, uma provocação”.

“Mas, de certa forma, ele foi ressignificado ao longo dos anos e se tornou um gênero, o que eu acho bem curioso. Nós nunca nos consideramos uma banda shoegaze. Para ser sincero, não somos exatamente fãs de shoegaze. Não ouvimos esse tipo de música”, diz Patman. “Mas principalmente porque a maioria era de artistas contemporâneos, dos quais você não se torna fã por ser amigo. Então, sim, era um termo pejorativo que chegou à imprensa e eles começaram a usá-lo”.

“E agora o conceito se expandiu, com tantas bandas que nem de longe eram consideradas shoegaze, como The Verve, Kitchens of Distinction e Catherine Wheel, agora são consideradas assim. Eles até chamam The Jesus and Mary Chain e Cocteau Twins de shoegaze”, continua Stephen, que também não gosta do termo dream pop para definir qualquer tipo de música com alguma distorção e reverb. “É ainda mais repugante”.

E pra saber mais sobre o show do Chapterhouse no Brasil, só ir aqui.

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

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Um post compartilhado por R.E.M. (@rem)

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George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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