Cultura Pop
Lendas urbanas históricas 6: Randonautica

Voltamos com o sexto capítulo da nossa série sobre lendas urbanas, começando lá pelos anos 1980 e prosseguindo com as lendas que fazem a turma mais nova morrer de medo (essas lendas existem?). E aliás tem um aplicativo aí, o Randonautica, que tem umas historinhas bem cabeludas…
RANDONAUTICA É APLICATIVO DA DEEP WEB? (2019-2020)
Criado em 2019 pelo grupo americano Presley Media, empresa ainda obscura, o aplicativo Randonautica tem sido a sensação em todo o mundo para adolescentes e jovens em busca de aventura e adrenalina.
O Randonautica funciona como uma versão moderna da brincadeira do copo, porém com uma pegada misteriosa. O mais interessante do aplicativo é que a pessoa “pensa” em algo antes de acioná-lo e, de forma telepática, o aplicativo leva o usuário a cenários, objetos ou experiências relacionados ao que a pessoa “manifestou” em pensamento. Por exemplo: “quero encontrar um lugar misterioso” e ser levado a um lugar de rituais. Ou então coisas banais como “quero encontrar um pássaro verde” e encontrar um papagaio em plena floresta do Colorado.
O aplicativo, em si, pode parecer sem graça. Mas no ano de 2020, talvez por causa de uma certa paranoia causada pela pandemia do coronavirus, o Randonautica andou colocando alguns jovens em tremendas confusões…
SINISTRO…
Alguns desses jovens juram que foram parar em terrenos baldios onde há desova de corpos – aliás, incluindo casos no Brasil. Outros foram parar em lugares sinistros e abandonados. Já li o relato de duas moças do interior de São Paulo, na faixa dos vinte anos que, após utilizarem o aplicativo, foram parar em uma estrada de terra e em um terreno baldio murado. Ficaram “p” da vida porque não teve emoção alguma e o lugar era muito desinteressante. Mas, ao retornarem para casa, perceberam que estavam sendo seguidas por um carro de luxo com Insulfilm.
As moças tentaram se desvencilhar, e chegaram em casa. Mas notaram que o misterioso carro ainda continuou a passar pela rua delas por alguns dias, o que as deixou apavoradas.
Há relatos mais fantasiosos, em que adolescentes brasileiros juram que, após utilizar o Randonautica, foram parar em outra dimensão. Todavia, estes “randonautas” (nome dado aos navegadores desta bússola cibernética), sem exceção, alegam que, apesar de sóbrios, estiveram em um lugar estranho, soturno, decadente e sombrio chamado Setealém.
MAS QUE LUGAR É ESSE?
Bom, Setealém não é uma cidade específica, mas um lugar interdimensional que está bem perto da nossa dimensão e, por isso, o aplicativo consegue, supostamente, acessá-lo. Falaremos sobre a lenda urbana envolvendo Setealém em outro tópico. Se o aplicativo é “do além”, não sabemos. Mas em junho deste ano, o Randonautica foi assunto da imprensa mundial. Isso aconteceu quando alguns jovens americanos fizeram uma live no TikTok dizendo que participavam de uma “caça ao tesouro” seguindo as coordenadas do aplicativo.
Os jovens chegaram até uma mala jogada em uma praia de Seattle. Chegando perto, notaram o mau cheiro. Resolveram chamar a polícia e veio o grande susto! Na mala havia corpos esquartejados que depois descobriram ser de duas moças. Mas o assassino não foi encontrado.
Parece que os millennials entediados se divertem levando sustinhos e quem procura, um dia… acha! A verdade é que muitos especialistas em segurança cibernética alertam os pais de adolescentes para que não deixem seus filhos utilizarem o aplicativo, pois não sabem a real intenção dele.
Abaixo você confere os jovens de Seattle no TikTok.
Randonautica Experience no TikTok (compilação dos vídeos mais estranhos):
E tá aqui o site da empresa Randonautica.
Confira as outras lendas da série aqui.
Cultura Pop
R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.
“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)
O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).
A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).
Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.
A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.
E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.
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Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.


































