Connect with us

Cultura Pop

Várias coisas que você já sabia sobre Argybargy, do Squeeze

Published

on

Várias coisas que você já sabia sobre Argybargy, do Squeeze

Você possivelmente conhece uma ou duas canções do Squeeze. A banda londrina, formada em 1974 e liderada até hoje pela dupla de cantores e compositores Glenn Tillbrook e Chris Difford, teve hits como Cool for cats, Up the junction, Tempted (a mais ouvida nas plataformas digitais até hoje) e Pulling mussels (From the shell). Na Inglaterra, a dupla Tillbrook & Difford tem fama de John Lennon & Paul McCartney da new wave. Aliás, o Squeeze é também a banda da qual saiu o hoje apresentador de TV Jools Holland, que foi tecladista do grupo até seu terceiro disco, Argybargy (1980).

Várias coisas que você já sabia sobre Argybargy, do Squeeze

No Brasil, infelizmente, o Squeeze sempre foi uma banda que você tem que informar às pessoas que ela existe, ainda que o grupo tenha uma carreira de mais de 40 anos. Poucos discos deles foram lançados aqui – entre eles, Babylon and on, de 1987. Mesmo Argybargy, o LP deste texto, chegou às quatro décadas em fevereiro de 2020 como novidade para muita gente.

CONTADORES DE HISTÓRIAS

Maldade, já que Argybargy mostra o refinamento de uma banda (Glenn na guitarra solo e voz, Chris na guitarra base e voz, Jools nos teclados e voz, John Bentley no baixo e Gilson Lavis na bateria) pródiga em contar histórias nas músicas. O Squeeze foi bem popular no auge da new wave investindo em melodias bem criativas (quase sempre de autoria de Glenn) e letras (quase sempre escritas por Chris) que fariam qualquer pessoa grudar o ouvido no rádio até saber como terminavam as desventuras do personagem.

Em Argybargy, o grupo fala, em tom de sitcom, sobre diversão juvenil à moda dos Kinks (em Pulling mussels, maior hit do disco), amores que acabam abruptamente (Another nail in my heart), emoções dúbias (If I didn’t love you). Separate beds, espécie de suíte de bolso sobre o início de um amor jovem (e não-aprovado pelas famílias do casal), lembra Kinks e Beach Boys.

Argybargy ganhou uma edição luxuosa em 2008 com vários bônus e até com comerciais de rádio – e que hoje pode ser escutada nas plataformas digitais. O álbum chega a quatro décadas em relativo low profile. Mas a banda vem voltando aos shows aos poucos. No dia 5 de dezembro, o Squeeze, hoje ainda liderado pela dupla Difford & Tilbrook, faz “o primeiro show com distanciamento social” da 02 Arena de Londres. Boa chance para os fãs londrinos matarem as saudades da banda e de alguns hits do disco.

E tá aí nosso relatório sobre Argybargy. Leia ouvindo o disco.

MAS O QUE É ARGYBARGY?

BOM, “argy bargy” (com um espaço entre as duas palavras) significa algo como “bate-boca”. Tinha tudo a ver com um disco que falava (ainda que por um viés bem humorado) de situações meio dramáticas, erros em relacionamentos e histórias que começaram super bem mas saíram do controle.

ALIÁS E A PROPÓSITO, aparentemente ia tudo bem com o Squeeze e a banda não tinha nenhuma discussão interna séria que poderia ser escutada pelos vizinhos dos músicos. O quinteto basicamente desfrutava do sucesso dos primeiros discos, Squeeze (1978) e Cool for cats (1979), fazia turnê, trabalhava nas músicas do terceiro álbum e tentava atender às reais expectativas da gravadora A&M por um novo disco.

DEU CERTO. Cool for cats, o segundo LP, estourara quatro hits (pela ordem: Goodbye girl, Cool for cats, Up the junction e Slap and tickle). E, dois anos antes da MTV iniciar atividades, pusera nas telinhas um clipe da faixa-título. O vídeo promocional (o termo “clipe”, vale lembrar, nem existia) ajudou a solidificar a imagem descontraída e um tanto saudosista do Squeeze. E a associar mais ainda o grupo com o conceito multiuso da new wave, que substituíra rapidamente o punk nos corações dos executivos de gravadoras e editores de jornais e colunas de música.

ONDA NOVA

PARA ENTENDER a que veio uma banda como o Squeeze, só dando uma repassada no estilo musical ao qual ela é associada. A new wave não é um estilo molezinha de se definir. Ela é entendida como uma vertente mais acessível, romântica e colorida (e menos blasé e nariz erguido) do pós-punk. E geralmente era feita por bandas que não tinham atitudes iconoclastas em relação ao rock dos anos 1960 e do primeiros 1970.

ISSO (hum) explica o fato de bandas como Pretenders ou The Cars, por exemplo, serem arejadas o suficiente para estarem na gavetinha da new wave. E não serem consideradas “cerebrais”, engajadas e cabeçudas o suficiente para se misturarem com a turma do pós-punk (coisa de bandas como Television, Talking Heads, Gang of Four, etc). A verdade é que a new wave já era um pós-punk. Mas, em alguns casos – e num entendimento mais vazado que defesa de time de várzea – qualquer coisa que tivesse um ar pós-punk (enfim, um rock simplificado mas sem as limitações do punk) já era atirada sem dó nem piedade na vala new wave.

TECLADOS. Se a música fosse dançante e tivesse sintetizadores, era meio caminho andado para que vários jornalistas e até várias bandas já classificassem a música como “new wave”. Caso fosse uma imitação do Blondie, do Devo ou do B-52’s, nomes muito bem sucedidos e costumeiramente associados ao estilo, mais ainda.

ALIÁS E A PROPÓSITO, num entendimento bem machista (do tipo que costuma classificar estilos musicais como “de menininha”), bandas com mulheres na formação já eram automaticamente classificadas como new wave e não como punk. E isso, ainda que um grupo feminino como as Go-Go’s, por exemplo, tivesse raízes fincadas no diversificado e miscigenado punk californiano (você já leu sobre isso no POP FANTASMA).

QUANDO TUDO ERA MATO

O SQUEEZE surgiu bem antes até do punk, em 1974, no Sul de Londres. Quem deu início aos trabalhos foi Difford, que aos 18 anos roubou 50 centavos da bolsa da mãe para colocar um anúncio numa confeitaria (oi?) recrutando músicos para sua banda. Tillbrook respondeu o anúncio. Mas chegou lá e descobriu que não havia banda nenhuma, só o futuro parceiro de composições. Difford diz que não foi só ele que apareceu. “Teve um outro sujeito com quem eu realmente não concordava e ele era bastante dominador, e eu não precisava disso naquele momento”, contou.

DUPLA. Os dois começaram a compor juntos e logo foram entrando os outros colegas (Jools entre eles). Glenn, autor de boa parte das melodias, era fã de jazz e de artistas como Jimi Hendrix, Elvis Presley e Amon Düul, e tinha fama de bom guitarrista. Chris, fã de David Bowie, MC5 e Stooges, era craque em inserir referências literárias de todas as categorias em suas letras, ou nomes de antigas atrações de TV (o Cool for cats do primeiro hit deles era o nome de uma atração televisiva de rock dos anos 1950). Ambos adoravam bandas de “grandes canções”, como Beatles e Kinks.

VELVET

HOJE É DIFÍCIL IMAGINAR, mas o Squeeze fazia parte da mesma cena musical do Dire Straits. Ainda que os resultados sonoros fossem bem diferentes, tanto uma quanto a outra eram bandas de Deptford, no sudoeste de Londres, e dividiram vários palcos. Os primeiros shows da banda de Mark Knopfler, em 1977, foram dados ao lado do Squeeze, num festival local. Outra banda da mesma galera, mas que não se tornou tão ilustre, era o Alternative TV, que unia punk e reggae.

SIM, o nome Squeeze foi mesmo tirado do disco Squeeze, do Velvet Underground (do qual falamos aqui). Embora nem Chris nem Glenn sejam muito fãs do álbum. A banda lembra que colocaram vários nomes num chapéu, sacudiram e escolheram o que saiu.

POR SINAL, John Cale, co-fundador do Velvet acabou produzindo o primeiro EP (Packet of three, de 1977) e o primeiro LP (epônimo, 1978) da banda. Todavia, a A&M, que contratara a banda, não deixou o ex-Velvet nem chegar perto das faixas de trabalho do LP,  porque tinha achado as produções de Cale muito anti-comerciais. O próprio grupo, num rasgo de confiança do selo, produziu as canções.

ALIÁS E A PROPÓSITO, o primeiro disco tinha boa parte de seu repertório formado pelas primeiras canções da dupla, feitas quatro meses após os dois se conhecerem.

O EMPRESÁRIO

MILES COPELAND tinha pego o Squeeze para empresariar ainda em 1976. Em seguida, contratou a banda para o seu selo BTM Records. A gravadora teve vida curta. Mas ele acabou lançando os primeiros singles e o primeiro EP da banda por outro selinho próprio, o Deptford Fun City, só para lançar bandas locais.

NÃO PODE. “Squeeze” era um nome relativamente comum para bandas nos anos 1970. Não apenas por aludir a Squeeze box, hit do The Who de 1975, como também (e em primeiro lugar) por ser uma alusão cara-de-pau à masturbação masculina. Não custa lembrar que na capa do primeiro álbum do Squeeze havia um sujeito fortão divertindo-se solitariamente. Existia uma banda pouquíssimo conhecida chamada Squeezer, em Albuquerque, Novo México, nos EUA. E tinha também outra banda americana chamada Tight Squeeze. Na Austrália, havia um xará também. Por causa disso, o grupo de Chris e Glenn ficou conhecido como UK Squeeze por um bom tempo nos EUA, Austrália e Canadá.

ARGYBARGY, ENFIM

ESTÚDIO, PRODUTOR… A banda gravou Argybargy no célebre Olympic Studios, de Londres, com o experiente John Wood (Pink Floyd, Fairport Convention, Cat Stevens) dividindo os trabalhos de produção com a banda. O Squeeze tinha àquela altura na formação Chris, Glenn, Jools, Gilson Lavis (bateria) e John Bentley (baixo). Bentley substituíra Harry Kakoulli, que gravou os baixos dos dois primeiros discos. O novo integrante entrou para banda de maneira inusitada: o grupo já escolhera o novo baixista mas ele, atrasado para a audição, fincou pé e insistiu em tocar. Pegou a vaga. Em meio às gravações, a turma se divertia indo a bares e zoando. Especialmente Glenn e Jools, os mais exibidos da galera.

TECLADISTA FANFARRÃO. Jools Holland não era um compositor muito prolífico em sua própria banda (bom, em Argybargy, assinava Wrong side of the moon com Chris Difford). Mas era um músico com carisma e brilho próprio. Era também o integrante que mais falava no palco e tinha uma atitude brincalhona nos shows. Por causa disso, foi incentivado pelo empresário Miles a fazer as apresentações dos músicos, que Glenn e Chris sempre esqueciam de fazer. Acabou virando porta-voz da banda no palco.

PARTE 2.

CHRIS. Difford considerava Argybargy uma espécie de “disco 2” de Cool for cats, gravado quase com a mesma equipe e contando com a mesma disposição da dupla de compositores para contar histórias. As letras surgiram da vida nova de Chris, que mudara-se para Nova York com a mulher, grávida. A gravadora ficou contente com o desempenho dos dois primeiros singles, Another nail in my heart (janeiro de 1980) e If I didn’t love you (março).

ALIÁS E A PROPÓSITO. If I didn’t love you era a letra preferida de Difford, por causa do verso “compactos me lembram de beijos/álbuns me lembram de planos”, que faziam com que o compositor lembrasse da época em que levava namoradas para conhecer a coleção de discos dele.

ESCRITOR SAFADO. Já o single seguinte, Pulling mussels (From the shell), trazia reminiscências da época em que Chris e um amigo dirigiam até um caravan park para ver shows de bandas como Small Faces em um clube local. “Tentei imaginar como Ray Davies (Kinks) escreveria sobre esse fim de semana inglês típico”, contou Chris, que ainda incluiu na letra uma referência ao escritor americano Harold Robbins, autor de romances safadinhos como Os insaciáveis e Os pervertidos.

CAPA

MONTE DE CORES. O visual de Argybargy foi todo bolado por Mike Ross, um diretor de cinema que passou a colaborar com gravadoras e fotografou Paul McCartney, Beach Boys, Elton John, Chris de Burgh e vários outros. Ross também havia trabalhado nas capas dos discos anteriores da banda, já que era designer da A&M naquele momento. Mike Laye, o autor da coloridíssima foto da capa, trabalhou para revistas como The Face e igualmente já havia feito as imagens de Cool for cats.

JÁ NA CONTRACAPA, a banda preferiu umas imagens em preto e branco, feitas pelos próprios integrantes usando uma câmera automática.

Várias coisas que você já sabia sobre Argybargy, do Squeeze

CADÊ O EMPRESÁRIO?

MILES A MILHAS (AI) DE DISTÂNCIA. Miles Copeland, empresário do Squeeze, estava começando a ficar cada vez mais animadinho com outra banda da qual cuidava na época. Nada menos que The Police, o power trio new wave do qual fazia parte seu irmão, o superbaterista Stewart Copeland. O Squeeze ficou meio enciumado, até porque Miles, segundo eles, deu uma sumida do dia a dia deles e passou a colocar o Police nos mesmos esquemas deles. Enfim, contrato com a A&M, turnê pelos EUA e hits nas rádios. Em pleno envolvimento com o Police, Miles enviou o Squeeze para uma turnê pela Austrália, aquele país em que – você leu lá atrás – eles precisavam meter um “UK” no nome.

ALIÁS E A PROPÓSITO, Difford diz que assistiu a uma suposta audição que Sting teria feito em busca de uma vaguinha de cantor no The Police. “Ele apareceu lá e eu disse a todo mundo: ‘Esse cara não canta nada!’. Obviamente eu estava errado”, contou. Mais obviamente ainda, a maioria das biografias do Police conta uma história bem diferente da do vocalista do Squeeze, já que Stewart e Sting tinham projetos juntos antes do grupo, e quem entrou depois foi o guitarrista Andy Summers.

EMPRESÁRIO NOVO

NO MEIO DA turnê de Argybargy, a banda voltou para a Inglaterra. Logo que chegaram, descobriram que estavam próximo a Malvern, onde rolaria um show de Elvis Costello e sua banda The Atrtractions (da qual fazia parte um velho amigo, o tecladista Steve Nieve). Foram lá bater um papo com Nieve e Elvis (uma grande influência do Squeeze, por sinal) e… Acabaram conversando um bom tempo com Jake Riviera, empresário de Elvis.

TCHAU QUERIDO. O papo foi tão bom que os cinco desistiram de Miles na mesma hora e correram para o escritório de Jake. O manager impressionou a banda com vários papos sobre sua coleção de discos. Também veio com conversas como “por que vocês não fazem mais por vocês mesmos?”.

MILES ficou puto e avisou que a A&M iria encarar a desistência como desfeita. De qualquer jeito, a banda ainda continuou lá por um bom tempo e ainda gravou na empresa outro disco fundamental em 1983, East side story. Aliás, muita gente considera esse álbum até melhor que Argybagy, mas aí é outra história. É o disco que tem o hit Tempted, que hoje, em tempos de plataformas digitais, é a música mais popular da banda.

NA TELINHA. Em 1º de agosto de 1981, surgiu a MTV. Em seguida, as bandas britânicas que invadiram as paradas americanas com hits-de-sintetizador e canções mais associadas à new wave, passaram a ser consideradas como parte de uma “segunda invasão britânica”. O Squeeze estava nessa, ao lado de nomes como Duran Duran, Pretenders, Dire Straits, Buggles e outros.

VALEU, JOOLS

APÓS Argybargy, um integrante perderia totalmente o interesse pela banda. Jools Holland, que já se sentia sem espaço criativo dentro do grupo, convocou os colegas para um café da manhã e avisou que deixaria o Squeeze. Também disse que seguria com Miles Copeland como empresário.  O músico, que já tinha gravado um EP solo em 1978, virou apresentador do popular The Tube ao lado de Paula Yates. Em seguida, passou a alternar trabalhos na TV com gravações e shows. Hoje, impossível não saber, apresenta o Later… with Jools Holland na BBC.

CHRIS, particulamente, ficou devastado com a saída de Jools, afirmando que para ele, era como “perder um dedo”. Considerava o amigo parte importante no clima de gangue de roqueiros que o Squeeze tinha. “Era algo inspirado pelos Small Faces e pelo The Who”, como disse.

FORMAÇÃO VARIÁVEL. O posto de tecladista do Squeeze ficou variando nos dois discos subsequentes. East side story (1981) trouxe o ex-Roxy Music John Carrack nos teclados. O músico ainda soltou a voz solo em Tempted, maior hit do grupo. Sweets from a stranger (1982) tinha o multi-instrumentista Don Snow nos teclados. Descontente, a banda encerrou atividades no fim da turnê desse disco. E em 1984 aconteceu o que todo mundo já esperava: a dupla Chris Difford e Glenn Tillbrook lançou um disco “solo em dupla”, Difford & Tilbrook. Mas o disco costuma ser incluído em discografias do Squeeze e os singles aparecem até em coletâneas da banda.

JOOLS VOLTOU 

EM 1985, o Squeeze de Argybargy se reuniu por um motivo que tinha tudo a ver com aquele ano de Live Aid: toparam fazer um show de caridade. O show foi tão bom que a banda resolveu voltar a gravar e excursionar. Cosi fan tutti frutti, o sexto disco, lançado naquele ano, trazia Difford, Tilbrook, Holland, Lavis e o baixista do disco Difford & Tilbrook, Keith Wilkinson. Jools levou seu irmão adolescente, Christopher, para tocar teclados na turnê, mas ele durou pouco na turma.

EM 1987, ano de outro sucesso do Squeeze (o disco Babylon and on, dos hits 853-5937 e Hourglass) o tecladista montou a Jools Holland Big Band. A formação do grupo fixa trazia ele e um colega de Squeeze, o baterista Gilson Lavis. O excesso de compromissos tirou novamente Holland da banda em 1990. A partir daí, o Squeeze passou a girar em torno da dupla de compositores, com músicos entrando e saindo. Eventualmente, rolavam retornos de ex-colegas – Paul Carrack, por exemplo, voltou em 1993.

E DEPOIS?

O SQUEEZE entrou em declínio, saiu da A&M, foi para a I.R.S. (gravadora do ex-empresário Miles Copeland), para a Reprise e voltou para a A&M para lançar um de seus discos mais bem sucedidos dos anos 1990, Some fantastic place (1993), com Paul Carrack de volta. Encerrou atividades por alguns anos a partir de 1999. Chris e Glenn se distanciaram, pelo menos profissionalmente (os dois dizem que a amizade permaneceu), para cuidarem de carreiras solo. Em 2007, a banda retornou aos palcos para celebrar o relançamento de seu catálogo – a Universal, que controla a A&M, entrara na onda das edições “deluxe”, com vários bônus, e repôs discos de várias bandas de seu acervo.

APÓS VÁRIAS MUDANÇAS DE FORMAÇÃO, o Squeeze é um septeto. Incluindo Chris, Glenn (ambos voz e guitarra), Melvin Duffy (guitarra), Simon Hanson (bateria), Yolanda Charles (baixo), Stephen Large (teclados) e Steve Smith (percussão). O último lançamento dessa formação foi o disco The knowledge, lançado em 2017. Olha aí um dos shows dessa turnê.

E já que você chegou até aqui, conheça o canal de um sujeito chamado Steve Bertram, que é fanático pelo Squeeze e disponibiliza tudo quanto é tipo de raridade da banda em vídeo. Inclusive esse show de abril de 1980, em plena turnê de Argybargy. Tem vários documentários e entrevistas lá – infelizmente tudo sem legenda.

Com informações daqui, daqui, daqui e do livro Some fantastic place: My life in and out of Squeeze, de Chris Difford.

VEJA TAMBÉM NO POP FANTASMA:

– Demos o mesmo tratamento a Physical graffiti (Led Zeppelin), a Substance (New Order), ao primeiro disco do Black Sabbath, a End of the century (Ramones), ao rooftop concert, dos Beatles, a London calling (Clash), a Fun house (Stooges), a New York (Lou Reed), aos primeiros shows de David Bowie no Brasil, a Electric ladyland (The Jimi Hendrix Experience), a Pleased to meet me (Replacements), a Dirty mind (Prince), a Paranoid (Black Sabbath), a Tango in the night (Fleetwood Mac) e a Mellon Collie and the infinite sadness (Smashing Pumpkins). E a The man who sold the world (David Bowie).
– Além disso, demos uma mentidinha e oferecemos “coisas que você não sabe” ao falar de Rocket to Russia (Ramones) e Trompe le monde (Pixies).
– Mais Smashing Pumpkins no POP FANTASMA aqui.

Cultura Pop

Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

Published

on

Billy Corgan e Butch Vig juntos no estúdio de novo após 33 anos

RESUMO: Billy Corgan e Butch Vig retomam a parceria de Gish e Siamese dream em Black stars, faixa da trilha de Jogos vorazes. Um reencontro com o produtor que ajudou a criar o som do Smashing Pumpkins. Relembre o histórico.

Texto: Ricardo Schott – Fotos: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Imagine você entrar num estúdio com Billy Corgan, no começo dos anos 1990, e descobrir que ele quer gravar uma música com dezenas de guitarras. E que, se uma delas não soar exatamente como ele imaginou, vai ter que fazer tudo de novo. Agora imagine que o produtor, em vez de mandar o sujeito sossegar, acha a ideia ótima. Pois era mais ou menos assim que funcionava a parceria entre o Smashing Pumpkins e Butch Vig. E, 33 anos depois, os dois resolveram repetir a experiência.

A novidade é Black stars, música lançada nesta sexta-feira (16) e incluída na trilha sonora de Jogos vorazes: Amanhecer na colheita. A trilha completa sai em 13 de novembro, uma semana antes da estreia do filme. É a primeira gravação lançada pelo Smashing Pumpkins com produção de Vig desde o álbum Siamese dream, de 1993. A faixa também entrou no repertório da atual turnê Rats in the cage.

A história dos dois começou em 1990, quando o Smashing Pumpkins gravou Tristessa, compacto lançado pela Sub Pop, sob a produção dele. Isso foi antes de Vig produzir Nevermind, do Nirvana (1991). Corgan gostou do cara logo de primeira. Numa entrevista à Tape Op, contou que o produtor não tinha pose, trabalhava pra caramba e não se assustava com as ideias que ele e o baterista Jimmy Chamberlin levavam para o estúdio. Pelo contrário: parecia gostar da complicação.

Foi assim que chegaram a Gish (1991), álbum de estreia da banda, primeiro no qual trabalharam juntos. Corgan queria um disco com peso, psicodelia, melodias bonitas e guitarras aparecendo de todos os lados – um baita rock de arena, com ambiência, totalmente o oposto daquela onda da época, de simplesmente colocar quatro músicos numa sala e apertar o botão de gravar. Vig comprou a ideia e ajudou a organizar tudo aquilo. Dá para ouvir o resultado em Siva, Rhinoceros e Daydream, três músicas bem diferentes que parecem fazer parte do mesmo universo.

Só que os dois tinham um problema: não sabiam a hora de parar. Corgan contou à Rolling Stone italiana que Vig pegava pesado com afinação, ritmo e vocais. Fazia Billy cantar a mesma parte tantas vezes que ele começava a achar que não sabia cantar. O engraçado é que, olhando para trás, o vocalista reconhece que aquela cobrança fez toda a diferença.

Em Siamese dream (1993), o segundo disco, a situação ficou ainda mais complicada. A banda já tinha uma gravadora grande esperando resultados, Billy passava por uma fase emocional difícil e os integrantes não se entendiam nada bem. Foram gravar em Atlanta, mas os problemas viajaram com a banda nas malas.

Corgan acabou tocando praticamente todas as guitarras e boa parte dos baixos. Algumas músicas ganharam tantas camadas que Vig precisava descobrir como fazer tudo caber na mixagem. Era guitarra em cima de guitarra, com mais uma guitarra aparecendo quando você achava que já tinha acabado. E, se alguma coisa não estivesse perfeita, lá iam eles gravar de novo. O disco demorou, custou caro e deu um trabalhão. Só que saiu dali Siamese dream, com Cherub rock, Today, Disarm e vários clássicos.

Corgan nunca escondeu o quanto Vig foi importante. Nos textos da reedição de Siamese dream, em 2011, escreveu: “Butch me apoiou o tempo todo nessa visão maluca”. E completou: “Butch era a única pessoa que poderia ter feito aquele disco conosco, porque o respeitávamos tanto que queríamos estar à altura dos padrões elevados dele”.

Mas aí chegou a hora de fazer o duplo Mellon Collie And The Infinite Sadness (1995), e Billy resolveu mudar tudo. Chamou Flood e Alan Moulder para produzir, porque queria sair daquela maneira de trabalhar. Numa entrevista ao Grammy.com, explicou que Vig havia ajudado a construir uma versão quase idealizada do Smashing Pumpkins. Flood queria outra coisa: ouvir a banda como ela realmente soaria nos shows.

E não, a troca não aconteceu por causa de alguma briga. Em 2011, perguntaram a Corgan se ele toparia trabalhar novamente com Vig. “Eu amo Butch e temos uma relação muito boa. Adoraria. Ele provavelmente é uma das únicas pessoas com quem eu voltaria a entrar em estúdio”, respondeu. Vig também sempre pareceu adorar Corgan, embora já tenha declarado algumas vezes que o músico foi “um pentelho” no estúdio (quem conhece a história de Billy sabe que isso é um nome até carinhoso).

Pois bem: demorou 15 anos para aquela declaração virar realidade. Black stars coloca novamente os dois no estúdio, agora com décadas de experiência acumulada e sem a obrigação de repetir o que fizeram em 1993.

Ainda não há indicação de que a parceria vá render um álbum inteiro. Por enquanto, é uma música para uma trilha sonora. Mas já dá para imaginar a cena: Billy aparece com uma ideia complicada, Butch escuta, pensa um pouco e resolve que dá para melhorar. E lá vem outra guitarra…

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Cultura Pop

Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

Published

on

Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Cultura Pop

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

Published

on

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Acompanhe pos RSS