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Cultura Pop

Várias coisas que você já sabia sobre Argybargy, do Squeeze

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Várias coisas que você já sabia sobre Argybargy, do Squeeze

Você possivelmente conhece uma ou duas canções do Squeeze. A banda londrina, formada em 1974 e liderada até hoje pela dupla de cantores e compositores Glenn Tillbrook e Chris Difford, teve hits como Cool for cats, Up the junction, Tempted (a mais ouvida nas plataformas digitais até hoje) e Pulling mussels (From the shell). Na Inglaterra, a dupla Tillbrook & Difford tem fama de John Lennon & Paul McCartney da new wave. Aliás, o Squeeze é também a banda da qual saiu o hoje apresentador de TV Jools Holland, que foi tecladista do grupo até seu terceiro disco, Argybargy (1980).

Várias coisas que você já sabia sobre Argybargy, do Squeeze

No Brasil, infelizmente, o Squeeze sempre foi uma banda que você tem que informar às pessoas que ela existe, ainda que o grupo tenha uma carreira de mais de 40 anos. Poucos discos deles foram lançados aqui – entre eles, Babylon and on, de 1987. Mesmo Argybargy, o LP deste texto, chegou às quatro décadas em fevereiro de 2020 como novidade para muita gente.

CONTADORES DE HISTÓRIAS

Maldade, já que Argybargy mostra o refinamento de uma banda (Glenn na guitarra solo e voz, Chris na guitarra base e voz, Jools nos teclados e voz, John Bentley no baixo e Gilson Lavis na bateria) pródiga em contar histórias nas músicas. O Squeeze foi bem popular no auge da new wave investindo em melodias bem criativas (quase sempre de autoria de Glenn) e letras (quase sempre escritas por Chris) que fariam qualquer pessoa grudar o ouvido no rádio até saber como terminavam as desventuras do personagem.

Em Argybargy, o grupo fala, em tom de sitcom, sobre diversão juvenil à moda dos Kinks (em Pulling mussels, maior hit do disco), amores que acabam abruptamente (Another nail in my heart), emoções dúbias (If I didn’t love you). Separate beds, espécie de suíte de bolso sobre o início de um amor jovem (e não-aprovado pelas famílias do casal), lembra Kinks e Beach Boys.

Argybargy ganhou uma edição luxuosa em 2008 com vários bônus e até com comerciais de rádio – e que hoje pode ser escutada nas plataformas digitais. O álbum chega a quatro décadas em relativo low profile. Mas a banda vem voltando aos shows aos poucos. No dia 5 de dezembro, o Squeeze, hoje ainda liderado pela dupla Difford & Tilbrook, faz “o primeiro show com distanciamento social” da 02 Arena de Londres. Boa chance para os fãs londrinos matarem as saudades da banda e de alguns hits do disco.

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E tá aí nosso relatório sobre Argybargy. Leia ouvindo o disco.

MAS O QUE É ARGYBARGY?

BOM, “argy bargy” (com um espaço entre as duas palavras) significa algo como “bate-boca”. Tinha tudo a ver com um disco que falava (ainda que por um viés bem humorado) de situações meio dramáticas, erros em relacionamentos e histórias que começaram super bem mas saíram do controle.

ALIÁS E A PROPÓSITO, aparentemente ia tudo bem com o Squeeze e a banda não tinha nenhuma discussão interna séria que poderia ser escutada pelos vizinhos dos músicos. O quinteto basicamente desfrutava do sucesso dos primeiros discos, Squeeze (1978) e Cool for cats (1979), fazia turnê, trabalhava nas músicas do terceiro álbum e tentava atender às reais expectativas da gravadora A&M por um novo disco.

DEU CERTO. Cool for cats, o segundo LP, estourara quatro hits (pela ordem: Goodbye girl, Cool for cats, Up the junction e Slap and tickle). E, dois anos antes da MTV iniciar atividades, pusera nas telinhas um clipe da faixa-título. O vídeo promocional (o termo “clipe”, vale lembrar, nem existia) ajudou a solidificar a imagem descontraída e um tanto saudosista do Squeeze. E a associar mais ainda o grupo com o conceito multiuso da new wave, que substituíra rapidamente o punk nos corações dos executivos de gravadoras e editores de jornais e colunas de música.

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ONDA NOVA

PARA ENTENDER a que veio uma banda como o Squeeze, só dando uma repassada no estilo musical ao qual ela é associada. A new wave não é um estilo molezinha de se definir. Ela é entendida como uma vertente mais acessível, romântica e colorida (e menos blasé e nariz erguido) do pós-punk. E geralmente era feita por bandas que não tinham atitudes iconoclastas em relação ao rock dos anos 1960 e do primeiros 1970.

ISSO (hum) explica o fato de bandas como Pretenders ou The Cars, por exemplo, serem arejadas o suficiente para estarem na gavetinha da new wave. E não serem consideradas “cerebrais”, engajadas e cabeçudas o suficiente para se misturarem com a turma do pós-punk (coisa de bandas como Television, Talking Heads, Gang of Four, etc). A verdade é que a new wave já era um pós-punk. Mas, em alguns casos – e num entendimento mais vazado que defesa de time de várzea – qualquer coisa que tivesse um ar pós-punk (enfim, um rock simplificado mas sem as limitações do punk) já era atirada sem dó nem piedade na vala new wave.

TECLADOS. Se a música fosse dançante e tivesse sintetizadores, era meio caminho andado para que vários jornalistas e até várias bandas já classificassem a música como “new wave”. Caso fosse uma imitação do Blondie, do Devo ou do B-52’s, nomes muito bem sucedidos e costumeiramente associados ao estilo, mais ainda.

ALIÁS E A PROPÓSITO, num entendimento bem machista (do tipo que costuma classificar estilos musicais como “de menininha”), bandas com mulheres na formação já eram automaticamente classificadas como new wave e não como punk. E isso, ainda que um grupo feminino como as Go-Go’s, por exemplo, tivesse raízes fincadas no diversificado e miscigenado punk californiano (você já leu sobre isso no POP FANTASMA).

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QUANDO TUDO ERA MATO

O SQUEEZE surgiu bem antes até do punk, em 1974, no Sul de Londres. Quem deu início aos trabalhos foi Difford, que aos 18 anos roubou 50 centavos da bolsa da mãe para colocar um anúncio numa confeitaria (oi?) recrutando músicos para sua banda. Tillbrook respondeu o anúncio. Mas chegou lá e descobriu que não havia banda nenhuma, só o futuro parceiro de composições. Difford diz que não foi só ele que apareceu. “Teve um outro sujeito com quem eu realmente não concordava e ele era bastante dominador, e eu não precisava disso naquele momento”, contou.

DUPLA. Os dois começaram a compor juntos e logo foram entrando os outros colegas (Jools entre eles). Glenn, autor de boa parte das melodias, era fã de jazz e de artistas como Jimi Hendrix, Elvis Presley e Amon Düul, e tinha fama de bom guitarrista. Chris, fã de David Bowie, MC5 e Stooges, era craque em inserir referências literárias de todas as categorias em suas letras, ou nomes de antigas atrações de TV (o Cool for cats do primeiro hit deles era o nome de uma atração televisiva de rock dos anos 1950). Ambos adoravam bandas de “grandes canções”, como Beatles e Kinks.

VELVET

HOJE É DIFÍCIL IMAGINAR, mas o Squeeze fazia parte da mesma cena musical do Dire Straits. Ainda que os resultados sonoros fossem bem diferentes, tanto uma quanto a outra eram bandas de Deptford, no sudoeste de Londres, e dividiram vários palcos. Os primeiros shows da banda de Mark Knopfler, em 1977, foram dados ao lado do Squeeze, num festival local. Outra banda da mesma galera, mas que não se tornou tão ilustre, era o Alternative TV, que unia punk e reggae.

SIM, o nome Squeeze foi mesmo tirado do disco Squeeze, do Velvet Underground (do qual falamos aqui). Embora nem Chris nem Glenn sejam muito fãs do álbum. A banda lembra que colocaram vários nomes num chapéu, sacudiram e escolheram o que saiu.

POR SINAL, John Cale, co-fundador do Velvet acabou produzindo o primeiro EP (Packet of three, de 1977) e o primeiro LP (epônimo, 1978) da banda. Todavia, a A&M, que contratara a banda, não deixou o ex-Velvet nem chegar perto das faixas de trabalho do LP,  porque tinha achado as produções de Cale muito anti-comerciais. O próprio grupo, num rasgo de confiança do selo, produziu as canções.

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ALIÁS E A PROPÓSITO, o primeiro disco tinha boa parte de seu repertório formado pelas primeiras canções da dupla, feitas quatro meses após os dois se conhecerem.

O EMPRESÁRIO

MILES COPELAND tinha pego o Squeeze para empresariar ainda em 1976. Em seguida, contratou a banda para o seu selo BTM Records. A gravadora teve vida curta. Mas ele acabou lançando os primeiros singles e o primeiro EP da banda por outro selinho próprio, o Deptford Fun City, só para lançar bandas locais.

NÃO PODE. “Squeeze” era um nome relativamente comum para bandas nos anos 1970. Não apenas por aludir a Squeeze box, hit do The Who de 1975, como também (e em primeiro lugar) por ser uma alusão cara-de-pau à masturbação masculina. Não custa lembrar que na capa do primeiro álbum do Squeeze havia um sujeito fortão divertindo-se solitariamente. Existia uma banda pouquíssimo conhecida chamada Squeezer, em Albuquerque, Novo México, nos EUA. E tinha também outra banda americana chamada Tight Squeeze. Na Austrália, havia um xará também. Por causa disso, o grupo de Chris e Glenn ficou conhecido como UK Squeeze por um bom tempo nos EUA, Austrália e Canadá.

ARGYBARGY, ENFIM

ESTÚDIO, PRODUTOR… A banda gravou Argybargy no célebre Olympic Studios, de Londres, com o experiente John Wood (Pink Floyd, Fairport Convention, Cat Stevens) dividindo os trabalhos de produção com a banda. O Squeeze tinha àquela altura na formação Chris, Glenn, Jools, Gilson Lavis (bateria) e John Bentley (baixo). Bentley substituíra Harry Kakoulli, que gravou os baixos dos dois primeiros discos. O novo integrante entrou para banda de maneira inusitada: o grupo já escolhera o novo baixista mas ele, atrasado para a audição, fincou pé e insistiu em tocar. Pegou a vaga. Em meio às gravações, a turma se divertia indo a bares e zoando. Especialmente Glenn e Jools, os mais exibidos da galera.

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TECLADISTA FANFARRÃO. Jools Holland não era um compositor muito prolífico em sua própria banda (bom, em Argybargy, assinava Wrong side of the moon com Chris Difford). Mas era um músico com carisma e brilho próprio. Era também o integrante que mais falava no palco e tinha uma atitude brincalhona nos shows. Por causa disso, foi incentivado pelo empresário Miles a fazer as apresentações dos músicos, que Glenn e Chris sempre esqueciam de fazer. Acabou virando porta-voz da banda no palco.

PARTE 2.

CHRIS. Difford considerava Argybargy uma espécie de “disco 2” de Cool for cats, gravado quase com a mesma equipe e contando com a mesma disposição da dupla de compositores para contar histórias. As letras surgiram da vida nova de Chris, que mudara-se para Nova York com a mulher, grávida. A gravadora ficou contente com o desempenho dos dois primeiros singles, Another nail in my heart (janeiro de 1980) e If I didn’t love you (março).

ALIÁS E A PROPÓSITO. If I didn’t love you era a letra preferida de Difford, por causa do verso “compactos me lembram de beijos/álbuns me lembram de planos”, que faziam com que o compositor lembrasse da época em que levava namoradas para conhecer a coleção de discos dele.

ESCRITOR SAFADO. Já o single seguinte, Pulling mussels (From the shell), trazia reminiscências da época em que Chris e um amigo dirigiam até um caravan park para ver shows de bandas como Small Faces em um clube local. “Tentei imaginar como Ray Davies (Kinks) escreveria sobre esse fim de semana inglês típico”, contou Chris, que ainda incluiu na letra uma referência ao escritor americano Harold Robbins, autor de romances safadinhos como Os insaciáveis e Os pervertidos.

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CAPA

MONTE DE CORES. O visual de Argybargy foi todo bolado por Mike Ross, um diretor de cinema que passou a colaborar com gravadoras e fotografou Paul McCartney, Beach Boys, Elton John, Chris de Burgh e vários outros. Ross também havia trabalhado nas capas dos discos anteriores da banda, já que era designer da A&M naquele momento. Mike Laye, o autor da coloridíssima foto da capa, trabalhou para revistas como The Face e igualmente já havia feito as imagens de Cool for cats.

JÁ NA CONTRACAPA, a banda preferiu umas imagens em preto e branco, feitas pelos próprios integrantes usando uma câmera automática.

Várias coisas que você já sabia sobre Argybargy, do Squeeze

CADÊ O EMPRESÁRIO?

MILES A MILHAS (AI) DE DISTÂNCIA. Miles Copeland, empresário do Squeeze, estava começando a ficar cada vez mais animadinho com outra banda da qual cuidava na época. Nada menos que The Police, o power trio new wave do qual fazia parte seu irmão, o superbaterista Stewart Copeland. O Squeeze ficou meio enciumado, até porque Miles, segundo eles, deu uma sumida do dia a dia deles e passou a colocar o Police nos mesmos esquemas deles. Enfim, contrato com a A&M, turnê pelos EUA e hits nas rádios. Em pleno envolvimento com o Police, Miles enviou o Squeeze para uma turnê pela Austrália, aquele país em que – você leu lá atrás – eles precisavam meter um “UK” no nome.

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ALIÁS E A PROPÓSITO, Difford diz que assistiu a uma suposta audição que Sting teria feito em busca de uma vaguinha de cantor no The Police. “Ele apareceu lá e eu disse a todo mundo: ‘Esse cara não canta nada!’. Obviamente eu estava errado”, contou. Mais obviamente ainda, a maioria das biografias do Police conta uma história bem diferente da do vocalista do Squeeze, já que Stewart e Sting tinham projetos juntos antes do grupo, e quem entrou depois foi o guitarrista Andy Summers.

EMPRESÁRIO NOVO

NO MEIO DA turnê de Argybargy, a banda voltou para a Inglaterra. Logo que chegaram, descobriram que estavam próximo a Malvern, onde rolaria um show de Elvis Costello e sua banda The Atrtractions (da qual fazia parte um velho amigo, o tecladista Steve Nieve). Foram lá bater um papo com Nieve e Elvis (uma grande influência do Squeeze, por sinal) e… Acabaram conversando um bom tempo com Jake Riviera, empresário de Elvis.

TCHAU QUERIDO. O papo foi tão bom que os cinco desistiram de Miles na mesma hora e correram para o escritório de Jake. O manager impressionou a banda com vários papos sobre sua coleção de discos. Também veio com conversas como “por que vocês não fazem mais por vocês mesmos?”.

MILES ficou puto e avisou que a A&M iria encarar a desistência como desfeita. De qualquer jeito, a banda ainda continuou lá por um bom tempo e ainda gravou na empresa outro disco fundamental em 1983, East side story. Aliás, muita gente considera esse álbum até melhor que Argybagy, mas aí é outra história. É o disco que tem o hit Tempted, que hoje, em tempos de plataformas digitais, é a música mais popular da banda.

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NA TELINHA. Em 1º de agosto de 1981, surgiu a MTV. Em seguida, as bandas britânicas que invadiram as paradas americanas com hits-de-sintetizador e canções mais associadas à new wave, passaram a ser consideradas como parte de uma “segunda invasão britânica”. O Squeeze estava nessa, ao lado de nomes como Duran Duran, Pretenders, Dire Straits, Buggles e outros.

VALEU, JOOLS

APÓS Argybargy, um integrante perderia totalmente o interesse pela banda. Jools Holland, que já se sentia sem espaço criativo dentro do grupo, convocou os colegas para um café da manhã e avisou que deixaria o Squeeze. Também disse que seguria com Miles Copeland como empresário.  O músico, que já tinha gravado um EP solo em 1978, virou apresentador do popular The Tube ao lado de Paula Yates. Em seguida, passou a alternar trabalhos na TV com gravações e shows. Hoje, impossível não saber, apresenta o Later… with Jools Holland na BBC.

CHRIS, particulamente, ficou devastado com a saída de Jools, afirmando que para ele, era como “perder um dedo”. Considerava o amigo parte importante no clima de gangue de roqueiros que o Squeeze tinha. “Era algo inspirado pelos Small Faces e pelo The Who”, como disse.

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FORMAÇÃO VARIÁVEL. O posto de tecladista do Squeeze ficou variando nos dois discos subsequentes. East side story (1981) trouxe o ex-Roxy Music John Carrack nos teclados. O músico ainda soltou a voz solo em Tempted, maior hit do grupo. Sweets from a stranger (1982) tinha o multi-instrumentista Don Snow nos teclados. Descontente, a banda encerrou atividades no fim da turnê desse disco. E em 1984 aconteceu o que todo mundo já esperava: a dupla Chris Difford e Glenn Tillbrook lançou um disco “solo em dupla”, Difford & Tilbrook. Mas o disco costuma ser incluído em discografias do Squeeze e os singles aparecem até em coletâneas da banda.

JOOLS VOLTOU 

EM 1985, o Squeeze de Argybargy se reuniu por um motivo que tinha tudo a ver com aquele ano de Live Aid: toparam fazer um show de caridade. O show foi tão bom que a banda resolveu voltar a gravar e excursionar. Cosi fan tutti frutti, o sexto disco, lançado naquele ano, trazia Difford, Tilbrook, Holland, Lavis e o baixista do disco Difford & Tilbrook, Keith Wilkinson. Jools levou seu irmão adolescente, Christopher, para tocar teclados na turnê, mas ele durou pouco na turma.

EM 1987, ano de outro sucesso do Squeeze (o disco Babylon and on, dos hits 853-5937 e Hourglass) o tecladista montou a Jools Holland Big Band. A formação do grupo fixa trazia ele e um colega de Squeeze, o baterista Gilson Lavis. O excesso de compromissos tirou novamente Holland da banda em 1990. A partir daí, o Squeeze passou a girar em torno da dupla de compositores, com músicos entrando e saindo. Eventualmente, rolavam retornos de ex-colegas – Paul Carrack, por exemplo, voltou em 1993.

E DEPOIS?

O SQUEEZE entrou em declínio, saiu da A&M, foi para a I.R.S. (gravadora do ex-empresário Miles Copeland), para a Reprise e voltou para a A&M para lançar um de seus discos mais bem sucedidos dos anos 1990, Some fantastic place (1993), com Paul Carrack de volta. Encerrou atividades por alguns anos a partir de 1999. Chris e Glenn se distanciaram, pelo menos profissionalmente (os dois dizem que a amizade permaneceu), para cuidarem de carreiras solo. Em 2007, a banda retornou aos palcos para celebrar o relançamento de seu catálogo – a Universal, que controla a A&M, entrara na onda das edições “deluxe”, com vários bônus, e repôs discos de várias bandas de seu acervo.

APÓS VÁRIAS MUDANÇAS DE FORMAÇÃO, o Squeeze é um septeto. Incluindo Chris, Glenn (ambos voz e guitarra), Melvin Duffy (guitarra), Simon Hanson (bateria), Yolanda Charles (baixo), Stephen Large (teclados) e Steve Smith (percussão). O último lançamento dessa formação foi o disco The knowledge, lançado em 2017. Olha aí um dos shows dessa turnê.

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E já que você chegou até aqui, conheça o canal de um sujeito chamado Steve Bertram, que é fanático pelo Squeeze e disponibiliza tudo quanto é tipo de raridade da banda em vídeo. Inclusive esse show de abril de 1980, em plena turnê de Argybargy. Tem vários documentários e entrevistas lá – infelizmente tudo sem legenda.

Com informações daqui, daqui, daqui e do livro Some fantastic place: My life in and out of Squeeze, de Chris Difford.

VEJA TAMBÉM NO POP FANTASMA:

– Demos o mesmo tratamento a Physical graffiti (Led Zeppelin), a Substance (New Order), ao primeiro disco do Black Sabbath, a End of the century (Ramones), ao rooftop concert, dos Beatles, a London calling (Clash), a Fun house (Stooges), a New York (Lou Reed), aos primeiros shows de David Bowie no Brasil, a Electric ladyland (The Jimi Hendrix Experience), a Pleased to meet me (Replacements), a Dirty mind (Prince), a Paranoid (Black Sabbath), a Tango in the night (Fleetwood Mac) e a Mellon Collie and the infinite sadness (Smashing Pumpkins). E a The man who sold the world (David Bowie).
– Além disso, demos uma mentidinha e oferecemos “coisas que você não sabe” ao falar de Rocket to Russia (Ramones) e Trompe le monde (Pixies).
– Mais Smashing Pumpkins no POP FANTASMA aqui.

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Pera, que história é essa do ecstasy ter feito 110 anos?

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Pera, que história é essa do ecstasy ter feito 110 anos?

A data tá passando batida até o momento e, como tudo que diz respeito ao assunto “drogas”, nada é tão exato assim, mas até mesmo os anais da ciência dão conta de que o MDMA – composto químico que, entre idas e vindas, é conhecido como ecstasy – completou 110 anos neste ano. Ao que consta, os  arquivos da Merck dão conta de que o composto 3,4- Metilenodioximetanfetamina foi sintetizado pela primeira vez nos laboratórios da empresa em 1912.

Segundo o texto The origin of MDMA (ecstasy) revisited: the true story reconstructed from the original documents, de três cientistas alemães, dois documentos encontrados nos arquivos da Merck dão conta disso – um deles é o Relatório Anual de 1912, do laboratório científico da Merck. Apesar de ter surgido a ideia de usá-lo de maneira medicinal como inibidor de apetite, não havia nenhuma indicação nesses documentos de que isso poderia acontecer. Quem sintetizou a substância foi um químico chamado Anton Köllisch, mas a patente do MDMA só veio mesmo em 2014.

“Na especificação da patente, o MDMA apareceu apenas como fórmula química e no relatório anual foi referido como Metilsafrilamina. O pano de fundo preciso para a primeira síntese de MDMA foi que a Merck queria encontrar e patentear caminhos que levassem a substâncias hemostáticas (para acabar com hemorragias), não a supressores de apetite”, diz o texto.

Uma curiosidade sobre o MDMA, e tem um texto enorme do site Ciência Psicodélica explicando isso, é que até os anos 1970 não haviam sido feitas experiências em humanos com a substância. Nos anos 1950, a Universidade de Michigan realizou experimentos com MDMA em parceria com o Exército dos Estados Unidos, mas tudo foi realizado em cinco espécies diferentes de animais. Entre 1975 e 1976, um químico norte-americano chamado Alexander Shulgin (1925 – 2014) fez sessões de experiências com MDMA em pessoas próximas e publicou artigos a respeito. Shulgin, considerado o “padrinho do ecstasy”, deu uma entrevista para a Wired em 2002 lembrando a época em que deu uma dimensão científica ao estudo sobre a substância, e reclamando do uso que considerava inapropriado (por frequentadores de raves, festas, etc) de uma de suas maiores ferramentas de pesquisa.

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Em 1976, foi a vez de Leo Zeff (1912-1988), terapeuta junguiano de Oakland, Califórnia, introduzir a substância no contexto da psicoterapia. Zeff, que tinha sido tenente-coronel do Exército dos EUA, já havia feito tentativas com o LSD no trabalho terapêutico, administrando uma dose aos seus pacientes,  que ficavam ouvindo música de olhos vendados. Zeff foi apresentado ao MDMA pelo próprio Shulgin e tentou usá-lo para fortalecer o vínculo terapêutico – chegou a apelidar a droga de “Adão”, já que acreditava que ela levava o ser humano à inocência dos primórdios. Já o 3,4-metilenodioxietilanfetamina (MDEA) era chamado de “Eva”.

Milhares de textos espalhados pela web, uns bons, outros ruins, mostram que o MDMA, até ser popularizado na forma de comprimido e ganhar o apelido de ecstasy, tem muita história. Os causos da época em que ele começou a se popularizar entre os frequentadores da noite em Manchester, Londres e outros cantos da Inglaterra, ocupam páginas e mais páginas. Surgiu como uma espécie de “verão do amor” interminável (já que dura até hoje), e até hoje, precisa de muito estudo e informação (e redução de danos).

Uma curiosidade sobre esse começo da onda de ecstasy é que o New Order havia feito uma canção chamada Ecstasy, no disco Power, corruption and lies, de 1983. Não apenas a música não tinha nada a ver com o assunto “drogas”, como o New Order nem sabia o que era ecstasy. Nessa época, o grupo foi fazer um show em Dallas e foi relaxar num clube, quando soube pelos promotores do show que uma turma da série de TV Dallas também estava indo com a turma para descolar ecstasy na casa noturna. “Ecstasy? O que é isso?”, perguntou o quarteto.

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Bermard Sumner, cantor do New Order, arriscou certa vez uma explicação sobre porque é que o ecstasy e a acid house (subgênero supostamente “psicodélico” da house music) eram tão interligados. “Os sons abafados de baixo, que eram a marca registrada do estilo, soavam fantásticos com uma dose de E, acho”, recordou. Faz todo sentido. No Brasil, o termo “acid house” ficou popularizado

Em 1988, já com a cena da Inglaterra tomada por casas que tocavam house music, os novos tempos e o ecstasy foram responsáveis por mudanças básicas em pelo menos uma banda: o Primal Scream, um grupo de jangle-pop meio sem rumo, que iniciaria a caminhada que daria em seu terceiro álbum, Screamadelica (1991). Loaded, o primeiro single ligado ao disco, saiu em 1990 e foi chamado pela revista Muzik de “Sympathy for the devil da geração ecstasy”. Seja como for, de lá para cá, e mais ainda de 1912 para cá, o crescimento do ecstasy deu em novas percepções sobre a cultura de drogas, novas visões sobre o dia a dia do usuário recreativo, novas nomenclaturas e variações (como o MD, conhecido como “a droga do amor”) e… como sempre acontece nesse casos, muita necessidade de informação.

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E saiu 1979, o livro!

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E saiu 1979, o livro

O ano de 1979 veio como uma virada na música popular brasileira, trazendo pelo menos um grande festival de música (o da TV Tupi, por sinal um ano antes dela sair do ar), algumas estreias em disco (a de Marina Lima com Simples como fogo,  e o disco epônimo do Boca Livre, por exemplo), a eclosão de um grande movimento (a vanguarda paulista) e vários nomes emplacando músicas no rádio – Fagner, Gal Costa, Rita Lee, Fabio Jr, Ivan Lins, muita gente.

Roberto Carlos já era rei havia bastante tempo e não tinha muita coisa ameaçando o reinado dele – músicas como Na paz do seu sorriso e Desabafo tocariam nas rádios e conquistariam os fãs como sempre. Chegando perto de ameaçar o cantor, só mesmo a onda de canto feminino que invadiria as rádios naquele momento. Maria Bethânia conseguiria vendagens excelentes com o romântico Mel, lançado naquele ano.

Foi um ano decisivo para a produção independente na música brasileira, com muitos discos saindo por intermédio de pequenos selos, ou de iniciativas de artistas. De modo geral ainda era simultaneamente cedo e tarde para falar em “rock brasileiro”. Isso por não havia mais aquela movimentação dos anos 1970, e muitas bandas que fariam sucesso após 1982 nem sequer existiam ainda. O que tinha era o 14 Bis lançando o primeiro disco, Rita Lee virando mania e Raul Seixas em baixa com Por quem os sinos dobram.

Músicos como Herbert Vianna, Renato Russo e Arnaldo Antunes ainda estavam nas garagens ou envolvidos em outros projetos pós-adolescentes. Quem tinha uma cópia importada estalando de nova de Unknown pleasures, do Joy Division, lançado naquele ano, estava umas vinte casas à frente no tabuleiro pop – fãs “moderninhos” de música internacional estavam escutando The Clash, The Police ou reggae.

Isso aí é só um resuminho bem humilde do que você vai encontrar no livro 1979 – O ano que ressignificou a MPB (Ed. Garota FM Books), organizado por Celio Albuquerque, que também já havia feito um livro parecido sobre o ano de 1973, O ano que reinventou a MPB. O livro de 1979 tem cem autores falando sobre cem discos lançados naquele ano, além de textos especiais contextualizando a música brasileira de 1979.

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Entre os colaboradores, tem Chris Fuscaldo, Silvio Essinger, Carlos Eduardo Lima, Bento Araújo, Roberto Muggiatti, Luiz Felipe Carneiro, Lorena Calabria, Daniella Zupo, Gilberto Porcidonio, Kamille Viola, Leandro Souto Maior. Músicos como Marlon Sette, Moacyr Luz e Rildo Hora também estão na lista de autores, falando sobre discos importantes das suas vidas. Na lista, entre outros, álbuns de Angela Ro Ro, Azymuth, Baby Consuelo, Milton Nascimento, Roberto Carlos, Maria Bethânia, Marku Ribas, Elomar, Jorge Ben, Gal Costa, Gretchen, Ronaldo Resedá, Sá & Guarabyra.

Aliás, eu também sou um dos colaboradores e estou no livro falando sobre o segundo disco de Fabio Jr, epônimo, lançado em 1979 – o disco que tem Pai, o maior sucesso da vida dele como autor, e uma música que demorou até fazer sucesso de verdade, e passou por um momentinho de descrédito (leia sobre isso no meu texto).

O livro já chegou na mão da turma que apoiou o crowdfunding e em breve, vai ganhar evento de lançamento e chegar pra todo mundo que estiver a fim de conhecer a música brasileira lançada naquele ano. Ficou um livro bem grande, bem variado (da MPB mais regional à pós-disco music) e bem honesto, como a música de 1979.

(Fotos: Aline Haluch)

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Cultura Pop

E os 35 anos de Document, do R.E.M.?

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E os 35 anos de Document, do R.E.M.?

Conheci Life’s rich pageant (1986), quarto disco do R.E.M., e Document (1987), o quinto disco, praticamente juntos. Daí até hoje, mesmo sendo discos conceitualmente separados por vários aspectos, só consigo vê-los como sendo interligados.

Life’s ainda é mais sujinho na produção, mas já intenso e variado musicalmente. Document, que completa 35 anos em 31 de agosto, já traz o grupo de Michael Stipe (voz), Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo) e Bill Berry (bateria) focalizando cada vez mais o lado sessentista e ensolarado de sua música – um lado que sempre esteve lá, desde o começo, ainda que mais envolto em sombras nos primeiros álbuns.

Document marca também a entrada, no dia a dia do quarteto, de um engenheiro de som experiente, que começara a produzir havia poucos anos, e que a partir desse disco produziria vários clássicos do grupo. Scott Litt tinha sido produtor de uma banda amiga do quarteto, The dB, e começou os trabalhos com o R.E.M. quando o grupo fez Romance para a trilha do filme Paixão eterna, de Alan Rudolph.

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Juntos, fizeram as primeiras demos, e logo o novo disco do grupo foi surgindo, com o objetivo de mostrar o R.E.M. com uma banda que, além de ser boa de palco, dava shows nos discos. Sim, porque Peter Buck chegou a dizer à Rolling Stone que a banda queria, mais do que tudo, fazer um disco que soasse como ao-vivo-no-estúdio. “Um disco solto, estranho, com uma postura mais dura”, disse o guitarrista, que sabe-se lá o motivo, via Life’s como “um disco do Bryan Adams”.

Mais do que ajudar o R.E.M. a fazer um excelente disco, Litt ajudou o grupo a quebrar o sistema, reescrever a história do rock e (claro, por que não?) fazer dinheiro – e não custa lembrar, Document é o disco de The one I loveIt’s the end of the world as we know it (And I feel fine). Honrando a tradição dos músicos honestos armados de boas canções (à maneira de Byrds, Bob Dylan e Joni Mitchell), o grupo já fazia  bastante sucesso antes desse LP. Praticamente tudo da banda vendera mais de 500 mil cópias até então.

Mas Document foi o disco que vendeu mais de um milhão de cópias, pôs nos ouvidos dos fãs canções que já nasciam clássicas, e ainda por cima ensinou algumas lições à I.R.S., selo da banda. “Em praticamente todos os discos que entregamos à gravadora, ouvimos opiniões externas de que ‘este é o disco que vai levar vocês à falência’”, contou Buck no papo com a Rolling Stone.

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O R.E.M pegava em fios de alta tensão desde sempre, mas o clima de guerra do governo Ronald Reagan e os ares da década perdida (para os países latinos) estavam pairando no estúdio na era de Document. Tanto que era também o disco de Exhuming McCarthy, que lembrava do cão-fila anticomunista Joseph McCarthy, e falava que a caça às bruxas dos anos 1950 não estava tão distante assim. “É exatamente o que parece – são os anos oitenta, e McCarthy está voltando, então por que não desenterrá-lo?”, contava Buck.

Até o momento, era o disco que melhor valorizava os versos do vocalista e a combinação de letra-e-música das canções, ainda que alguns álbuns anteriores (como Reckoning, de 1983, de So. Central Rain) fossem páreo duro. Com fama de detalhista e de atento ao mercado, Litt deu à voz de Stipe um volume e uma dinâmica inauditos até então, em plena conformidade com o fato do R.E.M ir muito além do pós-punk e ameaçar uma new wave pesada em músicas como Finest worksong. E em pleno acordo com o clima tranquilo de folk rocks modernizados como Welcome to the occupation (cuja letra fala sobre intervenção do governo Reagan na América do Sul e América Central), ou com o tom meio Kinks da própria Exhuming McCarthy.

Havia ainda Disturbance at the Heron House, uma visão muito pessoal do cantor sobre o livro A revolução dos bichos, de George Orwell, e que já havia ganhado múltiplas interpretações até que Stipe explicasse a letra, anos depois. Strange, um punk rock lascado da banda britânica Wire (do LP Pink flag, de 1977), ganhava uma versão quase power pop. The one I love e It’s the end of the world… foram as primeiras músicas que muitos fãs brasileiros do R.E.M. escutaram em suas vidas – numa época em que, diz a velha lenda, locutores de FMs falavam “rem”, sem soletrar, para que o público não entendesse algo como “I am” (eu sou) e procurasse nas lojas o disco de uma banda que não existia.

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Document é mais que um grande disco. É um estudo de caso, uma demonstração do por quê do R.E.M. ter conseguido ao longo de sua carreira, simultaneamente, fazer um som “fora de moda” e tocar quase tantos corações quanto Madonna. Doses quase iguais de mistério, talento, suor e atenção aos sinais contaram para isso, na hora de escrever letras, músicas, dar entrevistas e dialogar com um mercado cada vez mais exigente. Mas havia muita coisa a vislumbrar ali, e ninguém adota impunemente um nome como R.E.M. (rapid eye movement, a fase do sono na qual os sonhos aparecem). Algo que ficaria claro alguns anos depois.

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