Cultura Pop
Lembra quando o Kingdom Come imitava o Led Zeppelin?

O Kingdom Come, banda alemã de hard rock de relativa projeção nos anos 1980, era bem menos derivativo do Led Zeppelin do que o Greta Van Fleet. Apesar disso, provocou indignação em fãs do Led quando saiu o primeiro disco, em 1988. E também deixou Jimmy Page, guitarrista da banda britânica, meio puto da vida.
Aos trancos e barrancos – e apesar das modas e mudanças de formação – o KC existe até hoje. Inclusive, estão fazendo turnê comemorativa de 30 anos. Olha aí um trecho de show.
A bronca dos fãs, dos críticos e de Page surgiu por causa desse hitzinho do Kingdom Come aqui, Get it on. E, de fato, esses riffs e esse vocal são indelicadamente chupados de Black dog, do Led.
Kingdom Come, o primeiro disco do grupo, deu disco de ouro para Lenny Wolf (voz), Danny Stag (guitarra), Rick Steeler (guitarra e teclados), Johnny B. Frank (baixo) e James Kottak (bateria) no dia em que foi lançado. O único problema aconteceu quando a imprensa começou a procurar os garotos para comentar a respeito da tal semelhança de Get it on com o som do Led. Nesse papinho de meia hora com a revista Rockin’ on, em 1989, um assessor é flagrado dizendo que a banda já estava de saco cheio de responder sobre isso.
Piorou um pouco quando Jimmy Page leu o guitarrista Jimmy Slag afirmando que “nunca tinha ouvido Led Zeppelin na vida”. “Um guitarrista de rock que nunca ouviu nenhuma música do Led Zeppelin, isso é incrível. Vai ver, eu o visitei como um vampiro e deixei minha marca, fisicamente”, respondeu o músico numa entrevista à revista Musician, em junho de 1988.
De certa forma, é injusto dizer que o Kingdom Come era uma mera cópia do Led Zeppelin. Isso porque, a bem da verdade, a banda era bastante parecida com quase todos os grupos da onda hard rock dos anos 1980. O som era dominado por aquelas típicas batidinhas quase marciais e aqueles sintetizadores um tanto cafonas. E, além de Get it on, só 17, no primeiro disco, lembrava o Led.
Depois de Kingdom Come, o primeiro disco, o Kingdom Come passou por várias mudanças. Uma delas bem drástica: pouco antes de começar a turnê do segundo disco, In your face (1989), o grupo se separou. Um tempo depois, o vocalista Lenny Wolf decidiu seguir com o nome e remontou a banda com convidados. Em 1991 saiu o terceiro disco, Hands of time. Should I, uma das músicas do álbum, volta a mexer no espólio do Led Zeppelin.
Dar bronca nos jornalistas que perguntavam sobre o Led Zeppelin nunca surtiu muito efeito. Mesmo 30 anos depois, volta e meia alguém pergunta sobre o assunto para o Kingdom Come. Inclusive, em 2013, no site Powerline, Wolf garantiu que as comparações com o Led foram uma bênção no início, e depois viraram uma “maldição”. Também disse que o grupo tinha influências de Beatles, AC/DC e outras bandas. Aliás, parecido com o que o próprio Greta Van Fleet faz hoje.
Epa, o Kingdom Come não apenas ainda existe como também lançou um EP de Natal no fim de 2018. Ouve aí e conta para a gente se alguma música lembra o Led.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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