Você provavelmente não conhece George Brigman. Esse nativo do Baltimore fez a cabeça de uma turminha restrita quando lançou, autobancado e praticamente feito em casa, seu primeiro LP, Jungle rot, em 1975, aos 18 anos.


Tem quem considere o som do disco como uma espécie de irmão mais novo de Iggy Pop & Stooges. De fato, se você adora a união pré-punk e blues do cantor e do grupo, tem grandes chances de curtir músicas como Jungle rot, It’s misery e I feel alright. Isso muito embora o próprio George já tenha afirmado que nem é fã de Iggy. Aliás, apesar de adorar Frank Zappa e Captain Beefheart, ele se diz um “não-seguidor”.

A barulheira de George Brigman: descubra!

“Nunca quis ter o som igual ao de ninguém, nem usar nenhum clichê de rock”, contou, muito embora ele afirme ter influências de Rolling Stones, Beatles, Animals e outros grupos clássicos, além de blues. Aliás, seu maior herói é Captain Beetfheart. E sua devoção a Johnny Winter não fica atrás.

Jungle rot não foi pensado para ser um disco, já que Brighman tinha músicas compostas e basicamente queria gravá-las. Boa parte do material foi gravado no próprio apartamento de Brigman, usando um gravador de quatro canais, com ele mesmo tocando guitarra e baixo, ao lado de um baterista chamado Jeff Barrett e de um ou outro convidado. Vale dizer que o guitarrista e compositor não era exatamente um músico iletrado, já que ele tinha até aprendido a tocar trompete, tuba e trompa na escola.

O material do disco, além de barulhento, era bem maluco. Jungle rot era uma homenagem à esposa (!) de Ronnie Collier, que toca em algumas músicas do disco – isso porque Collier costumava dizer a Brigman que mataria os dois se descobrisse que andavam saindo juntos.

DMT era uma referência a uma das drogas mais conhecidas e usadas da região de Baltimore.

George Brigman é uma figura bastante misteriosa. Há pouco material a seu respeito na internet e ele gravou raros discos. O segundo álbum, I can hear the ants dancing, foi gravado ao lado de sua banda Split (separação) em 1976, mas ficaria inédito até 1982.

Um EPzinho de 1985.

Em 1986, Brigman teve um filho que nasceu com vários problemas de saúde. Por isso, ele precisou juntar (muito) dinheiro para cuidar do tratamento da criança. Passou a trabalhar como designer. Muito embora Brigman não tenha deixado a música de lado e tenha lançado um disco em 2007. Era Rags in skull, com faixas como No more humans e Some of my best friends are snakes.

E olha que raridade: nesse vídeo, o cabeludaço Brigman surge dando uma entrevista para um pequeno canal do Baltimore em 1982, ao lado do Split. Foi na época em que o segundo disco finalmente saiu.

Aqui, eles aparecem tocando Make it one day ao vivo. Embora não seja um primor de conservação e qualidade de som, pare tudo e veja esse vídeo.

E Jungle rot foi relançado recentemente pelo selo Light In The Attic. Ou seja: corra atrás.