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Cultura Pop

Aquela vez em que o Kraftwerk… plagiou os Beach Boys?

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Aquela vez em que o Kraftwerk... plagiou os Beach Boys?

Aparentemente, não há coisas mais “nada a ver” do que Beach Boys e Kraftwerk, certo? Engano seu. O livro Kraftwerk: Publikation – A biografia, escrita por David Buckley, lembra que em entrevistas, os integrantes do grupo alemão costumavam elogiar a produção de Brian Wilson e seus irmãos. E afirma que havia uma certa “simplicidade infantil” que se podia achar tanto nas músicas do Kraftwerk quanto na dos Beach Boys. Não só isso: havia sim certa admiração pela música anglo-americana no Kraftwerk (Beatles, The Doors), muito embora o resultado ao qual o grupo alemão chegava fosse completamente diferente.

Incrivelmente, quando saiu a maior obra do Kraftwerk, Autobahn – que completou 45 anos na última sexta-feira – de uma hora para outra, uma turma enorme começou a falar que havia algo BASTANTE parecido com Beach Boys na obra do Kraftwerk. Especialmente quando ouviram o refrão (cantado em alemão) do tema de quase 23 minutos do quarteto: “Wir fahr’n fahr’n fahr’n auf der Autobahn” (“estamos dirigindo na autoestrada”). Teve muita gente que ouviu aquilo e pensou em Fun fun fun, dos Beach Boys, e no “ba ba ba ba Barbara Ann”, de Barbara Ann, cover do grupo The Regents gravada pela banda norte-americana.

A ideia de Ralf Hutter, criador das linhas vocais da música, era fazer uma espécie de proto-rap – que ele falava de sprechsingen, algo como “canto falado’, por desconhecer o significado da palavra em inglês. E, vá lá, mais uma vez segundo o livro Publikation, não era uma coincidência que desse para comparar Kraftwerk com as duas canções dos Beach Boys.

“O que o Kraftwerk estava tentando fazer era criar um equivalente alemão para uma road song americana”, acredita o autor do livro (por sinal traduzido no Brasil). “Daqui a uns cem anos, quando as pessoas quiserem saber o que era a Califórnia nos anos 1960, elas vão ter que escutar um single dos Beach Boys”, reconheceu Hutter, que admitiu ser fã da banda (mais sobre isso nesta entrevista aqui).

Teve mais gente notando a semelhança. John Foxx, vocalista original do Ultravox, foi um deles. Foxx, logo que escutou a música, viu nela um lado cômico que passou batido para muita gente.

“Lembro que fiquei intrigado porque era uma música eletrônica, e achei que era um negócio muito engraçado – parecia mesmo um rewrite de Barbara Ann”, recorda ele, que achou Autobahn até parecido com Shadows, ou com o pop alemão grudento dos anos 1960. “Autobahn fazia mais sentido como uma transposição alemã da surf music para o mundo da música europeia de estrada. Aparentemente eles tentaram fazer mesmo harmonias vocais dos Beach Boys usando vocoders”, acredita Foxx.

Tentei achar uma versão surf de Autobahn mas não achei nada. Em compensação, Rick Moranis lançou uma releitura new wave da canção, há uns trinta anos. Pega aí.

Leia também no POP FANTASMA:
– Aquela vez em que o Saara Saara tocou Kraftwerk
– Quando fizeram um especial de TV sobre o Kraftwerk na Áustria
– Quando o Kraftwerk lançou sua própria calculadora de bolso
– E quando o Kraftwerk gravou Pocket Calculator em italiano?
Adult/Child: aquela (outra) vez em que engavetaram um disco dos Beach Boys
– Dez fatos sobre os Beach Boys em 1967
Endless bummer: um disco pirata feito para sacanear os Beach Boys
American Spring: a mulher e a cunhada de Brian Wilson, produzidas pelo próprio.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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