Cultura Pop
Kenny Everett e as piores músicas do mundo

Morto em 1989 por complicações relativas ao vírus HIV, o comediante britânico Kenny Everett se tornou parte da cultura pop, entre outros motivos, por causa do programa “The Kenny Everett video show”, que apresentou de 1978 a 1981, com esquetes, apresentações de grupos de dança (como o popularíssimo Hot Gossip) e muitos shows exclusivos de nomes do pop e do rock – Wings, Suzi Quatro, Bob Dylan, Moody Blues, Thin Lizzy e Leo Sayer passaram por lá.
https://www.youtube.com/watch?v=2NDw5ePiMoo
O programa de Kenny seguiu um caminho parecidíssimo com o da MTV brasileira: abriu atividades tendo a música como motivação principal, até que enxergou na comédia um meio de ampliar o número de espectadores. Em 1981, quando já se chamava “The Kenny Everett video cassette”, trazia uma atração musical por episódio e olhe lá.
Não foi só isso: Kenny também tinha um programa na Capital Radio, ouvida basicamente na área da grande Londres, o “World’s worst wireless show”, que misturava música e esquetes de áudio – e que dedicava uma hora a discos e músicas que “eram tão ruins que acabavam sendo bons”. Não eram exatamente discos de comédia. Eram discos feitos com as melhores das intenções, mas que no entender de Kenny – e no de muita gente – sofriam com letras pobres, arranjos ruins, melodias cafonas, produção irrisória e mau gosto de todos os envolvidos.
Kenny não perdoava ninguém: entravam na lista desde gemas como “Surfin bird”, dos Trashmen, até coisas realmente medonhas como a versão da dupla Mel & Dave para o clássico “Spining wheel” (com vocais parecendo acelerados em relação à base musical), a zoada “I drink to your memory”, do comediante Mitch Murray (em que o narrador ia lendo um texto em que relembrava a partida de uma pessoa querida, enchia a cara e ficava completamente bêbado) e o não-clássico country “Give me that pistol”, do desconhecido Stavely Makepeace. Uma das músicas preferidas de Kenny, “True or false”, tinha sido gravada em 1958 por um imitador barato de Elvis Presley chamado True Taylor – era Paul Simon, em seu primeiro compacto.
Kenny também costumava reunir as 30 bombas mais “queridas” dos ouvintes, escolhidas por voto popular, e apresentava o “the bottom 30”, com as músicas. Essa aí é parte de uma edição de duas horas apresentada em 14 de maio de 1977.
Esse é um “bottom 30” de 1980.
Em 1978, Kenny resolveu levar seu programa para o mundo do disco – e não poderia ter ajuda melhor para isso. Soltou a coletânea “The world’s worst record show” em parceria com o celebradíssimo selo K-Tel, especializado em lançamentos feitos para consumo rápido (coletâneas de disco music sem separações entre as faixas, álbuns com as “vinte melhores” de artistas conhecidos, sucessos românticos dos anos 1960 e 1970). O selo tinha excelente saída em meios de comunicação, já que vendia os produtos como se fossem fabricados para gôndolas de supermercado, com o indefectível texto “conforme anunciado no rádio e na TV”.
Olha aí o disquinho de Everett.


O disco trazia breguices como “Going out of my head”, de um cantor italianado chamado Raphael e a balada “This pullover”, de Jess Conrad. E bombas indiscutíveis como “I’m going to Spain”, de um ator de telesséries chamado Steve Bent (que anos depois foi regravada pelo The Fall numa versão indie-dance) e “Transfusion”, espécie de jingle composto por Jimmy Drake (usando o nome Nervous Norvus) sobre os perigos de dirigir em alta velocidade. Kenny avisava na capa que havia reunido os “sons mais desgostosos do mundo” e que “o sofrimento pode ser divertido”, e na contracapa dizia que o disco “poderia causar transtornos à saúde mental do ouvinte”, sugerindo também que o disco, após a audição, poderia ser usado como apoio para sopeira. Para completar o circo, o vinil tinha cor de “verde-cocô”, segundo o próprio Kenny.
Um cara que se diz colecionador de vinis coloridos fez um vídeo mostrando o LP original. Sei lá por que, o cara decidiu colocar o hit brega “Alzbetínská serenada”, do cantor checo Karel Gott, como trilha sonora (não está no disco).
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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