Cultura Pop
Iggy Pop explicando o que é punk, em 1977

Antes de mais nada, pare tudo o que você está fazendo e ouça agora “The idiot”, primeiro disco de Iggy Pop, que completou 40 anos nesse último fim de semana e de cujo conteúdo surgiu boa parte do punk e do pós-punk.
Agora pode prosseguir: “The idiot” foi lançado pela grandalhona RCA numa época em que ninguém mais apostava em Iggy, que se arrastava desde o fim dos Stooges em projetos que não tinham prosseguimento. Bom, “ninguém” é maneira de falar, já que o grande amigo David Bowie foi lá resgatar Iggy, conseguiu-lhe um contrato, produziu o disco, tocou vários instrumentos (guitarra, sax, teclados, até xilofone), emprestou seu guitarrista Carlos Alomar e ainda deu plástica ao repertório criado por Pop, compondo tudo ao lado dele. Sem músicas como “Nightclubbing”, “Dum dum boys” e “China girl” (aquela mesma, que Bowie gravou anos depois), pode esquecer praticamente tudo o que veio depois: pós-punk, britpop, synthpop, até grunge e se bobear até heavy metal. E música pop (Grace Jones gravou “Nightclubbing” e Madonna sempre curtiu Iggy).
Deu certo a ponto da RCA investir em mais um disco de Iggy naquele mesmo ano, “Lust for life” – só que este foi prejudicadíssimo por ter sido lançado pela RCA na mesma semana da morte de Elvis Presley (a gravadora botou suas fábricas e seu departamento promocional para investir no relançamento da obra do Rei do Rock, maior nome do seu catálogo, e deixou Iggy pra lá).
Devidamente redescoberto pela mídia, Iggy passou a dar muitas entrevistas e fez aparições inesquecíveis em programas de TV naquele ano. Olha aí algumas delas.
Conversando com um repórter na TV holandesa, um Iggy aparentemente bêbado fala com propriedade sobre as origens do punk. Diz que o termo surgiu em “jornais e revistas de terceira categoria”, e que representa “um cara que quer fazer uma coisa bem forte, mas não tem habilidades específicas para isso, daí coisas engraçadas acontecem”, conta, citando como exemplo “O falcão maltês”, um filme da Warner de 1941, com Humphrey Bogart no papel principal, “que tem um cara que trabalha para o cara mau do filme. Ele carrega três ou quatro armas ao mesmo tempo mas é tão estúpido que não consegue atirar em ninguém”. Quando perguntado sobre Bowie e sobre a carreira cinematográfica do amigo, sai pela tangente. “Não penso nada sobre nada, não tenho opinião sobre nada ou ninguém, para ser sincero. Nem tenho tempo livre para ter opiniões ou pensar muito”, tenta explicar.
https://www.youtube.com/watch?v=qSY0K8_JQv4
Mesmo ocupadíssimo com o lançamento de seu disco “Low”, David Bowie tocava teclados e fazia backing vocals em shows de Iggy (e claro que ouvia pedidos da plateia para cantar seu próprio repertório). Olha ele aí quietinho nos teclados e nos vocais de apoio enquanto Iggy quebra tudo cantando “Funtime”.
Em outubro de 1977, Iggy entra carregado por auxiliares (!) no palco do Teatro Apollo, em Manchester, para uma versão de mais de sete minutos de “The passenger”.
Essa aparição de Iggy no palco foi a segunda parte desta entrevista que o cantor concedeu a Tony Wilson, futuro chefão do selo Factory, em seu programa de entrevistas “So it goes”. Iggy é sincero ao falar que sem ajuda dos amigos nada poderia ser feito. “Eles me levaram junto com eles numa época em que eu era um babaca. Não conseguia apresentar nenhum produto consistente nem falar mais de três palavras sem cair no chão, e não estava fazendo shows que prestassem”, conta, agradecendo a David Bowie e a seus pais.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.







































