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Lenda do riot grrrl, Heavens To Betsy faz reunião surpresa e anuncia turnê

O Heavens To Betsy foi uma importante banda riot grrl, além de um embrião do Sleater-Kinney, já que foi a primeira banda da vocalista e guitarrista Corin Tucker antes de ela formar o SK. Ao lado dela no grupo – um duo, na prática – a baterista Tracy Sawyer, que ocasionalmente tocava baixo, e que após o fim da dupla, toocou em bandas como Flying Tigers, KaraNEEDoke e The Lies.
A novidade é que, 32 anos após a separação, Corin e Tracy fizeram um show quase secreto de reunião nesta quinta (25) em Portland. E já anunciaram uma turnê de dez datas, começando em São Francisco no dia 17 de outubro. Os ingressos para a turnê de reunião estarão à venda na próxima quinta-feira (2 de julho).
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Com o nome tirado de uma expressão idiomática usada para expressar espanto (em português, seria algo como “céus!” ou tão aleatório quanto a expressão “pela madrugada!”), a dupla iniciou atividades em 1991 e gravou bem pouco. Em 1992 saiu uma demo epônima pelo selo K Records, apenas em fita K7 (e nunca reeditada porque, supostamente, os masters sumiram embora seja possível ouvi-la no YouTube), além do EP These monsters are real, pelo selo Kill Rock Stars. Em 1994 foi a vez do álbum Calculated, pelo mesmo selo, e fim.
O repertório do Heavens To Betsy era profundamente enraizado no feminismo e na defesa de minorias, tratando de temas como patriarcado, branquitude, privilégios, cultura do estupro. Em entrevistas posteriores, elas disseram que faltava habilidades de comunicação para levar adiante um projeto em que as duas integrantes haviam recém-saído da adolescência e já planejavam turnês sozinhas. Ainda assim, as duas tinham orgulho de tudo que haviam conseguido.
“Se eu conquistei algo com minha carreira musical, se eu acrescentei minha voz às pessoas que lutam por uma vida melhor para as mulheres, então isso é uma grande conquista”, disse Corin Tucker em 2018.

https://www.youtube.com/watch?v=c3YhBH-iecU
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Bruce Dickinson: “Meu próximo disco solo é pesado pra c…!”

RESUMO: Bruce Dickinson prepara álbum solo “pesado pra caralho” para 2027, sucessor de The Mandrake project. Gravado no estúdio de Dave Grohl, o disco deve deixar de lado o formato multimídia.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Campus Party Brasil
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Bruce Dickinson já avisou: seu próximo álbum solo é “pesado pra caralho”. O disco foi gravado no começo deste ano no Studio 606, estúdio de Dave Grohl em Los Angeles, e deve chegar ao público em 2027.
O álbum será o sucessor de The Mandrake project, lançado em 2024, e, ao que tudo indica, vai deixar de lado a ideia de transformar cada disco de Dickinson em uma espécie de projeto multimídia. The Mandrake project veio acompanhado de uma série em quadrinhos e outros elementos narrativos, mas o cantor parece interessado agora em voltar ao velho formato de simplesmente fazer um álbum.
“Ele é meio independente. Tem uma música que tem um pouco a ver com Mandrake. Mas o álbum é pesado pra caralho”, disse Dickinson. “Não estou mergulhando de novo em Mandrake. Acho que Mandrake já ganhou vida própria no universo dos quadrinhos, então pode seguir como história e tudo mais. Não preciso associar a música a ele, a menos que seja uma ideia realmente boa.”
As gravações aconteceram em janeiro e fevereiro, com produção de Brendan Duffey, o mesmo responsável pelas sessões de The Mandrake project. É, portanto, o primeiro sinal mais concreto de como Dickinson pretende seguir depois de um disco que expandiu bastante a ideia de álbum solo.
Enquanto o novo trabalho não chega, Dickinson apareceu recentemente no palco com a Coverups, banda de covers que reúne Billie Joe Armstrong, do Green Day, e outros músicos. Em San Diego, durante as atividades da Comic-Con, ele cantou All the young dudes, clássico do Mott the Hoople, com o grupo.
E o Iron Maiden não para. A banda se prepara para a etapa norte-americana da turnê Run for your lives, com Megadeth e Anthrax (dois terços do chamado Big Four do thrash metal) na abertura. E o grupo está entre os entronizados do R0ck And Roll Hall Of Fame deste ano, mas já mandou avisar que não vai à cerimônia (que rola dia 14 de novembro no Peacock Theater, em Los Angeles) porque estará em turnê na Austrália.
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DIIV muda de rumo com “The fountain”, single produzido por A. G. Cook

RESUMO: O DIIV abre uma nova fase com The fountain, primeiro single de ZIRP!, álbum produzido por A. G. Cook que mistura shoegaze, guitarras e eletrônica e aponta para uma mudança no som da banda.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Louie Kovatch / Divulgação
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O DIIV não parece muito interessado em repetir a fórmula de seu álbum mais recente, Frog in boiling water. The fountain, primeiro single de ZIRP!, o quinto álbum da banda de Nova York, previsto para 30 de outubro, aponta para uma mudança de direção que pode ser mais significativa do que parece à primeira audição.
A música tem os vocais misteriosos de Zachary Cole Smith, as guitarras nebulosas e a atmosfera que remete ao shoegaze que acompanha o DIIV desde o começo. Só que, aos poucos, a faixa começa a escapar desse lugar, com um clima eletronicamente distorcido – abrindo com algo que lembra um girar pelo dial de um rádio, e prosseguindo com beats sinuosos.
É aí que aparece a figura de A. G. Cook, produtor do disco e um dos principais nomes ligados ao antigo coletivo PC Music, além de colaborador frequente de Charli XCX. A combinação parecia estranha no papel. O DIIV vinha de um disco pesado, introspectivo e marcado por uma espécie de ressaca existencial. Cook é associado a uma música pop eletrônica que costuma trabalhar justamente com excesso, artificialidade e transformação.
Não que o single seja um “DIIV fazendo hyperpop”. Cook conta que chegou a considerar uma abordagem mais próxima de remixar e reconstruir as demos da banda (“ao estilo do Screamadelica, transformando-as em um produto final”), mas mudou de estratégia depois de assistir ao DIIV ao vivo.
“Fiquei um pouco obcecado com o som ao vivo deles e insisti em gravar a bateria ao vivo antes mesmo da maioria das músicas estarem finalizadas. Passamos muito tempo gravando partes de guitarra complexas com pedais específicos e o mínimo de tempo possível usando o computador, pelo menos para os meus padrões. Depois de algumas rodadas assim, ZIRP! surgiu como um conceito e uma espécie de mantra utópico-distópico. Para mim, tornou-se um veículo para levar a banda a novos territórios”, afirmou o produtor.
Vai daí que The fountain continua reconhecível como DIIV mesmo quando começa a introduzir elementos que não costumavam ocupar tanto espaço no som do grupo. Guitarras coexistem com eletrônicos, sem que estes roubem o espaço das primeiras. O site Stereogum afirmou que ZIRP! vai colocar o DIIV como cabeça-de-chave de um movimento chamado New Alternativa, no qual “artistas como Slayyyter, Eartheater e Turnstile estão forçando os ‘guardiões da velha guarda’ a encontrar novas maneiras de entender a música além das categorias estabelecidas”.
Zero viagem na maionese, porque faz todo sentido. E isso aí é The fountain…
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Abaixo, confira a capa e a lista de faixas de ZIRP!

LISTA DE FAIXAS
01. The fountain
02. Kid
03. When the glow came for us
04. Dare me
05. The crash
06. Trillions
07. Us against you
08. Evangelizer
09. Underground
10. My star
11. Idiot in the sky
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Por que Stephen Street virou “co-produtor” de “The queen is dead”, dos Smiths, 40 anos depois?

RESUMO: Evento comemorativo de 40 anos do disco The queen is dead, dos Smiths, alçou Stephen Street, engenheiro de som do disco, à categoria de produtor – apesar de, nos créditos originais, os produtores serem Morrissey e Marr. Por que isso aconteceu?
Texto: Ricardo Schott- Foto: Max Knight / Divulgação
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Há uma suposta confusão nos materiais que divulgam atualmente os encontros de Mike Joyce e Stephen Street para debater os 40 anos de The queen is dead (falamos desses encontros aqui). Street aparece ali como “co-produtor” do álbum, embora nos créditos originais do disco ele seja identificado como engenheiro de som, enquanto os produtores são Morrissey e Johnny Marr.
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Vale citar que os créditos oficiais não mudaram. O que mudou foi a maneira como seu papel nas gravações passou a ser descrito. E existe uma razão para isso: Street teve uma participação criativa bem maior do que a expressão “engenheiro de som” pode sugerir.
Marr e Morrissey eram os responsáveis pela produção, mas Street trabalhava muito próximo dos dois e funcionava, na prática, também como uma espécie de consultor criativo. Ele próprio já descreveu as sessões como um processo bastante colaborativo.
Além disso, ao longo das décadas seguintes, Street se tornou um produtor bastante conhecido, trabalhando com Blur, The Cranberries, Kaiser Chiefs, Durutti Column, The Psychedelic Furs e o próprio Morrissey (na estreia solo Viva hate, de 1988, ele produziu e ainda compôs tudo ao lado do cantor). Para um material promocional atual, chamá-lo de “co-produtor” acaba sendo uma maneira mais direta de explicar sua importância no processo. E, claro, tem mais peso do que simplesmente “engenheiro de som”.
Tem um detalhe: o próprio Stephen, ao trabalhar no disco, já queria ampliar sua participação. Em 2005 o site Sound on Sound conversou com Stephen sobre seu trabalho em The queen is dead e lembrou que as funções dele, de Morrissey e de Johnny Marr nesse disco eram as mesmas do álbum anterior, Meat is murder (1985). Mas que Stephen viu The queen is dead como uma oportunidade de também fazer parte da produção – mesmo que nem recebesse crédito por isso.
“Obviamente, quando você é o engenheiro de som de uma banda que produz por conta própria, você geralmente é usado como uma espécie de consultor em termos de som e ideias”, disse. “Bem, Morrissey, Johnny e eu tínhamos uma ótima relação de trabalho – éramos todos mais ou menos da mesma idade e gostávamos do mesmo tipo de coisa, então todos se sentiam bastante à vontade no estúdio”.
O texto flagra Stephen fazendo coisas que vão bem além da função de um técnico: ele, por exemplo, deu a ideia de usar um loop de bateria na faixa-título, e de usar um harmonizador AMS para distorcer a voz de Morrissey (daí veio o falso vocal feminino, creditado a uma cantora imaginária chamada Ann Coates, que surge em Bigmouth strikes again).
Enfim: Street era oficialmente o engenheiro de som, mas sua atuação incluía sugestões de arranjo, efeitos, soluções técnicas e decisões que interferiam diretamente no resultado artístico. Mas chamá-lo de co-produtor, além de colocar as coisas em seus lugares, também ajuda a apresentar Street ao público a partir da carreira que ele construiu depois.
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