Connect with us

Crítica

Ouvimos: Gina Birch – “Trouble”

Published

on

A ex-Raincoats Gina Birch lança Trouble, disco pós-punk intenso e experimental, com ecos de dub, gospel e humor sombrio sobre o tempo e a vida.

RESENHA: A ex-Raincoats Gina Birch lança Trouble, disco pós-punk intenso e experimental, com ecos de dub, gospel e humor sombrio sobre o tempo e a vida.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Third Man Records
Lançamento: 11 de julho de 2025

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Um dos primeiros grupos contratados do selo Rough Trade, as Raincoats eram art punk – mas eram também folk-punk e eram grunge antes do grunge, se você levar em conta que muito do lado banquinho-e-violão do Nirvana tinha a ver com o som delas (a propósito, Kurt Cobain era fã a ponto de ter feito as liner notes dos relançamentos das Raincoats pela DGC/Geffen).

Baixista original das Raincoats, Gina Birch surfa a onda experimental de sua ex banda em Trouble, seu segundo álbum individual. O lance é que se as Raincoats volta e meia pareciam perigosas, Gina além de ameaçadora, tem – aos 70 anos de idade – experiência no underground e na causação de encrencas. Trouble herdou muito de bandas como Public Image Ltd e investe num pós-punk desorientador, cheio de comentários sobre vida, existência, passar dos anos.

  • Ouvimos: Amyl and The Sniffers – Cartoon darkness

A faixa de abertura, I thought I’d live forever, verbaliza isso, em meio a beats eletrônicos, vocais dramáticos e baixo na frente. Happiness lembra que não há bem que dure para sempre, em meio a cítara, percussão e clima robótico-fantasmagórico. Já Causing trouble again, com letra repleta de referências a mulheres boas de briga (da rainha Elizabeth I a Angela Davis) lembra um Devo + B-52s sujo, com vocais feitos por cheerleaders góticas.

Trouble não é o típico disco insociável e esquisito. Gina alivia tudo unindo elementos de dub e gospel em Doom monger, e criando uma espécie de rap new wave em Nothing will ever change that, assim como Hey hey destaca-se por parecer uma canção de ninar suja – ou até mesmo um desdobre podre do som das Shangri-Las. De todo modo, o disco abre em clima sombrio e vai ficando mais fantasmagórico ainda, encerrando com a bagunça existencial-amorosa de Sleep e a música de série policial Train platform.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Crítica

Ouvimos: Sutiã Rasgado – “Trash meninas” (EP)

Published

on

Resenha: Sutiã Rasgado – “Trash meninas” (EP)

RESENHA: Sutiã Rasgado mistura darkwave, pós-punk e punk em Trash meninas, EP que vai do etéreo ao peso com letras de desilusão e autoafirmação.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 30 de maio de 2025

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Duo feminino de Campinas (SP), o Sutiã Rasgado lançou ano passado o EP Trash meninas e o single Ilusão – e são uma banda que vai do clima etéreo ao peso punk em poucos minutos. Na verdade, é exatamente esse o caminho que elas fazem em Trash meninas: Again, a faixa de abertura, tem onda darkwave e baixo lembrando Joy Division, além de um beat de máquina. Like a shot tem estileira doce, guitarras bem simples e legais, e um som que lembra bandas como The Chameleons, The Sundays e a fase mais seca e nervosa do The Cure.

  • Ouvimos: Sutil Modelo Novo – Corre errado (EP)

Gênio ganha mais distorções, uma letra de desilusão amorosa em português e um clima entre o pós-punk e o jangle pop. A faixa-título encerra o EP migrando pro punk com riffs pesados – já a letra fala de autoafirmação feminina, mas conceitua o nome da banda falando que nem sempre as coisas são leves na vida (“às vezes eu me sinto um sutiã rasgado / uma calcinha larga ou um sapato usado / uma sola descolada, uma roupa com amassos”).

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Truckfighters – “Masterflow”

Published

on

Resenha: Truckfighters – “Masterflow”

RESENHA: Truckfighters mistura stoner, metal e riffs sabbathianos em Masterflow, disco que promete caos, mas segura a explosão.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7
Gravadora: Fuzzorama Records
Lançamento: 10 de abril de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Banda sueca de stoner rock que existe há 25 anos, mas tem discografia pequena, o Truckfighters volta com o sexto (!) disco, Masterflow, apelando para os prazeres broncos logo na capa – a lata de um líquido que poderia ser um lubrificante para automóveis diz mais a respeito de Ozo (voz, baixo) e Dango (guitarra) do que qualquer outra coisa. A frase “balance between discipline and freedom” (balanço entre disciplina e liberdade) diz igualmente muito sobre o caráter pesado e, às vezes, improvisado, do stoner que segue as receitas de bandas como o Kyuss: uma vibe sabbathiana, cheia de riffs e com som de alta octanagem.

Essas são a receita e a vibe geral, mas Masterflow é (vá lá) uma propaganda meio enganosa. Começa com o som cromado de Old big eye e The bliss, músicas que dão a impressão de que tudo vai sair do controle, entre metal, punk e stoner, e em meio a guitarras que rugem e rangem. O problema é que nada sai tanto assim do controle, ainda que depois venham os seis minutos e meio de Carver, som com vibração de Hawkwind.

O Truckfighters é mais interessante quando explode, o que torna faixas como Truce, com certa vibe oitentista (tem momentos em que lembra U2 e até The Cure), a faixa-título (um introspectivo tema instrumental) e Goin’ home em experiências meio chatinhas. Sem tentar dar uma de heróis do som pesado e apostando numa receita cheia de riffs, eles ainda assustam no clima cerimonial de Gath e na onda The Cult + Stooges de The gorgon. Uma viagem sonora que promete e às vezes cumpre, no geral.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Jambu – “Cartas que escrevi enquanto sonhava” (EP)

Published

on

Resenha: Jambu – “Cartas que escrevi enquanto sonhava” (EP)

RESENHA: Jambu troca o pop noventista por emo, grunge e pós-punk em Cartas que escrevi enquanto sonhava, EP intenso, sentimental e cheio de guitarras marcantes.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Deck
Lançamento: 22 de maio de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Mudaram algumas coisas no som da banda manauara Jambu – ou melhor, a mudança foi geral. Manauero, o álbum anterior (resenhado aqui, e que ganhou edição deluxe recentemente), era tão pop que chegava a lembrar o som dos discos da Sony Music nos anos 1990. O EP Cartas que escrevi enquanto sonhava mostra uma face mais roqueira do trio, entre emo, grunge, climas pós-punk e algumas trevas nas letras – como a de Invisível, indie rock anos 2000 salpicado de tristeza emo, cuja letra diz “me sinto invisível, sozinho neste mundo”.

Cartas é uma nova fase da banda, em que Gabriel Mar (voz e guitarra), Roberto “Bob” Freire (guitarra) e Yasmin “ysmn” Moura (bateria e voz) fazem um som bem mais sentimental em que as guitarras estão na frente. A vibe pop do disco anterior dava um pouco mais de distinção ao som do grupo, importante dizer. Mas o mergulho no peso e na intensidade rendeu pelo menos dois sons que grudam no ouvido: a balada Carne e osso (com vocais bem bonitos) e as surpresas melódicas de Desconectou, que tem algumas lembranças de Foo Fighters. Já Desculpa, a segunda música, tem muito do indie britânico dos anos 2000.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Acompanhe pos RSS

Hot Water Music (Foto: Divulgação)
Urgente9 horas ago

Hot Water Music anuncia turnê no Brasil em 2027, com data extra em SP

Lulina (Foto: Divulgação)
Urgente13 horas ago

Lulina volta em clima sinuoso e psicodélico no single “Outras vezes”

Tem mais um lado B de Charli XCX, "Playboy bunny" (Foto: Divulgação)
Urgente15 horas ago

“Meu novo álbum, ‘Music, fashion, film’, será lançado em 24 de julho”, avisa Charli XCX

Mick Jagger -Foto: Raph_PH (Wikimedia Commons)
Urgente15 horas ago

Mick Jagger quer os Rolling Stones na estrada de novo “o mais breve possível”

Resenha: Sutiã Rasgado – “Trash meninas” (EP)
Crítica15 horas ago

Ouvimos: Sutiã Rasgado – “Trash meninas” (EP)

Resenha: Truckfighters – “Masterflow”
Crítica15 horas ago

Ouvimos: Truckfighters – “Masterflow”

Resenha: Jambu – “Cartas que escrevi enquanto sonhava” (EP)
Crítica18 horas ago

Ouvimos: Jambu – “Cartas que escrevi enquanto sonhava” (EP)

Caneco Quente: a música dos sons de rua de BH em "Centro Parque"
Urgente19 horas ago

Caneco Quente: a música dos sons de rua de BH em “Centro Parque”

Gilla Band (Foto: El Hardwick / Divulgação)
Urgente19 horas ago

Entre o noise e o colapso: Gilla Band lança “Giraffe”

Resenha: Sutil Modelo Novo – “Corre errado” (EP)
Crítica19 horas ago

Ouvimos: Sutil Modelo Novo – “Corre errado” (EP)

Resenha: Maximilian – “Diurnals” (EP)
Crítica19 horas ago

Ouvimos: Maximilian – “Diurnals” (EP)

Canal Brasil: "3 Obás de Xangô" e outros docs sobre política, arte e feminismo na grade
Urgente19 horas ago

Canal Brasil: “3 Obás de Xangô” e outros docs sobre política, arte e feminismo na grade

Rock In Rio cria a Comfort Zone e adere à Pista Vip, mas com outro nome (Foto: Divulgação)
Urgente1 dia ago

Rock In Rio cria a Comfort Zone e adere à Pista Vip, mas com outro nome

R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora
Cultura Pop2 dias ago

R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

Urgente2 dias ago

Ed O’Brien: “De onde você tirou essa ideia de que existe outro disco do Radiohead?”

Resenha: Martin Carr – “What future”
Crítica3 dias ago

Ouvimos: Martin Carr – “What future”

Resenha: Ghost Valley – “Ghost Valley” (EP)
Crítica3 dias ago

Ouvimos: Ghost Valley – “Ghost Valley” (EP)

Resenha: Tears Of A Martian – “Light II dark”
Crítica3 dias ago

Ouvimos: Tears Of A Martian – “Light II dark”