Cultura Pop
Flop: o maravilhoso “fracasso” de Seattle

O termo flopar virou moda nesta terça (7), já que as manifestações de 7 de setembro estiveram bem longe do sucesso esperado pelos desgraçados defensores do governo. Subiram a hashtag #flopou e de uma hora para outra, várias pessoas pareciam ter sido apresentadas naquele momento à palavra “flopar”. Que vem da palavra inglesa flop (fracasso) e, como gíria, já existe no Brasil desde os anos 1990, quando aparecia em diálogos aqui e ali, e até na crítica cultural (o disco de fulano flopou, a peça flopou, etc).
E, bom, excelente momento para lembrar da banda que ensinou o brasileiro fã de rock a pronunciar a palavra flop, já que ela apareceu de leve na revista Bizz, e teve até um clipe que apareceu bem de levinho na MTV Brasil, Regrets. Era o (enfim) Flop.
O Flop era uma banda de Seattle, mas era uma espécie de irmão mais novo do rock da cidade. Enquanto boa parte das bandas bem sucedidas de lá surgiram de 1984, 1985, o Flop se formou em 1990, um ano antes do Nirvana lançar Nevermind. A diferença é que o vocalista, guitarrista e compositor Rusty Willoughby, o guitarrista Bill Campbell, o baixista Paul Schurr e o baterista Nate Johnson vinham de outras bandas da região, como Fastbacks, Pure Joy e Chemistry Set, dando ao Flop um ar de supergrupo.
O nome do grupo surgiu, evidentemente, da vontade de se auto-sacanear. A banda, que sequer pensava numa carreira profissional, chegou a adotar o nome Butt Sweat and Tears (“bunda, suor e lágrimas”). Era só uma brincadeira, e o nome novo teve que ser escolhido em poucos minutos, quando se defrontaram com um show marcado em cima da hora. “Não havia nenhum pensamento colocado no nome, realmente. Na época em que estávamos nos reunindo, estávamos fazendo isso como uma piada”, afirmou Bill Campbell.
De qualquer jeito, não era o momento mais apropriado para pensar em fracasso: o rock de Seattle começava a ganhar fama, as gravadoras estavam em busca de bandas novas (o Soundgarden foi a primeira a ser descoberta) e havia shows para fazer. Ainda que o Flop fosse uma banda que passasse boa parte do tempo jogando cerveja em si própria nos shows e descuidasse da conservação de seu próprio equipamento. E que logo no comecinho tivesse feito um show que virou um enorme mal-entendido.
“Fomos chamados para um clube em Fayetteville, Arkansas. O bar estava cheio, e a multidão esperava uma banda cover que faria um show de quatro horas. E nós somos uma banda autoral que toca 45 minutos. Chegamos ao clube e percebemos que eles não tinham lido o contrato. Quando explicamos o que pretendíamos, eles disseram: ‘Tudo bem. Tente esticar o máximo possível. Tudo bem”, contou Campbell. “Então tocamos e eles basicamente nos disseram para sairmos de seu lugar e que estávamos fedendo. Essa é provavelmente a pior coisa que já aconteceu conosco”.
O grupo conseguiu gravar o primeiro EP ainda em 1990 (The losing end, por um selinho chamado Lucky Records). Em 1992, lançou o disco de estreia, com 16 curtas faixas, Flop and the fall of the mopsqueezer!, pelo selo californiano Frontier. Detalhe que o som do Flop estava longe de ser ou parecer com o peso do grunge. Estava mais para um power pop + punk muito bem feito e repleto de surpresinhas aqui e ali. E tinha se tornado uma das primeiras bandas a serem chamadas de “pop punk” pela crítica musical. Por sinal, o grande modelo do grupo sempre foi Buzzcocks.
Em 1992, com o sucesso de Nevermind, as gravadoras estavam procurando o novo Nirvana em tudo quanto era lugar – e o melhor, estavam montando selinhos independentes para dar conta dessas movimentações. A Sony lançou um selo indie chamado 550 e o Flop acabou sendo contratado. O disco único da banda por uma grande gravadora chegou a sair no Brasil: Whenever you’re ready (1993).
O amigo Carlos Eduardo Lima, do site Célula Pop, lembrou de outra grande música do disco além de Regrets. Era Julie Francavilla.
Whenever era um disco excelente mas acabou transformando o nome da banda em realidade que ia muito além de qualquer autogozação. A banda não se mostrou fácil de trabalhar e o Flop durou pouco no selo. O álbum foi elogiado mas a banda acabou voltando para a Frontier, pela qual lançou o último disco, World of today (1995), com Dave Fox no lugar de Bill.
A banda encerrou atividades aí e os integrantes ficaram vários anos sem tocar juntos. Só em 2012 o Flop fez um retorno rápido para tocar numa festa, com todos os cinco músicos que passaram pela história da banda dividindo o palco (os baixistas Bill e Dave se alternaram).
Olha aí o espaço reduzido no qual a banda se apresentou em 2012.
Um dos músicos mais atuantes do Flop acabou sendo mesmo o vocalista Rusty Willoughby. Após o fim da banda, ele voltou com o Pure Joy, tocou no Llama e no Cobirds Unite. Também gravou cinco discos solo. E mantém um site com seus trabalhos como designer e diretor de arte.
E para se especializar em Flop e Rusty Willoughby, tem uma entrevista de quase duas horas (em inglês) abaixo, dada ao podcast Rock and/or roll.
Já aqui tem a gravação de um show da banda em 1993.
(pauta roubada do amigo Silvio Essinger)
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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