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Entrevista: Tati Bassi lança nova banda, Devil Blues, unindo rock, blues e umbanda

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Entrevista: Tati Bassi lança nova banda, Devil Blues, unindo rock, blues e umbanda

Vinda de uma banda punk, as Radioativas, Tati Bassi deu um salto no blues, no jazz e no soul em seu primeiro disco solo, Não basta querer, lançado em 2017. “Fui muito cara de pau”, brinca ela, em entrevista ao Pop Fantasma. A ousadia continua: Tati montou um novo projeto musical, Tati Bassi and Devil Blues, que acaba de lançar o primeiro single, Tudo o que vai volta (Monstro Discos), cujo clipe a gente mostra em primeira mão. Acompanhada de Carol Vidal (guitarra), Willian Navarro (baixo), Leos Vibian (bateria), Lécão Baptista (atabaques e percussão), ajudou a criar uma sonoridade que chama de macumblues, e que reúne três pilares de sua vida: umbanda, blues e rock.

Com uma música e um estilo novos pra divulgar, Tati conta que uma grande preocupação é passar muita verdade em sua nova música – tanto que Lécão, o percussionista, é um ogã. “Ele nunca nem tinha tocado em uma banda!”, diz Tati, que é umbandista assim como todos os seus colegas de grupo. Todos na mesma energia musical e espiritual, como ela conta na conversa abaixo.

(lembrando que Tati foi nossa dica de som nacional quando fizemos um episódio do nosso podcast Pop Fantasma Documento sobre o L7)

Como surgiu esse som novo que você tá fazendo no novo single? Já tinha uma onda bem blues e jazz no seu som no primeiro disco solo inclusive…

Já tinha muita. O primeiro disco veio totalmente do blues, do soul e do jazz, mas eu sentia que faltava algo, ainda. Que eu não era totalmente eu naquele disco. Ainda precisava que fosse uma coisa um pouco mais minha. Eu fui criada dentro de terreiro, minha mãe fazia trabalho dentro da minha casa. E com sete anos já comecei a frequentar terreio de umbanda. Sempre quis mesclar isso dentro da minha música. Não tinha ainda acendido dentro da minha cabeça como eu poderia fazer isso. Quando lancei meu primeiro disco solo fiquei um tempão sem cantar, eu ia parar de cantar.

Sério?

Sim, foi um lance mais de pressão psicológica, eu não estava muito bem, tinha acabado de me separar, ia desistir. Só que aí eu fui num centro de umbanda e recebi uma mensagem de que não era pra eu desistir (risos). Eu fiquei com isso na cabeça e logo depois veio a pandemia, e a gente parou mesmo com tudo. Fiquei pensando: quero voltar a cantar, mas quero fazer do meu jeito. E aí me surgiu isso: vou misturar umbanda com rock’n roll, com blues e vou ver no que dá, E aí deu (rindo). E surgiu o nome macumblues na minha cabeça, que é um nome que nem tinha. Pensei em criar um conceito, vir com um nome completamente novo. E são meus três pilares de vida: rock’n roll, umbanda e blues. O rock é o que me fez quem eu sou, o blues foi onde eu aprendi a cantar. Eu vim do punk rock, né?

Como foi essa mudança do punk pro blues?

Eu fui muito cara de pau (rindo). Saí de um negócio completamente diferente e fiz um disco que ninguém esperava. As Radioativas era um negócio completamente visceral. Eu nunca nem estudei canto. Depois que eu gravei meu disco que eu fui estudar um pouco mais, fiz umas aulas. Falo que foi cara de pau porque me joguei num lance que nem sabia se ia dar certo, daí fui atrás de músicos com os quais queria muito tocar. O Gabriel Guedes, o Bocato, o Thiago Pethit, que faz uma participação no meu disco… Queria fazer algo meu, com pessoas que eu admiro. Eu nem sabia nem muito onde eu estava me metendo (risos). Mas eu sabia que eu queria fazer algo, escrevi todas as músicas e letras. Isso te força a acreditar em você mesmo, e te impulsiona. Quando soltei uma demo, de uma gravação caseira que eu fiz, o  Leo da (gravadora) Monstro entrou em contato e perguntou se eu não queria lançar por eles, e foi.

Como tá sendo trabalhar com eles?

Tá sendo massa pra caramba. Agora vai vir uma coisa mais legal porque eu é que tô tomando à frente de todas as coisas. E eu sou muito louca do corre, quero as coisas pra ontem, faço tudo. A capa do single eu mesma que fiz. Sou muito dessa correria, querer fazer show, viajar, e eles estão na parceria comigo. Eu gosto muito da Monstro, eles me deixam bem livre.

Entrevista: Tati Bassi lança nova banda, Devil Blues, unindo rock, blues e umbanda

Capa do single “Tudo o que vai volta”

E agora, mesmo com a pandemia, as pessoas estão indo mais a shows….

Lembro que quando a galera ainda estava no começo da vacinação, surgiram convites para eu fazer coisas de voz e violão, e eu não topava, porque não me sentia bem em fazer as pessoas saírem de casa para me assistir no meio de uma situação dessas. Imagina, juntar uma galera num lugar fechado ou até aberto, sem segurança? Mas agora tem vacina, as coisas estão voltando… Dá até para abraçar as pessoas e sentir o público.

Você tá mais interessada em lançar singles do que álbuns agora? Como tá isso?

Tá sendo algo muito novo pra mim, mas tenho que caminhar conforme as coisas estão indo. Não tem como eu gravar um disco, se as pessoas não compram mais, nem escutam um CD inteiro. A não ser pessoas que amam discos como a gente! Mas não é a maioria das pessoas e quero que minha música alcance o maior número possível de pessoas. Fiquei pensando que disco não vira mais, a gente gasta uma grana, grava várias músicas, o gasto é maior, não tem retorno nenhum… Conversei com a Monstro e falei: “Minha ideia é lançar singles, eu lanço uma música nova com um videoclipe, faço shows de lançamento dessa música e quando a galera estiver familiarizada eu solto a próxima”. Depois dá pra fazer um EP, juntar tudo, se quiser.

Tenho muita vontade de lançar um vinil do meu primeiro disco. Os singles e que vão ficar no digital. Às vezes acho que as pessoas compraram meu disco pra me ajudar (risos), porque sempre pergunto: “Você tem onde ouvir?” E nem a pessoa lembra que ela não tem onde ouvir. Tipo: “Ih, é mesmo, não tenho!”

Já tenho várias músicas prontas, estavam meio que engavetadas, crio muita coisa. E eu sou muito louca porque não toco nenhum instrumento. Crio muita coisa da minha cabeça, me reúno com a banda e falo: “se virem” (rindo). Já tentei aprender a tocar e não consigo. Eu gravo tudo na voz, vem tudo prontinho, é uma psicografia, tipo Chico Xavier (risos). Vou escrevendo a letra e vem o que a guitarra tem que fazer, o baixo, como vai terminar, quem vai entrar. Gravo na voz com metrônomo. Na pandemia eu escrevi muita coisa, tinha muita música com o Rafa, meu ex-marido, que era baterista do meu primeiro disco.

Voltando a questão do macumblues, como foi combinar a batida do blues com a da umbanda?

Eu toco meu primeiro disco inteiro nesse ritmo agora! A gente teve que revisitar o disco e fazer uma transformação nele. No meu primeiro disco tinha outros elementos, piano, metais, trombone, saxofone, e nesse single não tem. Minha banda não é tão grande assim, não tenho tudo isso. A gente teve que reformular todas as músicas e deixá-las mais rock n roll, mas com o atabaque.

Uma coisa que eu queria é que não fosse um percussionista tocando com a gente. Queria que fosse um ogã, que tocasse em terreiro. O ogã que toca com a gente nunca nem tocou em banda na vida! Ele só tocou em terreiro a vida inteira. E eu queria isso porque pra mim a energia de um ogã é muito importante, é outra coisa, uma questão de respeito mesmo, como se eu estivesse fazendo uma gira, um culto na minha musica. E ele gostou tanto que já botou outros elementos na minha música.

Se não fosse isso, seria só o nome, eu apenas mencionaria a umbanda, mas eu queria esse clima de terreiro. E uma coisa engraçada é que todo mundo da minha banda é de umbanda, além do ogã que eu procurei mesmo. Todo mundo é médium, recebe… Então tá todo mundo na mesma energia. Eu falo pra eles que nunca ouvi algo como o que a gente faz! É tudo muito novo.

Como você tá vendo essa proposta de reconstrução do Brasil pro fim do ano?

Ah, espero que a gente consiga tirar aquele cara de lá. O meu posicionamento político, antes de tudo isso tomar conta, era mais anarquista, até. Mudei todo esse meu conceito porque ou a gente luta por um bem maior ou vai ficar dando a mão pro fascismo. E eu acho que melhorar vai demorar pra caralho, tem muita coisa, o bagulho lá dentro é muito fervoroso é uma máfia muito grande. O que dá é pra gente ter um respiro pelo menos, da gente se sentir mais seguro das coisas melhorarem um pouco mais, se tornarem menos piores – o que é horrível.

Eu queria ter a opção de votar em alguém completamente novo, com ideias novas, que pudesse ser mais agregado com a população, mas não vai rolar. O negócio antes de tudo é tirar aquele cara de lá. A esquerda tá com Lula, ele é um cara fodão e vai saber conduzir as coisas melhor do que qualquer outra pessoa que esteve lá. Ou é isso ou a gente enlouquece. Ou a gente já enlouqueceu e não percebeu, porque é um surto coletivo.

Fala um pouco do clipe da faixa.

A ideia inicial era pegar algumas imagens que a gente já tinha da gente gravando, tirando foto, tipo um making of. Sabe aquele clipe anos 90, meio making of, que a galera fazia muito? Clipe de preguiçoso, né? (risos). Brincadeira porque eu adoro esse tipo de clipe e sempre quis ter um assim. A gente não tem imagens de turnê ainda porque  tá todo mundo novo nisso. Mas falei com um amigo meu que trabalha com audiovisual, o George Gouvêa, ele fez o roteiro, e a ideia partiu da gente estar na rua fazendo air guitar, air bass, air drums.

É genial essa ideia, nunca vi um clipe assim com as pessoas pirando na rua. E é uma coisa que eu faço todo dia. Eu saio pra correr na rua fazendo isso. Vou correndo e dançando, fazendo air guitar, já virei atração aqui por causa disso (risos). Gravamos lá em Santo André  (SP) numa rua lá. Gravamos muito rápido, a galera da rua ajudou, deu água pra gente beber. Foi massa, uma puta energia, a gente gravou o clipe num dia  no outro já tinha editado. Bem rápido!

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Radar: Queen, Jacob The Horse, Moon Construction Kit, Laptop, Dead Air Network, The Legal Matters

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Capa do disco Queen II

Acabou 2025! Bom, acabou pra você – no nosso coração ele continua vivo. Mas de qualquer jeito, vai aí o último Radar internacional do ano, destacando até mesmo uma canção natalina do Queen, que adianta um relançamento do grupo – e ainda não foi lançada oficialmente, mas você já ouve aqui. E ainda tem mais. Feliz ano novo!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Queen): Capa do discoo Que

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QUEEN, “NOT FOR SALE (POLAR BEAR)”. Queen II, o segundo álbum do grupo britânico, de 1974, vai voltar recauchutado às lojas e plataformas em 2026. O relançamento é adiantado por Not for sale (Polar bear), canção gravada durante as sessões do disco. Trata-se de uma canção feita pelo guitarrista Brian May para o Smile, sua banda pré-Queen – e algumas gravações piratas da canção com o Smile já rolaram por aí. Brian, que lançou a faixa num especial de Natal apresentado por ele na rádio britânica Planet Rock, apresentou a canção falando que “até onde eu sei, ninguém nunca ouviu esta versão”.

Aliás, essa música do Queen é uma canção de Natal. Daí o músico ter ficado na maior pressa para apresentar a canção, que nem sequer está ainda nas plataformas digitais – May disse também que a música ainda era “um trabalho em andamento”, mas “estou colocando isso de surpresa no meu especial da Planet Rock porque fiquei curioso para saber o que as pessoas acham”. Um detalhe curioso é que a letra não faz referência direta ao Natal. A data surge meio como um subtexto, na história da criança que olha vitrines e depara com um urso polar de brinquedo que “não está à venda”.

JACOB THE HORSE, “666 CHICKS”. Numa homenagem ao filme Faster, pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer, quatro garotas sanguinárias substituem os integrantes da banda punk de Los Angeles Jacob The Horse no clipe de 666 chicks, seu novo single. Não sem antes sequestrar os músicos, subjugá-los e comer os quatro vivos. O guitarrista e cantor Aviv Rubinstien canta que as mulheres “morrerão assassinando homens que tentam mantê-las acorrentadas” e revela uma história de sua família nos versos “minha avó Hannah costumava jogar coquetéis Molotov em nazistas / e eu pago dez dólares por um café / e escrevo poesia ruim / não há esperança para mim” (a avó dele realmente fazia isso – Aviv é judeu esquerdista e muito do repertório do Jacob The Horse é sobre a escalada do fascismo nos Estados Unidos). O irônico álbum At least it’s almost over, o próximo do grupo, sai em 20 de março.

MOON CONSTRUCTION KIT, “CHEMICALS”. O synthpop da Suíça vai bem, obrigado. O Moon Construction Kit é um projeto criado pelo músico Olivier Cornu, cuja sonoridade baseia-se em synths gélidos, algum peso nas guitarras e psicodelia como clima geral a envolver as músicas. Chemicals, o novo single, transita entre David Bowie e uma espécie de boogie art-rock, com arranjo e melodia contemplativos. “Chemicals é o som de sentir demais. Em algum momento, a única forma de lidar com isso é desligar. Eu queria que a faixa refletisse essa luta entre o caos e a necessidade desesperada de quietude”, conta Olivier.

LAPTOP, “CHRISTMAS CARD FROM A HOOKER IN MINNEAPOLIS”. Jesse Hartman é um sujeito experiente: tocou com Richard Hell, teve uma banda de indie rock chamada Sammy (que nos anos 1990 gravou discos na Geffen, e montou depois o Laptop, banda que começou lá pelos anos 2000, e que hoje divide com sseu filho Charlie. O grupo lançou o single Indie hero recentemente, mas despede-se de 2025 com um single natalino: é a versão deles para Christmas card from a hooker in Minneapolis, sucesso de Tom Waits.

“Essa foi a primeira música que me mostrou que dava para misturar tristeza e humor na mesma frase. Ela basicamente me formou. Essa música é a planta-baixa do Laptop, eu sabendo disso ou não”, conta Jesse, que tocava a faixa desde os 13 anos no piano da família, antes de montar qualquer banda.

DEAD AIR NETWORK, “THIS MIGHT HAVE HAPPENED BEFORE”. “O Dead Air Network mistura punk retrô, new wave e influências góticas para criar uma experiência sonora única, que dialoga tanto com fãs nostálgicos quanto com novos ouvintes”, faz questão de esclarecer esse grupo punk de New Jersey, que na faixa This might…, volta esbanjando referências de Hüsker Dü. A música está no EP The fifth of october.

THE LEGAL MATTERS, “EVERYBODY KNOWS”. Muito romantismo e um clima que faz lembrar bandas como Badfinger e Wings – é o som de Everybody knows, música nova dessa banda de power pop do Michigan. Uma música cuja letra fala a respeito de sons que lembram momentos legais do passado e os lugares dos quais você veio – você pode viver para sempre numa lembrança, numa fotografia ou em algo que te lembre coisas boas. Uma canção de Natal, embora nem seja esse o objetivo da banda, já que a data festiva nem é citada.

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Lançamentos

Radar: Ebony, Marina Sena e Psirico, Tenório, Favourite Dealer, SantiYaguo, Zé Manoel

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Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

Hoje é o último Radar nacional do ano – em 2026 tem mais. O single novo de Ebony, que abre caminho para a versão deluxe do ótimo disco KM2, encabeça a lista, que está variadíssima como sempre. Ouça e passe adiante!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

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EBONY, “DONA DE CASA”. “Essa foi a primeira música escrita para KM2, e acabou ficando de fora da versão experimental. Ela foi pensada para ser uma forma de interlúdio, mas acabou sendo um dos versos mais potentes que já fiz na vida, e a escolhi para anunciar a versão completa do álbum”, conta Ebony, que lança em breve nas plataformas a versão deluxe de seu ótimo álbum KM2 (resenhado pela gente aqui).

Dona de casa, a tal música que ficou de fora, abre caminho para a nova versão do álbum, e detalha a luta de Ebony para chegar onde chegou – e o “onde chegou”, vale dizer, inclui datas já agendadas para divulgar o KM2 deluxe, levando seu rap feminista e aguerrido adiante. Aliás, confira abaixo as datas da KM2 deluxe, a tour.

 

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Um post compartilhado por Ebony (@baddiebony)

MARINA SENA feat PSIRICO, “CARNAVAL”. Em 2025, Marina Sena lançou seu terceiro disco, Coisas naturais – seu melhor lançamento até agora, conforme falamos em nossa resenha. E ela encerra o ano com um lançamento especial de verão, o EP Marinada vol. 1 – projeto multimídia que se estende ao audiovisual, cabendo um videoclipe oficial da versão estendida de Carnaval e cinco lyric videos, todos dirigidos por Marcelo Jarosz e Vito Soares. A tal nova versão de Carnaval ganha a participação de Marcio Vitor (Psirico), e mais foco ainda no batuque e na diversão.

TENÓRIO, “PEGA, MATA E COME”. Jazz também combina com perigo e tensão – a banda Tenório, que une improvisos, solos e experimentalismos, já havia mostrado isso com o single Pedra do rio não sabe que montanha é quente. Com Pega, mata e come, o segundo single, a coisa ganha contornos mais selvagens, soando como um bicho atrás de sua presa. Na formação do Tenório, Filipe Consolini (piano), Henrique Meyer (guitarra), Victor José (baixo) e Felipe Marques (bateria). Em 2026 sai o primeiro álbum.

FAVOURITE DEALER, “WAVES”. Destaque de uma cena de bandas nacionais que revitalizam o shoegaze, esse grupo curitibano já havia lançado dois singles em 2025, Frustrating e Drowning. O ano encerra para eles com Waves, faixa que destaca os vocais tranquilos, o clima quase psicodélico e as guitarras sujas – algo no meio do caminho entre o stoner e sons mais melódicos. E já tem clipe.

SANTIYAGUO, “T.O.C.”. Voltado para o metal + hard rock de terror, SantiYaguo (ou Santiago Miquelino, seu nome verdadeiro) pegou um blues-rock feito por ele com Tiago Teixeira, transformou em metal, e lá veio o single T.O.C.. A música ganhou um clipe bastante criativo, dirigido por Fabiano Soares, em que uma mulher é exorcizada por um padre fã de Black Sabbath (que usa Iron man, autobiografia de Tony Iommi, como Bíblia Sagrada).

ZÉ MANOEL, “CORAL” (CLIPE). Patrimônio Vivo de Pernambuco, o Samba de Véio da Ilha do Massangano surge em Coral, contrapartida audiovisual da faixa-título do novo disco de Zé Manoel – é até bem mais do que um clipe, com uma linguagem de curta-metragem. No vídeo, dirigido por Tiago Di Mauro, Zé Manoel chama a atenção para o corpo como território sagrado, casa da voz e da memória ancestral. “O corpo é o meu primeiro instrumento. Antes de qualquer canto, há o silêncio e o som da pele. O clipe de Coral é um ato de reconciliação com a própria natureza. É um renascimento, uma oferenda às águas e às minhas origens”, afirma. Tudo é bastante sensorial, e a água surge de maneira quase ritualizada ao longo do clipe (e resenhamos o álbum Coral aqui).

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Radar: Alex Vanderville, The Dreaming Void, I Smell Burning – e mais sons do Groover

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Foto (Alex Vanderville): Divulgação

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som de Alex Vanderville

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Alex Vanderville): Divulgação

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ALEX VANDERVILLE, “LOBOS”. Vindo do México, Alex faz rock enérgico, influenciado por punk, grunge e sons oitentistas (nomes como Nirvana, Nine Inch Nails, Soundgarden, Jeff Buckley, Stone Temple Pilots, INXS e Duran Duran estão entre suas referências), mas que busca nunca escapar do pop na hora de fazer melodias. O single Lobos tem até um ar gótico no arranjo e até mesmo no clipe – e une punk e synthpop.

THE DREAMING VOID, “DANGEROUS TOYS”. Essa banda britânica tem muito do pós-britpop em seu sóm – mas sem deixar de lado as referências do pós-punk e dos anos 1980. Dangerous toys, um de seus novos singles, tem dois segmentos, e une a tranquilidade de bandas como Starsailor e R.E.M. a um clima gelado que faz às vezes lembrar The Cure e Echo & The Bunnymen. Destaque para a voz de Amy Hart.

I SMELL BURNING, “BLUE PARADE”. Esse misterioso grupo-projeto britânico soa como um David Bowie meio sombrio e metálico, no single Blue parade – uma faixa que eles afirmam ser uma das favoritas dos fãs nos shows. A vibe meio soul da música (que tem andamento lembrando Heroes, de Bowie) com certeza deve dar uma bela animada nas plateias da banda.

DIMA ZOUCHINSKI, “LATER FATE”. Compositor e cantor que diz ter mais de cem canções compostas, Dima é filho de pais russos, mas nasceu na Inglaterra e sempre viveu por lá. Ele diz que seu estilo é “Ian Dury encontra Lemmy nas encruzilhadas do blues”, e tem uma onda assumidamente Billy Bragg em seu som – dá para perceber isso de cara na poderosa Later fate, uma de suas músicas mais recentes.

THE DRONES, “NIGHTINGALE”. Pós-punk zoeiro com vocais de desenho animado, e som que tem o maior jeitão de terror de desenho animado também – na real é uma canção gótica-shoegaze feita em clima de demo, com gravação envelhecida. Uma das faixas do novo álbum do The Drones, que se chama justamente Nightingale.

CRONOS MATTER, “CELEBRITY BOILED”. Esse projeto se define como um encontro entre Nirvana e Soundgarden – uma banda com guitarras pesadas, vocal dramático e clima ligeiramente cinematográfico e aterrorizante. O grupo afirma que a ideia de Celebrity boiled é falar dos descontentamentos e desilusões modernas – a letra fala sobre a verdadeira máquina de moer carne das redes sociais, em que todo mundo fica se comparando, e também sobre relacionamentos abusivos.

PANKOW_77C, “PRECINT 13 DEATH BRIGAD4S”. Esse projeto audiovisual italiano costuma meter bronca mais em vídeos que se assemelham a games – e dessa vez, no single novo, investem no cyberpunk cheio de erros propositais de gravação, peso eletrônico e ligações pouco usuais, já que William Burroughs e Gilles Deleuze são citados como referências misturadas no caldeirão deles. “Filosofia com batida forte. Sem revivalismos. Sem modismos. Esta é uma insurgência sonora construída sobre suor, distorção e memória. Uma trilha sonora para aqueles que se movem para sobreviver”, definem.

SLY SUGAR, “VIDA LOKA”. Esse grupo veio da Ilha da Reunião (departamento pertencente à França), e une reggae, rock, eletrônicos e tudo que você puder imaginar. Vida loka tem uma expressão em português no título, e letra igualmente em português, lembrando o pop nacional dos anos 1990.

EYAL ERLICH, “SENTIMENTAL CAPE”. Com um monte de singles gravados ao vivo – e preparando um álbum – Eyal faz um som voltado para o indie rock, e para canções que exploram “amor, perdas e questões não respondidas”, sempre “em algum lugar entre a atitude punk suave e a vulnerabilidade de cantor-compositor”, conta.

MI6, “THE MIND MACHINE”. Projeto criado por músicos experientes do som eletrônico e da cena gótica, o MI6 é baseado em “new wave, old wave, cold wave, dark wave, com toques de doom, goth, ebm e punk”, cabendo originais e covers no repertório. The mind machine é o primeiro single, um pós-punk gótico com vocais graves feito pelo integrante Dominique Nuydt. Porrada.

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Emicida revisita raízes com dois discos inspirados nos Racionais, misturando histórias pessoais e interpolações em faixas experimentais, íntimas e contestadoras.
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Ouvimos: Emicida – “Emicida Racional VL.3: As aventuras de DJ Relíquia e LRX” (mixtape) / “Emicida Racional VL.2: Mesmas cores e mesmos valores”

Nigéria Futebol Clube mistura noise e no-wave para confrontar o rock, narrar histórias de negritude e de raiva urbana em dois discos radicais e políticos.
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Vamossive, de Posada, mistura folk nordestino, baião-rock e psicodelia afro-latina, com clima sonhador e percussão tranquila que soa como convite.
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Como duo, o francês Pamplemousse mistura stoner, punk, grunge, psicodelia e vários experimentos sonoros em Porcelain.
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Ouvimos: Pamplemousse – “Porcelain”

Em Factory reset, Retail Drugs faz eletropunk ruidoso com baixo distorcido e ironia ácida sobre trabalho, redes sociais e a vida real.
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Ouvimos: Retail Drugs – “Factory reset”

Em Novo testamento, Ajuliacosta faz um manifesto em rap e r&b: existencial, direto e vingativo, criticando machismo, mercado, fama e relações.
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Sea change, segundo disco do Lovepet Horror, mistura pós-punk, dream pop e ecos 80s em clima imersivo, dançante e sombrio, com guitarras ecoadas.
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No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Após seis anos, Of Monsters And Men volta com um disco indie folk mais real e celestial, que fala de saúde mental, amor em desgaste e franqueza emocional.
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