Cultura Pop
E quando o Kraftwerk gravou Pocket Calculator em italiano?

Teve isso: nos anos 1980, a fama do Kraftwerk era enorme. Bem mais que no começo de sua carreira, quando o grupo alemão era mais conhecido pelo seu ineditismo e pelo experimentalismo.

Quando batidas eletrônicas e sintetizadores viraram moda, a banda correspondeu com dois excelentes álbuns, marcando o fim dos anos 1970 e o começo dos 1980. The man-machine (1978) era o disco de hits como The model e Neon lights (tão cantarolável e bela que John Foxx, do Ultravox, defendia que ela deveria ter sido gravada por Frank Sinatra). Já Computer world (1981) virou hit com Home computer (usada até nas chamadas da novela global Brilhante, daquele ano), Numbers e… Pocket calculator, que ganhou até versão em italiano.
Tá aí Pocket calculator, se você nunca ouviu. Na música, o Kraftwerk usava instrumentos como o stylophone (sintetizador-de-bolso que usava uma caneta de metal para produzir sons, usado também por David Bowie em Space oddity) e até um Bee Gees Rhythm Machine, sintetizador de brinquedo produzido pela Mattel, comercializado com a imagem do grupo australiano.
Aí embaixo você confere a dancinha sensual de Ralf Hutter e Karl Bartos (ambos à esquerda) operando os dois instrumentos, ao vivo em 1981. O safadinho Wolfgang Flur, que nas horas vagas era o pegador do grupo (conforme revelado pela biografia Publikation, de David Buckley), bate incessantemente numa peça de percussão. Florian Schneider opera algo que parece mais com uma máquina de cartão. Ou uma calculadora, enfim.
Falando em Publikation, o livro tenta explicar um pouco do motivo pelo qual Pocket calculator fez tanto sucesso: lá por 1981, calculadoras estavam se tornando um acessório tão popular, que estavam até na lista de material escolar das crianças, em vários países do mundo. “E agora eram imortalizadas por serem instrumentos tão úteis, e com sua própria musiquinha. Uma das músicas mais engraçadas já escritas pela banda, sua linha melódica viciante também a torna uma das raras músicas do Kraftwerk que podem ser cantadas junto”, diz Buckley no livro.
E o tal sucesso da música fez com que, em vários países, a música tivesse versões em outros idiomas. Olha aí Dentaku, que é Pocket calculator em japonês, na versão nipônica do disco.
Na França, ela virou Mini-calculateur.
Os discos do Kraftwerk costumeiramente ganhavam versões em inglês e alemão, que eram as mais populares e consumidas pelos fãs. Em alemão, Pocket calculator virou Taschenrechner.
E tá aí o que você vai querer ver durante todo o dia de hoje: na TV italiana, Kraftwerk azeita as juntas e se entrega a uma versão local de Pocket calculator, intitulada Mini calcolatore. O programa era o popularíssimo Discoring, um Globo de Ouro da terra da bota, apresentado pela entidade televisiva Jocelyn Hattab, nascido na Tunísia e famosíssimo na França e na Itália.
Essas versões em outros idiomas apareceram num disco pirata chamado 12′ versions 77-91, lançado por volta de 2010. Olha a capa aí.
Abaixo, você confere nada menos que a capinha do single-K7 de Pocket calculator, conforme ele foi lançado em alguns países. Sim, é uma imitação de calculadora.

Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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