Connect with us

Destaque

Wire ao vivo no Rockpalast em 1979

Published

on

Wire ao vivo no Rockpalast em 1979

O Wire, banda britânica que surgiu em 1976, é fundamental para se compreender não apenas o punk britânico, como o hardcore, o pós-punk e até cenas recentes como post-hardcore. Se você nunca escutou nada deles, há obras extremamente recomendáveis, como Pink flag (1977) e Chairs missing (1978), os dois primeiros discos. E até álbuns recentes, como Nocturnal koreans (2016).

Assim como acontecia com os Stranglers, o grupo liderado pelo compositor, guitarrista e produtor Colin Newman chutava para longe qualquer estigma de primarismo ligado ao punk rock. Usavam sintetizadores, misturavam várias informações musicais em canções que não ultrapassavam os dois minutos, muitas vezes caíam dentro de estilos que eram quase heresias dentro do punk, como o power pop. Também eram fãs de rock alemão e do começo do Pink Floyd.

Advertisement

Abaixo, você confere a bela Outdoor miner, single de Chairs missing, segundo disco do Wire. O som é bem mais cantarolável que boa parte da obra do Wire, por sinal.

O Wire, antes de tudo, era uma banda experimental, do tipo que entrava no estúdio e trabalhava no velho método de tentativa e erro. Quando estavam gravando Pink flag, primeiro disco do contrato da banda com a Harvest, selo anteriormente mais ligado ao hard rock e ao som progressivo, cismaram que uma das faixas tinha um certo aspecto de “música brasileira”. A música, curtíssima, acabou ganhando o nome de Brazil. Pago um jantar para quem conseguir achar algo de brasileiro nisso aí.

Esse lado malucão do grupo acabou afastando alguns fãs, mesmo nas plateias punk. No primeiro show, em 1º de abril de 1977, a banda tocou (segundo o vocalista Colin) para “três pessoas e meia”. Quando assistiram a bandas como Ramones e Buzzcocks, que faziam um som bem mais comercial que o deles, os caras do Wire tomaram uma decisão que fez toda a diferença: passaram a tocar mais depressa.

Advertisement

O som rápido e abrasivo, misturado ao ouvido para boas melodias e à atitude da banda no palco (o grupo mandava pau em sets concisos, Colin permanecia sério o show inteiro e a banda pouco interagia com a plateia) acabou chamando a atenção de plateias em lugares que seriam berços do punk nos anos 1980, como Washington DC e Nova York. Quem ficou encantado com o Wire assim que escutou a banda, por exemplo, foi Henry Rollins.

“As coisas que me impressionaram foram a precisão, a falta de solos, o tom quase zombeteiro da voz de Colin Newman, a intensidade do tom da guitarra”, contou Rollins num papo com a Rolling Stone. Em 1989, no disco Drive by shooting, que lançou creditado a Henrietta Collins & The Wife-Beating Child-Haters, o cantor registrou sua própria versão de Ex lion tamer, do primeiro disco do Wire.

E essa introdução é só para falar que alguém subiu o show do Wire em 1979 no programa pop alemão Rockpalast. Esse show chegou a sair em DVD em 2004 como On the box. No repertório, clássicos dos três primeiros discos da banda e uma entrevista.

Advertisement

Destaque

Dan Spitz: metaleiro relojoeiro

Published

on

Se você acompanha apenas superficialmente a carreira da banda de thrash metal Anthrax e sentia falta do guitarrista Dan Spitz, um dos fundadores, ele vai bem. O músico largou a banda em 1995, pouco antes do sétimo disco da banda, Stomp 442, lançado naquele ano. Voltaria depois, entre 2005 e 2007, mas entre as idas e as vindas, o guitarrista arrumou uma tarefa bem distante da música para fazer: ele se tornou relojoeiro (!).

A vida de Dan mudou bastante depois que o músico teve filhos em 1995, e começou a se questionar se queria mesmo aquela vida na estrada. “Fazíamos um álbum e fazíamos turnês por anos seguidos, e então começávamos o ciclo de novo – o tempo em casa não existia. É uma história que você vê em toda parte: tudo virou algo mundano e mais parecido com um trabalho. Eu precisava de uma pausa”, contou Spitz ao site Hodinkee.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Rockpop: rock (do metal ao punk) na TV alemã

Na época, lembrou-se da infância, quando ficava sentado com seu avô, relojoeiro, desmontando relógios Patek Philippe, daqueles cheios de pecinhas, molas e motores. “Minha habilidade mecânica vem de minha formação não tradicional. Meu quarto parecia uma pequena estação da NASA crescendo – toneladas de coisas. Eu estava sempre construindo e desmontando coisas durante toda a minha vida. Eu sou um solucionador de problemas no que diz respeito a coisas mecânicas e eletrônicas”, recordou no tal papo.

Spitz acabou no Programa de Treinamento e Educação de Relojoeiros da Suíça, o WOSTEP, onde basicamente passou a não fazer mais nada a não ser mexer em relógios horrivelmente difíceis o dia inteiro, aprender novas técnicas e tentar alcançar os alunos mais rápidos e mais ágeis da instituição.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Discos de 1991 #9: “Metallica”, Metallica

A música ainda estava no horizonte. Tanto que, trabalhando como relojoeiro em Genebra, pensou em largar tudo ao receber um telefonema do amigo Dave Mustaine (Megadeth) dizendo para ele esquecer aquela história e voltar para a música. Olhou para o lado e viu seu colega de bancada trabalhando num relógio super complexo e ouvindo Slayer.

O músico acha que existe uma correlação entre música e relojoaria. “Aprender a tocar uma guitarra de heavy metal é uma habilidade sem fim. É doloroso aprender. É isso que é legal. O mesmo para a relojoaria – é uma habilidade interminável de aprender”, conta ele. “Você tem que ser um artista para ser o melhor – seja na relojoaria ou na música. Você precisa fazer isso por amor”.

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.
Continue Reading

Cinema

Bead game: desenho animado sobre agressividade

Published

on

Bead game: desenho animado sobre agressividade

Em 1977, o diretor de cinema Ishu Patel fez o curta-metragem de animação Bead game, que foi relançado recentemente pelo National Film Board of Canada.

Para mostrar como a agressividade pode chegar a níveis inimagináveis, ele criou uma animação que usa apenas contas coloridas, que ganham a forma de vários objetos, animais, pessoas e monstros – um lado sempre tentando derrotar o outro. E quando você nem imagina que a briga pode ficar maior ainda, ela fica.

Via Laughing Squid

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.
Continue Reading

Cultura Pop

Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

Published

on

Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

Em 1986, surgiu uma banda de rock chamada Bad Radio, em San Diego, Califórnia. Foi um grupo que fez vários shows, ganhou fãs e se notabilizou como uma boa banda de palco da região. Mas que se notabilizou mais ainda por ter tido ninguém menos que o futuro cantor do Pearl Jam, Eddie Vedder, nos vocais.

Eddie Vedder, que é lá mesmo de San Diego, aportou por lá em 1988 e ficou até 1990. Conseguiu fazer uma mudança geral no grupo, que tinha uma sonoridade bem mais new wave com a formação anterior, com Keith Wood nos vocais, Dave George na guitarra, Dave Silva no baixo e Joey Ponchetti na bateria. Wood saiu do grupo e com Vedder, a banda passou a ter uma cara bem mais funk metal, e mais adequada aos anos 1990.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Discos de 1991 #5: “Ten”, Pearl Jam

E essa introdução é só para avisar que jogaram no YouTube a última apresentação do Bad Radio com Vedder nos vocais. Rolou no dia 11 de fevereiro de 1990, pouco antes de Eddie se mandar para Seattle e virar o cantor de uma banda chamada Mookie Blaylock – que depois virou Pearl Jam. A gravação inclui as faixas What the funk, Answer, Crossroads, Just a book, Money, Homeless, Believe you me, What e Wast my days. O show foi dado no Bacchanal, em San Diego.

Com a saída de Vedder, o Bad Radio ainda continuou um pouco com o próprio Keith Wood, de volta, nos vocais. Segundo uma matéria publicada pela Rolling Stone (e que tem detalhes contestados pelos ex-integrantes do Bad Radio), Vedder não foi apenas cantor da banda: ele virou assessor de imprensa, empresário, produtor e o que mais aparecesse. A lgumas testemunhas dizem que a banda não era favorável ao lado ativista de Eddie (que costumava dedicar músicas e shows aos sem-teto), o que ex-integrantes do Bad Radio negam (tem mais sobre isso aqui).

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.
Continue Reading
Advertisement

Trending