Cultura Pop
Doors cantando Love Me Two Times sem Jim Morrison: aprovado?

John Densmore (bateria), Robbie Krieger (guitarra) e Ray Manzarek (teclados), que dividiam The Doors com o vocalista Jim Morrison (voz), eram grandes músicos. Mas estavam longe de serem grandes cantores, símbolos sexuais e líderes carismáticos.
Era um detalhe mais ou menos público e notório. Até mesmo porque Manzarek soltava a voz em algumas músicas da banda, quando Morrison estava doidão demais (tem ele cantando Close to you, blues de Willie Dixon, no duplo ao vivo Absolutely live, de 1970). Mas ficou evidente por causa de um imprevisto: o cantor dos Doors morreu em julho de 1971, durante sua estadia em Paris.
Na época, os Doors vinham trabalhando em seu sétimo disco, que sucederia L.A. Woman, de 1970. E com a morte do vocalista – e um contrato ainda em vigor com o selo Elektra – precisou terminar o álbum de qualquer jeito. O trio completou as músicas, feitas individualmente ou em duplas, e nem recorreu a algum suposto baú de Morrison: fizeram suas próprias letras.
Other voices, primeiro disco dos Doors sem Jim, saiu em 18 de outubro de 1971 e tá longe de ser um total atropelamento. Tem músicas legais e Manzarek e Krieger têm lá seu charme cantando. Em compensação, se na “antiga gestão” você tinha Love street, Wintertime love, When the music’s over, Light my fire e outros títulos de intensidade marcante, dessa vez você tinha Ships w/ sails (“navios com velas”), Variety is the spice of the life (“variedade é o tempero da vida”) e a autoexplicativa I’m horny, I’m stoned (“estou de pau duro e doidão”). O disco chegou à 31ª posição nas paradas e deu uma dividida na crítica. Muita gente não curtiu, mas a Billboard de 30 de outubro de 1971 resenhou um show dos Doors no Palladium, em Los Angeles, e exagerou dizendo que Other voices era “um dos dois ou três melhores discos da banda”.
A Elektra aproveitou para recordar os Doors com Jim na coletânea Weird scenes inside the gold mine (1972), enquanto a banda preparava o oitavo disco, Full circle, o segundo sem o vocalista, lançado em agosto. O álbum apontava para o jazz rock, tinha momentos em que lembrava bandas como Doobie Brothers e trazia a participação de uma série de músicos de estúdio – até mesmo o brasileiro Chico Batera tocava percussão em algumas faixas. Um trio de vocalistas (Clydie King, Melissa Mackay, Venetta Fields) era chamado no encarte de “as outras vozes” (em referência ao título do disco anterior).
Em 1973, o grupo encerrou atividades, e até hoje uma porrada de fãs dos Doors nem sabe que a banda gravou dois discos sem Jim. Inclusive porque Densmore, Manzarek e Krieger nunca curtiram muito a ideia desses discos serem relançados – Other voices e Full circle só saíram em 2006 em CD, numa edição dupla, e em 2015 ganharam até relançamento gourmet em vinil.
Já em 1972, quem não tinha tido a curiosidade de ouvir os dois discos ou ir a um show dos novos Doors, e estava dando uma passadinha na Alemanha (ou morava lá) encontrava a banda na TV relendo até mesmo canções da banda que tinham sido compostas por Jim Morrison. Olha aí o trio cantando Love me two times.
Essa versão de Love me two times apareceu no programa Beat-Club, exibido em Bremen, em 1972. Na noite em que a banda esteve por lá, tocaram só essa música da “fase antiga”. Isso porque o repertório foi todo tomado por músicas do período pós-Morrison, como Make it dark, Verdillac, In the eye of the sun. E a famigerada I’m horny, I’m stoned (você confere a playlist inteira aqui).
Sem o vocalista, a música não ficou exatamente ruim, mas estava longe de ter ficado boa. Aliás, quase tudo dos Doors sem Jim ficou assim, não?
Veja também no POP FANTASMA:
– The Doors num clipe bem estranho de Light my fire.
– Quando Harrison Ford foi câmera (!) num filme dos Doors
– Um filme institucional da Ford de 1965 com trilha dos Doors
– A enorme coleção de discos de Ray Manzarek (Doors)
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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