Cultura Pop
Discos de 1991 #8: “V”, Legião Urbana

Altas vendagens, reputação sólida, respaldo da crítica e um público numeroso. Era o que a Legião Urbana tinha em 1991. Era um status bem diferente (e mais confortável) do de colegas como Titãs e Paralamas do Sucesso, por exemplo. Internamente, as coisas não iam tão bem, com o vocalista Renato Russo tendo recaídas nas drogas. O cantor também descobrira que era soropositivo.
Segundo o livro Memórias de um legionário, de Dado Villa-Lobos, Felipe Demier e Romulo Mattos, o vocalista, pouco antes do quinto disco da banda, V, havia se internado numa clínica de reabilitação em Botafogo. Ao ter negado seu pedido de um violão “para tocar para os outros pacientes”, tocou fogo numa das cortinas do local. Renato foi liberado da clínica, passou o Natal de 1990 com a família em Brasília e as coisas foram melhorando devagar até que a banda pudesse entrar num estúdio na Barra – afastado da sede da gravadora EMI, em Botafogo – para gravar o novo disco. Em meio aos estresses, Dado foi descansar a cabeça trabalhando como músico (e como emprestador de equipamentos) numa montagem de Santa Clara Poltergeist, de Fausto Fawcett.
V é “o disco progressivo da Legião Urbana”. Renato era fã do estilo e os próprios Dado (guitarra) e Marcelo Bonfá (bateria) também curtiam os climas elaborados de bandas como Yes e Emerson, Lake & Palmer. A capa foi não muito discretamente inspirada na arte de Larks’ tongues in aspic, do King Crimson (1973).
Já os bastidores do álbum traziam histórias ligadas à crise da era Collor. Apesar de a Legião não gostar de turnês extensas, o grupo acabou indo para estrada justamente por causa disso. Renato havia perdido o dinheiro que tinha na poupança (por causa do confisco feito pelo ex-presidente) e discos viraram bens quase supérfluos. Se por um lado o conceito de V também era um tanto indigesto, inspirado na Ordem dos Templários, o grupo conseguiu até colocar nas rádios uma canção de onze minutos de letra esperançosa, Metal contra as nuvens. Além da romântica e simples O mundo anda tão complicado. E de uma canção que refletia bem o que eram aqueles tempos, O teatro dos vampiros. Era a Legião olhando no olho do público, apesar das canções difíceis.
Renato, num esforço para manter a banda unida e se cuidar, ficou limpo durante as gravações do disco. V tocava em muitos temas sombrios, até por causa das experiências recentes do cantor (e, por tabela, da banda). O clima já era dado pela faixa de abertura, Love song, com letra tirada da obra do menestrel medieval Nunes Fernandes Torneol, do século 13 – e cantada em português arcaico, aberta com os versos “pois nasci, nunca vi amor/e ouço dele sempre falar”. A montanha mágica, com pegada meio Lou Reed, falava sobre heroína, droga com a qual Renato tivera um relacionamento pouco antes do disco começar a ser gravado.
V rendeu pelo menos uma crítica positiva (na Bizz, que não dera o mesmo tratamento aos novos LPs de Paralamas e Titãs) e várias resenhas antipáticas ou simplesmente devastadoras. O livro Discobiografia Legionária, de Chris Fuscaldo, mostra que o esforço da banda foi recompensado: o LP ganhou disco de platina triplo. A turnê subsequente foi marcada por brigas com a gravadora, recaídas de Renato no álcool e shows tensos. A Legião voltaria a virar uma “banda de estúdio” por algum tempo.
Outros discos de 1991 aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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