Cultura Pop
Dez bandas pouco citadas do Noroeste Pacífico dos EUA

Se você ainda não foi, vá. Nirvana: Taking punk to the masses deixa o Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, nesta terça (22). É a chance de conhecer não apenas a história do Nirvana, como várias histórias do grunge e da música produzida em Seattle após os anos 1980. Tudo com o maior carinho: a memorabília de Kurt e das bandas locais que está na exposição chega a emocionar. Tem desde discos das coleções de Kurt Cobain e Krist Novoselic, até a máquina na qual o cantor do Nirvana gravou sua primeira demo (um gravadorzão da Teac que pertencia à sua tia). E antigas camisetas usadas em shows.

Pra quem ama descobrir sons novos ou redescobrir coisas que passaram batidas, tem isso aí. O músico Steve Fisk, que produziu bandas como The Afghan Whigs, Seaweed, The Screaming Trees e o próprio Nirvana, preparou, a pedido da chefia da exposição, um mapa do rock do Noroeste Pacífico dos EUA. É a região na qual está inserida a cena de Seattle. E cujas peculiaridades dão o tom do cenário musical.
Fiz uma listinha de dez bandas pouco lembradas da região. Confira aí. E claro 1) faltou banda; 2) você tem que ir na exposição enquanto ela ainda está lá, aproveite.
NEW BAD THINGS. Grupo da cena de Portland, que existiu durante os anos 1990 e depois mudou o nome para No Bad Things. Foi tocada no programa de John Peel na BBC, com o quase-hit I suck, mas não chegou a ser um grande sucesso. Gravou discos apenas por selos locais.
SEPTIC DEATH. Hardcore de Boise, Idaho. Os integrantes dessa banda depois foram se bandeando para cenas como as de punk e metal extremo. O Septic Death existiu de 1981 a 1986, gravaram apenas dois álbuns (e vários EPs) e passaram por uma encrenca daquelas logo no primeiro show, dado numa pizzaria. O grupo causou tanto horror na plateia que foi varrido do palco após seis canções.
MALFUNKSHUN. A grande “banda perdida” de Seattle, fundada em 1980 pelos irmãos Andrew e Kevin Wood (Andrew é aquele cara que depois montou o Mother Love Bone, morreu de overdose e acabou inspirando a criação do Temple Of The Dog). Entre idas e vindas, a banda ainda existe, tocada adiante por Kevin, mas seu único material gravado é Return to Olympus, CD de demos lançado em 1995.
MONO MAN. Vindos de Bellingham, podem ser considerados quase pós-proto-punks, com influências de bandas de garagem e de grupos como The Sonics. Em 2013, de volta após um tempo de hiato, tocaram até no festival Porão do Rock, em Brasília. A paixão da banda por sons antigos é tão grande que um de seus discos, de 1992, se chama Back to mono.
DEAD MOON. Banda veterana da cena indie de Portland, está completando 30 anos em 2017 e voltou em 2014 após passar alguns anos parada. Os dois líderes são mais “veteranos” que a própria banda: Fred Cole (vocal, guitarra) e Toody Cole (baixo), casados há quase cinco décadas, são fãs de rock desde os anos 1960 e Fred é músico desde os 14 – uma de suas primeiras bandas, The Weeds, formou-se em 1966 e está na coletânea de bandas de garagem Nuggets, lançada em 1972. Mais: o grupo constrói seus próprios instrumentos, se empresaria, vende seu próprio material e grava e masteriza seus próprios discos.
GREEN APPLE QUICKSTEP. Vindos de Tacoma, acabaram sendo outra banda da região a ser contratada por multinacional. Foram parar na Reprise – a mesma que levou o Mudhoney a peso de ouro – e gravaram dois discos por lá. São Wonderful virus (1993, produzido por Daniel Rey) e Reloaded (1995, por Stone Gossard, do Pearl Jam, e Nick DiDia). Depois foram para a Columbia e soltaram por lá New disaster. Acabaram em 1998 mas retornaram em 2009.
IMIJ. Joia perdida do Noroeste Pacífico dos EUA. Uma banda de Seattle costumeiramente chamada de “afropunk”, por misturar funk e soul com barulhos grunge. O nome é Jimi, de Jimi Hendrix, ao contrário. A vocalista Shannon F hoje vive em Nova York, é DJ além de musicista e mantém uma página do grupo no Facebook. Achar material da banda para escutar é tarefa ingrata. Há dez anos, um fã publicou fotos raras de um show deles em junho de 1992.
HEAVENS TO BETSY. Banda não muito conhecida do movimento riot grrrl, vinda da região de Olympia. Foi a primeira banda da vocalista do Sleater-Kinney, Corin Tucker, e fez poucos lançamentos: um CD, uma demo em cassette e três singles. O nome do grupo vem de uma expressão norte-americana usada no século 19, que era algo como um “graças a Deus!” bem das antigas.
THE U-MEN. Grupo veteraníssimo de Seattle. Foi formado em 1981 e tido como influência em tudo o que veio depois na região. O primeiro e único LP deles é de 1988, Step on a bug. Duraram até 1989.
HEATMISER. A banda de ninguém menos que Elliott Smith – aquele mesmo. Vieram de Portland e eram quase pós-grunge: surgiram em 1991 e lançaram o primeiro disco em 1993, Dead air, pela Frontier Records. O resultado foi comparado pela Trouser Press a bandas como Fugazi e Helmet. Duraram três discos, e no terceiro álbum, Mic city sons (1996), Elliott já estava em carreira solo.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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