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Cultura Pop

Devo e John Densmore (Doors) em “Square pegs”

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Devo e John Densmore (Doors) em "Square pegs"

Devo e John Densmore (Doors) em "Square pegs"

Bem antes de virar ícone em “Sex and the city”, Sarah Jessica Parker, aos 17 anos, fazia uma garota nerd chamada Patty Greene em “Square pegs”, uma série da CBS levada ao ar em 1982 e que teve apenas uma temporada antes do cancelamento.

Não era mesmo algo fácil de vender. No comecinho dos anos 1980, quando a década ainda estava sendo devidamente definida em termos de cultura pop, a série escrita por Anne Beatts (que tinha feito roteiros para o “Saturday Night Live”) tratava do dia a dia de adolescentes, mas sem focar no lado dos vencedores da história. Patty e sua amiga Amy Linker (Lauren Hutchinson) conviviam com uma turma repleta de geeks e introvertidos, numa linha mais próxima dos clássicos de John Hughes (como “Clube dos cinco”). A personagem de Sarah, em particular, briga com o fato de usar óculos enormes e vive em busca de aceitação – aquela velha luta dos populares contra os não-populares.

Depois que a série foi lançada em DVD, em 2008, muita gente parou para reavaliar o programa e as inovações que ele trouxe na época. O “New York Times” até chamou a atenção, num artigo, para o fato de que a série trazia piadas que envolviam artistas como Elvis Costello e The Clash. E que Patty e seus amigos faziam troça de hippies ou de situações que pareciam distante havia séculos, como o fim dos Beatles.

“Os anos 1960 e 1970 estão genuinamente acabados na série”, diz o texto assinado por David Brown, que ainda vê em Patty um pouco do que seria a Carrie Bradshaw interpretada por Sarah em “Sex and the city”: confiante, mas insegura; criativa, mas com dificuldades de adaptação.

Para quem curte referências de música e coisas pop em séries, até que “Square pegs” fez o possível para cair dentro do assunto, e olha que foi apenas uma temporada. Quem esteve por lá, apresentando-se no epidósio “Muffy’s Bar Mitzvah”, que foi ao ar em 29 de novembro de 1982 (e falava do bar mitzvah do playboy Muffy, interpretado por Jami Gertz) foi o Devo. A banda new wave fez um show no evento, tocando “That’s good”, do disco de 1982 “Oh, no! It’s Devo!”. Dá até para ver (bem rapidamente) algumas pessoas na plateia com aquele chapéu “cúpula de energia”, que o Devo usava.

A escolha de “I know what boys like”, da banda norte-americana The Waitresses, para a abertura jogou o seriado totalmente na onda mais experimental do pós-punk/new wave. Olha aí o comecinho de “Square pegs”, que sempre trazia imagens da escola com um diálogo de Patty e Lauren ao fundo, falando sobre a dificuldade de adaptação das duas (“esse ano vamos ser populares, nem que nos matem”, jura Lauren).

Olha o clipe original da música aí. Chris Butler, o guitarrista, cresceu na mesma cena em que surgiram Devo e Pretenders, em Akron, Ohio, e estudava na Kent State University quando rolaram os atentados a estudantes em 1970, inclusive. Hoje ele ainda trabalha com música, mas a banda não existe mais. A vocalista Patty Donahue morreu de câncer em 1996.

No terceiro episódio, de 11 de outubro de 1982, Marshall Blechtman (John Femia) torna-se viciado em Pac-Man (o nome do programa: “Pac-Man fever”). A soluão para o garoto? Passar por uma sessão de exorcismo comandada pelo comediante Don Novello e seu personagem Father Guido Sarducci. Olha um trecho aí.

O baterista dos Doors, John Densmore, aparece na série duas vezes, como baterista da banda new wave do geek Johnny “Slash” Ulasewicz (Merritt Butrick). No episódio “Open 24 hours”, de 22 de novembro de 1982. E no mesmo “Muffy Bar Mitzvah” em que o Devo aparece.

E a série ainda teve um episódio chamado “Merry Pranksters” – enfim, até que rolou uma referência bem interessante aos anos 1960 (no caso, aos Merry Pranksters, comunidade de intelectuais festeiros movidos a LSD, criada por Ken Kesey). No episódio, que foi ao ar em 10 de janeiro de 1983, Patty e Lauren resolvem virar as gozadoras da turma para ganharem popularidade. Mas não dá certo.

https://www.youtube.com/watch?v=NeyaxvzAqTY

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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