Cultura Pop
Conheça o Mazzy Star em seis itens

A banda californiana de dream pop Mazzy Star voltou à mídia neste fim de semana por causa de uma notícia triste: a morte do baterista Keith Mitchell, que gravou com os líderes Hope Sandoval e David Roback todos os álbuns do grupo. O grupo permanece sendo um puta mistério para muita gente, por causa de sua carreira estilo para-e-anda, suas entrevistas um tanto quanto irregulares e reticentes (os repórteres que entrevistam o grupo sempre falam que toda pergunta feita a eles é seguida de pausas e breves meditações) e sua formação sempre inconstante. Se você nunca ouviu nada do grupo – e são só quatro discos, apesar de terem surgido no fim dos anos 1980 – estão aí seis itens importantes para se conhecer o som e a história deles.
PAISLEY UNDERGROUND: Esse movimento, nascido no começo dos anos 1980, não chegou a ser uma coisa enorme a ponto de marcar época na maioria dos livros sobre rock. Azar dos livros sobre rock, pois: fazendo uma mescla de psicodelia e punk (que muita gente preferiu colocar na conta do chamado shoegaze ou do dream pop mesmo), bandas bacanas da Califórnia como The Three O’Clock, Dream Syndicate e Rain Parade conquistaram fãs e colocaram sons viajantes em melodias simples e legais, com os dois pés no chamado jangle pop – estilo influenciado bastante pela música dos Byrds. As Bangles (de “Walk like an egyptian”, lembra?) eram dessa galera antes de estourarem. E o Mazzy Star é filho dessa turma: o guitarrista David Roback tinha sido um dos fundadores do Rain Parade.
OPAL: Antes do Mazzy Star, havia esse grupo, formado por Roback, Kendra Smith (ex-baixista do Dream Syndicate, no baixo e nos vocais) e o próprio Keith Mitchell. O Opal chamava-se antes Clay Allison e chegou a gravar um single com esse nome, mas depois mudou para Opal, lançou alguns singles, um EP e também um LP em 1987 pelo selo SST, “Happy nightmare baby”. O disco chamou a atenção de público e crítica (anos depois, em 1999, “She’s a diamond” esteve na trilha do drama “Meninos não choram”) mas a banda não durou muito. No meio de uma turnê em que abriam para o Jesus & Mary Chain, Kendra saiu e quem entrou foi Hope Sandoval, que ficou no finalzinho do Opal e depois montou o Mazzy Star com Roback.
“SHE HANGS BRIGHTLY”. O primeiro disco do Mazzy saiu em 1990 pela Rough Trade. Até então, o Mazzy tinha um material composto por Smith e Roback para um segundo disco do Opal, que ficou engavetado – mas Hope achou que não valia a pena trabalhar em material velho, Na época, a banda completava a formação com Mitchell na bateria, o também falecido William Cooper nos teclados e Paul Olguin no baixo. Com o tempo, o grupo foi se tornando cada vez mais um núcleo de músicos (alguns mais fixos que outros) girando em torno do núcleo duro de Roback e Hope.
HOPE SANDOVAL. Quem vivia de olho grudado na MTV nos anos 1990 lembra bem do rosto de Hope Sandoval, já que ela participou de um hit que o Jesus & Mary Chain teve em 1994, “Sometimes always’ – ela dividia os vocais com Jim Reid na bela faixa, que virou clipe, e namorou William Reid por três anos. Entre idas e vindas do Mazzy Star, ela montou um grupo chamado Hope Sandoval & The Warm Inventions (cujo terceiro disco, “Until the hunter”, saiu no ano passado) e fez participações em faixas do Massive Attack (“The spoils”, ano passado também, e “Paradise circus”, de 2010), do Chemical Brothers (“Asleep from day”, de 1999) e outra do Jesus (“Perfume”, de 1998).
VAI E VOLTA: O Mazzy Star teve mais hiatos do que carreira de fato – a banda gravou apenas quatro discos de 1990 para cá. Geoff Travis, dono do selo Rough Trade, afirmou num papo com a Uncut em 2015 sobre o grupo (cujas participações na matéria aconteceram por Skype) que o Mazzy Star não é uma banda de rock normal. “Diria que eles (Hope e Roback) vivem em seus próprios mundos. É uma coisa muito musical, de certa maneira, já que eles são tão obcecados com música e em fazer o que fazem, que isso meio que tira os dois da normalidade da sociedade”. O disco mais recente saiu em 2013, “Seasons of your day”.
MITCHELL: O baterista se manteve na formação em todos os discos do Mazzy Star. Antes do grupo, tocou em bandas como Monitor e Green On Red. O músico morreu no domingo, de causas ainda não reveladas. A própria banda divulgou sua morte, a partir de uma postagem no Facebook.
https://www.facebook.com/MazzyStarOfficial/posts/1349781105108284:0
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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