Cultura Pop
E agora, com vocês… Charles Manson?

Apesar de ser o lunático que é, de ser igualmente um compositor medíocre e de deixar vazar evidentes sinais de perturbação mental até em suas letras, o psicopata Charles Manson (se você não sabe quem é, veja aqui ou leia o fundamental livro “Manson”, de Jeff Guinn, lançado por aqui) até que teve sua produção musical regravada e valorizada com o passar dos anos.
Pois é: se você não sabe, além de criar um estranho culto em relação à sua figura nos Estados Unidos e de ordenar assassinatos, ele também era cantor e compositor. Foi por causa disso que ele decidiu se aproximar de nomes famosos como o beach boy Dennis Wilson – que em 1968 abrigou Manson e integrantes da “família” do maníaco em sua mansão de Los Angeles. Quando a situação se tornou insustentável, Dennis teve a ideia genial: parou de pagar o aluguel da casa, deu o fora dali e deixou a marimba para Manson e seus protegidos segurarem (claro que o maluco passou a nutrir verdadeiro ódio por Wilson e por todos os milionários de Los Angeles, o que teve resultados bastante desastrosos).
A mais conhecida música de Manson, claro, é a regravação do Guns N Roses para “Look at your game, girl”, que saiu no disco de covers “Spaghetti incident?”, de 1993. Mas teve mais: o doidão G G Allin regravou “Garbage dump” em 1987.
A fofo-psicodélica “Never learn not to love”, gravada pelos Beach Boys no disco “20/20” (1969), era uma parceria de Dennis com Manson. O amigo tinha dado a ele uma canção chamada “Cease to exist”, meio ligada ao blues, e ela ganhou uma estrofe e algumas modificações feitas por Dennis. O resto da história, todo mundo sabe: a música demorou séculos para ser lançada e saiu apenas após muita insistência de Manson, num lado B de single – o de “Bluebirds over the mountain” – sem o crédito para ele. Na época, o maior objetivo de Wilson era livrar-se da aporrinhação de Manson o mais rápido possível e não dever nenhum favor a ele.
Teve gente que regravou a música. A banda punk americana Redd Kross registrou uma versão de “Cease to exist”.
Rob Zombie também tem uma música chamada “Cease to exist”, e até a Wikipedia diz que a canção é uma regravação do original de Manson. Nada a ver: Zombie só decidiu usar o título porque tinha ouvido falar que os Beach Boys gravaram a canção de Manson mas mudaram o nome. “Sempre pensei: ‘Diabos, por que é que eles mudaram o título, que é o melhor da música?’ Já que eles não quiseram usam o nome, coloquei na minha música”.
Os Lemonheads preferiram outra música do malucão: “Home is where you’re happy”. O título parece até um daqueles memes dos Peanuts. Já a letra é o mais próximo que um sujeito como Manson consegue chegar de um hino de protesto pela falta de, digamos, liberdade.
A música tem fãs a ponto de uma turma numerosa ter gravado várias covers (profissionalmente ou não) e jogado no YouTube.
Devendra Banhart promove um estranho encontro entre “That thing”, de Lauryn Hill, e “Your home…” em 2006.
Para quem gosta de bizarrices, o único disco de verdade que Manson lançou na vida está no YouTube, fez aniversário hoje e se chama “Lie: The love & the terror cult”. Esse repertório aí, e mais umas outras canções, está lá. O disco só saiu porque Manson tinha sido colega de prisão do produtor Phil Kaufman, que havia sido preso no meio da década de 60 por posse de maconha. Em 1968, Kaufman conseguiu que Manson gravasse um disco nos estúdios dos Beach Boys, com integrantes da banda no acompanhamento. Esse material nunca saiu, e o que aparece em “Lie” (cuja capa parodia uma matéria da revista “Lie” sobre Manson) são demos de voz e violão, com integrantes da “família” fazendo cantos estranhos e tocando percussão. Divirta-se (ou não).
https://www.youtube.com/watch?v=ANI03qFQFvI
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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