Cultura Pop
Bow Wow Wow dando aquela plagiada em… Gilberto Gil?

Quando os Sex Pistols já haviam virado história, o produtor e empresário Malcolm McLaren decidiu se envolver com o que depois passou a ser chamado de world music, só que numa visão pós-punk. Criado por ele, o Bow Wow Wow surgiu em 1980, quando McLaren conseguiu fazer com que três integrantes do Adam & The Ants (o baterista David Barbarrossa, o guitarrista Matthew Ashman e o baixista Leigh Gorman) deixassem o grupo para tocar numa banda que misturasse new wave e música da África Central.
A banda embarcou numa série de ensaios e testes para arrumar vocalistas, e McLaren acabou recrutando uma menina de 13 anos (!), Anabella Lwin, nascida na antiga Birmânia, para os vocais. Logo na sequência, um rapaz chamado George O’Dowd, figura fácil nos clubes britânicos, entrou para a formação como segundo vocalista. George ficou pouco tempo no Bow Wow Wow, não chegaria a gravar nada com o grupo e logo logo, usando o nome artístico Boy George, formaria o Culture Club.
As novas experiências musicais de McLaren vinham de um ranço enorme que ele passou a nutrir não só de John Lydon (o ex-Johnny Rotten dos Sex Pistols, que fazia sucesso com seu Public Image Ltd.) como de todo o pós-punk. O livro Rip it up and start again, de Simon Reynolds, entrega tudo: na cabeça do empresário, pós-punk não era nada mais do que rock progressivo requentado. Para McLaren, tratava-se de uma música sem vida, sem sexo, totalmente afastada dos propósitos festeiros do rock original, e repleta de valores caretas classe-média.
“Era uma turma que não gostava do punk porque era muito cru e nojento, então eles chegaram e limparam tudo. Usam sintetizadores porque parece algo ‘esperto’ e novo, tipo: ‘Vamos fazer uma experimentação musical. Por que eles levam a vida tão a sério?”, reclamava o empresário, queixando-se também de que selos como Rough Trade criavam uma espécie de aristocracia neo-hippie (!).
Em 1980, rolava uma baita crise na Inglaterra, com filas de desempregados e pessoas vendendo o almoço para comprar a janta. McLaren acreditava que seu novo projeto musical, bem mais felizinho que o rock da época, representava uma vitória contra a política da primeira-ministra Margareth Thatcher. “Fui à Inglaterra e todo mundo parece bancário por lá. Todo mundo parece muito preocupado, com o futuro, com dinheiro. Há um lado cinzento na cultura atual que bota todo mundo pra baixo. E eu acho que Thatcher realmente gosta de saber que está todo mundo triste”, afirmou.
Os projetos viajandões de McLaren sobre transformar o Bow Wow Wow numa banda tão importante quanto os Sex Pistols, claro, não deram nada certo. Seja como for, o grupo conseguiu hits e foi logo assinando contrato com a EMI, gravadora com a qual McLaren tinha uma história controversa – já que os Pistols tinham sido contratados dela e depois, putos da vida com a gravadora, fizeram uma canção reclamando do selo, EMI.
O grupo deu uma inovada no mercado com os primeiros lançamentos: soltaram o primeiro single em K7, ironicamente chamado C·30 C·60 C·90 Go!, e um EP no mesmo formato, Your cassette pet, que sequer foi lançado em vinil. Nem o single nem o EP foram bem divulgados, até porque a música-título do single romantizava o ato de gravar músicas do rádio (na época, as gravadoras estavam convencidas de que o home taping estava matando o mercado da música).
O grupo foi (que barato, igual aos Sex Pistols) sacado da EMI e acabou sendo contratado pela RCA, por onde lançaram o primeiro LP, See jungle! See jungle! Go join your gang, yeah. City all over! Go ape crazy! A estreia do Bow Wow Wow deu ruim por causa da capa (com a vocalista Annabella, 14 anos, seminua – a mãe da menina processou o grupo e quase forçou a cantora a sair) e não chegou a ser um grande sucesso. O Bow Wow Wow chegou a abrir shows para o Queen mas não agradou muito às (enormes) plateias da banda britânica.
Uma curiosidade do primeiro disco do Bow Wow Wow é que ele termina com Hello hello daddy (I’ll sacrifice you). Que é nada mais nada menos que uma versão em português não-creditada de Aquele abraço, de Gilberto Gil. A canção é creditada a Dave Barbarossa, Leroy Gorman, Malcolm McLaren e Matthew Ashman.
É a MESMA melodia de Aquele abraço, com outra letra, e o “este samba vai pra Dorival Caymmi…” do início, é substituído pelos singelos versos falados “eu, mulher imortal/sou a criadora da vida/sou a razão pela qual você morrerá/sou a raiz de todos os problemas/e este samba é dedicado a você” (!!!). Pega aí.
O original, que possivelmente você conhece, é esse.
E, que coisa, o Bow Wow Wow ainda existe, com uma formação totalmente modificada. Annabella, aos 53 anos, está em carreira solo e anda meio irritada com os shows que a banda vem fazendo com outras vocalistas, sem o consentimento dela. Olha ela no palco em março, pouco antes da pandemia.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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