Connect with us

Cultura Pop

Inventaram um monte de trilhas internacionais de novelas que não existem

Published

on

Inventaram um monte de trilhas nacionais de novelas que não existem

Tem um lojista no Mercado Livre (o nome é Trilhas & Afins) fazendo a alegria de fãs de antigas novelas da Globo. Pra começar, ele pega várias trilhas antigas, nacionais e internacionais, que nunca saíram em CD, e vende cópias bem realistas, prensadas por ele mesmo.

Discos como Selva de Pedra Internacional, que jamais sairiam em CD porque os direitos autorais envolvidos tornam tudo muito caro, estão à venda na loja dele, por preços até bem acessíveis. Até onde se sabe, a loja continua entregando tudo normalmente mesmo em época de pandemia.

Para deixar seu pobre coraçãozinho mais aflito ainda, a tal lojinha também vende antigas coletâneas internacionais em versão CD: tem desde os discos da série Video hits até aquelas coletâneas clássicas de disco music dos anos 1970, como Papagaio Disco Club. Cada CD vem com um textinho.

(isso não é um comercial, não estamos ganhando nada para falar disso e não nos responsabilizamos por qualquer compra que você faça lá – antes de comprar tudo, converse com o vendedor e avalie).

Agora uma peculiaridade da loja: ela está criando trilhas internacionais para novelas da Globo que nunca tiveram trilha internacional. Como assim?

Explico: até determinado momento da teledramaturgia brasileira, as trilhas internacionais sempre venderam mais que as nacionais (o livro Teletema: Volume I: 1964 a 1989, de Guilherme Bryan e Vincent Villari, explica bem isso). Ainda assim, certas tramas – e não apenas da Globo, como da Tupi – eram novelas de época, ou tocavam em temas bastante nacionalizados, ou tinham como público-alvo pessoas idosas, que possivelmente não se interessariam em ouvir o novo lançamento da Donna Summer ou do Chicago. Daí certas novelas, como Dona Xepa (1977) ou Saramandaia (1976) não terem trilhas internacionais, porque não fazia parte do contexto.

O tal canal Trilhas & Afins pegou vários hits gringos que faziam sucesso quando essas novelas-que-nunca-tiveram-trilha-internacional foram lançadas, e produziu trilhas manufaturadas para elas. Todas bem convincentes. As capas seguem o mesmo padrão gráfico das trilhas da Globo, com aquela mensagem torta “incluindo os temas internacionais apresentados na novela, em gravações originais”, fontes de letras parecidas com as que eram usadas na época. E imagens de divulgação (ou trechos da aberturas) nas capas.

O de Saramandaia Internacional (olha a capa aí) fazia um salada que incluía hits do The Hollies (The air that I breathe), Barry White (Can’t get enough of your love) e até a estrela glam Leo Sayer (You make me feel like dancing).

O de Gabriela tem Paul Anka, Diana Ross & Marvin Gaye, Gigliola Cinquetti e outros. O cara chegou ao ponto de montar trilhas sonoras nacionais e internacionais de Roque Santeiro – no caso, a versão censurada, de 1975. Um errinho: na nacional ele esqueceu de incluir Vida blue, de Erasmo Carlos, feita para a trilha e censurada junto com ela (e que ressurgiu na caixa Mesmo que seja eu, em gravação original). Tem também uma trilha internacional do Roque Santeiro de 1985, que nunca existiu, que vale por uma festa Ploc 80: tem A-Ha, Dire Straits, Cindy Lauper, Talk Talk e até… We are the world (USA For Africa).

No Trilhas & Afins também tem uma trilha internacional bem interessante de Dona Xepa, com capa psicodélico-assustadora-poluída típica de trilhas de novelas dos anos 1970 (é a foto lá de cima). E uma salada de hits que inclui Fleetwood Mac (Dreams) e um som que, no Brasil de 1977, era tão pouco pop que jamais entraria em trilha de novela: One love, do Bob Marley.

E mais um errinho, que poderia ser consertado com uma visita ao POP FANTASMA: Dona Xepa não teve trilha internacional, mas tinha um tema internacional que tocava lá toda hora, Try to feel good, de um cantor brasileiro-gringo chamado Paul Jones (ninguém menos que Celso Zambel, cujo único disco solo vale uma baita grana em sebos). Não está no tal disco feito em casa.

 

Cultura Pop

Relembrando: Yoko Ono, “Season of glass” (1981)

Published

on

Relembrando: Yoko Ono, "Season of glass" (1981)

Complicado falar de um disco que, pelo menos até a publicação deste texto, não está nas plataformas digitais – pelo menos pode ser escutado no YouTube. Mas vale (e muito) relembrar Season of glass, quinto disco de ninguém menos que Yoko Ono, lançado no dia 3 de junho de 1981 no Reino Unido, e dia 12 nos EUA.

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

Season of glass, por sinal, causou foi polêmica. Para começar, foi o primeiro disco da cantora e artista plástica japonesa lançado após o assassinato de seu marido John Lennon, em dezembro de 1980. A capa do disco trazia justamente os óculos que John usava no momento de sua morte, e que (por conta dos tiros que ele levou) havia ficado com as lentes manchadas de sangue. Ao lado dele, um copo d’água pela metade.

Yoko foi bastante cobrada por fãs e por jornalistas por ter feito isso. “O que eu deveria fazer, evitar o assunto?”, disse ao New York Times numa matéria publicada dois meses depois do lançamento do álbum. “Muitas pessoas me disseram que eu não deveria colocar aquela foto. Mas eu realmente queria que o mundo inteiro visse aqueles óculos com sangue neles e percebesse o fato de que John tinha sido morto. Não era como se ele tivesse morrido de velhice ou drogas, ou algo assim”.

“As pessoas me disseram que eu não deveria colocar os tiros no disco, e a parte em que começo a xingar: ‘Me odeie, nos odeie, nós tínhamos tudo’, foi apenas deixar esses sentimentos saírem. Eu sei que se John estivesse lá, ele teria sido muito mais franco do que eu. Ele era assim”. Aliás, a gravadora de Yoko na época, a Geffen, chegou a dizer a ela que as lojas evitariam ter o disco em estoque – porque a imagem era “de mau gosto”. Seja como for, Yoko alegou que a única coisa que ela conseguiu salvar de John após levarem seu cadáver tinham sido justamente os óculos dele. “Isso é o que ele é agora”, disse.

A tal música cheia de xingamentos é I don’t know why. E ela foi feita justamente quando Yoko viu que não iria conseguir dormir por causa de uma romaria de fãs à porta do edifício Dakota, onde morava com John, logo após a morte dele. Durante dez dias, Yoko escutou os admiradores do ex-beatle tocando na rua o disco Imagine, ininterruptamente.

“Uma noite eu comecei a me perguntar por que, por que era assim, e de repente aquela pergunta se tornou uma música. Eu não tive forças para me levantar e ir ao piano. Então apenas cantei em um gravador que tinha ao lado da cama. Quando estava cantando eu sabia exatamente qual seria o arranjo, até mesmo a parte em que eu estaria xingando”, contou ao New York Times.

A sombria No no no ganhou clipe, que abria com o som de quatro tiros e Yoko gritando. A versão que foi para o álbum excluiu os tiros. No fim da música, o então pequeno Sean, filho do casal, aparecia contando uma história que seu pai contara para ele. “Sean estava comigo durante toda a produção do álbum. E sua voz, aqueles tiros… Essas são as coisas que ouvi. Tudo o que fiz sempre foi diretamente autobiográfico, e esses sons eram a minha realidade”, contou.

Aliás, em 2020, Yoko deu entrevista para o site American Songwriter e o papo descambou para Season of glass. A cantora considerava o estado de espírito do disco ainda atual. O repórter notou que na contracapa, o copo da capa aparecia cheio, em vez de meio vazio. Eram outros tempos, meses após a morte de Lennon. “Você notou? Muito poucas pessoas notaram isso”, afirmou.

Continue Reading

Cultura Pop

Relembrando: Tad, “8-way santa” (1991)

Published

on

Relembrando: Tad, "8-way santa" (1991)

Banda liderada por uma personagem-testemunha do grunge, Tad Doyle, o Tad costuma ser esquecido quando o assunto é a onda de Seattle nos anos 1990. Injustiça: o grupo foi, ao lado do Nirvana, o responsável pela passagem de bastão do rock alternativo dos anos 1980 para os 1990 – mais ou menos como bandas como Joy Division, Killing Joke e o U2 do começo também foram em relação ao fim dos anos 1970. Se o Mudhoney mexia no baú dos lados Z sessentistas e o Nirvana era power pop destrutivo, Tad era um Black Sabbath pós-punk, cruzando riffs e batidas localizadas entre os anos 1970/1980.

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

Cantor, guitarrista e, durante uns tempos, multi-instrumentista de sua banda, Tad Doyle é daquelas figuras que observam o tabuleiro do mercado musical por vários lados diferentes – na adolescência, chegou a tocar em bandas de jazz e depois estudou música formalmente, na faculdade. O Tad acabou virando um dos primeiros nomes assinados com a Sub Pop, pouco depois da empresa pular da condição de zine para a de selo. Ficou claro desde o começo que as especialidades de Tad Doyle (voz, guitarra), Gary Thorstensen (guitarra), Kurt Danielson (baixo) e Steve Wied (bateria), formação original, eram som pesado e provocação. E isso logo a partir do primeiro disco, God’s balls (1989), produzido por Jack Endino.

Salt lick, EP de 1990 – reeditado depois como álbum cheio – já foi concebido pelo grupo ao lado de um agente provocador daqueles: o recém-ido Steve Albini. Já 8 way santa (1991), terceiro álbum do grupo, foi o melhor momento da fórmula musical do Tad, abrindo com a pesada Jinx, e prosseguindo com encontros entre Black Sabbath e Killing Joke na fase anos 1980, em Giant killer e Wired god.

O álbum foi produzido por Butch Vig três meses antes dele pegar firme em Nevermind, do Nirvana – o que torna Tad um exemplo de banda que trabalhou com todos os integrantes da santíssima trindade dos produtores do rock alternativo norte-americano. O material não apenas de 8 way santa quanto dos outros discos de Tad poderiam ser colocados tranquilamente na gavetinha do stoner rock – embora haja certo domínio de linguagens não muito comuns ao estilo, como da criação de melodias mais próximas do som de bandas como Joy Division e Hüsker Dü (como acontece em algumas passagens de Delinquent e Flame tavern) e uma abordagem mais próxima do punk em certas faixas (como em Trash truck).

Uma sonoridade mais próxima de discos do Sabbath como Master of reality (1971) surge em Stumblin’ man e Candi. Já 3-D witch hunt, com violões quase hispânicos (e discretos) poderia estar no repertório do New Model Army ou do The Cure. No final, o punk de Crane’s cafe e o pós-punk Plague years, quase uma Plebe Rude/Gang Of Four grunge, combinando guitarras e violões suaves, riffs marcantes e vocais quase totalmente livres de drive (exceção no álbum).

8 way santa teve seu lançamento prejudicado pela capa original. A foto “do bigodudo agarrando uma garota” (como a própria banda definiu), e que havia sido encontrada pela banda num álbum de fotos comprado num sebo, teve que ser trocada assim que os personagens da imagem, que não haviam sido consultados, viram o disco nas lojas. Não só isso: a faixa Jack, o relato de um passeio bêbado – e perigoso – da banda numa pick-up em cima de um lado congelado, chamava-se originalmente Jack Pepsi, numa referência à mistura de uísque e refrigerante que embalou a aventura. Só que a faixa desagradou à Pepsi, e o grupo precisou mudar o título em edições seguintes.

A busca de “novos Nirvanas” chegou até o Tad depois de 8-way santa e o grupo foi contratado pela Giant, novo selo lançado pela Warner. Inhaler (1993), comparado com os outros discos, não trazia nada de tão novo – mas soava como primeiro álbum para quem desconhecia o grupo. O grupo bandeou-se para outro selo da Warner, o EastWest, e lançou Infrared Riding Hood (literalmente, “Chapeuzinho Infravermelho”), seu último disco, em 1995.

Nessa época, estava mais claro para o mercado que Tad era uma banda de “metal alternativo”, um rótulo que, dependendo da banda, servia mais como camisa de força do que como definição. Mas o Tad encerrou atividades por esse período, de qualquer modo. Hoje em dia, Tad Doyle lança trabalhos solo, é produtor, dono de estúdio e tem até Linkedin.

Continue Reading

Cultura Pop

Smashing Pumpkins entre 1992 e 1996 no nosso podcast

Published

on

Smashing Pumpkins entre 1992 e 1996 no nosso podcast

Para muita gente, Billy Corgan foi um herói. Tido como poeta da geração X, o cantor e principal compositor dos Smashing Pumpkins foi o sujeito que colocou inquietações e traumas em versos. Foi o músico que promoveu um impensável encontro entre o rock de arena e as encucações do college rock dos anos 1990. Foi igualmente (e ao lado do Nirvana e do R.E.M.) um artista que alargou bastante os limites do mainstream.

O episódio de hoje do nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, dá um passeio na história de Corgan, James Iha, D’Arcy e Jimmy Chamberlin tendo como base seus dois álbuns mais significativos: Siamese dream (1993) e Mellon Collie and The Infinite Sadness (1995), além do antes, durante e depois de uma banda que, durante sua fase áurea, significou a sobrevida do rock, logo depois do grunge.

Século 21 no podcast: Tigercub e Miami Tiger.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch. Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Continue Reading
Advertisement

Trending