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Power To The People: festival de Tom Morello ganha exibição no YouTube

RESUMO: O Power to the People, festival de música e ativismo criado por Tom Morello, terá transmissão gratuita no YouTube neste sábado, com Springsteen, Foo Fighters, Joan Baez e mais.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Não vai conseguir ir pessoalmente assistir ao festival criado por Tom Morello, Power to the people, que acontece neste sábado (3), no Merriweather Post Pavilion em Columbia, Maryland? Sem problema: Tom providenciou uma transmissão no YouTube pra você. É gratuito, a partir do canal do MS NOW no YouTube a partir das 13h30 (horário de Brasília).
O Power To The People é um festival de música e ativismo: tem como objetivo destacar oportunidades para engajamento cívico, organização comunitária, educação, ajuda mútua e outras iniciativas de impacto social, além de arrecadar fundos para organizações pró-democracia e de defesa do direito ao voto.
Entre os nomes confirmados estão Foo Fighters, Joan Baez, Bruce Springsteen, Dave Matthews, Jack Black (com uma banda que inclui Roman, filho de Tom, na guitara, além de Revel Ian, filho de Scott Ian, do Anthrax, no baixo), Dropkick Murphys, Cypress Hill e Killer Mike – além de Taylor Momsen, vocalista do Pretty Reckless, Serj Tankian (System of a Down), Grandson, The Neighborhood Kids, Shephard Fairey (em set como DJ), Daryl “DMC” McDaniels, Brittany Howard (Alabama Shakes), The Linda Lindas e Matt Cameron, ex-baterista do Pearl Jam. O próprio Morello também sobe ao palco.
Tom Morello, que acaba de lançar o álbum Everyone gets everything they want (resenhamos aqui) já mostrou que sabe transformar festivais em acontecimentos históricos. Foi ele quem assinou a curadoria e a direção musical de Back to the Beginning, o derradeiro show de despedida de Ozzy Osbourne e Black Sabbath – missão confiada ao guitarrista pelo próprio casal Ozzy e Sharon Osbourne.
Boa parte dos artistas envolvidos no evento já se posicionou publicamente contra Donald Trump. Mesmo assim, Morello afirma que o Power to the People não tem alinhamento partidário. Segundo ele, a proposta é destacar “o poder que pessoas comuns têm quando se unem – através da música, da arte, da comunidade e da ação – para ajudar a moldar o país e o planeta no dia da eleição e também depois dele”. O guitarrista também descreveu o festival como “uma celebração de ativismo, criatividade e esperança”.
Parte da renda arrecadada com os ingressos – além de 100% da receita líquida das entradas VIP – será destinada à VoteRiders, organização sem fins lucrativos que atua para reduzir barreiras de identificação eleitoral nos Estados Unidos.
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Servindo atitude: “Cunty boy”, música do Period Bomb, virou filme

RESUMO: Camila Alvarez transforma Cunty boy, de sua banda Period Bomb, em curta-metragem queer e punk que já circula por festivais e chega a uma exposição sobre mulheres do punk em Londres.
Texto: Ricardo Schott – Foto:
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Homens metidos a “machos feministas” e cuzões em geral que se cuidem: a musicista, compositora, cineasta e designer Camila Alvarez, criadora do projeto musical Period Bomb, jogou recentemente no YouTube Cunty boy – The movie. Uma continuação cinematográfica da música Cunty boy, faixa em tons no wave do disco Cuntageous (2025, resenhado pela gente aqui), e que fala de uma escola de modelos cunty criada em Hollywood, que transforma gente sem estilo nenhum em gente que serve atitude e estilo – sempre na onda queer. E se você nunca ouviu o Period Bomb, é um ataque às hordas do patriarcado em tons no wave e pós-punk.
Esse curta voou longe: tá sendo exibido no festival itinerante de animação Cuntavision, no Miami Underground Film Festival, e chega ao Museu da Cultura Jovem de Londres, em exibição de 23 de outubro a 22 de novembro – além do YouTube, claro. Por sinal, a tal exposição do Museu de Cultura Jovem é carregada de história punk e feminista: Cunty boy – The movie figura lá fazendo parte de uma exposição criada por Celeste Bell (filha de Poly Styrene, vocalista do X-Ray Spex), sobre as mulheres do punk, God save the queens.
Camila criou a gravadora Crass Lips Records e também uma linha de moda ligada à sua banda, PeBo Couture. Aliás, Cunty boy tem também uma trilha sonora, que já está no Bandcamp – e em novembro sai em um compacto split de 7 polegadas pelo selo Slouch Records, lado a lado com o som de Otto Von Schirach.
O som de Camila e do Period Bomb é pra ouvir no volume máximo – e Cunty boy leva a atitude do som para a telinha. Confira imagem e som aí embaixo.
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Libby Ember calça os sapatos e desiste de carregar uma relação sozinha em “Shoes”

RESUMO: Na música nova, Shoes, Libby Ember transforma o gesto de calçar os sapatos numa metáfora para o momento em que esperar pelo outro deixa de fazer sentido.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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A canadense Libby Ember já esteve outras vezes no Pop Fantasma, sempre com um material tão introspectivo quanto intrigante – a música mais recente foi Pool life, uma canção na qual ela fala da “vida de piscina” dos vizinhos, e daquela sensação de que a grama da pessoa ao lado sempre é mais verde.
Agora Libby volta com Shoes, seu 11º single, e troca a piscina por outra imagem bastante cotidiana: colocar os sapatos. A cantora e compositora de Montreal usa o gesto como metáfora para aquele momento em que uma pessoa percebe que está carregando praticamente sozinha uma relação. E que talvez tenha chegado a hora de calçar os sapatos e se mandar dali.
A ideia veio de uma experiência da própria Libby. Ela sentia que era sempre a responsável por fazer o relacionamento avançar, enquanto a outra pessoa permanecia no mesmo lugar. Daí os sapatos do título: estar calçado significa estar pronto para sair de casa, fazer alguma coisa e correr atrás do que se quer.
“Decidi chamar a música de Shoes, apesar de não repetir muito essa palavra, porque os sapatos são uma metáfora para os meus esforços”, explica. “Se estou com meus sapatos, significa que estou pronta para sair e trabalhar pelo que quero ou trabalhar para melhorar um relacionamento”.
Musicalmente, Shoes também evita transformar o assunto num dramalhão. Não há bateria, e o arranjo indie-folk é econômico, deixando bastante espaço para a voz e a letra. É uma escolha que combina com o tema: em vez de uma grande cena de rompimento, Libby canta sobre o cansaço que vai se acumulando quando duas pessoas parecem caminhar em velocidades diferentes.
“Decidimos manter essa música mais discreta, sem bateria, porque ela parecia realmente profunda e vulnerável”, conta. “O foco está mesmo nas palavras que estou dizendo”.
Shoes começou a tomar forma também fora do circuito habitual de gravação da cantora. Estudante de música da Concordia University, Libby produziu uma primeira demo para uma aula de produção, ao lado da amiga Amy Lavallée. Nada daquela gravação entrou na versão definitiva, mas a experiência ajudou a estabelecer algumas das ideias que acabaram chegando ao single.
No fim, a imagem é simples e funciona justamente por isso. Uma pessoa já colocou os sapatos e está pronta para seguir adiante; a outra continua parada. Shoes fala do instante em que esperar começa a soar apenas como perda de tempo.
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Caco/Concha vira banda e mergulha no sophisti-pop em single duplo

RESUMO: Agora com seis integrantes, o Caco/Concha estreia sua nova formação em Cinderela / Noite nubente, misturando sophisti-pop, psicodelia, new wave e romantismo torto.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Gabie Rodriguez / Divulgação
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Parece que foi tudo armado, mas não foi não: há algumas semanas, falamos sobre as maravilhas do sophisti-pop. Aí de repente vem a turma do Caco/Concha avisando que, de projeto feito em duo, virou uma banda. E que o single duplo Cinderela / Noite nubente vai justamente pra essa onda, com influências da fase pop psicodélica de Prince no disco Around the world in a day (1985), da banda britânica Scritti Politti, do som do japonês Haruomi Hosono e de Kylie Minogue e Janet Jackson no anos 2000.
É o primeiro registro em estúdio dessa nova encarnação do Caco/Concha, que começou com André Nunes (guitarras) e Felipe Nunes (voz e sintetizadores) em dupla – eles lançaram em 2024 o disco Caco/Concha, que resenhamos aqui. E agora a banda inclui Gustavo Imaguire e Lucas Shiramizo (bateria e percussão), Mariah Altruda (teclados) e Marília Tolêdo (baixo).
“Durante o processo, tudo foi reimaginado para executarmos como grupo, assim como fazemos nos palcos”, conta Felipe. A mudança aparece também nos arranjos: além do sophisti-pop, as duas músicas passam por new wave, psicodelia, referências caribenhas e ritmos da África Ocidental.
E o romantismo daqui não é exatamente daqueles de viver feliz para sempre. Em Cinderela, Felipe escreve do ponto de vista de um príncipe às voltas com a lembrança de um amor platônico, numa espécie de sonho febril. Noite nubente vai para o casamento, mas passa o assunto pelo universo de Nelson Rodrigues e seus personagens nem sempre muito ajustados emocionalmente.
As primeiras versões já traziam melodias, acordes e boa parte dos arranjos, mas a formação completa mudou o resultado. “Os detalhes que surgiram das intervenções de cada um deixaram as músicas mais orgânicas, agora no ao vivo elas são cada vez mais divertidas e fiéis ao que temos proposto”, diz Marília.
Gravado no Estúdio Rockambole, Cinderela / Noite nubente teve produção de Guilherme Cunha, da Pluma, mixagem de tttigo (bgReal/Joca) e masterização de Pedro Lucas. O single sai pela Cavaca Records e apresenta oficialmente o Caco/Concha como banda. E banda de pop chique.
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