Cultura Pop
Aquela vez em que Keith Olsen mudou o som do Fleetwood Mac

Ao contrário do que muita gente fala, o Fleetwood Mac não seguiu o roteiro básico “banda que teve uma fase blues e depois virou pop”. Depois dos dois primeiros discos, que eram de blues-rock, a banda passou vários anos numa fase intermediária, em que músicos entravam e saíam a rodo, e o som do grupo ia de blues a canções folk, rocks pesados e um ou outro aceno à psicodelia (falamos dessa fase aqui).
Conforme a vida comunitária (todos moravam juntos) foi dando tédio nos integrantes e a pressão para vender mais discos foi aumentando, a banda foi se tornando mais radiofônica e gravando discos mais acessíveis. O marco zero dessa chamada “fase pop” – cujo maior exemplo foi o disco Rumours, de 1977 – começou quando o produtor Keith Olsen, morto no dia 9 de março, apresentou o casal Stevie Nicks e Lindsey Buckingham a Mick Fleetwood, baterista e co-fundador do grupo.
Olsen tinha produzido o disco único do casal, Buckingham Nicks, lançado sem repercussão alguma pela Polydor em 1973. Olsen tinha feito isso quando se mudou para Los Angeles (ele nasceu em Dakota do Sul) e acabou ajudando bastante o casal, hospedando os dois por uns tempos e conseguindo um contrato de gravação. O disco não fez sucesso algum, mas acabou sendo ouvido por Fleetwood, que se interessou em convidar Lindsey para tocar guitarra na banda quando Bob Welch, um dos principais compositores da banda durante o começo dos anos 1970, deixou o grupo.
Olsen mostrou Frozen love, uma das faixas do álbum, para Fleetwood, durante uma sessão no Sound City Studios, no qual trabalhava como engenheiro de som. Mick curtiu o som, foi apresentado naquele momento para Lindsey e fez o convite – o músico disse que só entraria se pudesse levar Nicks com ele. Foi aí que surgiu o disco de 1975 do grupo, o epônimo Fleetwood Mac, que Olsen acabou produzindo.
Por sinal, com a chegada da dupla, o repertório mudou e ganhou uma cara mais, hum, americanizada. Rhiannon, I’m so afraid e Monday morning, por exemplo, eram canções que o casal guardava nas mangas dos coletes, e que apareceriam num possível segundo disco de Buckingham-Nicks, nunca lançado. Crystal foi reaproveitada do disco do casal.
Um detalhe é que as mudanças que apareceram em Fleetwood Mac, o disco, não foram unanimidade em todo o grupo. Olsen chegou a falar no documentário Sound City, dirigido por Dave Grohl, que John McVie não estava tão a fim assim de fazer mudanças no som do grupo, e ainda considerava o Fleetwood Mac uma banda de blues. “Ele chegou a me dizer: ‘Você sabe que somos uma banda de blues, não é? Isso está longe demais do blues’. Eu respondi: ‘Sim, isso está longe do blues mas está muito mais perto do seu saldo bancário'”
Depois do disco epônimo, Olsen acabou não produzindo mais nada para a banda. Rumours, o disco seguinte, acabou produzido pela banda ao lado dos técnicos de som Ken Caillat e Richard Dashut. Mas o produtor foi cuidar de álbuns de Grateful Dead, Santana, Pat Benatar, Ozzy Osbourne e outros. E se você chegou até aqui, pega aí uma entrevista de quase uma hora em que ele conta a carreira toda dele, além do seu envolvimento com uma porrada de artistas (tem legendas automáticas).
Via New York Times
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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