Cultura Pop
1989: o pior show do Super Bowl de todos os tempos?

Mais assistida competição esportiva do mundo, o Super Bowl está linkado diretamente à cultura pop por causa dos halftime shows, as apresentações de artistas do universo pop-rock no intervalo do evento – que ajudam a garantir mídia imediata, dão um baita gás (e põe baita nisso) na audiência televisiva e renovam o público da competição. Esse ano, como você viu no domingo (5), teve Lady Gaga.
E quase todo mundo deve lembrar do Super Bowl de janeiro de 1993, em que Michael Jackson, pouco antes do caso Jordan Chandler e das controvérsias que vieram a seguir, hipnotizou a plateia com um show repleto de efeitos especiais. Daí pra frente, a organização se viraria para que cada Super Bowl tivesse pelo menos um grande artista no halftime show (o conceito de “se virar” é bastante impreciso, já que não havia quem não quisesse se apresentar lá).
https://www.youtube.com/watch?v=idg8TNknvDU
Bom, houve um tempo (longo) em que não era exatamente assim. Apesar de artistas como Ella Fitzgerald e Chubby Checker terem se apresentado no Super Bowl durante os anos 1970, geralmente os shows do evento eram feitos por bandas marciais, grupos artísticos ligados a organizações internacionais de ajuda (o grupo educacional Up With People realizou performances artísticas na competição algumas vezes) ou coisas do tipo. Olha aí o que a Disney aprontou no Super Bowl de 1977, no qual o tema foi ela própria. Você teria vontade de assistir a isso hoje?
Toda essa longa introdução é para lembrar do half time show mais… bem, “inesquecível” é um modo de descrevê-lo. Em 1989, dois anos antes dos New Kids On The Block se tornarem a primeira atração a se apresentar lá ao mesmo tempo em que balançava as paradas de sucesso, a organização do Super Bowl esperava bater recordes de audiência com a primeira transmissão do evento em 3-D – sendo que todo mundo era contra a ideia de levar atrações pop para tocar por lá, mas a ideia era escapar para bem longe da zona de conforto das grandes paradas, bandas marciais e flocos de neve dançantes, e botar caras novas na história.
“Eram geralmente bandas marciais ou a Disney fazendo alguma coisa em clima de parada”, contou nesse papo com o site “Popdust” o criador do evento de 1989, Dan Witkowski. Dono de uma companhia de produção que lidava com mágica, ele fez uma proposta para a NFL, que administrava a competição, e passou na frente de várias empresas grandalhonas. “Daí pensamos: ‘Vamos nos divertir um pouco e fazer algo meio bobinho'”.
Bom, vai daí que Witkowski bolou um show inspirado nos anos 1950 – o nome oficial era “Be-Bop Bamboozled in 3D” – com 2 mil dançarinos, vários coreógrafos, produção extremamente trabalhosa (as câmeras precisavam mover-se o tempo todo para dar o efeito 3D que as pessoas veriam em casa) e, cerejando o bolo, uma mistura de mágico com imitador de Elvis Presley chamado Elvis Presto. Sinta o drama no vídeo abaixo.
O Elvis do Super Bowl na real era Alex Cole, um dos principais dançarinos do programa de TV norte-americano “Solid gold”. Bom, tudo foi bancado com um arroto de satisfação pela Coca Cola, por intermédio de seu recém-lançado produto Diet Coke. E, diga-se de passagem, autorizado pela família Presley com um inocente “tranquilo, a gente entra nessa piada aí”.
O resultado foi um show kitsch, lembrado até hoje por causa do cenário azul que se movia por trás de Presto e das dançarinas, e do baralho gigante manipulado pelo astro principal. Mas vá lá, foi bastante aplaudido e era um primor de tecnologia, pelo 3D e por envolver muita interação com a plateia. Apesar de haver um imitador de Elvis como crooner, nenhuma música do repertório do cantor esteve no setlist. E, bom, digamos que o show foi amado e odiado, não exatamente na mesma proporção.



No papo com o “Popdust”, Witkowski conseguiu rir do assunto e disse que, apesar de tudo, o show foi um sucesso, com pelo menos oito cadernos lotados de clipping, US$ 60 milhões gerados em publicidade, etc. “Foi a primeira vez que passaram o show na China, pelo menos de 300 milhões de pessoas viram o show lá. Mas quando você vê o vídeo, é meio maluco mesmo”, recordou. Fato é que, de lá para cá, nunca mais os shows do Super Bowl foram os mesmos, tanto no apego à tecnologia quanto na busca por apresentações realmente impactantes para a competição. No ano seguinte, para variar um pouco, rolou uma homenagem a Snoopy.
Aliás, a NFL fez um pequeno documentário sobre o halftime show de 1989 – e ainda encontrou o Alex “Elvis Presto” Cole, que virou professor de ioga.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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