Cultura Pop
Ganhou um Oscar e foi preso

O diretor de cinema polonês Zbigniew Rybczynski, em 1983, tinha acabado de ganhar um Oscar na categoria de Melhor Curta de Animação, por causa de seu filme Tango. Bateu um papo rapidamente com alguns repórteres e deu uma saída do Dorothy Chandler Pavilion para fumar um cigarro. Ao voltar, um segurança bastante agressivo o impediu de entrar de novo no prédio. Resultado: começou uma baita discussão e Zbigniew acabou preso (!). Com o Oscar na mão.
Parece brincadeira, mas aconteceu de verdade. Com a encrenca formada, apareceram por lá um sargento e uma detetive poliglota. Ambos tentando resolver a situação e compreender porque é que Zbigniew, um cineasta que havia conseguido asilo político em Viena (em tempos de alta tensão na Polônia) e depois havia migrado para os EUA, tinha sido tratado daquela forma.
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A polícia registrou que Zbigniew estava embriagado, xingou o segurança de “porco americano”, deu carteirada (“eu tenho um Oscar”) e tentou chutar o meganha na altura da virilha. Seja lá o que tenha acontecido (porque aí teríamos que partir do princípio bizarro de que o relato da polícia é 100% fiel à realidade), o cineasta acabou encarcerado e pedindo para falar com Marvin Mitchelson (conhecido advogado de celebridades). Ao sair do xadrez, cunhou uma máxima sobre o veneno que passou: “O sucesso e a derrota estão bastante interligados”.
Aliás, o inferno de Zbigniew naquela noite já tinha começado na hora da premiação. O cineasta polonês já tinha visto a apresentadora Kristy McNichol desistir de falar seu nome, ao anunciá-lo como indicado na categoria de Melhor Curta de Animação. Em seguida, a atriz, ao lado do jovem galã Matt Dilon, praticamente inventou um nome novo para ele (o site Cartoon Brew ouviu algo como “Zbigniewski Sky”).
Zbigniew, acompanhado de uma tradutora, subiu no palco, fez um discurso meio desconexo e foi interrompido pelo tema de Looney Tunes. A tradutora bem que tentou ajudar, dizendo que “ainda não acabou”, mas não deu certo. Em seguida, o cineasta deu um beijinho em Kristy, que ficou meio sem graça. O clima meio over da história tá imortalizado aí.
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De lá para cá, vale dizer, a carreira do polonês só fez crescer nos Estados Unidos, a ponto de ter criado técnicas de alta definição para captação de vídeo e animação. Você pode não saber, mas Zbigniew Rybczynski dirigiu vários clipes que você adorou ver na tv. Um deles foi o de Alive and kicking, do Simple Minds.
Um outro foi o de Opportunities, dos Pet Shop Boys.
Zbigniew também dirigiu o clipe de Time stand still, do Rush, essa maravilha do rock progressivo de FM, da poluição visual e do cromaqui. Aliás, ele gosta tanto de cromaqui que, insatisfeito com os modelos disponíveis, inventou o seu próprio software, nos anos 1990.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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