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Urgente!: Bad Bunny, política, memória, identidade e denúncia no Super Bowl

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Bad Bunny

O que rolou com Bad Bunny ontem no Super Bowl já estava mais do que previsto em Debí tirar más fotos, seu álbum mais recente. Quando resenhei o disco, afirmei que se trata, antes de tudo, de um disco movido a memórias: de amores antigos, de crescer em Porto Rico, de Nova York ser o ponto de encontro de todos os latinos nos Estados Unidos (o hit Nuevayol trata exatamente disso).

Também é um disco de apagamentos e explorações: Lo que le pasó a Hawaii, cantada por Ricky Martin no evento, faz parte do repertório do álbum e traz Bad Bunny pregando que não quer que Porto Rico torne-se mais dominada ainda pelos Estados Unidos, como aconteceu com o Havaí (“eles querem tirar meu rio e minha praia também / querem meu bairro e que seus filhos vão embora”, diz a letra, e o eles, você já imagina quem são). A cigana Pitorro de coco (que não foi cantada no show) parece uma canção de dor de corno etílica como qualquer outra, cuja letra diz “na minha vida você era turista/você só viu o melhor de mim e não o que eu sofri/você foi embora sem saber o motivo das minhas feridas”. Só parece: ele diz que a letra fala na verdade dos turistas que vão à Porto Rico e saem de lá sem conhecer os problemas locais.

Mais do que isso: Debí tirar más fotos entrega um passeio pela musicalidade e pela identidade portorriquenhas – e esfrega na cara do mercado fonográfico que ele não tem nenhuma vontade de soar mais “americano” (estadunidense, enfim) para bombar nas paradas. No Halftime Show de ontem, com um pedaço de Porto Rico sendo montado no palco do Levi’s Stadium, na Califórnia, essa esfregação na cara foi tão forte que – claro – um certo presidente alaranjado sentiu o efeito, e decidiu divulgar uma mensagem abilolada afirmando que a apresentação de Bad Bunny foi “uma afronta à grandeza da América” e “um show absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos”.

Nem adianta mais o tal presidente reclamar, já que o show de Bad Bunny, coadjuvado por nomes como Lady Gaga e Ricky Martin, foi a apresentação mais vista da história do evento americano. Um levantamento da NBC diz que Bad Bunny teve audiência de 135 milhões de pessoas em todo o mundo. O recorde anterior era de 2025, quando o show de Kendrick Lamar bateu 127 milhões de espectadores em todo o mundo. Quem não viu ontem, pode se dirigir ao YouTube da NFL, ou ouvir o single que a Liga já jogou nas plataformas com o áudio da apresentação.

Não apenas isso: ao que consta, a ideia da NFL, que promove o Super Bowl, era aumentar o interesse global pelo evento – incluída aí a comunidade latina nos Estados Unidos, mais de 50 milhões de falantes de espanhol nos Estados Unidos. Deu certo a ponto do show chegar em muita gente que num caso normal nem sequer estaria ligando pro Super Bowl (numa análise bem reduzida, veja entre seus amigos e parentes quantas pessoas que nunca tinham visto o evento pararam para assistir ontem), de perfis espertinhos nas redes sociais estarem aproveitando o evento para dar conselhos de marketing e branding, coisas do tipo.

O que rolou ontem foi, mais do que um show, uma catarse: moradores da América do Sul e da América Central, quando viram o desfilar de bandeiras e países do final da apresentação, estavam na verdade vendo a si próprios – e aplaudindo a si próprios, como uma enorme comunidade. Aliás, dizem por aí que uma das palavras de 2026 é “comunidade”, tanto que já tem curso ensinando criadores de conteúdo a enxergar seu trabalho como uma formação de comunidades, etc.

E, bom, se você se sentiu, nem que seja por alguns segundos, fazendo parte de alguma coisa durante o show de intervalo do Super Bowl, já entendeu tudo a respeito desse negócio de comunidades. Até Trump percebeu isso – tanto que colocou a tal mensagem nas redes sociais reclamando do show, e botou a turma do invasivo e desquerido ICE para ficar à espreita no Levi’s Stadium. Bad Bunny deu um baita show ontem, e não foi só de música: mandou muitíssimo bem em temas como política, identidade e pertencimento. E ainda avisou a vários jovens latinos, em espanhol: “Meu nome é Benito Antonio Martinez Ocasio, e se hoje estou aqui no Super Bowl 60, é porque nunca deixei de acreditar em mim. Você também deveria acreditar em você. Você vale mais do que você imagina”. Isso é tudo que Trump não quer que a América – a de verdade, e não a que só existe na cabeça dele – ouça.

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Courtney Barnett põe disco novo na agulha. E Gelli Haha dá uma de Katy Perry no LSD em single novo.

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Courtney Barnett (Foto: Lindsey Byrnes / Divulgação)

Courtney Barnett está (você já deve ter visto) de volta. Nesta sexta sai seu quarto disco de estúdio, Creature of habit, que já foi adiantado por alguns singles – entre eles, Mantis, inspirado pela visita de um louva-a-deus que apareceu no batente da porta da sua cozinha.

O último single antes do álbum, One thing at a time, saiu nesta terça (24). A letra fala sobre aquela sensação de ter vários pensamentos chegando na mente de uma só vez, além de vários padrões pessoais de pensamento e atitude (antigos e novos) duelando para sair na frente. Um tema bem próprio de Courtney, que aliás volta no single novo fazendo rock introspectivo e suingado, lembrando um Red Hot Chili Peppers triste – e não por acaso, Flea, baixista do RHCP, toca na faixa.

One thing também ganhou um clipe bacana, dirigido por Lance Bangs, em que Courtney (vista aí em cima em foto de Lindsey Byrnes) toca guitarra e canta em meio a um convescote caótico, e depois sai dirigindo por uma estrada, para conseguir um lugar isolado para tocar.

Creature, aliás, vai sair pelo selo Mom+Pop e vai ser o primeiro lançamento dela depois de fechar as portas de sua gravadora, Milk! Records. Em 2023, num papo com o jornal The Guardian, Courtney Barnett recordou a história da gravadora, que partiu de um negócio totalmente “faça você mesmo” e tornou-se uma das empresas de música mais legais da Austrália, movimentando uma comunidade de músicos.

A gravadora sobrevivia com dificuldades e levou uma calça arriada séria com a pandemia – como aliás todo o mercado, mas no caso de um selo indie, o arraso nas contas foi inevitável. “Um ano atrás ou talvez até seis meses atrás, pensar em fechar o selo teria sido tão impossível e tão difícil e eu teria resistido. Um dia eu literalmente acordei e minha mente havia mudado”, disse ao jornal em 2023.

Ela também afirmou que foi duro anunciar o fim aos artistas contratados da gravadora, mas que a conversa foi gentil. “Mas acho que quase todo mundo dizia: ‘Eu entendo totalmente… nem sei como vocês conseguem’”, disse.

***

E adivinha quem também tá de volta na praça? Gelli Haha, autora de um dos discos mais bacanas do ano passado, Switcheroo, acaba de lançar um single novo, Klouds will carry me to sleep – primeiro lançamento dela desde o álbum, com direito a clipe dirigido por David Gutel.

O vídeo é repleto de glitches e de uma alegria psicodélico-circense que lembra a Katy Perry do álbum Teenage dream (2010), só que depois de uns cinco LSD. Se você duvida, olha aí Gelli pilotando uma nuvem e parando no posto do céu para abastecer a caranga voadora.

Até o momento, não se sabe se Gelli vai lançar um álbum novo ainda em 2026 – mas em compensação, ela está em turnê pela América do Norte. Confira as datas no Instagram dela. E pelo que dá pra perceber na música nova, a cantora norte-americana Angel Abaya (nome verdadeiro de Gelli, que ela chegou a usar quando iniciou carreira como cantora folk, há alguns anos) acaba de descobrir a fórmula do pop perturbador e criativo que ela vinha desenvolvendo desde a estreia com Switcheroo.

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Pulp em plena atividade: single com duas inéditas e letras cheias de safadeza

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Pulp. Foto: Tom Jackson / Divulgação

O Pulp vem pra América do Sul em junho – há datas na Colômbia, Chile e Argentina e, por enquanto, nada no Brasil. Quem tiver grana para encarar viagem, hospedagem e ingressos (tem ainda?) que se prepare, porque a turnê Here comes more, que divulga o álbum More (resenhamos o disco aqui) tem sido bastante elogiada.

De qualquer jeito, pelo menos a banda está num pico de produção bem interessante: além de More, e da faixa Begging for change, que saiu na coletânea HELP(2), acaba de sair um single de 12 polegadas com três faixas. A principal música do lançamento já é conhecida: a banda releu The man comes around, de Johnny Cash, em novembro, e ela puxa o disquinho agora.

A versão tinha sido feita para a trilha da série de true crime The hack, que detalhava o escândalo dos grampos telefônicos do jornal News Of The World – rolou em 2011, quando a empresa que publicava o periódico foi acusada de escuta ilegal, tráfico de influência, subornos, etc.

Na voz de Jarvis Cocker, cantor do Pulp (e colega de iniciais de Johnny Cash), The man se tornou uma canção bem dramática, que faz direto lembrar ninguém menos que Leonard Cohen. E o espírito do autor de Haleluia paira sobre as outras duas faixas do single, gravadas nas sessões de More. São elas Marrying for love e Cold call on the hot line.

Os lados B do Pulp, quem conhece sabe, sempre foram fonte de muita alegria para os admiradores do grupo. Nas duas faixas, Jarvis encarna, além de um filho espiritual de Cohen, uma espécie de Bryan Ferry do século 21, com vocal cafajeste e majoritariamente falado, e uma musicalidade perto do pop cafona – Cold call chega a lembrar Não quero ver você triste, de Roberto Carlos.

Detalhe: se a primeira letra dispara versos que falam coisas como “armagedom adiado, paraíso reconquistado, dez mil saxofones tomam as ruas” e ainda fala sobre “renascimento erótico”, a segunda é uma canção bem louca (e igualmente declamada) sobre um maluco que tenta transformar uma chamada de vendas (cold call) em sexo por telefone. Politicamente incorreto ao extremo, mas Serge Gainsbourg adoraria.

Foto: Tom Jackson / Divulgação

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Segundo Ed O’Brien (Radiohead), tem disco solo de Thom Yorke vindo aí

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Foto Thom Yorkwe: anyonlinyr / Wikimedia Commons

Depois que começou dar várias entrevistas para anunciar o álbum solo Blue morpho, que lança em breve, Ed O’Brien, guitarrista do Radiohead, não apenas anda falando pelos cotovelos, como também tem entregado as novidades da banda. Virou quase um serviço público: sempre que aparece, O’Brien solta alguma notícia. Na mais recente, deu um spoiler que interessa direto aos fãs: Thom Yorke deve lançar um novo disco solo ainda este ano.

Antes (e você já leu sobre isso aqui mesmo no Pop Fantasma), Ed tinha concedido uma entrevista à Rolling Stone, na qual revelou que o Radiohead volta a cair na estrada em 2027. Dessa vez, o tal solo de Thom Yorke foi revelado por ele numa conversa com Kyle Meredith para o podcast Consequence Of Sound. O’Brien disse que o Radiohead funciona como uma “nave-mãe”, já que os integrantes têm seus projetos pessoais – e soltou a info.

“O mais legal é que parece que os dois projetos podem coexistir. O Radiohead pode sair em turnê — e esse é o projeto principal, eu acho, para todos nós. Mas temos esses pequenos satélites. Sabe, tem o Smile, e o Thom tem um álbum solo que vai sair ainda este ano, eu acho. E o Jonny tem os projetos dele, e o Philip (Selway) tem os dele, e o Colin (Greenwood) está tocando com o Nick Cave and the Bad Seeds”, contou.

O disco solo mais recente de Thom, Anima, saiu em 2019. De lá pra cá, ele lançou discos com o The Smile, colaborou com Mark Pritchard no disco Tall tales e ainda assinou a trilha de Confidenza (2024). E, enfim, Ed disse que “eu acho” que o tal solo de Thom sai ainda neste ano. Só vendo.

Foto Thom Yorke: anyonlinyr / Wikimedia Commons

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