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Cultura Pop

Ué, mas por que It’s my life, do Talk Talk, tem dois clipes?

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Ué, mas por que It's my life, do Talk Talk, tem dois clipes?

Tem quem seja MUITO fã de rock e tenha dificuldade de aceitar It’s my life, principal hit da banda britânica Talk Talk. O grupo liderado pelo saudoso Mark Hollis era um grande valor do synthpop, a ponto de a canção trazer poucas guitarras. Os riffs de sintetizador que marcam toda a faixa, para muitos ouvidos, deixam o Talk Talk mais próximo do rock progressivo, tanto que é comum haver fãs do estilo, de vez em quando, elogiando a banda.

Aliás, essa sonoridade deixava também o grupo com uma cara de banda de art rock, o que era até óbvio. O Talk Talk, que era sempre comparado ao Duran Duran no começo da carreira, sempre teve muita influência do Roxy Music. My foolish friend, um dos primeiros singles da banda, de 1983, teve produção do cara que cuidou de vários discos do Roxy, Rhett Davies.

Com It’s my life (1984), o segundo disco, uma curiosidade era que os benditos sintetizadores não eram tocados por nenhum integrante oficial do grupo. O Talk Talk virava trio (Mark nos vocais e nas sempre econômicas guitarras, Paul Webb no baixo sem trastes e Lee Harris, na bateria eletrônica) e as teclas eram disparadas por Tim Friese-Greene. Tim tornou-se produtor do grupo e parceiro de Hollis, mas não estava presente no material de divulgação.

O novo álbum fez sucesso – até mesmo no Brasil, onde a faixa-título passou a tocar bastante no rádio e virou hit de pista. Na Itália, país em que músicas dançantes e sintetizadas sempre se deram muito bem, chegou a sair um disco chamado It’s my mix (1985), com remixes e músicas não-incluídas nos LPs.

Já na Inglaterra, aliás, a banda acabou enfrentando problemas porque tomou decisões muito loucas que desagradaram sua gravadora, a EMI. It’s my life, por exemplo, teve dois clipes. O primeiro deles – e possivelmente o mais visto – gerou reclamações na empresa por trazer Hollis, num jardim zoológico, de cara amarrada e boca fechada, se recusando a dublar a canção. Imagens do mundo animal ocupavam boa parte do clipe, mais do que a aparição do autor da música.

Essa era uma reação de Hollis ao universo comum dos clipes oitentistas. “Clipes tornam-se uma espécie de clichê em termos de, você sabe, garotas e os carros velozes e todas essas coisas. Isso tudo é um clichê e ninguém no fim do dia tem uma ideia do que se trata, de qualquer maneira”, contou num papo com um repórter chamado Steve Newton (leia aqui).

“O vídeo tem 90% de seu tempo com animais, e nos outros 5% eu nem canto”, explicou, falando também que a ideia era brincar um pouco com a ideia da teoria da evolução no clipe. “O que acontece muito com os vídeos é que eles têm que se encaixar em torno da música. E o que eu acho que deveria estar acontecendo com os vídeos, o que estávamos tentando implementar aqui é: o vídeo é um filme, e isso só é importante como um filme, e a música realmente se torna uma trilha sonora para esse filme”, contou.

Bom, a EMI resmungou pelos cantos por causa do clipe de It’s my life, então lá foi o Talk Talk (ou melhor, Mark Hollis) fazer outro clipe para a canção. Dessa vez, para ninguém reclamar, o cantor apareceu dublando a música. Só esqueceu de avisar à gravadora que faria isso zoando impiedosamente os artistas que dublavam suas próprias canções em clipes. Apareceu “soltando a voz” na própria música de forma extremamente caricata, enquanto o clipe original era exibido por trás dele.

“Este segundo vídeo é como se você estivesse assistindo TV, e na TV você está assistindo pessoas assistindo TV. Você está assistindo a um filme e pensa: ‘Bem, eu prefiro assistir aquele filme do que este’. Mas o que você realmente tem é que o vídeo de um animal é aquele filme dentro do filme. É quase como um filme surrealista dentro da nossa performance”, tentou explicar o evasivo Hollis.

Se você chegou até aqui, pega aí It’s my life ao vivo em Montreux em 1986.

Veja também no POP FANTASMA
– Aquela época em que Mark Hollis virou artista solo

(ajuda na tradução da entrevista: Marcela Werneck)

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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