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Terry Reid, o cara que poderia ter sido vocalista do Led Zeppelin

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Terry Reid, o cara que poderia ter sido vocalista do Led Zeppelin

“Há somente três coisas que acontecem em Londres”, anunciou Tom Dowd, produtor de Aretha Franklin, em 1968. “The Beatles, The Rolling Stones e Terry Reid” (Uncut, em reportagem de junho de 2016).

Na semana passada, vários sites brasileiros reproduziram um tweet da revista Mojo, que trazia a imagem de uma lista escrita à mão pelo vocalista e guitarrista Alex Turner, da banda britânica Arctic Monkeys. Olha aí.

A tal lista traz os sons que estavam rodando pela cabeça de Alex na hora de compor as canções do (aguardadíssimo, por sinal) próximo disco dos Monkeys, Tranquility Base Hotel & Casino, previsto para 11 de maio. E claro que no Brasil todo mundo ficou espantado com o fato de Turner listar como uma de suas canções de cabeceira Aos barões, do primeiro disco de Lô Borges (o “disco do tênis”, de 1972). O próprio Lô foi chamado para comentar e disse que está ansioso para conferir o resultado.

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O que muita gente esqueceu de citar – ou não reparou – é que dentre as influências de Turner está ninguém menos que Superlungs, um dos maiores sucessos do cantor e compositor britânico Terry Reid. Sumido do mercado há alguns anos e vivendo na Califórnia, Reid gravou uma série de discos solo excelentes entre os anos 1960 e 1970. Um dos mais belos é River, lançado em 1973 pela Atlantic, um contemplativo mergulho na mescla de folk e blues. Essa é a música-título.

Entretanto, Reid é mais conhecido como o cara que recusou a oportunidade de ser vocalista do Led Zeppelin. Foi com esse aposto que Reid entrou para a história, após deixar de lado o convite do amigo Jimmy Page, e ainda indicar outro camarada, Robert Plant, para os vocais.

Se você está se perguntando como alguém pode recusar um convite desses, lá vai o choque: Reid também foi convidado para se juntar ao Deep Purple em substituição a Rod Evans. E foi sondado para ocupar a vaga de Steve Winwood no Spencer Davis Group. Em ambos os casos, não quis a vaga. Terry garante não ter nenhum arrependimento das três recusas. Na tal matéria da Uncut citada lá em cima, afirmou que sempre ouviu das pessoas que ele “poderia ter sido Robert Plant”. Mas não é bem assim que as coisas funcionam com ele. “Eu ainda teria sido Terry Reid. Sou cantor, toco violão, escrevo músicas do meu jeito”, contou. “Eu queria esculpir um nicho para mim”.

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Diga-se de passagem: Reid, na real, tinha sido convidado por Plant para juntar-se à banda que deu origem ao Led Zeppelin, os New Yardbirds. Pode parecer estranho, mas isso não representava uma garantia de sucesso. Page tinha sobrado por acaso na última formação dos Yardbirds e resolvera acrescentar um “new” no nome, só para cumprir contratos de shows. O que mais aparecia era gente dizendo a Page que a marca “Yardbirds” era desgastada e não tinha futuro. Mas não havia nem sequer o nome “Led Zeppelin” quando Reid recebeu o convite.

https://www.youtube.com/watch?v=kNuQPTzuof4

Terry Reid tinha uma carreira solo que parecia promissora, com direito a abrir shows dos Rolling Stones. Mas após 1968, ano do início do Led Zeppelin encontrou alguns problemas pela frente. O principal deles: tretou com seu primeiro empresário, o poderoso Mickie Most, com quem tinha assinado um contrato no estilo até-o-fim-da-vida. O contrato de Reid, segundo o próprio cantor na tal matéria da Uncut, foi trancado numa gaveta, e ele ficou de 1969 a 1973 só fazendo shows, sem gravar. O outro problema foi sua própria vocação para viver isolado. Quando estava começando a gravar pela Atlantic, Reid foi morar numa propriedade em Malibu, mil pés acima do nível do Oceano Pacífico. Com o tempo, os contratos com gravadoras foram escasseando e ele passou a fazer shows e discos em escala cada vez menor.

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Uma novidade para quem ainda não conhece Reid direito é que tá pra sair já há alguns anos um documentário sobre ele, chamado justamente Superlungs, dirigido por Richard Frias. O filme está sendo feito por crowdfunding e tem o próprio Reid como um dos produtores, além de uma série de entrevistados famosos. Robert Plant, do Led Zeppelin, topou dar depoimento e elogiou bastante Reid. Há também Graham Nash, James Gadson (baterista da Motown), Rick Rosas (baixista de Neil Young e Joe Walsh) e ninguém menos que… Gilberto Gil. Olha o trailer aí.

Se você está se perguntando o que é que o autor de Aquele abraço tem a ver com Reid, lá vai: Gil conviveu bastante com Reid durante o exílio em Londres. Chegou a morar na casa do britânico, indicado por amigos. Terry, que era fã de Tom Jobim e João Gilberto, sabia por amigos comuns que Gil estava exilado e resolveu ajudá-lo. “Ele mal falava uma palavra de inglês. Sua palavra favorita era ‘di-o-bolical’. Mas não era claro para ele o que significava. Ele dizia: ‘Oh, olha, isso é di-bolical’. Eu falava: ‘Não Gil, não é isso o que significa!’. Depois de um ano, ele estava fluente”, afirmou Reid em outro papo, com a Wax Poetics.

No mesmo papo com a Wax Poetics, Reid contou que certa vez recebeu a visita de um amigo de Gil que se apresentou como Carlos. Pediu ao visitante que fosse pegar lenha para a lareira e ainda resmungou quando Carlos voltou com apenas dois troncos. Logo que Gil chegou, Terry tomou um susto: o tal visitante era um de seus maiores ídolos, Tom Jobim. “Precisei andar até a cozinha para tomar fôlego”, lembrou o cantor.

(Terry apareceu também num documentário chamado Groupies, que já apareceu aqui no POP FANTASMA – confira aqui)

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Toomorrow: quando Olivia Newton-John fez um musical espacial “jovem”

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Toomorrow: quando Olivia Newton-John fez um musical espacial "jovem"

Fãs de Olivia Newton-John (que saiu de cena nos últimos dias) deram uma reclamada, com razão, quando viram nas redes sociais um bando de gente que só lembrou da fase Physical da cantora. Ou de clássicos da telinha como Grease e Xanadu, surgidos de uma fase em que Olivia já era tudo, menos um rosto novo. Antes disso, ela já vinha gravando discos na onda do country pop e do folk desde 1971, tinha conseguido o primeiro disco de ouro em 1975 com o sexto álbum, Clearly love, e vinha fazendo filmes desde o começo da década.

Um filme bem interessante que Olivia fez, e que está inteiro no YouTube (pelo menos por enquanto), tem um plot bem curioso, e ainda por cima rendeu um trilha sonora que prometia. Aliás, o próprio filme foi uma promessa – que não rolou. Toomorrow, dirigido por Val Guest, saiu em 27 de agosto de 1970 no Reino Unido, e tinha a cantora como protagonista. Olivia fazia uma personagem chamada Olivia, que era a líder de um grupo pop (cujo nome era Toomorrow) que era observado de longe por extraterrestres, e acabava sendo abduzido.

Além da cantora, o grupo tinha Karl Chambers (bateria), Ben Thomas (voz, guitarra) e Vic Cooper (teclados). Essa turma, que mantinha a banda como uma forma de financiar os estudos, acabava envolvida numa trama que misturava musical, ficção científica e filme “jovem”, com direito a cenas de protestos estudantis e sit-ins alegres. Se você nunca viu, nem ouviu falar e tem curiosidade, segue aí.

Toomorrow não chegou a ser um grande sucess… não, pensando bem foi um retumbante fracasso. O filme teve problemas desde o começo porque sua dupla de produtores começou trabalhando direitinho e depois passou a se odiar. Os dois eram ninguém menos que Harry Saltzman, que produziu filmes de James Bond, e Don Kirshner, que foi o primeiro produtor dos Monkees. Nessa época inicial, problemas com o roteiro, que nunca ficava do jeito que a dupla e o diretor queriam, e problemas maiores ainda com grana (Guest diz nunca ter sido pago pelo filme) melecaram o processo ainda mais. Olivia chegou a afirmar que o filme “pelo menos valeu a experiência”.

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No fim das contas, Toomorrow foi exibido por apenas uma semana em Londres, e ressurgiria anos depois em exibições especiais, além de seu lançamento em DVD. O mais curioso é que o filme teve até uma trilha sonora, lançada pela RCA. Apesar de ser uma trilha, era creditada à banda Toomorrow, que não existia na prática. Esse disco, um não-marco do pop gostosinho, está até no Spotify.

A tal trilha saiu em 1970, junto do não-lançamento do filme, e honrava bem um projeto que, de certa forma, havia começado com a ideia torta de ser um Monkees de luxo da nova década. Don Kirshner atuou como supervisor musical (todo o material foi publicado em sua editora) e tanto as composições das faixas quanto a produção do LP são creditadas ao cantor e compositor Ritchie Adams e ao produtor Mark Barkan. Chegaram a sair mais duas faixas do Toomorrow num single, também de 1970, lançado pela Decca – a capinha do disco anunciava até pôsteres do grupo.

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Tangarella: uma pornochanchada com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

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A carreira de Jô Soares como ator incluiu um filme que pediu para ser trash e ficou três vezes na fila: Tangarella, a tanga de cristal era uma pornochanchada soft lançada em 1976, dirigida e escrita por Lula Campello Torres, e que tinha o humorista interpretando uma espécie de mordomo trapalhão (Erasmo), meio viciado em participar de concursos, que trabalhava para uma família disfuncional e falida, e que complementava a renda trabalhando como consultor sentimental numa revista.

A grande curiosidade é a participação de ninguém menos que Paulo Coelho (!), naquele que talvez seja seu único papel no cinema, interpretando Avelar, um garotão meio vida-torta. Numa das cenas, Paulo aparece sentadão numa poltrona, lendo um exemplar da revista Vampirella. Por acaso, Cachorro urubu, parceria dele com Raul Seixas, aparece na trilha do filme (na interpretação de Raul no disco Krig ha bandolo, de 1973).

Tangarella: pornochanchada de 1975 com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

A tal família esquisita era o prato principal do filme. Lucio Tangarella (Jardel Filho), um marido abusivo, viciado em jogo, violento com a mulher e a filha, Sandra – que assiste a todas as brigas dos pais. Ele fica viúvo e casa-se com Luísa Maria (Lidia Mattos), uma dondoca também viúva, que tem três filhos, Âncora (Regina Torres), Alvorada (Fanny Rose) e o tal Avelar. Sem grana por causa do vício em jogo do marido, Luisa sai em busca de um empregado que não saiba fazer nada direito, para que ela possa pagar bem pouco a ele. Erasmo, que mal consegue carregar objetos sem se atrapalhar, é contratado.

O que a madame não contava era que Lucio desaparecesse e deixasse a esposa com o três filhos, com o mordomo e… com a filha Sandra, já adolescente (e interpretada por Alcione Mazzeo). Ela sofre bullying da família e é tratada como uma criada. Até que surge na história um garotão interiorano, rico e meio outsider, Muniz Palacio (interpretado pelo designer de capas de discos e editor do jornal alternativo Presença, Antonio Henrique Nitzche) e algumas coisas mudam.

Tangarella foi lançado discretamente, em cinemas do Rio e de São Paulo, e foi considerado um filme “leve”, liberado para jovens de 14 anos. É uma produção que dá vontade de socar as paredes de tão trash, mas é um filme bem legal – aliás é uma boa indicação para quem curte ver imagens antigas do Rio de Janeiro, já que aparecem lugares como a Lapa, o Largo da Carioca, o Túnel do Pasmado (mesmo local em que o personagem de Roberto Carlos já havia entrado com um helicóptero no filme Em ritmo de aventura, de 1967) e até o Carnaval carioca (que dá sentido à tal “tanga de cristal” do título).

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Lula Campello Torres é um cineasta sobre o qual há bem pouca informação – na Globo, em 1991, ele escreveu uma minissérie chamada Meu marido, ao lado de Euclydes Marinho, que foi assistente de direção em Tangarella. O filme foi todo montado como se fosse uma espécie de documentário ou novelinha de rádio “com imagens”, já que um narrador (Aloysio Oliveira, dublador de filmes da Disney e criador do selo bossa-nova Elenco) vai explicando toda a história. As aparições do já saudoso Jô Soares são quase sempre de rolar de rir, especialmente quando ele participa de uma maratona de corredores sambistas, ou quando se veste de fada madrinha para ajudar Sandra.

Pega aí antes que tirem do YouTube.

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Vai sair caixa com as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes

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Vai sair caixa com as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes

O site Brooklyn Vegan, quando noticiou a caixa Life moves pretty fast – The John Hughes mixtapes, com o repertório dos filmes do diretor norte-americano, lembrou bem: “Algumas pessoas podem argumentar que as trilhas sonoras dos filmes de John Hughes resistiram melhor do que os próprios filmes”. Maldade com o diretor que melhor conseguiu sintetizar a angústia jovem dos anos 1980, em filmes como Gatinhas e gatões, Clube dos cinco e Curtindo a vida adoidado.

A “década perdida” (pelo menos para os países da América Latina, como dizem alguns economistas) pedia um novo tipo de filme jovem, em que até as picardias de produções como Porky’s, do canadense Bob Clark (1981), tinham seu tempo e lugar, desde que reembaladas e exibidas com um verniz mais existencial e (vá lá) inclusivo.

Ainda que se possa alegar que algumas situações envelheceram (e algumas envelheceram muito), que não havia diversidade racial, etc, tinha espaço para o jovem zoeiro e audacioso de Curtindo a vida adoidado, para o choque de tribos de Clube dos cinco e A garota de rosa shocking (este, dirigido por Howard Detch e roteirizado por Hughes), para a decepção com a vidinha besta e burguesa de Ela vai ter um bebê. Eram criações bastante originais para a época, tudo fruto do trabalho de Hughes, um ex-publicitário e ex-colaborador da revista de humor National Lampoon. Tudo embalado pela sensação de que a vida é, sim, apenas um piscar de olhos – como o próprio Ferris Bueller (Matthew Broderick) sentenciou em Curtindo a vida adoidado.

>>> Leia também no Pop Fantasma: Quando teve uma sitcom do Ferris Bueller

Live moves pretty fast, a caixa em questão, é a primeira compilação oficial de músicas de todos os filmes de John Hughes, incluindo aqueles que ele dirigiu ou apenas escreveu o roteiro. Sai em 11 de novembro pela Demon Music e vai ser vendida em vários formatos: box com LPs, CDs, etc, incluindo canções que estavam nos filmes mas acabaram não aparecendo nas trilhas sonoras.

Entre as bandas que apareciam nas trilhas, New Order, The Smiths, Echo & The Bunnymen, Simple Minds, Oingo Boingo, OMD, The Psychedelic Furs, Simple Minds, e várias outras que, muitas vezes, chegaram ao grande público por aparecem num filme dele. Ou já estavam virando “tendência” e foram pinçadas quando as agendas bateram, como foi o caso do New Order com Shellshock e Elegia em A garota de rosa shocking – um filme que ainda tinha na trilha Smiths com Please, please, let me get what I want e Echo & The Bunnymen com Bring on the dancing horses, gravada especialmemte para a trilha.

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Teve também o caso de Don’t you forget about me, da trilha de Clube dos cinco – aquela famosa música que o Simple Minds não queria gravar de jeito nenhum, mas acabou gravando. E virou o maior hit deles. Você já leu sobre isso aqui.

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