Cultura Pop
Shattered: todo mundo acordado no reality show

Anos antes da Netflix promover um reality show chamado Não durma no ponto – em que os participantes participam de várias provas, com o detalhe básico de que estão todos virados 24 horas sem dormir – a emissora britânica Channel 4 já tinha promovido um outro reality BEM mais complexo e arriscado para a saúde física e mental de seus participantes. Shattered teve só uma temporada em 2004, foi produzido pela mesma empresa que criou o sucesso Big Brother (a Endemol) e ideia era que todos os competidores ficassem uma semana sem dormir (!!).
A novidade para quem ama reality shows estranhos, é que todos os programas da única temporada estão hoje no YouTube. Olha o primeiro aí.
CEM MIL LIBRAS
Shattered tinha dez competidores, e envolvia uma série de provas e desafios. Todos estavam competindo por cem mil libras. Era uma dinheirama boa, que remediaria a saúde financeira de vários deles. Uma das participantes, Claire Muscat, que caiu fora no quarto episódio da série, estava sem grana e com dois filhos pequenos para cuidar. Entre 2h e 4h da manhã (horário em que se recomenda que as pessoas estejam dormindo), havia uma série de tarefas com a rubrica “você cochila, você perde”, que era uma verdadeira sessão de tortura.
Não era nenhuma prova do líder do BBB: os participantes precisavam sentar em cadeiras confortáveis, ouvir histórias de ninar contadas por uma avó amorosa e abraçar ursões de pelúcia (!). E não podiam dormir. Vale dizer que fechar os olhos por mais de dez segundos pelo menos algumas vezes não era algo exatamente passível de eliminação. Mas o competidor perdia mil libras da grana do prêmio a cada vez que cometesse esse erro.
A produção tomou cuidado para que algumas práticas do programa – pelo menos na régua moral de 2004 – não fossem vistas como tortura. Chegou a haver a ideia de dar pequenos choques elétricos nos participantes para que eles ficassem acordados (prevaleceu o bom senso e não rolou). Para remediar problemas, a turma toda se consultava com psiquiatras e fazia exames de saúde.
CHATO
Uma reportagem do The Guardian publicada em 2018 conta as diferenças entre o Shattered e qualquer reality show de hoje. A começar por um detalhe básico: o Shattered (significa algo como “destroçado” em português) era chato. Propositalmente chato, aliás: as provas eram entediantes e tinham sido pensadas de forma a dar sono (claro) nos competidores. Testemunhas contam que a razão que levou os participantes a entrar no programa era bem pragmática: grana. Ninguém ali tencionava ser famoso ou pensava em destruir ou desmoralizar o adversário.
Quem assistiu ao programa conseguiu ver direitinho como uma pessoa com (muita) privação de sono se comportava. Alguns enlouqueciam, outros pareciam estar eternamente bêbados, muita gente não falava coisa com coisa. Clare Southern, uma cadete da polícia de 19 anos que parecia extremamente resistente ao sono, acabou ganhando o programa após uma disputa final com Chris Wandel, o vice-campeão. Clare levou apenas 97 mil libras, porque acabou dando umas cochiladas de dez segundos no decorrer da atração.
No tal papo com o The Guardian, Wandel disse que suspeita até hoje de trapaça – tudo porque, na visão dele, Clare estaria causando dores em si própria, esticando cãimbras nos pés e até vontade de ir ao banheiro, para conseguir ficar desperta. Seja como for, Shattered dificilmente seria feito hoje em dia: muito confuso, eticamente bizarro e difícil de prender a atenção do telespectador. Fora que dá nervoso.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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