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Lançamentos

Robson Jorge & Lincoln Olivetti: boogie-disco de volta em “Suspira”

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A continuação das aventuras discográficas da dupla Robson Jorge e Lincoln Olivetti chega a público só agora. Déjà vu, com cinco faixas inéditas gravadas entre 1982 e 1986, ao auge das duas lendas do boogie-disco, sai em vinil e formato digital em 1 de setembro pelo selo Selva Discos. O material foi resgatado dos cofres de Lincoln e devidamente remasterizado. E nessa semana saiu o primeiro single do projeto, Suspira.

A música não parece exatamente um out take do LP único da dupla, Robson Jorge & Lincoln Olivetti (1982): a canção tem letra, Robson Jorge solta a voz, e parece mais uma música pensada mesmo como single autoral, para as rádios. O balanço é aquele mesmo que dominou as trilhas de novela nos anos 1980 – e que volta e meia é relembrado por alguma reprise na Globoplay ou canal Viva.

Foto: Reprodução da capa do disco Déjà vu.

Lançamentos

Tributo ao Dead Fish, da Mutante Radio, chega às plataformas

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Tributo ao Dead Fish, da Mutante Radio, chega às plataformas

Depois de lançar um tributo à banda santista Bombers, a webrádio paulistana Mutante Radio lança agora um tributo com 15 bandas relendo clássicos do Dead Fish. Tá servido? – Um tributo ao Dead Fish tem Skabong relendo Molotov, Rematte gravando Agressão social, Blastfemme cantando Fight for conscience, Rosa Idiota com The party e várias outras bandas, perfazendo um bom pedaço da história do grupo punk de Vitória (ES).

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Ricardo Drago, um dos criadores da Mutante Radio, conta que a ideia de fazer tributos partiu de uma conversa com Rafael Chiocarello (do site Hits Perdidos), quando ele e João Pedro Ramos (podcast Troca Fitas) lançaram um tributo aos Titãs. “Rafa me deu a ideia de fazer um tributo aos Bombers de Santos”, conta. “E desde a ideia inicial do Tá servido, eu pensava que tinha que ter bandas novas, bandas com mulheres no vocal e principalmente tinha que ser uma banda de cada canto do Brasil. E a gente conseguiu, estão representadas as cinco regiões do Brasil no disco. São sete bandas como mulher como vocalista e uma está na abertura do disco”.

Cada banda gravou na sua própria cidade e enviou a faixa para a rádio. “E com a liberdade que esse tributo tinha e tem, as bandas traduziram letras, mudaram versões, inventaram, o que tornou esse tributo muito mutante!”, diz.

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Crítica

Ouvimos: The Libertines, “All quiet on the Eastern Esplanade”

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Ouvimos: The Libertines, "All quiet on the Eastern Esplanade"
  • All quiet on the Eastern Esplanade é o quarto disco dos Libertines, banda britânica que começou em 1997 centrada na parceria entre Pete Doherty e Carl Barât (ambos voz e guitarra), e que é complementada por John Hassall (baixo) e Gary Powell (bateria).
  • O novo álbum é também o primeiro disco deles em nove anos – Anthems for doomed youth, o anterior, saiu em 2015.
  • O material do novo disco foi composto coletivamente pelo quarteto, e produzido por Dimitri Tikovoï (Placebo, Purple Disco Machine, Ghost, The Horrors). O disco foi gravado no velho mocó da banda, os Albion Rooms.
  • Carl diz que o novo disco traz a banda vivendo um momento inédito de união. “Nosso primeiro disco nasceu do pânico e da descrença de que podíamos realmente estar em um estúdio. O segundo nasceu de total conflito e miséria. O terceiro nasceu da complexidade. E neste disco, parece que estávamos todos no mesmo lugar, na mesma velocidade, e realmente nos conectamos”, afirmou.

Se bobear nem mesmo os próprios Libertines estavam esperando um retorno tão bacana, embora os fãs do grupo já estejam acostumados a surpresas. Afinal de contas, depois das brigas de dar medo entre os líderes Pete Doherty e Carl Barât, era para os dois estarem se detestando até o fim da vida. E o fator “vida”, para um sujeito que já cometeu tantos abusos quanto Doherty, é uma escolha a ser feita diariamente.

O grupo só havia lançado dois discos em sequência: a estreia Up the bracket, de 2002 e The Libertines, de 2004. Anthems for doomed youth, de 2015, o terceiro disco, veio depois de uma superação de briga de dez anos. O retorno All Quiet on the Eastern Esplanade, com seu título aludindo à Primeira Grande Guerra, amplia bastante o leque do quarteto. O grupo retorna refletindo crises e questões atuais, já que faixas como o single Run run run, Merry Old England e Baron’s claw são o dia a dia de uma existência apertada entre crises, saudades de uma época de ouro (que já faz tanto tempo…) e recordações de misérias passadas.

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Em termos de som, aquela banda que lembrava uma mescla perfeita de Clash e Television Personalities volta unindo, com classe, praticamente tudo que o rock britânico trouxe de muito bom em sua história pós-1960. Tem bandas como The Who, Beatles, Clash, The Jam e Smiths servindo de ponto de união em faixas como Run run run, o power pop Mustangs, a punk e poderosa Oh shit, o misto Clash + Smiths de So young.

Tem também o brit pop épico de Night of the hunter, com riff inspirado no Lago dos cisnes, de Tchaikovsky, com linhas vocais unindo algo de Oasis e algo parecido com As tears go by, sucesso que Mick Jagger, Keith Richard e Andrew Oldham compuseram para Marianne Faithfull. Man with the melody, por sua vez, traz lembranças da fase entertainer de David Bowie, da época de seu primeiro disco. A classuda e bela Merry Old England parece coisa do Style Council ou de Paul Weller solo.

É cedo para dizer se o novo dos Libertines vai ser ouvido daqui a alguns anos como um manual musicado de sobrevivência, como os discos do Clash. Provavelmente isso não vai acontecer – os tempos são outros, as pessoas não estão esperando mais serem salvas pelo rock. Mas a banda volta disposta até a meter o dedo nos números estranhos do streaming, em Songs they never play on the radio, dos versos: “enquanto as teias de aranha caem no novo disco/a agulha pula uma ranhura (…)/músicas que eles nunca tocam no seu rádio/você pode baixar de graça e economizar algum dinheiro”.

Nota: 9
Gravadora: EMI

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Relembrando: Nirvana, “Incesticide” (1992)

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Relembrando: Nirvana, "Incesticide" (1992)

Incesticide é o “entendeu ou quer que eu desenhe?” do Nirvana. Parece clichê, e é, mas a coletânea lançada pela Geffen enquanto o aguardado terceiro disco do grupo não ficava pronto, cumpre exatamente esse papel. A ideia original do disco tinha sido da antiga gravadora independente da banda, Sub Pop, e o material foi vendido à Geffen para que uma coletânea de longo alcance fosse lançada. Kurt Cobain, líder do grupo, participou de perto e fez até o desenho da capa.

Entre B sides, uma gravação do primeiro álbum (Downer, da estreia Bleach, de 1989), gravações de rádio e raridades, o Nirvana mostrava em Incesticide que era um grupo barulhento e alternativo – e não custa lembrar que a banda sentiu vergonha da mixagem de Nevermind, que considerou comercial demais. Explorava também formações anteriores da banda, com outros bateristas no lugar de Dave Grohl (além do próprio, presente nas baquetas em seis faixas).

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  • Temos episodio do nosso podcast Pop Fantasma Documento sobre o Nirvana.

O disco exibia também uma passagem de bastão entre o “alternativo” dos anos 1980 e o tempo deles. O hit Sliver e o punk hard rock de Aneurysm (regravado depois para o lado B de Smells like teen spirit) e Stain pareciam estar ali para lembrar que bandas como Replacements e Husker Du vieram antes, explorando uniões entre power pop e punk.

Já as gravações de ràdio eram de programas da BBC, mostrando o quanto o publico britânico, além da cobertura de mídia do Reino Unido, foram fundamentais para que a proposta do Nirvana fosse entendida. Uma dessas gravações foi a versão new wave de Polly, canção acústica que encerrava o lado A de Nevermind.

O que ficava na memória dos fãs recém adquiridos do Nirvana era que a banda que havia em hits como Come as you are já tinha a mesma manha popular desde as primeiras gravações, só que com um design sonoro mais feroz. Não era à toa que a Sub Pop dizia que o grupo iria enriquecer a gravadora.

O Nirvana era o grupo do punk tradicional (e cantarolável) de Dive, do pré-stoner de Mexican seafood, Beeswax e Aero Zeppelin (homenagem a Aerosmith e Led Zeppelin que lembra mais um encontro entre Black Sabbath e Public Image Ltd do que os homenageados), e era a banda que homenageava ídolos da new wave (regravando Turnaround, do Devo) e colegas indies (a banda escocesa Vaselines, admiradíssima por Kurt Cobain, com a regravação de Molly’s lips e do hino à amizade Son of a gun).

As letras de Nevermind não haviam saído no encarte – Kurt liberou apenas trechos delas e depois mandou publicar todas na arte do single de Lithium. Se alguém ainda não havia entendido aonde se localizava a revolta de musicas como Lithium e Breed, um texto publicado em algumas edições de Incesticide era bem claro: Kurt disse que havia beijado seus colegas de banda no Saturday Night Live para “cuspir em homofóbicos” e desconvidava pessoas que odeiam mulheres, pessoas de outras cores e gays a irem aos shows do Nirvana e comprarem discos da banda.

Se Raul Seixas reclamava de cantar para multidões e só ser compreendido por cinco pessoas, em Incesticide, Kurt Cobain lutou para ser mais entendido ainda do que no álbum anterior – ainda que Nevermind fosse um álbum que desbancou Michael Jackson das paradas. Aliás, até mesmo por causa disso, a ideia era mostrar que aquele sucesso tinha um passado construído aos poucos.

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