Cultura Pop
Relembrando: Nirvana, “Incesticide” (1992)

Incesticide é o “entendeu ou quer que eu desenhe?” do Nirvana. Parece clichê, e é, mas a coletânea lançada pela Geffen enquanto o aguardado terceiro disco do grupo não ficava pronto, cumpre exatamente esse papel. A ideia original do disco tinha sido da antiga gravadora independente da banda, Sub Pop, e o material foi vendido à Geffen para que uma coletânea de longo alcance fosse lançada. Kurt Cobain, líder do grupo, participou de perto e fez até o desenho da capa.
Entre B sides, uma gravação do primeiro álbum (Downer, da estreia Bleach, de 1989), gravações de rádio e raridades, o Nirvana mostrava em Incesticide que era um grupo barulhento e alternativo – e não custa lembrar que a banda sentiu vergonha da mixagem de Nevermind, que considerou comercial demais. Explorava também formações anteriores da banda, com outros bateristas no lugar de Dave Grohl (além do próprio, presente nas baquetas em seis faixas).
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O disco exibia também uma passagem de bastão entre o “alternativo” dos anos 1980 e o tempo deles. O hit Sliver e o punk hard rock de Aneurysm (regravado depois para o lado B de Smells like teen spirit) e Stain pareciam estar ali para lembrar que bandas como Replacements e Husker Du vieram antes, explorando uniões entre power pop e punk.
Já as gravações de ràdio eram de programas da BBC, mostrando o quanto o publico britânico, além da cobertura de mídia do Reino Unido, foram fundamentais para que a proposta do Nirvana fosse entendida. Uma dessas gravações foi a versão new wave de Polly, canção acústica que encerrava o lado A de Nevermind.
O que ficava na memória dos fãs recém adquiridos do Nirvana era que a banda que havia em hits como Come as you are já tinha a mesma manha popular desde as primeiras gravações, só que com um design sonoro mais feroz. Não era à toa que a Sub Pop dizia que o grupo iria enriquecer a gravadora.
O Nirvana era o grupo do punk tradicional (e cantarolável) de Dive, do pré-stoner de Mexican seafood, Beeswax e Aero Zeppelin (homenagem a Aerosmith e Led Zeppelin que lembra mais um encontro entre Black Sabbath e Public Image Ltd do que os homenageados), e era a banda que homenageava ídolos da new wave (regravando Turnaround, do Devo) e colegas indies (a banda escocesa Vaselines, admiradíssima por Kurt Cobain, com a regravação de Molly’s lips e do hino à amizade Son of a gun).
As letras de Nevermind não haviam saído no encarte – Kurt liberou apenas trechos delas e depois mandou publicar todas na arte do single de Lithium. Se alguém ainda não havia entendido aonde se localizava a revolta de musicas como Lithium e Breed, um texto publicado em algumas edições de Incesticide era bem claro: Kurt disse que havia beijado seus colegas de banda no Saturday Night Live para “cuspir em homofóbicos” e desconvidava pessoas que odeiam mulheres, pessoas de outras cores e gays a irem aos shows do Nirvana e comprarem discos da banda.
Se Raul Seixas reclamava de cantar para multidões e só ser compreendido por cinco pessoas, em Incesticide, Kurt Cobain lutou para ser mais entendido ainda do que no álbum anterior – ainda que Nevermind fosse um álbum que desbancou Michael Jackson das paradas. Aliás, até mesmo por causa disso, a ideia era mostrar que aquele sucesso tinha um passado construído aos poucos.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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