Cultura Pop
Reagan Youth: punk ríspido dos anos 1980 lembrado em dois relançamentos

A gravadora norte-americana Cleopatra Records disponibilizou dois discos do Reagan Youth, célebre banda anarco-punk. Ambos estão no Bandcamp do selo como álbum digital, e em outros formatos, como K7 e vinil. The poss tapes inclui demos gravadas entre 1981 e 1983, trazendo músicas agressivas e ríspidas como I hate hate, New arians, Urban savages, U.S.A. e Brave new world. Já o curto The 171A Demo 1981 foi “gravado em 1981 pela lenda Jerry Williams, do infame estúdio 171A, que também foi o lar de Bad Brains, Beastie Boys e outros!”, como diz o release. São dois discos do tempo em que o punk incomodava e vinha mais para confundir do que para explicar.
O Reagan Youth estava longe de ser uma banda tranquila, até mesmo para os padrões da música pop – vale dizer que, perto deles, o Sex Pistols era de fato um grupo pop. Foi formado no Queens, Nova York, começo de 1980 pelo cantor Dave Rubinstein (mais conhecido como Dave Insurgent) e pelo guitarrista Paul Bakija (Paul Cripple), dois ex-alunos da mesma escola onde os Ramones haviam estudado, a Forest Hills. Por acaso, também começaram sua carreira tocando no CBGB’s, mas já nos anos 1980.
Criado para basicamente chamar a atenção para a política direitista de Ronald Reagan, o Reagan Youth chegou a desfrutar de um status bem interessante para uma banda tão radical: fazia turnês longas e vendia um número considerável de discos no mercado underground. O primeiro EP, Young anthens for the new order, de 1984, inovava: em vez de uma capa tradicional, a banda optou por dois pôsteres como cobertura do vinil. O trabalho gráfico da banda costumava parodiar imagens de grupos conservadores ou da política genocida. Funcionando como carta de intenções, a música-título da banda, Reagan youth, comparava os jovens republicanos à juventude nazista.
Apesar das vendas e das turnês animadoras, a banda não durou muito. O Reagan Youth encerrou atividades pela primeira vez em 1990 – por acaso no ano seguinte após a saída de Reagan do governo norte-americano. Uma curiosidade: pertinho do fim, a banda assinou com um selo, o New Red Archives, que repôs o primeiro EP nas lojas como Volume 1, e lançou um álbum inédito, Volume 2 (1990). Mas a banda já estava acabada.
O Reagan Youth voltou em 2006 e ainda existe, mas com uma formação desfalcada de seus fundadores, que já saíram de cena. Rubinstein, viciado em heroína desde 1990, tirou a própria vida em 1993, abalado com a morte da mãe e da namorada, assassinada pelo serial killer Joel Rifkin. Em 2002, o grupo planejava se reunir para um show no CBGB’s, mas um ataque cardíaco matou Bryan, pondo fim aos planos da banda. Da volta para cá, a banda vem passando por um rodízio de ex-integrantes e dedica-se mais aos shows do que às gravações. Para saber com detalhes, o site do grupo tem um bom histórico do que vem acontecendo com o Reagan Youth até hoje.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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