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Crítica

Ouvimos: Todd Rundgren – “The Arena Tour Live – 2008”

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Disco de Todd Rundgren de 2008, Arena ganha nova vida em The Arena Tour Live – 2008: 17 faixas ao vivo mostram Todd Rundgren mais pesado, direto e inspirado que no estúdio.

RESENHA: Disco de Todd Rundgren de 2008, Arena ganha nova vida em The Arena Tour Live – 2008: 17 faixas ao vivo mostram Todd Rundgren mais pesado, direto e inspirado que no estúdio.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Lançamento: 2 de maio de 2025
Gravadora: Cleopatra Records

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Em 30 de setembro de 2008, Todd Rundgren lançou seu décimo-nono disco de estúdio, Arena – um álbum controverso, gravado num laptop Apple. Não era exatamente um disco ruim, muito pelo contrário. Mas houve quem estranhasse aquela estranha onda de faixas com um nome só (Courage, Weakness, Pissin’, Mad, Afraid) e visse naquele disco totalmente de-um-homem-só – o músico fez até o design da capa – um retorno à egolatria de Todd e a momentos em que ele precisava de alguém para dizer “chega, Todd, pode parar, agora edita isso”.

O fato é que o guitarrístico e solitário Arena tem muitas qualidades, e a turnê bem que deu certo. Tanto que chega agora às plataformas The Arena Tour Live – 2008, com 17 faixas gravadas ao vivo, incluindo praticamente tudo de Arena, além de vários hits que os fãs de Todd curtem. Seguindo uma onda bem própria de Todd, o material antigo do cantor surge tão fiel ao original, que parece que simplesmente é tudo playback. Até mesmo Open my eyes, sucesso de sua primeira banda Nazz – que evoca I can’t explain, do Who – surge como já rolava vários anos antes.

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Faixas como Black Maria, I saw the light e Couldn’t I just tell you completam a relação de antigos hits, mas da faixa 5 a 15 o espaço é de Arena, que ganha mais peso e vivacidade com as versões ao vivo – o material de estúdio soa mais burocrático do que as canções gravadas no palco, e deixa mais claro que Todd queria fazer o disco simples de blues e rock que ele estava devendo desde 1974 ou 1975, com direito a canções como Strike, que chegam a lembrar AC/DC e Aerosmith.

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Ouvimos: Martin Carr – “What future”

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Resenha: Martin Carr – “What future”

RESENHA: Martin Carr troca o britpop dos The Boo Radleys por eletrônica, dub e experimentalismo político em What future.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Sonny Boy Records
Lançamento: 1 de maio de 2026

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Principal letrista dos Boo Radleys até 1999 (ano em que deixou a banda), Martin Carr lembra bem pouco o som do grupo em seu trabalho solo – que é predominantemente eletrônico e experimental. What future, o novo álbum, segue a trilha do radicalismo sonoro e da porrada política, misturando notícias de TV, gravações aleatórias, beats eletrônicos e ondas que chegam perto do reggae e do dub. Ele diz inclusive que o disco surgiu da necessidade de mostrar em vez de contar, e que percebeu que suas letras sempre foram sobre a mesma coisa.

Martin passou um bom tempo trabalhando com trilhas pra TV e dá pra sentir um pouco disso no clima telejornal de Amerikkka is not your friend, tema eletrônico e experimental que ganha ares de dub e post rock, e no loop de percussões e sons melódicos de Canton rockers. Connie Converse is playing at my house, por sua vez, abre lembrando um teste sonoro, mas vai ganhando um beat de soul andarilho, e uma onda de beleza musical do meio para o fim. Diana F e Hex vão do pot rock eletrônico ao blues infernal e distorcido.

What future tem ainda as sombras e luzes de In the hall e New Brighton Baths 1983, mas une dub, ambient e festa soul em She came in through the Overton window e Strange now, encerrando com o synth-não-pop da faixa-título, uma música dançante e fria. Mal dá pra reconhecer o britpop dos Boo Radleys aqui, e Martin Carr busca um caminho bem novo pra sua música.

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Ouvimos: Ghost Valley – “Ghost Valley” (EP)

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Resenha: Ghost Valley – “Ghost Valley” (EP)

RESENHA: Post-rock minimalista e doce: Ghost Valley mistura ambient, pós-punk e synth pop em climas belos e hipnóticos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Bud Tapes
Lançamento: 4 de abril de 2026

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“Vale Fantasma” é um ótimo nome. O Ghost Valley vem de Portland, Oregon, e faz algo próximo do post-rock. É um som (vá lá) experimental, sem dúvida, mas é bonito, doce e minimalista. Como na abertura com El matador e na onda ambient de Glass nebula / Furnace creek, com teclado ambient na introdução, e toques musicais que lembram o Kraftwerk da era Autobahn (1974), em que a banda ainda usava guitarras. Aos poucos, essa música vai ganhando dedilhados e até uma guitarra slide tipicamente pinkfloydiana.

Vão rolando modificações aos poucos no contexto do Ghost Valley: Vampyre é pós-punk introvertido e chuvoso, com beat mais do que minimalista e guitarra circular – uma música que parece ter sido gravada num quarto. Fear & loathing é quase progressiva, com guitarras em clima relax e um baixo que ajuda a dar sensação de completude no arranjo – até que ganha mais peso, intensidade e ar de interferência sonora. Tem ainda o synth pop doce de Topanga e o drone celestial de Airline sunset, com oito minutos. Uma beleza.

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Ouvimos: Tears Of A Martian – “Light II dark”

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Resenha: Tears Of A Martian – “Light II dark”

RESENHA: Tears Of A Martian mistura neo soul, indie e pop punk em estreia nostálgica, densa e elegante, com ecos de Amy Winehouse, Smiths e Khruangbin.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 8 de maio de 2026

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O Tears Of A Martian é um projeto musical criado por uma cantora e compositora de Detroit chamada Arianna Bardoni. O nome é usado por ela desde 2018, já rendeu alguns singles e EPs, e Light II dark é o primeiro álbum. Apesar do clima meio punk da capa, o som tem uma onda bem mais variada. Arianna, na voz e na guitarra, e a turma que toca com ela faz uma espécie de neo soul + jazz + pop punk, quase como se o disco fosse pensado para ser lançado em 1997 ou 1998, mas esperando para ser complementado por algum produtor mainstream. Faixas como o soul esparso Knock me down e o r&b indie e minimalista Dik têm clima de época, mas simultaneamente têm arranjos cheios de eco e ambiência, que apontam até para bandas como Khruangbin.

Músicas como Tower e Spotless mind fazem com guitarras quase limpas, baixo e bateria uma recriação da estileira soul-folk que tornou Corinne Bailey Rae famosa, enquanto Men é um rock + r&b oitentista com guitarras lembrando Smiths e interpretação análoga à de Amy Winehouse, mas bem mais contida. Um lado mais roqueiro, denso e tenso se avizinha do Tears Of A Martian em duas músicas que não abandonam o lado neo soul do projeto, Litltle blue flowers e Reel / Real. Nas letras, Arianna vai do amor ao humor em poucos minutos.

Light II dark é um disco bem underground e o Tears Of A Martian são o tipo de banda que ainda não foi abraçada pela coolzice indie. É a melhor hora pra se descobrir uma banda – mas por enquanto o som esparso e as guitarras tranquilas (na maior parte do tempo) são a cara do grupo, e algo a não ser perdido na mão de algum produtor.

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