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Cultura Pop

Quando Ray Davies (Kinks) meteu o pau em Revolver, dos Beatles

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Quando Ray Davies (Kinks) meteu o pau em Revolver, dos Beatles

Pedir para artistas analisarem a obra de outros artistas sempre rende: a Bizz, principal revista de música do Brasil nos anos 1980 e 1990, vivia fazendo isso. Mas provavelmente os editores de uma revista chamada Disc and Music Echo não esperavam tanto pano pra manga quando convidaram em 1966 Ray Davies, dos Kinks, para analisar a novidade Revolver, dos Beatles.

O músico da banda britânica não curtiu o novo disco dos Beatles (que foi o primeiro que ele ouviu do começo ao fim) e deixou isso bastante claro na análise. Os editores da publicação tentaram (well…) contemporizar. Abriram o texto falando que “se o célebre compositor Ray Davies é um juiz de confiança, os Beatles cometeram um grande erro. Ray acha que Eleanor Rigby foi dedicada por John Lennon e Paul McCartney à sua professora de música da escola primária, enquanto Submarine deve afundar em uma lata de lixo”.

Olha aí uns trechos do que ele falou (você lê tudo aqui).

“TAXMAN”: “É um cruzamento do Who com o tema do Batman”

“ELEANOR RIGBY”: “Eu comprei um LP do Haydn outro dia, e isso soa como se fosse o som dele. É todo tipo daquela coisa de quarteto, e parece que eles querem agradar os professores de música das escolas primárias. Eu posso imaginar John dizendo: ‘Vou escrever isso para minha antiga professora'”.

“LOVE YOU TOO”: “Esse era o tipo de música que eu estava fazendo há dois anos – agora estou fazendo o que os Beatles estavam fazendo há dois anos. Não é uma música ruim – é bem executada, o que sempre acontece com uma faixa dos Beatles”.

“HERE, THERE AND EVERYWHERE”: “Mostra que os Beatles têm boas memórias, porque tem muitos acordes. Terceira melhor faixa do disco”.

“YELLOW SUBMARINE”: “Um monte de lixo, sério. Dou uma de Mickey no piano e toco dessa forma. Acho que até eles sabem que não é tão bom assim”.

“GOOD DAY SUNSHINE”: “Isso está de volta aos velhos Beatles. Eu não acho que os fãs gostem das coisas eletrônicas mais recentes. Os Beatles deveriam ser como o garoto da porta ao lado, só que melhores do que ele”.

“AND YOUR BIRD CAN SING”: “Não gostei disso. A música é muito previsível. Não é uma música dos Beatles”.

“GOT TO GET YOU INTO MY LIFE”: “Paul está cantando jazz melhor do que a maneira como os músicos estão tocando. Ele soa como Little Richard. É a música mais ‘antiga’ da banda no disco”.

Sem reservas, Davies curtiu apenas duas músicas: I’m only sleeping, que ele chamou de “música linda e definitivamente a melhor faixa do álbum”. E She said she said, que ele observou que “restaura a confiança no antigo som dos Beatles”. Agora, a bronca dele com a banda vinha de longe. Em 2013, ele revelou à Mojo que dividiu um palco com os quatro de Liverpool em 4 de agosto de 1964, e teve que escutar de John Lennon que estavam lá apenas para fazer o aquecimento para eles.

“Mas o público deu uma ótima recepção para You really got me. Foi como se tivéssemos algo que nos defendesse, como se fôssemos intimidados na escola e tivéssemos algo maior que o valentão”, contou.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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