Lançamentos
Radar: Zuriak, Welcome To The Outside, Disco Partisan, 61 OHMs e mais sons do Groover

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o punk introspectivo do Zuriak,
O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Zuriak): Divulgação
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ZURIAK, “CREE EN TÍ”. Punk introspectivo da Espanha, com clima sombrio, às vezes meio próximo do metal e do hardcore, mas bastante herdado do lado mais sensível das bandas de três acordes. Tanto que Cree em tí, um dos singles do grupo, parece uma versão mais deprê do som dos Buzzcocks. Lançaram em julho o primeiro álbum, La era artificial.
WELCOME TO THE OUTSIDE, “ONLY (DANCE OF THE LONELY ONES)”. Projeto de música eletrônica dark de Los Angeles, capitaneado pelo músico Gadi Murciano, o Welcome To The Outside contou com os vocais de Norelle neste single, uma música que fala sobre caos e solidão no dia a dia. Mesmo sendo um projeto eletrônico, a faixa tem uma guitarra meio blues que dá um ar progressivo à música.
DISCO PARTISAN, “FUEL”. O Disco Partisan é um projeto de punk-reggae-ska vindo dos Estados Unidos, e que parece ter muita, mas muita influência do Clash, além de referências de uma gama de grupos que vai de Smash Mouth a Specials. Conforme Fuel, novo single do grupo, vai crescendo, ganha peso e vai parecendo ficar mais próxima do punk que do ska. O refrão é ótimo.
61 OHMS, “THE SONG REMAINS THE SAME”. O 61 Ohms é um quinteto de Orange County que diz ter referências de Coldplay e U2, e… ei, espere, volte aqui! Pode acreditar que essa banda tem memória para lembrar do U2 quando ele ocupava lugar no espaço, e do Coldplay quando era ainda uma banda inovadora e criadora de excelentes melodias. Em todo caso, vão com força na identificação do grupo: The song remains the same, novo single, fala sobre resistência, ciclos da vida. Momentos decisivos.
MOSQUITO CONTROL MUSIC, “IN THIS PARADOX”. Combinando referências de darkwave, de grupos como The Prodigy e The Chemical Brothers , e uma sonoridade eletrônica e suja que vem lá dos anos 1980, esse projeto musical norte-americano retorna com seu novo single. Para divulgá-lo, fizeram um demo-clipe com cenas do filme O dia em que a Terra parou – o originalzão, de 1951, dirigido por Robert Wise. Detalhe: o Mosquito usa a icônica bateria eletrônica TR-808 em suas músicas.
DUPLEXITY, “LOVE IN REVERSE”. Vinda dos Estados Unidos, essa dupla de irmãos segue numa linha de som pesado e pop, mas dessa vez tem um lance meio trevoso surgindo lá de longe. A voz de Savannah Jude (a “irmã” da dupla) toma conta de toda a faixa, e o clima é de balada feita para acompanhar momentos mais tristes da vida: dores de cotovelo, relacionamentos que chegam no fim, a descoberta de que aquela pessoa que você amava não era tão amável assim, etc.
DREAM BODIES, “RUN”. “Essa música é Cocteau Twins encontra The Doors”, define Steven Fleet, o criador do Dream Bodies. Faz sentido, mas não é só isso: as guitarras esparsas e os teclados têm uma baita cara de Joy Division – e o vocal grave de Steven lembra tanto Jim Morrison quanto Ian Curtis, simultaneamente. “É uma jornada eletrizante e onírica rumo ao desconhecido. Correr para ou de alguma coisa”, completa ele.
HALLUCINOPHONICS, “HAZE OF TIME” / “C’EST LA VIE”. Essa banda britânica se diz inspirada por Pink Floyd e Tame Impala e tem como missão operar “na intersecção entre consciência e som, criando paisagens sonoras psicodélicas imersivas que desafiam os limites entre realidade e devaneio”. Um som que fica entre o pós-punk e o progressivo, e que revela canções como a sombria Haze of time e a viajante C’est la vie, singles mais recentes.
DEAD AIR NETWORK, “THE FIFTH OF OCTOBER”. Banda punk de Nova Jersey montada por dois músicos experientes da região, o Dead Air Network só quer saber de som pesado, briga e enfrentamento, oferecendo seu novo single The fifth of october como resposta ao “lixo higienizado” do Spotify. O som lembra uma mescla de Motörhead, Killing Joke e GBH, com riffs pesados, clima pesado e vocais que narram o caos urbano.
ROSETTA WEST, “TOWN OF TOMORROW”. Rios de tristeza e outras coisas meio duvidosas estão no seu caminho em Town of tomorrow, a música futurista dessa misteriosíssima banda dos Estados Unidos, que já tem vários anos de carreira, fora de qualquer esquema comum. O Rosetta West faz blues-rock predominantemente acústico, em clima quase punk. Essa é do álbum novo, God of the dead.
Crítica
Ouvimos: Douglas Germano – “Branco”

RESENHA: Em Branco, Douglas Germano mistura samba, Nordeste e experimentação para cutucar a elite: disco político, inventivo e feito para provocar.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 9
Gravadora: Independente
Lançamento: 19 de setembro de 2025
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“A Zelite não gosta de forró/ A Zelite no samba, que caô”, diz Zelite, samba nordestino do novo disco do paulista Douglas Germano, Branco. A elite (que surge na faixa como trocadilho) fecha os olhos para estilos como o piseiro e para as renovações da música nordestina – mas cai dentro do que pode ser considerado cult, do que tem passe livre. A mesma elite que…
Bom, milhares de eventos poderiam ser citados aqui, mas vale dizer que Branco, novo disco de Douglas, é tudo ao mesmo tempo: experimentação, samba, nordeste, dedo na cara, verdades nada secretas. Douglas disse (num papo com ninguém menos que Tárik de Souza) ter feito tudo sozinho no estúdio, com alguns convidados e parceiros (Luiz Antonio Simas, Roberto Didio e Alfredo Del Penho entre eles), e que decidiu usar instrumentos de percussão onde eles necessariamente não seriam usados.
Com um clima sonoro que soa primo simultaneamente de Tom Zé e João Bosco, Douglas abre Branco com Na ronda, samba de umbanda com sons rangendo em meio aos acordes, ruídos que lembram algo trilhado no aço. Zelite, além de desmascarar pessoas, cria imagens (“surfista de trem faz vagão virar mar”), enquanto a ágil Tudo é samba, com Loretta Colucci nos vocais, lembra algo feito para Elis Regina. Ramo tem orações e diálogos entre o narrador e uma rezadeira, e a percussiva Ruge leão, troveja Xangô ganha ares de samba-enredo. Uma das faixas que mais ganharam beleza com o coral de dez integrantes que surge no disco.
Mais climas nordestinos surgem em Ode do pode ou não pode, 19 de março e nas evocações de Lenine na melodia e no arranjo de Xaxará. Bala perdida é um samba sombrio, comparando traçantes a luzes na escuridão, enquanto Desbancando Gordon Banks é um samba agitado, cuja letra visita vários mundos ao mesmo tempo. Uma surpresa é Branco, ijexá tocado no piano – cuja mixagem destaca o instrumento como condutor das melodias.
E já que as plataformas digitais não dão ficha técnica, não tem problema: Branco é encerrado com Branco áudio encarte, trazendo todos os créditos do disco em meio a violão e percussão. O fim de um disco feito para cutucar consciências.
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Crítica
Ouvimos: These New South Whales – “Godspeed”

RESENHA: Godspeed mostra os australianos do These New South Whales fazendo um caldeirão de punk: pós-punk, Ramones e anos 1990, som instintivo, cheio de referências.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 28 de novembro de 2025
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Vindo da Austrália, o These New South Whales faz parte de uma geração mais recente do punk – na qual entram também grupos como Home Front e Spiritual Cramp. No caso deles, que lançam agora o quarto álbum, Godspeed, o resultado está mais para um cozidão bem feito e bem atualizado de referências. Ainda que até faça falta a procura de uma onda mais inovadora (território, por sinal, do Home Front), é um som mais instintivo – por sinal, Instinct, segunda faixa de Godspeed, tem guitarra estiligando e sonoridade que une Iggy Pop e Ramones.
A romântica Miss her varia entre pós-punk e Buzzcocks + Ramones. Big machine (a melhor do disco e a que tem mais cara de hit) e R.I.P. me aludem à nova leva de bandas pós-punk. Músicas como a faixa-título e Ecstasy aludem ao rock dos anos 1990, unindo punk, grunge e evocações de Pixies e Therapy?, enquanto a ágil Birdbrain alude a T.S.O.L. e a New Model Army.
Uma curiosidade em Godspeed é Nobody listens, uma espécie de punk sofisticado levado adiante por piano, voz e cordas, e que faz lembrar Changes, hit do Black Sabbath. Já as letras do álbum seguem o mesmo esquema de apelo aos instintos, recomendando mandar um foda-se para as expectativas alheias (Be what U wanna be e justamente Instinct), afastar FDPs de plantão (R.I.P me e a faixa-título) e coisas do tipo. O fato de unir referências e fases do estilo faz o TNSW soar às vezes como uma colcha de retalhos punk – mas os acertos são maiores.
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Crítica
Ouvimos: Jubba – “Caminhos tortos” (EP)

RESENHA: Jubba estreia com o EP Caminhos tortos, lo-fi e shoegaze à la Mac deMarco e DIIV, transformando inquietações em canções deprês e sensíveis.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Slowrecords
Lançamento: 28 de novembro de 2025
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Inspirado em nomes como Mac deMarco e nos cenários lo-fi e shoegaze dos anos 2010 – e volta e meia lembrando a música de bandas como DIIV – Jubba estreia no EP Caminhos tortos pondo música e barulho em deprês, inquietações e altos e baixos pessoais.
O conceito do disco é basicamente a busca de caminhos pessoais, ainda que de forma totalmente distante dos padrões. Tanto que a abertura é com os ruídos e o beat eletronico leve de Ode aos esquisitinhos, música de versos como “eles esperam que eu caia / que eu fique na merda pra sempre” e “não vou mais fingir quem sou”. Climas deprês e vibes da “vida de artista” surgem em Empregos reais, balada de guitarra e de percussão eletrônica, que acaba ficando próxima do pós-punk e do eletrorock, com direito a citação de Teatro dos vampiros, da Legião Urbana.
Há algo de Legião também em Flores no meu quarto, música com beat eletrônico seco, que depois vira algo quase ambient, com guitarras e teclados – quase na cola do final de Fábrica, penúltima música do segundo álbum do grupo, Dois (1986) – e cuja letra fala sobre beleza na amargura e no isolamento. Sensível ganha ares de trip hop, com direito a uma segunda parte bem mais hipnótica. Climas herdados do hip hop lo-fi surgem nos efeitos sonoros de A sensação. No final, a triste balada experimental Eu não sei dizer adeus propõe seguir em frente.
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