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Radar: Vermelha, Zeh Lucas, Iris da Selva, Tuany – e mais!

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Vermelha (Foto: Cíntia Molter / Divulgação)

Se no Radar de ontem falamos de um disco (a estreia do Vanguart) que pulou do CD pras plataformas digitais, dessa vez o assunto é um disco, o da banda Chuva Negra, que só existia virtualmente – e agora virou vinil. No mais, é a boa e velha variedade musical, que hoje abre com o relax criativo do som do Vermelha. Ouça bem alto.

Texto: Ricardo Schott – Foto Vermelha: Cíntia Molter / Divulgação.

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VERMELHA, “MERGULHO”. Esse é o single de estreia desse trio formado por Le Moreli (voz e guitarra), Zollner (baixo) e Jesa Pop (bateria). Mergulho, música que surgiu de uma jam da banda, tem produção de Paulo Kishimoto (Pitty, Bufo Borealis) e uma sonoridade lenta, psicodélica, próxima do sonho.

A própria letra de Mergulho fala de um dia de contemplação e relaxamento na praia, à beira dela ou no mar, em que o escuro das águas e a luz do sol são o que interessa, e ninguém tem relógio para marcar o tempo – ou seja: sonho puro, do começo ao fim. E o arranjo é bastante criativo: conforme o mar vai ficando mais agitado, com ondas para furar, a música também vai ficando mais distorcida e intranquila.

ZEH LUCAS, “CORRE, VEM VER” / “ENREDO”. Zeh Lucas é cantor, compositor e instrumentista de Garanhuns, no Agreste pernambucano, e faz uma MPB contemporânea que olha pra frente sem largar as raízes. No som e nas letras, aparecem ideias de pertencimento, território e memória, tudo guiado por vocais delicados e melodias que ficam na memória.

Enredo, single do fim de fevereiro, vem com clima de samba, cara de verão e um tempero de soul e jazz – soa carioca, mas com aquela liberdade meio sonhadora que também vem de Pernambuco. Já Corre, vem ver, mais recente, traz um violão que aponta pra Gilberto Gil e vai passeando por reggae, samba-rock e até manguebit. A faixa ainda ganhou clipe, em parceria com o Cordilheira Estúdio. E Zeh já deixou avisado: nesse mês chega o álbum visual Paradeiro.

ÍRIS DA SELVA, “UM LUGAR PRA IR”. Cantor e compositor paraense trans não-binário, Iris já passou por festivais como Psica e Se Rasgum, e prepara seu disco de estreia para maio, explorando sons que vão do folk ao carimbó. Um lugar pra ir é uma canção simples, em que tudo parece bem minimalista, mas os espaços são sempre muito bem ocupados – com a voz doce de Iris, um violão de nylon, o banjo, o tambor curimbó e a flauta transversal.

Na letra de Um lugar pra ir, Iris fala sobre a busca de paz e de cura num lugar em que ele pode “ser a poesia dos seus avós” e “tirar as pedras de dentro”: enfim, a fuga do caos nosso de cada dia. “Meu trabalho traz a territorialidade na lírica e na sonoridade, mas sempre aborda temas universais, diz Iris, que pôs na capa do single uma pintura de Barbara Savannah retratando Icoaraci, distrito de Belém onde ele nasceu.

TUANY, “DEITO E CHORO”. “É muito bom, mas cansativo e às vezes caótico. Ser a artista, diretora, roteirista, produtora tudo ao mesmo tempo pode desviar um pouco o foco. Mas é a forma que eu posso fazer agora, e eu busco extrair o máximo de mim e das pessoas que me ajudam nessas tarefas”, diz a paulista Tuany, que fez de tudo um pouco em seu novo clipe, Deito e choro: produção, direção, edição, imagens… mas com alguns colaboradores (até seus pais captaram algumas cenas).

O punk irônico de Deito e choro fala sobre aqueles momentos em que as emoções acumulam e só resta (como diz o título) deitar e chorar. Já o vídeo traz um passeio pelas ruas de Santo André (SP), incluindo a veterana loja Metal Music, além dela e sua banda tocando no estúdio Lanners, em São Paulo. “Essa música é o estopim final de milhares de emoções ao mesmo tempo”, afirma a cantora.

ISRAEL COSTA BAND, “DORES NAS COSTAS”. Já são 49 músicas no Spotify desse cantor e compositor maranhense, que com a Israel Costa Band vem construindo uma trajetória bem amarrada no groove – e que já rendeu cinco álbuns ao longo do caminho. Um trabalho constante, e cheio de personalidade.

Dores nas costas chega com bom humor, falando de amor, do cansaço no fim do dia e daquela vontade de dividir planos e confidências. O lançamento é praticamente todo independente: Israel cuidou de produção, mix e master, em parceria com o selo Brisa Records. O clipe da faixa, avisa Israel, foi feito de maneira totalmente espontânea: só o cantor circulando por espaços conhecidos de São Luís, capital maranhense, cantando e dançando como quem deixa a música levar.

CHUVA NEGRA, “CHORO E DELÍRIO EM IBIZA”. Essa banda surgida em 2009 na zona norte de São Paulo transitou por vertentes diferentes do punk, e se consolidou ao longo dos anos como parte do que define como “rock não famoso”. Ou seja: é uma banda independente até a medula e investe nesse lado indie, fora do mainstream. Surf, seu disco de 2024, acaba de ganhar lançamento em vinil pela Repetente Records, com masterização específica para o vinil feita por Philippe Fargnoli.

Nas plataformas, Choro e delírio em Ibiza, punk com ar pós-punk + emo (graças às palhetadas e ao riff da abertura) é a mais ouvida, com direito a versos irônicos como “tô com Mauricio Mattar e Edson Celulari / choramingando uma reunião de sóbrios anônimos (…) / estou defecando cacos de vidro que eu não consegui mastigar”. Já o nome do disco é aberto a interpretações. “É o oposto de conceito, mas pode ser um conceito também, depende de quem observa”, afirma o vocalista Rodrigo. “Pode ser o ‘supérfluo’, ‘superficial’ ou ‘não importante’… ‘Surfar’ pode ser ‘andar por cima’ ou ‘viver’. Esse mantra se repete pelo álbum inteiro”.

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Radar: Cipó Fogo e Tijuca Dub Club, Libra e Clara Lima, Letto, Vanguart – e mais!

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Cipó Fogo e Tijuca Dub Club (Foto: Divulgação)

Peso, eletrônica, som folk, rap feito entre Brasil e Portugal… O primeiro Radar nacional da semana aponta para vários lados, abrindo com as ousadias musicais, artísticas e políticas do Cipó Fogo e do Tijuca Dub Club, e prosseguindo até com a memória do indie rock brasileiro. Ouça bem alto.

Texto: Ricardo Schott – Foto Cipó Fogo e Tijuca Dub Club: Divulgação.

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CIPÓ FOGO E TIJUCA DUB CLUB, “DIGITAL SLAVES” / “ACAB”. O Tijuca Dub Club vem da eletrônica, o Cipó Fogo puxa pro peso – juntos, soltaram esse single duplo, Digital slaves, com a ideia de que a escravidão nunca acabou, só mudou de forma. Agora, o controle tá com as big techs. Pra ilustrar isso, eles usaram IA recriando obras de Rugendas e Debret, que viraram a capa. A tecnologia entra como crítica: Felipe Vazquez, produtor do Tijuca, resume como “trabalhar pra bilionário brincar de robô”. Já Marcelo Cabral, do Cipó Fogo, deixa claro: ninguém ali é contra tecnologia. “Artistas, sobretudo periféricos, independentes, do underground, com poucos recursos disponiveis, podem e devem utilizar essas ferramentas para se expressar, não substituindo o trabalho criativo, mas complementando o que surge de uma ideia original”, diz.

LIBRA E CLARA LIMA, “NO ONE WILL SAVE YOU”. O rap do Brasil e de Portugal se encontram aqui: Libra, de Lisboa, e Clara Lima, de BH. O single No one will save you foi feito à distância, mas junta duas visões de empoderamento dentro do rap, com versos em inglês e português. Uma música que fala daqueles momentos em que o perigo não vem só de fora – às vezes, vem da própria cabeça. É quando a gente tem que ter coragem de assumir nossa própria força.

LETTO, “LEVANTA MEU BOI”. Depois de rodar o Brasil e absorver várias referências, Letto chegou nesse som inspirado nos folguedos de boi — especialmente o de Natal (RN). A música já vinha sendo testada ao vivo antes de virar gravação. Ele mesmo diz que usa o palco como termômetro e só grava o que já funcionou ali. O single abre caminho pra apresentação junina do projeto Girô, com o qual ele já tem ligação forte, seja como DJ ou cantando carimbó.

VANGUART, “SEMÁFORO”. Memória no Radar: a Deck pôs nas plataformas a estreia epônima do Vanguart, que saiu em 2007 em CD encartado na revista Outracoisa. David Dafré (guitarra e voz), Douglas Godoy (bateria), Hélio Flanders (violão, gaita e voz), Luiz Lazzarotto (piano e órgão) e Reginaldo Lincoln (voz e baixo), que eram a formação na época, ganharam destaque em sites como o Scream & Yell com o álbum, e são lembrados até hoje pelo folk alternativo e MPBístico de músicas como Semáforo e Cachaça. Uma das obras mais importantes do indie nacional do começo do século 21 vai chegar às novas gerações.

BEATRIZ E A FITA, “ESTRELA”. Criada em 2012 por Beatriz Paris Pinheiro, a banda segue numa linha indie mais íntima, entre folk e dream pop. Estrela vai ainda mais nessa vibe: soa quase como uma valsa leve e meio etérea, sobre alguém deslocado, como se não pertencesse a esse mundo. Começa com voz e violão bem na frente e vai ganhando camadas aos poucos.

CHAMELEO, “CURVAS”. Unindo sonoridades do indie pop e do indie rock, Curvas, single novo de Chameleo – composto por Vivian Kuczynski, Pedro Bom e Gabriela Grafolin – tem uma letra bastanta ousada, que fala sobre a ansiedade por novas sensações, novos prazeres, novas experiências, “uma inquietação que atravessa a forma como a gente se relaciona, inclusive no amor. No fim, essa busca toda pode levar a algum lugar… ou não”, diz ele. Até mesmo o impulso de ir de São Paulo ao Rio para viver coisas novas surge na faixa, cujo clipe, dirigido por SCOZ e Lucas Cobucci, foi gravado em locais como o Love Cabaret e o Andar de Cima.

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Radar: The Morbs, Holy Death Temple, You Citizen – e mais sons do Groover

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Radar: Foto (The Morbs): Amelie Eiding / Divulgação

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do The Morbs.

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (The Morbs): Amelie Eiding / Divulgação

THE MORBS, “RUMBLE”. Um duo de indie rock “garage-gloom” (denominação dada por eles próprios formado por pessoas que vivem em locais diferentes: Estocolmo, Suécia (a vocalista e baixista Jasmin), e Wisconsin, EUA (Charlie, que divide os trabalhos musicais com ela). Essa dupla acaba de lançar Rumble, tema punk, distorcido e provocador, que é o segundo single dos Morbs – o duo estreou em 2025 com Plague.

“É uma fantasia energética com temática de boxe, impulsionada por guitarras fuzz, baixo encorpado e vocais distorcidos, misturando as texturas abrasivas do noise rock ao estilo Sonic Youth com a força do pós-punk moderno”, esclarecem os Morbs, influenciadíssimos por bandas como Viagra Boys.

Jasmin, por sua vez, conta que o contato com vários machos-palestrinha inspirou a letra de Rumble. “Homens que tentaram me impressionar, ou talvez apenas a si mesmos, com o quanto conseguem falar sobre coisas que não parecem saber muito. Falam sobre conceitos matemáticos obscuros depois que conto o quanto amo matemática, ou sobre como ganhar dinheiro de verdade com música, depois que descobrem que sou musicista”.

HOLY DEATH TEMPLE, “SOMEONE TO BLAME”. “Há algo para todos na pista de dança. Se você quer um hit gótico para boate com temática sadomasoquista, nós temos. Se você quer um paralelo intelectual entre sadomasoquismo e a descida ao fascismo, também temos”, conta o vocalista do Holy Death Temple, Bryan Edward. Someone to blame, som novo do grupo, tem tudo isso aí junto, até porque a letra é escrita pela perspectiva de um líder fascista que seduz um seguidor para sua ideologia – e para ser totalmente submisso a ela.

“A música vem de um sentimento de repulsa por pessoas que sentem prazer em ver os ‘inferiores’ sofrerem”, diz Edward. “Não se trata de criticar as preferências sexuais de alguém, mas se alguém merece ser criticado por isso, são eles”. E o som é uma baita porrada.

YOU CITIZEN, “BLUE TO BE MONDAY” / “KINDLY BE CRUEL”. Criado pelo compositor Bill McElnea (um “junkie de música dos anos 1980 e 1990”, como ele diz), o You Citizen lembra diversas coisas legais das duas décadas: Smiths, Sonic Youth. R.E.M., The Cure, até David Bowie. In this state, o primeiro álbum, sai ainda neste ano, e alguns singles já estão rolando desde 2023. Os mais recentes são Blue to be monday e Kindly be cruel, bem interessantes pra quem curte baixo e guitarra com tons graves comandando melodias, além de vocais calmos na onda de Lloyd Cole.

THE GINGER TWINS, “LONGSDORFF”. O projeto solo de Brian Beethoven, músico da Filadélfia, vai fundo num clima denso que mistura pós-punk, coldwave e synth minimalista, com guitarras ecoando e batida pulsante. Fazendo tudo sozinho, Brian puxa Longsdorff com vocais mais pra dentro e camadas etéreas. Já a letra gira em torno de relações rápidas, entre apego e distância, passando por escuridão, luz e conexão. É mais um capítulo do projeto, que começou em 2023 com a ideia de fazer um som bem pessoal e sombrio.

DEAD AIR NETWORK, “DARLING OF MINE”. “Este hino punk/new wave traz uma vibe retrô e mergulha no mundo confuso do amor e do desejo”, avisa a turma do Dead Air Network. “Tudo se resume à busca e à realidade de que nem todo desejo é realizado”. Tudo? Pois é, se você for ver na vida, talvez seja mesmo. Em termos de som, essa banda norte-americana une em Darling of mine, novo single, guitarras pesadas, clima pós-punk e ambientação fria, com teclados, vocais graves e baixo à frente.

THE CRUSHING WEIGHT, “BREAK ME”. “Darkwave, rock industrial, EBM, pós-punk. Atmosfera: pulso mecânico violento, tensão neon-noir, texturas metálicas frias…”, dizem eles. Uma onda bem estranha e que lembra direto o som dos anos 1990, e que é feita à distância (entre Chipre, Romênia e Grécia, pelo que essa banda misteriosa informa). Break me é do disco mais recente, Reforged.

THE SONGS OF BUTLER & CUPPLES, “WHAT USE IS PEACE WITHOUT FREEDOM”. Projeto musical feito por dois compositores britânicos, o The Songs une sons eletrônicos e rock distorcido herdado do punk – além de um clima beeem sinistro em suas músicas. What use… é um canção noturna, metálica e robótica que tem até algo de Nine Inch Nails e até de Marilyn Manson, mas num clima bem mais reflexivo e intimista.

ROOTS ASYLUM, “THE WEDDING SONG”. “Amor, devoção e compromisso em um mundo em guerra consigo mesmo”, afirma essa banda do Michigan quando perguntada sobre o tema de Wedding song, seu novo single. Com referências confessas e mais do que encontráveis de bandas como Mazzy Star, o Roots Asylum lembra a onda folk-60’s dos anos 1980, que deu em bandas de jangle pop e em grupos como R.E.M. Uma curiosidade: o Roots Asylum é formado por cinco integrantes, entre eles pai e filha (Jeromy Timmer nas guitarras e Miya Timmer nos vocais) e pai e filho (James McMillan no violão e Luke McMillan no órgão).

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Radar: Soma Please, Orphan Prodigy, The H Case, Bromsen – e mais sons do Groover!

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Soma Please (Foto: Divulgação)

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do Soma Please.

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Soma Please): Divulgação

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SOMA PLEASE, “LOVE”. Meio português, meio britânico, o projeto musical do duo Nuno Bracourt + Rob Williamson já passou até pela rádio da BBC, quando lançou o single Pockets on my sleeve. Love, indie pop com herança direta de bandas como Phoenix e até o New Order dos anos 1990, traz em sua letra “um retrato honesto de um coração frágil que persiste em amar apesar da sua própria condição, fazendo da repetição insistente da frase ‘I love you’ um mantra que revela simultaneamente devoção e vulnerabilidade”. O clipe da música foi feito entre Lisboa e Darlington (Inglaterra), e leva o universo de Love para uma vibe de comédia romântica indie.

ORPHAN PRODIGY, “DEEP BASS” / “MEDICATION FOR A MODERN WORLD”. Vindo do Brooklyn, e mais voltado para sons eletrônicos, esse duo apresenta dois singles recentes, que envolveram não apenas composição afiada, como também truques de produção. Deep bass, com participação do rapper e amigo de longa data Jeff Wise, traz apenas dois acordes e mais de 20 instrumentos em camadas, numa onda eletro-rock que serve de moldura para uma letra sobre os primeiros amores da vida, os que ficam na memória. Medication, por sua vez, fala de uma coisa que todo mundo conhece bem: viver numa sociedade que está cronicamente online, e que leva uma baita sobrecarga por causa disso.

THE H CASE, “DAFFODILS”. Inspirados no poeta inglês William Dodsworth e sua criação The daffodils, essa banda francesa entrega o som mais pinkfloydiano que você vai ouvir em 2026 – parece um ensaio do disco Meddle (1971), do Floyd, com todas as referências de época. Daffodils “fala sobre a confusão de sentimentos, entre devaneios amorosos e sonhos na natureza”, segundo a banda. O H Case também adota a filosofia do francês Baptiste Morizot e propõe que todo mundo se “floreste”, adotando o respeito ao meio ambiente e a “beleza do silêncio”.

BROMSEN, “CONCENDRAIN”. Esse projeto musical da Alemanha tem uma onda eletrônica retrô que pode fazer fãs entre seguidores de bandas como Depeche Mode, The Cure e até Tubeway Army. Concendrain fala de um tema bem atual: você já precisou desapegar rapidamente de algo (ou alguém) por quem se sente atraído / atraída? E como foi o esforço pra conseguir isso? “O próprio título é um híbrido de ‘concentrar’ (concentrar) e ‘drenar’ (esgotar), refletindo um estado de intenso foco interno que se torna emocionalmente exaustivo com o tempo”, diz o grupo.

A DAY IN VENICE, “I WILL”. Esse projeto musical da Itália criado pelo produtor e compositor Andrej Kralj geralmente faz música eletrônica, com referências sonoras bem oitentistas. Em I will, single novo, algumas coisas mudaram, já que o som é um rock sombrio e acústico, com vocais feitos pela cantora Froop – a ideia de Andrek é sempre ter cantores diferentes a cada faixa.

ORCHIDS OF JUPITER, “CANNIBAL VALENTINES”. Criado por Karie Jacobson (vocaiss, guitarra), Michel von Loh (guitarra, órgão) e Ali Breault (baixo), o Orchids Of Jupiter faz uma espécie de punk de terror espacial, soando às vezes bastante nostálgico em relação aos anos 1960. Cannibal valentines, que ganhou ainda um vídeo bem imersivo, é quase um shoegaze sessentista, uma balada em compasso ternário cantada por Karie em tom fúnebre.

THE MEMORY OF SNOW, “ALL THE THINGS I SHOULDN’T HAVE SEEN”. Inside, quarto álbum desse projeto musical criado pelo francês Albin Wagener, sai ainda em 2026 e vai ser uma resposta “moderna” ao álbum Outside, de David Bowie (1995). Ousado, hein? Mas Albin dá uma boa correspondida ao assunto, inspirando-se em thrillers escandinavos, sons industriais e drone music, para criar a atmosfera fria, eletrônica e dark que ele põe pra fora no single All the things….

ANDY JANS-BROWN, “SUNSET OR SUNRISE”. Esse cara vem da Austrália e faz punk rock com cara solar – aquele típico som australiano que lá pelos anos 1980 era chamado de “surf music”. Sunset of sunrise vai estar em Airport departure lounge, álbum de Andy programado para este ano, e é uma música que lança várias questões existenciais em clima descontraído (algo que também é comum a bandas como Hoodoo Gurus, aliás). “Ela faz uma pergunta simples: estamos indo para um acidente, para o início de algo novo ou, de alguma forma, para ambos?”, diz Andy. Tem clipe em clima praiano, com Andy tentando cantar a música enquanto um grupo de amigos tenta se divertir à beira-mar numa mesa de boteco.

BRAMA SUKARMA, “SET IN MOTION”. “Brama produz música em seu apartamento-estúdio no Brooklyn. Ele ganha dinheiro ajudando outras pessoas com trilhas sonoras para filmes, produção, mixagem e masterização”, diz Brama Sukarma. Escolado no jazz e na música afro-cubana, e fã de artistas como David Bowie, Prince e Kate Bush, ele volta aos anos 1980 e ao pop elegante da época em seu novo single, Set in motion – mas Brama diz ter ido bem mais lá atrás e revisto o pop latino dos anos 1970, com uma onda funk, soul e disco. Juntando as duas épocas com uma certa vibe alt-pop atual, surge uma ótima canção, que faz “a trilha sonora do movimento”.

SACHA, “WORTH THE RHYME”. Músico novaiorquino de Buffalo – vivendo hoje em NYC – Sacha decidiu fazer de sua mudança o EP Worth the rhyme, com três faixas que valam justamente sobre sair da zona de conforto e conhecer um ambiente que não é o seu. A faixa-título é recomendadíssima para quem curte músicas com total vibração de pós-punk anos 1980.

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