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Radar: The Lemon Twigs, Dewey, Metrophobia, Radio Free Alice, City Builders, Melody’s Echo Chamber

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The Lemon Twigs (Foto: Divulgação)

Tá dada a largada no Radar internacional, que hoje destaca uma novidade dos Lemon Twigs – a banda deixou de lado um pouco a mania pela “hora da lentinha” e meteu bala no power pop. Mas aqui ainda tem uma série de músicas que você vai querer ouvir mil vezes. Ouça e repasse.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Lemon Twigs): Divulgação

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THE LEMON TWIGS, “I’VE GOT A BROKEN HEART” / “FRIDAY (I’M GONNA LOVE YOU)”. O último álbum dos Lemon Twigs havia sido A dream is all we know, de 2024 – em março, saiu o primeiro álbum solo de um dos irmãos, Brian D’Addario, Till the morning (resenhamos aqui). Dessa vez, Brian e Michael retornam com uma baita cara power pop, lembrando bastante bandas como Raspberries e Badfinger (e Beatles) nas duas músicas do novo single – com direito a vocais lindos e quase hipnóticos. O material sai pelo selo Captured Tracks e o disquinho físico é limitado a apenas mil cópias.

DEWEY, “JINX”. Tá pegando fogo, bicho! Ou melhor, só faltou um incêndio para completar o clipe dessa banda francesa, que faz shoegaze calminho lembrando os primeiros anos do Ride, e acaba de lançar Jinx, uma música que fala sobre tendências, popularidades e eternidades da vida. E cujo clipe, dirigido pelos parisienses Emma Birski e Alexis Tinevez, mostra o grupo justamente tentando gravar o clipe. Só que dá tudo errado: o microfone cai, o cenário desaba, um pobre diabo da produção vai conferir o celular e não percebe que está na frente da câmera… A música é séria, mas você vai se divertir com esse clipe. Em fevereiro sai Summer on a curb, o álbum de estreia.

METROPHOBIA, “LENA” / “HATE ME”. A lista de influências desse duo suíço inclui bandas como Pixies, Teenage Fanclub, Dinosaur Jr, Catherine Wheel, Ride – e uma das referências deles é coisa de quem mergulha fundo: eles curtem o Bivouac, banda britânica dos anos 1990 hoje pouco lembrada, que chegou a ser contratada pela Geffen em 1995. O Metrophobia promete para breve o disco Under clouded skies e acaba de lançar os singles Lena e Hate me. A primeira é um britpop repleto de psicodelia e sessentismo na melodia. A segunda tem uma cara invernal e pós-punk – mas parece ser uma tendência do Metrophobia unir vibes dark e sons 60’s.

RADIO FREE ALICE, “RULE 31”. Um sujeito uniformizado invade uma área – um laboratório de testes em animais, ao que parece – e começa a soltar todos os pombos do local. Esse é o tema do novo clipe dessa banda australiana, que lançou neste ano o EP Empty words (resenhado pela gente aqui) e retorna agora com o single Rule 31, a tal música do clipe. Um pós-punk nervoso, com vocais cheio de inesperados scats, feitos pelo vocalista Noah Learmonth. Aliás, Noah diz que a faixa nasceu na estrada, nos bastidores dos shows – Rule 31 veio de uma linha de baixo surgida espontaneamente durante uma passagem de som, e logo foi gravada e lançada.

CITY BUILDERS, “NO SLEEP”. “Minha melhor amiga e eu nos transformamos em verdadeiros demônios quando saímos à noite”, diz Grace Turner, criadora do projeto City Builders. “Não há nada como ceder às suas ideias mais ousadas com uma melhor amiga, e eu precisava escrever algo que soasse tão caótico quanto nossas noites de festa”. No sleep é uma música bem safadinha e agitada – uma mescla de rock, música eletrônica e abraço no caos, em que Grace e um grupo de amigas saem para quebrar tudo à noite. “Essa música me dá vontade de ir de bar em bar com minha melhor amiga, terminar na festa da nossa equipe, dar uma escapadinha e trazer para casa algum móvel que encontrarmos na rua”, conta Grace, que dirigiu o clipe ao lado de Cole Lanton.

MELODY’S ECHO CHAMBER, “THE HOUSE THAT DOESN’T EXIST”. Já saíram os singles Daisy e In the stars, e nessa semana sai inteiro o novo álbum desse projeto comandado pela compositora Melody Prochet, Unclouded. Mas tem ainda um último single antes do lançamento, The house that doesn’t exist. Um som que pode ser considerado claramente como uma música groovy: doce, psicodélica, funkeada, sonhadora, com um clipe na mesma estileira. “Essa música transforma a perspectiva impossível de uma vida humana feliz no mundo de hoje em realidade, evocando um novo senso de fé”, diz Melody.

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Ouvimos: Jenny On Holiday – “Quicksand heart”

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Entre luto e descobertas, Jenny On Holiday estreia com synthpop e dream pop oitentista em Quicksand heart, disco íntimo sobre vulnerabilidade e prazer.

RESENHA: Entre luto e descobertas, Jenny On Holiday estreia com synthpop e dream pop oitentista em Quicksand heart, disco íntimo sobre vulnerabilidade e prazer.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Transgressive Records
Lançamento: 9 de janeiro de 2026

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“Coração de areia movediça” é uma boa metáfora para falar de profundidades sentimentais, ou de fragilidades, ou de perdas – e esses três temas surgem o tempo todo em Quicksand heart, estreia solo de Jenny Hollingworth, que faz parte da dupla de synthpop mutante Let’s Eat Grandma.

Jenny, usando hoje o alegre nome de Jenny On Holiday, passou por um acontecimento nada feliz em 2019: seu namorado morreu em 2019 de câncer ósseo. O luto chegou a fazer parte da lista de temas de Two ribbons, último álbum do Let’s Eat Grandma (2022), mas como ela própria disse num papo com o jornal The Independent, era preciso esperar até o momento em que o principal fosse se divertir fazendo música. Quicksand heart tem até um pouco de luto nas letras, mas boa parte do material fala de descobertas pessoais, tanto na vida quanto no sexo, no amor, no trabalho e em tudo que possa mexer com a vulnerabilidade.

Musicalmente, Jenny abraçou tanto a mescla de synthpop e dream pop, com teclados cintilantes e vibe oitentista evidente, que é quase impossível não pensar em Kate Bush, Fleetwood Mac e The Cure ao ouvir o disco. Essa onda surge na abertura com Good intentions, dá as caras nos riffs de guitarra e baixo da faixa-título e na vibe saturada e sonhadora de Appetite – música que fala bem diretamente sobre apetite sexual feminino, culpa e autoestima.

Every ounce of me, Pacemaker e These streets I know usam teclados gelados para falar de um mundo gelado, em que o estresse acaba virando combustível e a melancolia pode inspirar atitudes e canções. O New Order mais baladeiro e tranquilo dos discos mais recentes dá as caras em faixas como a tristonha Dolphins, além das razoáveis Push e Groundskeeping.

Nem tudo funciona 100% em Quicksand heart e dá para dizer que a segunda metade do disco traz menos canções que conquistam de cara, mas Jenny compensa na ambiência das músicas e na verdade inserida nos vocais e nas letras. O “casamento consigo própria” da capa – e vale dizer que o Let’s Eat Grandma não acabou – vem funcionando.

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Ouvimos: Julieta Social – “Julieta”

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Entre caos e conforto, o Julieta Social estreia com um pop alternativo aberto a referências, letras afiadas e climas que vão do indie ao soul psicodélico.

RESENHA: Entre caos e conforto, o Julieta Social estreia com um pop alternativo aberto a referências, letras afiadas e climas que vão do indie ao soul psicodélico.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Seloki Records
Lançamento: 30 de janeiro de 2026

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Tem muito caos, mas também tem muito conforto no som do Julieta Social – uma banda/mini-coletivo de quatro integrantes, que sempre chama convidados para participar das gravações e tenta fazer com que sua sonoridade seja a mais aberta possível. Tanto que Julieta, o primeiro álbum, pode ser definido tranquilamente apenas como música pop, ou até como pop alternativo, que aponta para várias referências e busca não facilitar tanto as coisas para quem ouve.

Julieta é o disco do single Casos de Colômbia, que assume referências de Radiohead e Chico Buarque, mas também mistura emanações de Arctic Monkeys e guitarras em clima de blues pós-punk. A faixa tem participação de Mariana Estol nos vocais, e uma letra que mete o dedo na ferida das expectativas que, muitas vezes, não representam nada (“nunca que você vai encontrar dentro do armário / algo lendário, é tudo vestuário / sabe aquela luz que a gente vê de madrugada / é quase nada, mas satisfaz a alma”).

Abrindo o disco, Casos de Colômbia serve de balizador para faixas poéticas como o soul psicodélico de Nuvem nua, o easy listening esparso de Dorme pra ver se me esquece, o pop rock radicalmente brasileiro de Quem nunca quis demais e Um tempo pra pensar – estas duas lembrando um pouco o som praiano de Lulu Santos e Charlie Brown Jr. Também cede espaço para a vibe sixties de Ce la vie e para o clima alt-disco de Como te dizer, que traz lembranças de Arctic Monkeys, Khruangbin e Mamalarky.

Do meio pro fim do disco, o Julieta Social aposta numa vibe indie-pop que tem muito de Tim Maia (Rubbish shuffle), em climas sonhadores e existenciais (Astronauta, Fome) e num bloco dançante com guitarra base e baixo à frente (Poodle marciano), que serve como demonstração de possibilidades instrumentais do grupo. Em meio a tantas ideias, o Julieta Social faz de seu primeiro álbum uma celebração das incertezas – e da beleza que nasce delas.

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Crítica

Ouvimos: Just Mustard – “We were just here”

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Shoegaze fantasmagórico e gótico: o irlandês Just Mustard mistura ruído, poesia e psicodelia em We were just here, disco que foge de rótulos.

RESENHA: Shoegaze fantasmagórico e gótico: o irlandês Just Mustard mistura ruído, poesia e psicodelia em We were just here, disco que foge de rótulos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Partisan Records
Lançamento: 24 de outubro de 2025

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Shoegaze e rock gótico são primos bem próximos, mas em vários momentos, é comum que bandas curtam misturar nuvens de guitarras e climas ensolarados – como se o sol fosse sair a qualquer momento. O grupo irlandês Just Mustard, que tem na voz de Katie Ball uma de suas maiores armas e atrativos, opera numa onda de shoegaze fantasmagórico, como se as microfonias e saturações servissem mais para confundir do que para explicar.

A opção da banda vem dando tão certo que eles já foram escolhidos pelo The Cure para abrir shows, e em We were just here, seu terceiro disco, escapam completamente de qualquer rótulo musical unindo vários elementos. Pollyanna, na abertura, poderia até ser uma canção do The Cure ou até do Jesus and Mary Chain: tem início ruidoso, bateria maquínica, teclados, ruído de vento – como se algo cobrisse tudo – e vocal doce, quase bossanovístico. A letra dessa música, assim como de boa parte do disco, é um primor de poesia e contemplação: “quando você vai brincar / onde os pássaros mais doces choram? / estou vendo, não sonhando / estou vendo, não sonhando agora”.

  • Ouvimos: Equipe de Foot – Small talk

Não é escapismo, já que parece um doce encontro com a realidade. E que surge também na viagem sonora fantasmagórica de Endless deathless, no quase trip hop + shoegaze de Silver (cuja letra absolutamente psicodélica diz: “luzes prateadas dançando ao redor do seu rosto / não consigo acompanhar o ritmo”) e no dream pop tranquilo de Dreamer. Já a faixa-título é quase hi-NRG, dançante, com início eletronificado e synthpopizado, só que tudo bastante sonhador e psicodélico – encerrando com uma rajada de microfonia daquelas.

Uma ouvida com atenção no Just Mustard revela que o som deles tem bastante a ver com uma certa onda que tomou conta do rock inglês e norte-americano nos anos 1980. Foi quando de uma hora para outra começaram a falar em neo-psicodelia e várias bandas apareciam unindo climas pós-punk a vibrações bem sixties – bandas como Primal Scream, The Pastels e até mesmo o Jesus and Mary Chain tinham a ver com isso.

Essa onda surge no clima enevoado, quase como se você tivesse dificuldade para enxergar na neblina, de Somewhere. Também está no drone, que chega a lembrar uma orquestra se aquecendo, que toma conta de The steps. Por outro lado, We were just here é inteirinho baseado numa espécie de som de ferro rangendo, que aparece em várias faixas, e ganha mais espaço em Out of heaven, a última faixa. Um lado pós-punk também vai surgindo em canções como Dandelion e That I might not see. Essas faces, juntas e equilibradas, formam o clima sonoro de uma das bandas mais legais da atualidade.

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