Connect with us

Lançamentos

Radar: Manger Cadavre?, Luana Fernandes, Punho de Mahin, Zeca Baleiro e Claudio Nucci, Marinas Found, Drama

Published

on

Manger Cadavre? lança o clipe de "Efêmero"

O Radar agora está mais fácil de ser encontrado no site (já viu o menu superior do Pop Fantasma?). E volta hoje com mais seis sons e clipes nacionais novos – ponha em sua playlist e ouça no último volume. Abrindo com o som pesado do Manger Cadavre?, para ouvir MESMO no volume máximo.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Manger Cadavre?): @antimanifesto / Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
  • Mais Radar aqui.

MANGER CADAVRE?, “EFÊMERO”. Como nascem os monstros, o quarto álbum dessa banda pesadíssima de São José dos Campos (SP), já saiu tem alguns meses, mas vai ganhar resenha em breve por aqui. Por enquanto, a gente comenta que Efêmero, uma excelente música do álbum, acaba de virar clipe. O clipe coloca em imagens a “experiência brutal e inesperada de uma crise de pânico, um episódio súbito de medo ou desconforto intenso, que surge mesmo sem a presença de um perigo real”.

A situação do clipe é bem comum, e já aconteceu com muita gente, inclusive com este que vos fala: um trabalhador sai de casa e esbarra com seu pânico pessoal no elevador. Os integrantes do Manger Cadavre? interpretam os demônios internos, que só existem na mente da pessoa.

LUANA FERNANDES, “FERA FERIDA”. No início de 2026, sai Fêmea fera, próximo EP de Luana, que aposta numa sonoridade que ela e sua banda chama de afrogaze – música eletrônica etérea e o encontro com a ancestralidade do tambor. Fera ferida, que puxa o EP fala sobre as (muitas) fragilidades do masculino: “castrou a emoção por medo / trocou o ser feliz pela razão / pobre macho, se perdeu / traiu, mentiu, fugiu, fodido”.

Fera ferida surgiu quando precisei encarar minhas próprias sombras de frente, sem disfarce, sem medo, transformando o caos em catarse e o sofrimento em força criativa”, conta Luana. O visualizer da música, dirigido por Roberta Odara (ânimaLAB), com direção de arte de Audrey Tigre e figurino de Mauricio Mesquita, tem três atos. No primeiro, predomina o vermelho (cor do sangue e da força primordial), no segundo, o verde (simboliza a cura e a reconexão) e no terceiro, surge a mulher que integra suas forças e assume sua potência, com Luana posando ao lado de uma pantera negra criada por inteligência artificial (e, pode acreditar, bem real).

PUNHO DE MAHIN, “GRITO QUILOMBO”. “Não é mais um grito de dor, é um grito de luta e vitória, que vai além do front de combate ao racismo estrutural para expressar a ampla possibilidade de organização e embate” completa Camila Araújo, guitarrista da banda punk Punho de Mahin, que prepara um álbum para 2026, com lançamento pela Deck e produção de Clemente Nascimento (Inocentes / Plebe Rude). Ela se refere a Grito quilombo, novo single da banda, afro-metal com peso nas alturas, cuja letra fala de luta coletiva, racismo, violência estrutural e a arte como forma de enfrentamento. Hardcore e metal unem-se na batida da música, som para escutar no volume máximo.

ZECA BALEIRO E CLAUDIO NUCCI, “MÃE CANÇÃO”. “Imagina um mundo sem música, sem mágica ou ilusão? / que destino cruel, que agonia sem céu, só sofrer / ainda bem que um deus musical deu ao seus tal poder”. Aumentando cada vez mais o círculo de parceiros musicais – e depois de ter feito um disco ao lado de Lô Borges, Céu de giz, resenhado pela gente aqui – Zeca Baleiro lança agora um single, Mãe canção, feito ao lado do veterano Claudio Nucci, ex-Boca Livre. Detalhe: a dupla já tem mais sete canções em parceria, e devem sair novos singles, e quem sabe, um álbum.

Na faixa, Claudio se encarregou dos violões, Zeca do baixo e percussão, e Adriano Magoo tocou acordeom – e Claudio e Zeca dividem os vocais. A referência musical foi a sonoridade das trilhas feitas pelo italiano Ennio Morricone para os clássicos western-spaghetti.

MARINAS FOUND feat RODRIGO LIMA, “CIDADES VIZINHAS”. Saudade, disco novo da banda de hardcore gaúcha Marinas Found, está previsto para janeiro de 2026. É puxado por Cidades vizinhas, um punk rock inspirado na cidade de onde vem a banda, Pelotas (RS), e uma música “sobre amar e odiar onde se vive — sobre viver entre o céu e o inferno no mesmo lugar. É o desejo de sonhar e buscar outros ares, mas sempre querer voltar para o conforto de casa”, contam no texto de lançamento. Rodrigo Lima, cantor do Dead Fish, solta a voz na música.

A luz amarela da capa do single, observa a banda, é uma raridade que está cada vez mais sendo substituída pela modernidade das luzes de led – quase transformando as cidades em shopping centers ao ar livre. “É uma pena assistir à extinção das luzes amarelas que iluminavam nossa relação afetiva com as cidades, e esta música é uma carta sobre o urbano que abriga cada um de nós”, diz o cantor Pedro Soler.

DRAMA, “SURFANDO NO CLONAZEPAN”. Banda carioca que existe desde 2006 – e que voltou em 2023 após uma pausa de sete anos – o Drama integra influências de Rammstein, Nine Inch Nails e Depeche Mode, unindo pós-punk, gótico, industrial e som pesado. Surfando no Clonazepan, nova música do grupo, é pesada não apenas na melodia como na letra, falando de estados de espírito que pedem atenção especial.

“Quando o mundo parece querer te destruir de várias formas, às vezes dropar um comprimido (ou umas gotas) te ajuda a sobreviver ao caos, e pensar que existe um lugar em que não há julgamentos, explica o vocalista e fundador da banda, Eddie Torres, que usou o sedativo como uma maneira de falar dos atropelos da vida real.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Crítica

Ouvimos: Douglas Germano – “Branco”

Published

on

Em Branco, Douglas Germano mistura samba, Nordeste e experimentação para cutucar a elite: disco político, inventivo e feito para provocar.

RESENHA: Em Branco, Douglas Germano mistura samba, Nordeste e experimentação para cutucar a elite: disco político, inventivo e feito para provocar.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Independente
Lançamento: 19 de setembro de 2025

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“A Zelite não gosta de forró/ A Zelite no samba, que caô”, diz Zelite, samba nordestino do novo disco do paulista Douglas Germano, Branco. A elite (que surge na faixa como trocadilho) fecha os olhos para estilos como o piseiro e para as renovações da música nordestina – mas cai dentro do que pode ser considerado cult, do que tem passe livre. A mesma elite que…

Bom, milhares de eventos poderiam ser citados aqui, mas vale dizer que Branco, novo disco de Douglas, é tudo ao mesmo tempo: experimentação, samba, nordeste, dedo na cara, verdades nada secretas. Douglas disse (num papo com ninguém menos que Tárik de Souza) ter feito tudo sozinho no estúdio, com alguns convidados e parceiros (Luiz Antonio Simas, Roberto Didio e Alfredo Del Penho entre eles), e que decidiu usar instrumentos de percussão onde eles necessariamente não seriam usados.

Com um clima sonoro que soa primo simultaneamente de Tom Zé e João Bosco, Douglas abre Branco com Na ronda, samba de umbanda com sons rangendo em meio aos acordes, ruídos que lembram algo trilhado no aço. Zelite, além de desmascarar pessoas, cria imagens (“surfista de trem faz vagão virar mar”), enquanto a ágil Tudo é samba, com Loretta Colucci nos vocais, lembra algo feito para Elis Regina. Ramo tem orações e diálogos entre o narrador e uma rezadeira, e a percussiva Ruge leão, troveja Xangô ganha ares de samba-enredo. Uma das faixas que mais ganharam beleza com o coral de dez integrantes que surge no disco.

Mais climas nordestinos surgem em Ode do pode ou não pode, 19 de março e nas evocações de Lenine na melodia e no arranjo de Xaxará. Bala perdida é um samba sombrio, comparando traçantes a luzes na escuridão, enquanto Desbancando Gordon Banks é um samba agitado, cuja letra visita vários mundos ao mesmo tempo. Uma surpresa é Branco, ijexá tocado no piano – cuja mixagem destaca o instrumento como condutor das melodias.

E já que as plataformas digitais não dão ficha técnica, não tem problema: Branco é encerrado com Branco áudio encarte, trazendo todos os créditos do disco em meio a violão e percussão. O fim de um disco feito para cutucar consciências.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: These New South Whales – “Godspeed”

Published

on

Godspeed mostra os australianos do These New South Whales fazendo um caldeirão de punk: pós-punk, Ramones e anos 1990, som instintivo, cheio de referências.

RESENHA: Godspeed mostra os australianos do These New South Whales fazendo um caldeirão de punk: pós-punk, Ramones e anos 1990, som instintivo, cheio de referências.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 28 de novembro de 2025

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Vindo da Austrália, o These New South Whales faz parte de uma geração mais recente do punk – na qual entram também grupos como Home Front e Spiritual Cramp. No caso deles, que lançam agora o quarto álbum, Godspeed, o resultado está mais para um cozidão bem feito e bem atualizado de referências. Ainda que até faça falta a procura de uma onda mais inovadora (território, por sinal, do Home Front), é um som mais instintivo – por sinal, Instinct, segunda faixa de Godspeed, tem guitarra estiligando e sonoridade que une Iggy Pop e Ramones.

A romântica Miss her varia entre pós-punk e Buzzcocks + Ramones. Big machine (a melhor do disco e a que tem mais cara de hit) e R.I.P. me aludem à nova leva de bandas pós-punk. Músicas como a faixa-título e Ecstasy aludem ao rock dos anos 1990, unindo punk, grunge e evocações de Pixies e Therapy?, enquanto a ágil Birdbrain alude a T.S.O.L. e a New Model Army.

Uma curiosidade em Godspeed é Nobody listens, uma espécie de punk sofisticado levado adiante por piano, voz e cordas, e que faz lembrar Changes, hit do Black Sabbath. Já as letras do álbum seguem o mesmo esquema de apelo aos instintos, recomendando mandar um foda-se para as expectativas alheias (Be what U wanna be e justamente Instinct), afastar FDPs de plantão (R.I.P me e a faixa-título) e coisas do tipo. O fato de unir referências e fases do estilo faz o TNSW soar às vezes como uma colcha de retalhos punk – mas os acertos são maiores.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Jubba – “Caminhos tortos” (EP)

Published

on

Jubba estreia com o EP Caminhos tortos, lo-fi e shoegaze à la Mac deMarco e DIIV, transformando inquietações em canções deprês e sensíveis.

RESENHA: Jubba estreia com o EP Caminhos tortos, lo-fi e shoegaze à la Mac deMarco e DIIV, transformando inquietações em canções deprês e sensíveis.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Slowrecords
Lançamento: 28 de novembro de 2025

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

Inspirado em nomes como Mac deMarco e nos cenários lo-fi e shoegaze dos anos 2010 – e volta e meia lembrando a música de bandas como DIIV – Jubba estreia no EP Caminhos tortos pondo música e barulho em deprês, inquietações e altos e baixos pessoais.

O conceito do disco é basicamente a busca de caminhos pessoais, ainda que de forma totalmente distante dos padrões. Tanto que a abertura é com os ruídos e o beat eletronico leve de Ode aos esquisitinhos, música de versos como “eles esperam que eu caia / que eu fique na merda pra sempre” e “não vou mais fingir quem sou”. Climas deprês e vibes da “vida de artista” surgem em Empregos reais, balada de guitarra e de percussão eletrônica, que acaba ficando próxima do pós-punk e do eletrorock, com direito a citação de Teatro dos vampiros, da Legião Urbana.

Há algo de Legião também em Flores no meu quarto, música com beat eletrônico seco, que depois vira algo quase ambient, com guitarras e teclados – quase na cola do final de Fábrica, penúltima música do segundo álbum do grupo, Dois (1986) – e cuja letra fala sobre beleza na amargura e no isolamento. Sensível ganha ares de trip hop, com direito a uma segunda parte bem mais hipnótica. Climas herdados do hip hop lo-fi surgem nos efeitos sonoros de A sensação. No final, a triste balada experimental Eu não sei dizer adeus propõe seguir em frente.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading
Advertisement