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Radar: Katia Jorgensen, Máquina Voadora, Outros Bárbaros, Carvel, Pessoa, Garotos Podres

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Katia Jorgensen

Duas músicas do Radar nacional de hoje já são velhas conhecidas, mas ganharam uma ótima recauchutagem: tem remix de Katia Jorgensen e clipe de um clássico quarentão dos Garotos Podres. Mas o que tem mais aqui hoje é novidade – e mesmo o clássico pode se tornar novidade com nova roupagem. Ouça e passe adiante.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Katia Jorgensen): Divulgação

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KATIA JORGENSEN, “MIGALHA” (REMIX BY ANDRÉ PAIXÃO). Migalha, uma das mais realistas, raivosas e teatrais faixas do álbum de Katia, Canções para odiar (que a gente resenhou aqui), volta em versão remix, apropriadamente feita pelo músico André Paixão – conhecido como Nervoso. E ele buscou referências que dessem uma intensificada básica no estresse evocado pela faixa: a eletrônica de Gary Numan, a tensão das trilhas de filmes de George Romero. É para ouvir e amar de cara – e sentir a emoção da música.

MÁQUINA VOADORA, “DOMINGO (OLHARES ACROBÁTICOS)”. O duo paulistano Máquina Voadora lança em breve o disco A grande boca de mil dentes – um lançamento instrumental, cujas músicas são interpretações de poemas do autor modernista Mário de Andrade, publicados no livro Pauliceia Desvairada. Domingo (Olhares acrobáticos), lado B do single Trianon, é pura levada – uma música definida por eles como “fusão cativante de rock guiado pela guitarra e a suavidade do jazz”. O som da dupla tem elementos, não muito discretos, que remetem ao krautrock – aliás Marcelo Garcia e Enrico Bagnato chegaram a tocar numa banda brasileira do estilo, o Kosmovoid. Mas o jazz, ao lado de suas variações mais roqueiras, é o principal.

OUTROS BÁRBAROS, “FORTALEZA HOSTIL”. Pelas ruas das Américas, terceiro disco dessa banda, sai em fevereiro – Fortaleza hostil, som entre a MPB, o indie-rock e o clima setentista (com direito a evocações de Refazenda, de Gilberto Gil), adianta o álbum. E em 9 de janeiro sai mais um single, Nós dois. O trio de Florianópolis – Maurício Peixoto (voz, guitarra e teclas), Eduardo Lehr (baixo) e Marco Mibach (bateria) – também aproveita para lembrar na nova música um grupo do qual Peixoto fez parte, o Aerocirco.

E já que há homenagens a Gil na faixa, não custa citar que o próprio nome do grupo é uma homenagem aos Doces Bárbaros – que passaram por um perrengue justamente em Florianópolis, quando Gil foi preso com maconha em 1976. “O princípio ativo que remete os Doces aos ‘Outros’ é a pretensão de construir algo importante tendo a música como fim. E tudo isso basta”, afirmam.

CARVEL, “PRESO EM VOCÊ”. Vindos de Vinhedo (SP), Guilherme Avelino (voz e guitarra), Lucas Argenton (guitarra), Victor Gonzales (baixo) e João Gabriel Diamantino (bateria), prometem o álbum Ainda é tempo para o começo de 2026, e adiantam o disco com singles e clipes. Já saiu Nós dois sabemos, comentado aqui no Radar, e agora é a vez do samba-indie-rock-reggae (juro, tem tudo isso lá!) Preso em você. Até mesmo pandeiro, cuíca e sopros surgem na nova canção, que teve nomes nacionais como Criolo e Zimbra entre as influências.

“A letra fala sobre um relacionamento que faz a gente se sentir bem e mal ao mesmo tempo. Sobre estar preso a alguém, mesmo sabendo que talvez não seja o melhor lugar. É um sentimento confuso, mas muito real”, diz Guilherme Avelino, autor da faixa. Já o clipe, dirigido e editado pelo guitarrista Lucas Argenton, foi filmado em diversas locações – sempre valorizando os espaços abertos e a luz natural.

PESSOA, “MAMÃE, NÃO QUERO AGROTÓXICO” / “MEDO DE QUÊ?”. Pessoa, cantor e compositor baiano que une folk, rock e MPB e cujo trabalho é marcado pelas letras bem humoradas, volta com single duplo, em que é acompanhado por Lucas Gonçalves (Maglore) na bateria e de Iago Guimarães nos teclados, e em que cai dentro do rock zoeiro. Mamãe, não quero agrotóxico fala de ecologia, guerra, fome, multimilionários que viajam para “Marte ou para a lua” e de políticos escrotos no poder. Medo de quê?, por sua vez, une grunge, Titãs, blues-rock e várias fobias da modernidade na letra (“todo mundo tem medo de algo / e quando encontra fica paralisado / isso não dá pra esconder /você tem medo de quê?”). Duas músicas bem curtinhas e diretas.

GAROTOS PODRES, “PAPAI NOEL, VELHO BATUTA”. Sabia dessa? Recentemente a veterana banda punk do ABC paulista foi obrigada a depor numa delegacia porque tocou seu clássico Papai Noel Velho Batuta num show. Tudo porque uma turma de extrema-direita que estava lá (num show deles? fazendo o que?) considerou a música um ameaça às “pessoas de bem”.

Para marcar a não-comemoração da tentativa de censura e intimidação em pleno 2025 – e para recordar os 40 anos do disco de estreia da banda, Mais podres do que nunca (1985) – agora Papai Noel tem clipe, com desenhos de Leandro Franco. O vocalista Mao e sua turma se transformam em desenho animado, o Papai Noel entra no clima “entendeu ou quer que eu desenhe?” (ele dá presentes a Trump e Zuckerberg e aparece dando altas cusparadas na direção da tela) e a história da tentativa de censura é contada no começo do vídeo.

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Lançamentos

Urgente!: E a trilha de “O morro dos ventos uivantes” feita por Charli XCX?

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Charli xcx

Em 2024, os fãs de Charli XCX se divertiram bastante conhecendo as dicas de filmes da cantora – isso porque alguém descobriu a conta dela na rede social de cinéfilos Letterboxd, na qual ela mostrava uma lista bem variada de filmes preferidos. No começo, houve certa dúvida sobre se a conta era autêntica ou fake (depois ela confirmou a veracidade com a mensagem “acho que minha conta vazou” numa rede social). Nessa semana, Charli XCX aproveitou até para divulgar no Letterboxd a tracklist do álbum Wuthering heights, com as músicas que criou especialmente para a trilha sonora do filme O morro dos ventos uivantes.

Um detalhe que chamou a atenção de vários fãs é que, além da participação de John Cale (ex-Velvet Underground) na já revelada House, tem ainda a voz de Sky Ferreira na música Eyes of the world. Como Sky tem só um álbum lançado em 2013 e está adiando seu segundo disco há anos, você pode imaginar a apreensão dos fãs dela.

Sky e Cale são as duas participações especiais da trilha, que além de House, também já revelou as músicas Chains of love e Wall of sound. A trilha tem 12 faixas e vai chegar às plataformas digitais no dia 13 de fevereiro, um dia após a estreia do longa-metragem. O filme tem direção da britânica Emerald Fennell e é estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi, que faz o casal protagonista da história.

E aí embaixo, você confere a lista de músicas, além dos clipes das faixas já lançadas.

House feat. John Cale
Wall of sound
Dying for you
Always everywhere
Chains of love
Out of myself
Open up
Seeing things
Altars
Eyes of the world feat. Sky Ferreira
My reminder
Funny mouth

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Ouvimos: Nastyjoe – “The house”

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Banda francesa Nastyjoe estreia em The house com pós-punk sofisticado: vocais graves, guitarras nervosas e clima indie cerebral. Pode virar favorita.

RESENHA: Banda francesa Nastyjoe estreia em The house com pós-punk sofisticado: vocais graves, guitarras nervosas e clima indie cerebral. Pode virar favorita.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: M2L Music
Lançamento: 16 de janeiro de 2026

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Assumidamente referenciada em bandas como The Cure, Blur e Fontaines DC, a banda francesa Nastyjoe soa mais indie rock do que o grupo de Robert Smith e mais voltada ao pós-punk do que a banda do hit Country house – também soa mais cerebral que a fase atual do Fontaines. A cara própria deles está numa noção sofisticada de pós-punk, com vocais graves combinados a guitarras ágeis, baixos cavalares e bateria motorik.

  • Ouvimos: Bee Bee Sea – Stanzini can be alright

Esse som aparece nas faixas de abertura de The house, disco de estreia do grupo: a boa de pista Strange place e a maquínica faixa-título, que lembra bastante Stranglers nos timbres de guitarra. Por sinal, o Nastyjoe é uma banda nova recomendadíssima para quem curtia a base carne-de-pescoço do grupo punk britânico, com direito a vocais falados no estilo de Hugh Cornwell na gozadora Dog’s breakfast – uma crônica musicada em que um sujeito começa a sentir inveja de um cachorro na rua (!).

The house tem ainda uma curiosa mescla de Stooges e Psychedelic Furs (Worried for you), uma concessão às vibes góticas oitentistas (a anti-fofinha Hole in the picture, que prega: “estou de saco cheio de ser gentil”), breves lembranças do Wire (numa pérola krautpunk intitulada justamente… Wire), guitarras em meio a nuvens (as duas partes de Things unsaid), punk garageiro turbinado (Blood in the back) e som deprê e frio (Cold outside). Pode ser sua banda preferida, um dia. Ouça e fique de olho.

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Crítica

Ouvimos: Wet For Days – “Wet For Days”.

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RESENHA: Wet For Days, trio punk canadense de mães, mistura Ramones, L7 e Buzzcocks em disco de estreia pesado, feminista e sem paciência pra machos imbecis.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 9 de setembro de 2025

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“Banda punk rock de mães de Ottawa. Tendo seis filhos entre nós, nos unimos pelo amor ao rock and roll e por criar boas pessoas em um mundo difícil”. É assim que esse trio canadense define, mais do que seu som, seu propósito. Sarah (guitarra, voz), Steph (baixo, backing vocal) e Deirdre (bateria, backing vocal), as três do Wet For Days, somam emanações sonoras de bandas como Ramones, L7, Buzzcocks e Babes In Toyland em seu disco epônimo de estreia, e apresentam canções sobre sexo, feminismo, machos imbecis – e sobre não aturar gente imbecil de modo geral.

  • Ouvimos: Besta Quadrada – Besta Quadrada

A banda abre com as guitarras distorcidas e o clima Ramones de Wet for days, seguindo com o imenso “larga do meu pé!” de Alpha male e os riffs graves de Anxiety, punk rock numa onda meio Dead Kennedys, cuja letra fala em “cérebro bagunçado e taquicardia” e pede que a ansiedade fique bem longe. Lembranças de The Damned e Motörhead surgem nas furiosas On the run e Listen up, e sons entre os anos 1980 e 1990 dão as caras nas esporrentas Kill your ego e Smile. No final, lembranças ruins na ágil Bad date.

Wet for days ainda tem duas vinhetas fofas em que as integrantes aparecem interagindo com suas crianças: em Don’t worry be mommy, uma brincadeira com os versos de Don’t worry be happy, de Bobby McFerrin, vai fazer você ficar com um sorriso bobo na cara o dia inteiro. Mas o principal aqui é o peso.

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