Cultura Pop
R.I.P. Hugh Hefner

O fim de uma era. O fundador da revista (aliás do império de entretenimento) Playboy, Hugh Hefner, morreu aos 91 anos, na noite desta quarta (27), em sua casa, de causas naturais. A notícia foi dada pela conta oficial da revista no Twitter.
American Icon and Playboy Founder, Hugh M. Hefner passed away today. He was 91. #RIPHef pic.twitter.com/tCLa2iNXa4
— Playboy (@Playboy) September 28, 2017
“A vida é muito curta para viver o sonho de outra pessoa”.
“Meu pai viveu uma vida excepcional e impactante. Defendeu de alguns dos movimentos sociais e culturais mais importantes do nosso tempo, na defesa da liberdade de expressão, dos direitos civis e da liberdade sexual. Ele definiu um estilo de vida e um ethos que vivem na marca da Playboy, uma das mais reconhecidas no mundo”, informou seu filho, Cooper Hefner, chefe de criação da Playboy Enterprises, num comunicado.
Hefner não parecia ter o perfil de quem iria redefinir a história sexual de homens e de mulheres no pós-guerra. Ele era filho de Metodistas, serviu na Segunda Guerra Mundial, era bacharel em Psicologia pela Universidade de Illinois e perdeu a virgindade aos 22 anos. Duas experiências acabaram marcando Hefner por toda a vida: o fato de ter publicado uma revista chamada em quadrinhos School daze na época da escola (é a da foto ao lado) e os estudos que fez da obra do cientista Alfred Kinskey, autor do livro Comportamento sexual do homem. Hefner costumava dizer que a Playboy era uma resposta à repressão que tinha vivido. “Eu tentei fazer diferença e penso que me esforcei para isso”, chegou a afirmar.
A Playboy nasceu em 1953, após um período em que Hefner trabalhou na revista Esquire. Para publicá-la, o editor gastou US$ 8 mil. A edição inicial, com Marilyn Monroe na capa (e que foi apresentada por um editorial de Hefner explicando que o mundo de Playboy era “mexer coquetéis, colocar uma música de fundo no fonógrafo e convidar uma garota para uma discussão calma sobre Picasso, Nietzsche ou jazz”) vendeu mais de 50 mil cópias – um sucesso que Hefner creditava a uma resposta à repressão da época. “Mas eu estava tão incerto do sucesso da revista que a primeira edição nem trazia a data de lançamento. Eu pensei: bom, se não der certo, deixamos para lá antes do segundo mês. Eu mesmo era o staff editorial inteiro”, contou à própria Playboy em 1974.
Com o passar dos anos, a revista foi liderando batalhas a favor da liberdade de expressão, publicando entrevistas históricas e lançando várias playmates. Uma das mais ilustres, você já viu aqui: Bebe Buell, modelo e cantora (e mãe de Liv Tyler) foi uma delas. Debbie Harry, do Blondie, foi coelhinha da Playboy. Madonna teve um ensaio histórico publicado em 1985, com fotos que estavam guardadas desde o começo da década de 1980, nas quais ela aparecia morena. No Brasil, a cantora Neusinha Brizola quase foi uma playmate – seu pai, Leonel Brizola (dispensa apresentações) mandou proibir o ensaio antes que saísse.
Hefner, que foi casado três vezes (a viúva é a modelo Crystal Harris, 60 anos mais nova) deixa os filhos Cooper, David e Marston, e a filha Christie. E, mais que isso, deixa um legado incomensurável para a cultura pop. “Se eu não tivesse causado controvérsia, não estaria aqui hoje”, costumava dizer.
E quem sintetizou muito bem a importância de Hefner e a enorme perda que representa sua morte foi o jornalista e crítico de cinema Jaime Biaggio. Fala aí, Jaime.

Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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