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Cultura Pop

Quando fizeram um reality show em que solteiras disputavam um Príncipe Harry falso

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Reality shows com premissas estranhas, bizarras ou deslavadamente falsas sempre existiram – até porque sempre vai rolar aquele momento em que a enganação faz parte do jogo. Mas existiram poucos realities mais inacreditáveis do que I wanna marry “Harry”, programa exibido pelo canal norte-americano Fox em 2014. E que, desde o comecinho, já foi feito para enganar pessoas e garantir risadas de espectadores mais sádicos.

O “Harry” do nome do reality é (você deve imaginar) o Príncipe Harry, que estaria sendo “disputado” por doze mulheres jovens e solteiras. No começo do reality, o nome do príncipe não é citado, mas todas as condições do programa levam as moças a crerem que estão lá disputando o amor do Duque de Sussex. Isso incluía desde o cenário, até as fotos do “príncipe”, ou mesmo a estrutura em torno de Harry. O príncipe desloca-se de helicóptero, vive num palácio e tem um mordomo que o serve e desenrola seus BOs diários. O nome de Harry, aliás, só foi citado lá pelo quinto episódio no reality, quando restavam sete competidoras.

Tudo mentira da grossa: quem estava sendo disputado pelas doze mulheres era Matthew Hicks, um inglês de 23 anos que se parecia muito com o príncipe, e que mesmo assim precisou passar por  um verdadeiro banho de loja para assumir o papel – além de pintar os cabelos de ruivo. O “palácio” do rei era Englefield House, uma propriedade enorme que poderia enganar pessoas desavisadas. Tanto que costumava ser usada em produções cinematográficas e em séries.

Já o tal mordomo, Kingsley, era interpretado por Paul Leonard, ator britânico com larguíssima experiência em teatro e musicais, e que pouco antes do reality havia participado daquela versão cinematográfica de Os miseráveis dirigida por Tom Hooper, com Russell Crowe, Anne Hathaway e Hugh Jackman no elenco.

Se você ficou muito curioso/curiosa, os oito episódios da única temporada estão no YouTube, em inglês (infelizmente sem legendas).

Sim, I wanna marry ‘Harry” (note as aspas no nome do príncipe) durou apenas uma temporada, de 20 de maio  a 11 de junho de 2014. Nas cabeças de vários telespectadores, aquilo foi uma enganação e uma patetice violentas – mesmo pros padrões dos realities dos EUA, que não têm problema em constranger e expor pobres diabos ávidos por fama, ou pessoas com os mais diversos graus de problemas. Mas além disso, o programa era parecido demais com Joe Millionaire, exibido pela mesma Fox em 2003, e que enganava mulheres oferecendo um casamento com um ricaço fake.

A crítica não curtiu, o público não caiu nessa, mas bizarrice mesmo foi quando as competidoras foram percebendo que se tratava de uma baita armação. A competidora Kimberly Birch, uma atriz novaiorquina que acabou sendo a escolhida pelo “príncipe”, revelou depois do programa abusos que, no Brasil, dariam um podcast do Chico Felitti: um sujeito que se passou por terapeuta atendeu as competidoras quando elas começaram a desconfiar da veracidade do reality, e disse que elas precisavam acreditar na produção.

As participantes tiveram, antes do programa, um confinamento bizarro e alienante num hotel. “Eles trancaram cada uma de nós em quartos separados, onde não tínhamos TV, celular, livros e absolutamente nada para fazer durante uma semana inteira”, contou. Para matar o tédio, Kim catou uma Bíblia que estava na gaveta da cômoda e leu os textos até quase decorá-los, antes que ficasse maluca. A atriz não chegou a ficar com ranço, pelo menos não na época, do programa: chegou a elogiar a produção (afinal, todos foram muito bem enganados) e até manteve um relacionamento de amizade com Hicks, pelo menos por uns tempos.

“Foi uma grande ilusão”, disse o produtor executivo David Tibbals na época à People. “Cada garota reagiu de maneira diferente ao conhecer Matt. Mas depois de um pouco de tempo naquela bolha, as que eram céticas começaram a acreditar”. Gente…

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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