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Quando Bunny Wailer saiu dos Wailers

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Quando Bunny Wailer saiu dos Wailers

Morto na terça (2) de causas não especificadas, o cantor e compositor jamaicano Bunny Wailer (1947-2021) fez parte do núcleo duro inicial dos Wailers, ao lado de Peter Tosh e Bob Marley. Só que a partir de 1973, quando o grupo foi contratado pela Island, Bob Marley ficou – como é público e notório – mais à frente da banda. Tanto que nessa época, o selo jamaicano Trojan já lançava coletâneas de trabalhos anteriores do grupo sob o nome Bob Marley and The Wailers.

A partir do disco Natty dread, de 1974, já sem Peter e Bunny na banda, até mesmo os lançamentos oficiais passaram a ganhar crédito com o nome do wailer mais ilustre à frente. Mas pouco antes disso, Bunny era um dos principais vocalistas dos Wailers ao lado de Bob, e é a voz dele que pode ser escutada em músicas como Reincarnated souls (lado B do single Concrete jungle, de 1973), Pass it on e Hallelujah time (ambas de Burnin‘, de 1973, último disco com o trio Bob-Bunny-Tosh).

Com um pé fora dos Wailers lá pra 1973, quando ele e Tosh começam a perder protagonismo na banda, Bunny passa a operar seu próprio selo, Solomonic, pelo qual começa a lançar seus próprios singles solo, além de uma coisa ou outra creditada aos Wailers, ainda que a banda estivesse contratada pela Island.

Bunny não tinha muita vontade de sair da Jamaica para encarar longas turnês nos EUA e Europa, e acabou não participando da parte americana da tour de Catch a fire, com Joe Higgs tomando seu lugar na percussão do grupo. No documentário Marley, de Kevin McDonald (2012), chegou a reclamar que a Island queria engajar os Wailers no que havia restado da cena freak dos anos 1960 (um rótulo catacorno que abrangia desde bandas pré-punk, até maluquices da era hippie como GTO, The Fugs e Holy Modal Rounders).

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Foi nessa época em que os Wailers abriram para Sly Stone e, além de ficarem meio chocados com o estilo hedonista do astro principal, ainda roubaram a cena. Não duraram muito tempo na turnê. Mas em 1974 Bunny deixou de vez a banda junto com Tosh e foi tocar sua vida. Blackheart man, seu primeiro disco solo, sai em 1976 pela Island, com a Solomonic servindo de editora musical e de gravadora apenas na Jamaica.

À Mojo, Bunny disse anos depois que fez o disco baseado em suas experiências  e reminiscências de infância (o próprio título vem de uma lenda sobre um “homem do coração negro” que assustou muitas crianças jamaicanas). Bob Marley e Peter Tosh fazem participações em algumas faixas. O álbum traz destes temas espiritualistas até lembranças da prisão de Bunny com maconha, ocorrida no fim dos anos 1960 (em Fighting against conviction).

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A carreira de Bunny na Island ainda inclui Protest (1977), um disco (como o próprio nome já diz) de protesto, com várias notícias de jornal sobre a África na capa, além de uma releitura de Get up, stand up, que já havia sido gravada pelos Wailers com os vocais de Bob. O disco já não tem mais participação de Marley ou Tosh. Daí para a frente, Bunny tocaria sua gravadora, pela qual seguiria lançando discos até a década passada.

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Dan Spitz: metaleiro relojoeiro

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Se você acompanha apenas superficialmente a carreira da banda de thrash metal Anthrax e sentia falta do guitarrista Dan Spitz, um dos fundadores, ele vai bem. O músico largou a banda em 1995, pouco antes do sétimo disco da banda, Stomp 442, lançado naquele ano. Voltaria depois, entre 2005 e 2007, mas entre as idas e as vindas, o guitarrista arrumou uma tarefa bem distante da música para fazer: ele se tornou relojoeiro (!).

A vida de Dan mudou bastante depois que o músico teve filhos em 1995, e começou a se questionar se queria mesmo aquela vida na estrada. “Fazíamos um álbum e fazíamos turnês por anos seguidos, e então começávamos o ciclo de novo – o tempo em casa não existia. É uma história que você vê em toda parte: tudo virou algo mundano e mais parecido com um trabalho. Eu precisava de uma pausa”, contou Spitz ao site Hodinkee.

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Na época, lembrou-se da infância, quando ficava sentado com seu avô, relojoeiro, desmontando relógios Patek Philippe, daqueles cheios de pecinhas, molas e motores. “Minha habilidade mecânica vem de minha formação não tradicional. Meu quarto parecia uma pequena estação da NASA crescendo – toneladas de coisas. Eu estava sempre construindo e desmontando coisas durante toda a minha vida. Eu sou um solucionador de problemas no que diz respeito a coisas mecânicas e eletrônicas”, recordou no tal papo.

Spitz acabou no Programa de Treinamento e Educação de Relojoeiros da Suíça, o WOSTEP, onde basicamente passou a não fazer mais nada a não ser mexer em relógios horrivelmente difíceis o dia inteiro, aprender novas técnicas e tentar alcançar os alunos mais rápidos e mais ágeis da instituição.

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A música ainda estava no horizonte. Tanto que, trabalhando como relojoeiro em Genebra, pensou em largar tudo ao receber um telefonema do amigo Dave Mustaine (Megadeth) dizendo para ele esquecer aquela história e voltar para a música. Olhou para o lado e viu seu colega de bancada trabalhando num relógio super complexo e ouvindo Slayer.

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O músico acha que existe uma correlação entre música e relojoaria. “Aprender a tocar uma guitarra de heavy metal é uma habilidade sem fim. É doloroso aprender. É isso que é legal. O mesmo para a relojoaria – é uma habilidade interminável de aprender”, conta ele. “Você tem que ser um artista para ser o melhor – seja na relojoaria ou na música. Você precisa fazer isso por amor”.

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Cinema

Bead game: desenho animado sobre agressividade

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Bead game: desenho animado sobre agressividade

Em 1977, o diretor de cinema Ishu Patel fez o curta-metragem de animação Bead game, que foi relançado recentemente pelo National Film Board of Canada.

Para mostrar como a agressividade pode chegar a níveis inimagináveis, ele criou uma animação que usa apenas contas coloridas, que ganham a forma de vários objetos, animais, pessoas e monstros – um lado sempre tentando derrotar o outro. E quando você nem imagina que a briga pode ficar maior ainda, ela fica.

Via Laughing Squid

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Cultura Pop

Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

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Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

Em 1986, surgiu uma banda de rock chamada Bad Radio, em San Diego, Califórnia. Foi um grupo que fez vários shows, ganhou fãs e se notabilizou como uma boa banda de palco da região. Mas que se notabilizou mais ainda por ter tido ninguém menos que o futuro cantor do Pearl Jam, Eddie Vedder, nos vocais.

Eddie Vedder, que é lá mesmo de San Diego, aportou por lá em 1988 e ficou até 1990. Conseguiu fazer uma mudança geral no grupo, que tinha uma sonoridade bem mais new wave com a formação anterior, com Keith Wood nos vocais, Dave George na guitarra, Dave Silva no baixo e Joey Ponchetti na bateria. Wood saiu do grupo e com Vedder, a banda passou a ter uma cara bem mais funk metal, e mais adequada aos anos 1990.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Discos de 1991 #5: “Ten”, Pearl Jam

E essa introdução é só para avisar que jogaram no YouTube a última apresentação do Bad Radio com Vedder nos vocais. Rolou no dia 11 de fevereiro de 1990, pouco antes de Eddie se mandar para Seattle e virar o cantor de uma banda chamada Mookie Blaylock – que depois virou Pearl Jam. A gravação inclui as faixas What the funk, Answer, Crossroads, Just a book, Money, Homeless, Believe you me, What e Wast my days. O show foi dado no Bacchanal, em San Diego.

Com a saída de Vedder, o Bad Radio ainda continuou um pouco com o próprio Keith Wood, de volta, nos vocais. Segundo uma matéria publicada pela Rolling Stone (e que tem detalhes contestados pelos ex-integrantes do Bad Radio), Vedder não foi apenas cantor da banda: ele virou assessor de imprensa, empresário, produtor e o que mais aparecesse. A lgumas testemunhas dizem que a banda não era favorável ao lado ativista de Eddie (que costumava dedicar músicas e shows aos sem-teto), o que ex-integrantes do Bad Radio negam (tem mais sobre isso aqui).

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