A organização Citizens for Decent Literature foi criada em 1958 por um advogado americano conservador chamado Charles Keating. Linha-dura ao extremo, Charles fazia parte do conselho anti-pornografia e obscenidade da Presidência dos Estados Unidos. E entrara numa cruzada braba contra o comércio de revistas como a Playboy, lançada em 1953 – e hoje longe das bancas brasileiras, por sinal.

Para ajudar na campanha, a empresa fazia filmes como esse aí de cima, Printed poison, comparando o comércio de revistas liberais como “micróbios espalhando uma moléstia”. Agora, os criadores da CDL podem bater no peito e se dizerem autores de pelo menos um filme que passou várias décadas desfrutando do status de raridade. Pages of death foi considerado um “filme perdido” por vários anos, daqueles que muita gente mata ou morre para conseguir uma cópia em péssimo estado. Foi encontrada uma cópia há dois anos, que alguém já jogou pro YouTube e tá aí embaixo. O filme, feito em 1962, pertence hoje ao acervo da Oregon Historical Society.

O que Pages of death tem de fascinante para fãs de filmes raros, não sei dizer. Assim como acontecia com obras extremamente exageradas quanto ao tema drogas (como Reefer madness, sobre crimes cometidos sob o efeito de maconha), Pages fala de um garoto que consome “pornografia” (as revistas liberais da época, enfim) e acaba matando uma menina de onze anos. Os policiais vão à casa do moleque e encontram uma coleção de revista de mulher pelada de assustar. Tudo considerado, um clássico, e o retrato de uma época.