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Ouvimos: Lazy Day, “Open the door”

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Ouvimos: Lazy Day, “Open the door”
  • Open the door é o primeiro álbum do Lazy Day, codinome usado pela cantora e compositora Tilly Scantlebury. Ela compôs tudo, tocou guitarra, baixo, piano e synths e produziu o álbum ao lado de Gethin Pearson.
  • Ao Songwriting Magazine, ela disse que o ritmo das faixas ajudou a dar uma forma para as canções. “Essa é uma das coisas que definitivamente impulsionou o processo de composição. Seja um padrão de bateria… Estou obsessivamente cortando, fazendo loops e retrabalhando, o que então impulsiona as letras, que então impulsionam o padrão das palavras”, disse.
  • “Espero que as músicas alegres façam as pessoas se sentirem felizes. Espero que as músicas tristes façam as pessoas se sentirem validadas e em casa. Espero que as angustiadas e melancólicas façam as pessoas se sentirem fortes e determinadas. Espero que as animadas façam as pessoas se levantarem e dançarem”, afirma sobre o disco.

Os primeiros lançamentos de Tilly Scantlebury, que usa o codinome Lazy Day, eram mais lo-fi, como se fossem feitos no quarto – eram apenas alguns singles e um EP, que mostravam o começo do projeto. Curiosamente, ela escolheu o nome Open the door para seu primeiro álbum, indicando não apenas o mergulho em sua intimidade nas letras, como também a abertura para um mundo novo de criações musicais.

Batendo em temas como relacionamentos complicados e cascas de banana da vida adulta, Open the door é música pop de quem escutou muito Nirvana, Smashing Pumpkins, Smiths e… música eletrônica, tudo combinado. Killer, uma canção sobre emoções fortes no amor (ela diz que é sobre “como o amor encontra seu apetite”) é pop adulto em tom misterioso e ruidoso.

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Getting good põe a síndrome de impostor e as desilusões com o mundo do trabalho na frente (“acho que estou ficando boa/em coisas que eu queria não ser/sempre adiei/então acumulei todos os problemas”), em meio a um tom de rock adulto que lembra Hole e Fleetwood Mac, simultaneamente. Strangest relief abre com violão e banjo, e põe certo clima de trilha de filme da Sessão da tarde no ar. Já Falling behind é um rock que provavelmente não existiria sem que o Dinosaur Jr tivesse aparecido.

Por outro lado, tem uma faceta tecnopop e oitentista presente em algumas músicas de Tilly, como na dançante (e inspirada em Robyn e Mitski) Bright yellow e na smithiana Concrete. Não é o que mais aparece, já que a principal função de Open the door é aquecer corações com faixas como All the things, uma canção de voz e violão com vocais despedaçados, e Not now – esta, chamando atenção pelo clima folk-jazz que permite vocais tranquilos e linhas de baixo aparentes. A balada Alright tem efeito quase calmante: uma canção com guitarras tranquilas, vocais cantaroláveis e balanço de rock dos anos 1990, mas sem peso. E quase representa toda a riqueza musical do álbum, musicalmente.

Nota: 9
Gravadora: Brace Yourself Records

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Ouvimos: Deardarkhead – “The pendulum swings”

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Resenha: Deardarkhead – “The pendulum swings”

RESENHA: Após 25 anos, o Deardarkhead volta instrumental e transforma shoegaze clássico em guitarras cheias de melodias que parecem esconder letras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Fertile Crescent Records
Lançamento: 10 de julho de 2026

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Grupo de shoegaze de Nova Jersey, o Deardarkhead voltou bem diferente em seu terceiro álbum, The pendulum swings. Para começar, a banda, originalmente um quarteto, ficou sem seu vocalista Michael Amper, em 2009 – e por causa disso, o novo trio faz apenas música instrumental (!).

Hoje, a banda é formada por Kevin Harrington (guitarra), Robert Weiss (bateria) e James Malizia (baixo, entrou para o trio após a conclusão do novo disco). Um outro detalhe é que eles não lançavam nada novo há 25 anos: Oceanside, o disco anterior, saiu em 2021.

Na real, o som de The pendulum swings acaba soando como aqueles projetos do tipo Secos & Molhados instrumental, em que o que tinha letra vira instrumental – e a música acaba dando uma “sombra” de letra. Não se trata de um instrumental feito na base das paisagens instrumentais e dos solos intermináveis: o Deardarkhead é a cara do começo do shoegaze e tem muito do Ride de Nowhere, o primeiro álbum (1990). Flamethrower, a primeira faixa, abre com o mesmo pratinho perdido de Seagull, a psicodélica abertura de Nowhere – mas ganha suingue, peso, e riff quase zeppeliano.

  • Ouvimos: Twisted Teens – Florida water blues

Riffs que lembram Ride, o Blur de Leisure (1990) e as guitarras de Joey Santiago nos Pixies vão se alternando em faixas como os pós-punks Coming undone, Tomorrowland, In another life e Tears – esta, com baixo circular e guitarra dando tensão. Lembranças de Stone Roses dão as caras na ágil Sad songs (And better days) e em A thanksgiving.

Há até conexões com o Echo and The Bunnymen de 1987 em Letting go, e com o U2 do começo – este, na marcial Black pearls. Bem como um certo experimentalismo na onda pendular da faixa-título. Dá até para pensar “imagina isso tudo com letra e vocal!”, mas a graça está realmente na imaginação que a música do Deardarkhead acaba instigando.

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Ouvimos: Link do Zap – “O lado bom das coisas irreversíveis”

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Resenha: Link do Zap – “O lado bom das coisas irreversíveis”

RESENHA: Rapper capixaba Link do Zap mistura rap lo-fi, confissões e existencialismo em álbum intimista que aproxima Earl Sweatshirt de Phoebe Bridgers.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 6 de julho de 2026

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Link do Zap é o codinome de Kalledy Yakel da Hora, um rapper do interior do Espírito Santo cujo trabalho, pode acreditar, tem muito de artistas como Phoebe Bridgers. Não, ele não faz música de voz e violão, nem dream pop, nem bedroom pop – embora o som de Kalledy seja “bedroom” até a medula, soando como uma daquelas demos que acabam virando “estilo” na música comercial.

O lance é que Kalledy, em vez de focar nos temas comuns do rap, busca falar mais de sentimentos, de existência, e de surpresas da vida, das melhores às piores. Essa onda confessional acaba aproximando Link do Zap de Phoebe, de Clairo, de Lucy Dacus, de Sufjan Stevens e de vários outros artistas confessionais.

Musicalmente, O lado bom das coisas irreversíveis, seu segundo álbum (por sinal um álbum visual, lançado pouco mais de um ano após Histórias da kebrada para pessoas malcriadas) vai numa onda análoga ao rap viajeiro e rascunhado de nomes como Earl Sweatshirt. O disco tem gravações que soam como se ele estivesse rimando automaticamente sobre algo que toca no rádio – e que têm som de fita K7.

  • Ouvimos: Puterrier – Putaria é quase amor

Entre autotunes e vocais naturais, Link do Zap fala de um adeus que vira alô (Tchau), amor e luta (o blues soul Come até de faca e Maluco nato, esta, com o verso “vou atrás de você igual a um cartoon sentindo o cheiro de torta”), amor à família (a homenagem à avó em A distância nos aproxima) e sonhos que o dinheiro não compra (Eumevejoemvoce, do verso “procurando por algum sonho novo / vivendo um eterno episódio piloto”).

Duas curiosidades sampleadas são a voz de Clarice Lispector na anárquica LSD (música na qual voz e versos têm algo de Raul Seixas) e a mistura de existência e mitologia de Um sol lindo brilha (construída sobre um sample da versão de Vivendo com medo, de Guilherme Arantes, feita por Marya Bravo).

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Ouvimos: The Bobby Lees – “New self”

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Resenha: The Bobby Lees – “New self”

RESENHA: Após um burnout, os Bobby Lees voltam com um disco curto, raivoso e confessional, misturando punk, rap-metal e letras sobre frustração.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Epitaph
Lançamento: 12 de junho de 2026

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Barulhenta e afrontosa, essa banda – e olha que New self faz parte da atual linhagem de álbuns curtos, que cativam em pouco tempo e encerram rápido (oito faixas e vinte minutos, no caso). O novo disco dos Bobby Lees vem, por sinal, depois de uma época de muito barulho na mente, em que vivenciaram o burnout tiveram que dar um tempo na banda.

Talvez por isso, New self seja tão direto, com apenas uma música com mais de três minutos (All I got), e com certeza por isso, as letras falam de temas como sucesso (e a busca dele), vida fora do controle, frustração. Tudo em tons pesados e, às vezes sombrios – como em The end, que resume “tudo” em versos como “o negócio é esse, é bom para o show / tudo é sangue, nada de grana, mas eu vou saber / o que está rolando por trás das cenas”. O clima geral: vocais fortes e rappeados, baixo à frente, beats entre punk e funk metal.

Sam Quartin, a vocalista, teve esquizofrenia induzida por álcool na adolescência (“muitas coisas realmente estranhas aconteceram, alucinações auditivas, visuais, tudo isso; e até hoje não tenho ideia do que estava acontecendo”, chegou a falar numa entrevista). Parou com bebida e drogas, mas esse período influencia sua arte até hoje – o nome “Bobby Lees” vem de um fantasma que ela diz ter visto nesse período de alucinações. Ela também é atriz e concilia os dois trabalhos.

As letras do Bobby Lees são influenciadas diretamente por essa dicotomia entre vida real e vida imaginária, que todo artista vive: a falta de grana após filmes trabalhosos e turnês lotadas, a sensação de que muito foi feito e pouco foi alcançado. No caso do Bobby Lees, uma desilusão com o sistema de pagamentos do Spotify fez a banda parar por uns tempos. O clima raivoso de faixas como o punk funkeado 50 ft (uma versão de 50 ft queenie, de PJ Harvey) e o humor ácido da demolidora Napoleon vem dessa sensação de que tudo virou uma batalha naval.

Quem milita no meio artístico e se sentiu em algum momento querendo provar algo pra alguém, vai ter gatilhos ouvindo o punk rap-metal raivoso da faixa-título. All I got, sombria e pesada, é um Ouro de tolo (a do Raul) com burnout e sequelas psicológicas no lugar das pipocas dadas aos macacos. Got me good, de voz e guitarra, é assustadoramente confessional, falando de vícios adquiridos em família. Red hot substitui todos os vícios químicos pelo sexo viciante e por amores cagados. Som criado em alto volume, para ouvir no máximo.

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