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De fã a participante: Tame Impala entra em disco-tributo aos Smashing Pumpkins

Em 2020, a Rolling Stone publicou uma matéria em que Kevin Parker (Tame Impala) e Billy Corgan (Smashing Pumpkins) se entrevistavam mutamente. Havia mais coincidências entre os dois do que se imaginava, já que Billy virou o déspota de sua própria banda na época do disco Siamese dream (1993), e Kevin precisou transformar sua banda num projeto solo por causa de conflitos internos.
No tal papo, que você lê aqui, Billy falou que na época de Siamese, o sucesso quase destruiu a banda, por causa da “toxicidade de perseguir o maior sonho da sua vida enquanto as pessoas na sala não gostam muito de você”. Kevin, por sua vez, revelava que o Tame viveu uma crise braba de identidade até assumir publicamente que a criação musical era praticamente toda dele.
A novidade é que os caminhos de Kevin e Billy voltam a se cruzar – e os de suas bandas, também. E justamente por causa de Siamese dream, já que o Tame Impala gravou Hummer, desse álbum, como participação no disco Sending hearts to all my dearies – A tribute to The Smashing Pumpkins, que sai no dia 14 de agosto, com bandas e artistas relendo músicas do grupo. A faixa é o primeiro single do disco.
O álbum tem a benção de Corgan, e traz participações de nomes como Alice Glass, Meg Myers, The Midnight, Palaye Royale e Nita Strauss. Sucessos como Tonight, tonight, Cherub rock, Bullet with butterfly wings e 1979 ganharam mais de uma releitura no disco, até (a capa do álbum, bem como a lista completa de faixas e participantes, você confere lá embaixo).
Hummer, na versão do Tame Impala, ficou mais vaporosa e futurista, diferente do que era nas mãos de Billy Corgan, Jimmy Chamberlin, D’Arcy e James Iha. Aliás, ficou mais a cara de Kevin Parker, que afirmou que “Siamese dream foi a trilha sonora dos meus anos de ensino médio, e Hummer é a música que me transporta de volta para aquela época da forma mais impactante”. Confira abaixo a versão dele e o original dos Pumpkins.
LISTA DE MÚSICAS:
01. Tame Impala – Hummer
02. Yonaka – Today
03. The Midnight – Tonight, tonight
04. Carpenter Brut – Cherub rock
05. Barns Courtney – 1979
06. Meg Myers – Eye
07. Palaye Royale – Bullet with butterfly wings
08. Between The Buried And Me – Jellybelly
09. Alice Glass – Drown
10. Starbenders – Tonight, tonight
11. Nita Strauss – 1979
12. Bones UK – Cherub rock
13. Moon Taxi – Thirty three
14. Des Rocs – Bullet with butterfly wings
15. Urban Heat – Ava adore

Foto: Abby Gillardi / Wikimedia Commons
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Elephant Run solta seu monstro interior em “Little monster”

RESUMO: Em Little monster, a banda sueco-brasileira Elephant Run explora impulsos reprimidos em single teatral com clipe de terror que antecipa o álbum Infrared.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Rodrigo Erib / Divulgação
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O pequeno monstro do Elephant Run está cansado de ficar preso dentro de alguém que considera comportado demais. Em Little monster, single da banda sueco-brasileira, é ele quem assume a voz e reclama da pessoa que o mantém escondido. Impulsivo, desinibido e pouco interessado nas regras da convivência, o personagem conduz uma música de origem teatral, que antecipa Infrared, álbum previsto para 2027 pelo selo +um HITS.
A ideia vem de uma composição antiga de Amanda Wahlström Plantin, vocalista e pianista do grupo. Ela tinha vinte e poucos anos quando começou a trabalhar na faixa, então mais próxima do cabaré e inspirada por The trial, aquela orquestral última faixa do disco duplo The wall, do Pink Floyd (1979). Nos ensaios, a música ganhou outros arranjos e uma nova letra. O humor caricato deu lugar a um incômodo mais pessoal: o que fazer com esse lado da gente que quer sair e não liga pra convenções sociais?
“A música de hoje é completamente diferente daquela versão antiga. O que ficou foi a ideia de um ‘little monster’ dentro da gente, que tentamos controlar ou manter escondido, mas que quer sair. Na versão nova, o monstro acabou virando um personagem, um lado mais impulsivo, desinibido, meio vulgar e pouco preocupado em se comportar. Ele é o protagonista e é ele quem conta a história. Está preso dentro de uma pessoa que considera chata e contida demais e passa boa parte da música reclamando disso”, conta Amanda.
Little monster é o segundo single do próximo disco. Além de Amanda, o Elephant Run reúne Fernando Coelho (guitarra e sintetizadores), Ladislau Kardos (bateria) e Renato Cortez (baixo). A banda levou o personagem para um clipe dirigido por Fábio Knoll e pelo próprio grupo, filmado no teatro Arka dos Anjos, em São Paulo.
Amanda interpreta uma criatura cuja mordida transforma humanos em monstros. As referências incluem A maldição da besta, de Paul Naschy, e Um lobisomem americano em Londres, de John Landis, num cenário gótico que aproveita o gosto da banda pelo cinema. Amanda e Ladislau também são atores, e ajudaram os colegas a entrar na brincadeira. Outras ideias surgiram nas conversas durante a filmagem.
Fernando, o guitarrista do grupo, idealizou e produziu o vídeo e assina a colagem da capa. O vermelho acompanha o que ele define como uma música quente, enquanto os pássaros representam entidades brasileiras protegendo a personagem de um olhar externo.
Confira abaixo a capa e o clipe de Little monster.
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Solarski estreia com pós-punk tenso e crítica às guerras em “Do you need a riot?”

RESUMO: O trio belga Solarski estreia com Do you need a riot?, single de pós-punk tenso e guitarras cortantes que critica guerras, interesses econômicos e manipulação.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Shoot Me Again Webzine
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“Não nos ponha numa caixinha. Somos o Solarski”. É assim que o trio belga Solarski se apresenta, deixando claro que não está muito interessado em rótulos. Mas dá para começar pelo pós-punk, que aparece com bastante força no single Do you need a riot?, primeiro single da banda, formada na região de Namur, na Bélgica. O som é tenso, nervoso, com baixo pulsante, bateria insistente, guitarras cortantes e um vocal áspero, quase sempre no limite entre cantar e gritar.
O Solarski é formado por três músicos experientes, que dividem baixo, guitarra e bateria. Os integrantes já passaram por palcos importantes da Bélgica, como o Cirque Royal, o Botanique e o festival Dour, em projetos anteriores. Agora, apostam num som que mistura pós-punk e indie rock, mas com uma urgência que lembra mais uma banda tocando à beira de um ataque de nervos. Há pouco espaço para descanso: a música avança com uma tensão quase permanente, sustentada por uma cozinha pesada e guitarras que parecem querer aumentar ainda mais a pressão.
E o assunto não é dos mais tranquilos. Do you need a riot? (“Você precisa de uma revolta?”) fala de um mundo em que guerras e conflitos parecem cada vez menos ligados a ideais e cada vez mais aos interesses de quem controla petróleo, dinheiro e recursos naturais. A letra mistura referências a guerras econômicas e religiosas, manipulação de informações e uma ordem mundial que parece ter perdido qualquer regra. No refrão, a banda repete uma frase simples, quase como palavra de ordem: “Não precisamos de guerra”.
“Queríamos escrever uma música que não dissesse às pessoas o que pensar, mas que as obrigasse a perguntar quem tem interesse em ver o mundo pegar fogo”, explica o trio.
Gravada, mixada e masterizada pelos próprios integrantes, Do you need a riot? é a primeira amostra do álbum de estreia do Solarski, ainda sem data anunciada. A banda prefere não ser colocada numa caixinha, mas já dá para perceber que o pós-punk é sua arma para falar de um mundo que anda difícil de engolir.
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Smile: poesia falada e desespero punk em “Gotta run”

RESUMO: Em Gotta run, o Smile mistura punk, pós-punk e poesia falada numa música sobre traumas e sobrevivência. Single antecipa o álbum Gun-shy, de 2027.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O Smile tem uma vocalista que diz preferir “entoar suas histórias poéticas, repletas de reflexões pessoais” em vez de simplesmente cantar. Mas é bom não se acostumar: no single Gotta run, Rubee True Fegan começa com uma voz blasé, quase falada, e depois solta o desespero. A banda acompanha com um som elegante e ruidoso, mais punk do que pós-punk (embora definam-se como pós-punk), até mudar de assunto no meio da música. Ou melhor: mudar a maneira de tratar o mesmo incômodo.
Formado por amigos durante a pandemia, o grupo reúne músicos dos Estados Unidos e da Alemanha, hoje espalhados por Amsterdã, Berlim e Colônia. Rubee, também artista performática, põe histórias e reflexões pessoais em letras que nem sempre precisam de uma melodia para funcionar. O EP I hate it here (2022) e o álbum Price of progress (2023) apresentaram esse encontro de poesia falada, guitarras e vontade de experimentar.
Gotta run antecipa Gun-shy, segundo álbum, que sai em 22 de janeiro de 2027 pela Siluh Records. A faixa começa correndo, com bateria rápida e uma urgência que combina com o título. Depois desacelera e vira quase outra música, mais arrastada e cheia de tensão. Rubee levanta a voz, e aquela aparente indiferença do começo vai para o espaço. A fuga ganha um peso que a velocidade inicial ainda permitia disfarçar.
A letra trata do que um sistema violento ensina ao corpo, inclusive depois que a pessoa consegue escapar. Sair de um lugar não resolve automaticamente o que ele fez com você: sobram reflexos de defesa, medos e hábitos que acabam entrando nas relações amorosas e familiares. Dá para desaprender o que foi necessário para sobreviver?
No clipe, Rubee circula por Albuquerque, sua cidade natal (no Novo México), vestida de poodle rosa. A figura absurda atravessa uma paisagem marcada por desigualdade, carros e ruas, com imagens de câmera de mão. O disco foi gravado com Olaf Opal em Colônia, aproveitando demos feitas também em Albuquerque e preservando algumas primeiras tomada. Tudo com uma boa dose de aspereza.
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