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Ouvimos: Blind Girls, “An exit exists”

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Ouvimos: Blind Girls, "An exit exists"
  • An exit exists é o terceiro álbum da banda australiana Blind Girls, formada por Sharni Brouwer (voz), Luke Sweeney, Julian Currie (ambos guitarra), Mark Grant (baixo) e Ben Smith (bateria). O grupo é tido como uma fusão de estilos como hardcore, screamo e emoviolence – ou seja, tudo aqui é muito pesado.
  • Num papo com o  site Idioteq, a banda fez um faixa a faixa do disco, explicando como cada música foi composta. Nomes como Pageninetynine (banda de screamo) e até My Bloody Valentine são citados como influências. Só Sharni, a vocalista, preferiu não destrinchar as músicas. “É legal poder expressar e liberar traumas por meio dessas músicas. Prefiro não me aprofundar muito no significado, sinto que elas falam por si mesmas”, conta.

A discografia do Blind Girls inclui três álbuns, lançados desde 2018. Você consegue escutar todos em menos tempo que leva para escutar o novo álbum de Taylor Swift. Cada disco da banda dura pouco mais de vinte minutos, as músicas são curtas e o som aponta para o screamo, versão extremamente gritada e agressiva do emocore. Na real, o som do grupo está mais para um grindcore repleto de gritos de horror, quase como se fosse a trilha sonora de um filme assustador.

Mal dá pra entender as letras de An exit exists, mas Dissonance, a faixa de abertura, fala sobre um caso de amor terminado: “Está tudo bem deixar o amor desaparecer/então deixe-o desaparecer (…)/apesar do nosso esforço atemporal/o mundo não vai parar por nossa causa”. Loveless, que vem na sequência, põe tons de abuso na história (“você fala sem amor para mim/fechando em finais violentos”), que costumam aparecer em praticamente todo o repertório.

An exit permanece nessa linha, de sonoridades extremas servindo de moldura para histórias sem final feliz. É o que rola em faixas desesperadas como Blemished memory (“não suporto minha pele/e a sensação que você deixou nela”), a curiosa AI generated love letter (em português: “Carta de amor gerada por Inteligência Artificial”), It’s starting to rain (“dia após dia o mundo se torna cinza/e eu sou a chuva”) e a destrutiva Make me nothing – esta, o um dos sons mais próximos do metal comum (Black Sabbath, Slayer) no disco. O resultado é mais um colapso nervoso, ou a trilha sonora do caos existencial, ou a revolta contra abusos e traumas, do que propriamente um disco de hardcore comum.

Nota: 7,5
Gravadora: Persistent Vision Records.

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Ouvimos: Martin Carr – “What future”

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Resenha: Martin Carr – “What future”

RESENHA: Martin Carr troca o britpop dos The Boo Radleys por eletrônica, dub e experimentalismo político em What future.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Sonny Boy Records
Lançamento: 1 de maio de 2026

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Principal letrista dos Boo Radleys até 1999 (ano em que deixou a banda), Martin Carr lembra bem pouco o som do grupo em seu trabalho solo – que é predominantemente eletrônico e experimental. What future, o novo álbum, segue a trilha do radicalismo sonoro e da porrada política, misturando notícias de TV, gravações aleatórias, beats eletrônicos e ondas que chegam perto do reggae e do dub. Ele diz inclusive que o disco surgiu da necessidade de mostrar em vez de contar, e que percebeu que suas letras sempre foram sobre a mesma coisa.

Martin passou um bom tempo trabalhando com trilhas pra TV e dá pra sentir um pouco disso no clima telejornal de Amerikkka is not your friend, tema eletrônico e experimental que ganha ares de dub e post rock, e no loop de percussões e sons melódicos de Canton rockers. Connie Converse is playing at my house, por sua vez, abre lembrando um teste sonoro, mas vai ganhando um beat de soul andarilho, e uma onda de beleza musical do meio para o fim. Diana F e Hex vão do pot rock eletrônico ao blues infernal e distorcido.

What future tem ainda as sombras e luzes de In the hall e New Brighton Baths 1983, mas une dub, ambient e festa soul em She came in through the Overton window e Strange now, encerrando com o synth-não-pop da faixa-título, uma música dançante e fria. Mal dá pra reconhecer o britpop dos Boo Radleys aqui, e Martin Carr busca um caminho bem novo pra sua música.

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Ouvimos: Ghost Valley – “Ghost Valley” (EP)

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Resenha: Ghost Valley – “Ghost Valley” (EP)

RESENHA: Post-rock minimalista e doce: Ghost Valley mistura ambient, pós-punk e synth pop em climas belos e hipnóticos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Bud Tapes
Lançamento: 4 de abril de 2026

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“Vale Fantasma” é um ótimo nome. O Ghost Valley vem de Portland, Oregon, e faz algo próximo do post-rock. É um som (vá lá) experimental, sem dúvida, mas é bonito, doce e minimalista. Como na abertura com El matador e na onda ambient de Glass nebula / Furnace creek, com teclado ambient na introdução, e toques musicais que lembram o Kraftwerk da era Autobahn (1974), em que a banda ainda usava guitarras. Aos poucos, essa música vai ganhando dedilhados e até uma guitarra slide tipicamente pinkfloydiana.

Vão rolando modificações aos poucos no contexto do Ghost Valley: Vampyre é pós-punk introvertido e chuvoso, com beat mais do que minimalista e guitarra circular – uma música que parece ter sido gravada num quarto. Fear & loathing é quase progressiva, com guitarras em clima relax e um baixo que ajuda a dar sensação de completude no arranjo – até que ganha mais peso, intensidade e ar de interferência sonora. Tem ainda o synth pop doce de Topanga e o drone celestial de Airline sunset, com oito minutos. Uma beleza.

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Ouvimos: Tears Of A Martian – “Light II dark”

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Resenha: Tears Of A Martian – “Light II dark”

RESENHA: Tears Of A Martian mistura neo soul, indie e pop punk em estreia nostálgica, densa e elegante, com ecos de Amy Winehouse, Smiths e Khruangbin.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 8 de maio de 2026

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O Tears Of A Martian é um projeto musical criado por uma cantora e compositora de Detroit chamada Arianna Bardoni. O nome é usado por ela desde 2018, já rendeu alguns singles e EPs, e Light II dark é o primeiro álbum. Apesar do clima meio punk da capa, o som tem uma onda bem mais variada. Arianna, na voz e na guitarra, e a turma que toca com ela faz uma espécie de neo soul + jazz + pop punk, quase como se o disco fosse pensado para ser lançado em 1997 ou 1998, mas esperando para ser complementado por algum produtor mainstream. Faixas como o soul esparso Knock me down e o r&b indie e minimalista Dik têm clima de época, mas simultaneamente têm arranjos cheios de eco e ambiência, que apontam até para bandas como Khruangbin.

Músicas como Tower e Spotless mind fazem com guitarras quase limpas, baixo e bateria uma recriação da estileira soul-folk que tornou Corinne Bailey Rae famosa, enquanto Men é um rock + r&b oitentista com guitarras lembrando Smiths e interpretação análoga à de Amy Winehouse, mas bem mais contida. Um lado mais roqueiro, denso e tenso se avizinha do Tears Of A Martian em duas músicas que não abandonam o lado neo soul do projeto, Litltle blue flowers e Reel / Real. Nas letras, Arianna vai do amor ao humor em poucos minutos.

Light II dark é um disco bem underground e o Tears Of A Martian são o tipo de banda que ainda não foi abraçada pela coolzice indie. É a melhor hora pra se descobrir uma banda – mas por enquanto o som esparso e as guitarras tranquilas (na maior parte do tempo) são a cara do grupo, e algo a não ser perdido na mão de algum produtor.

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