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Crítica

Ouvimos: Balance And Composure, “With you in spirit”

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Ouvimos: Balance And Composure, "With you in spirit"
  • With you in spirit é o quarto álbum da banda norte-americana Balance And Composure. É o primeiro disco da banda desde seu retorno no ano passado – o grupo havia feito uma turnê de despedida em 2019, mas decidiu voltar.
  • A banda (que é da Pensilvânia) é formada hoje por Jon Simmons (voz, guitarra), Erik Petersen (guitarra), Andy Slaymaker (guitarra), Matt Warner(baixo) e Dennis Wilson (bateria). Dennis entrou para a banda substituindo Bailey Van Ellis, que estava na bateria do grupo desde o começo, em 2007.
  • Num papo com o site Stereogum, Simmons diz que nunca quis terminar a banda. “Eu estava apenas seguindo o que os caras queriam fazer. Mas isso me quebrou de certa forma. No nosso último show em 2019, eu estava chorando no final, o que é constrangedor, mas eu realmente não estava pronto para terminar. Mas eles estavam na época”, contou. Também revelou que o grupo vinha tendo muitos problemas com o ex-baterista, sem detalhar o que rolou.

Provavelmente a pandemia fez com que o Balance And Composure voltasse. Uma turnê de despedida foi agendada para 2019 e não parecia haver interesse do grupo num retorno. Só que um single novo emergiu em 2023, e possivelmente a outra variável que entrou na história foi a nostalgia dos fãs da mescla de emo e pós-hardcore que a banda havia espalhado por três álbuns (num papo com o Stereogun, o cantor Jon Simmons disse acreditar também que as próprias bandas, ao retornarem, estão percebendo o que elas haviam deixado no meio do caminho).

Por acaso, o BAC tem dois discos que indicam o retorno ao passado, ou a observação de certas coisas sob uma ótica nova – The things we think we’re missing, o segundo disco (2013) e o anterior, Light we made (2016), que quase foi o último do grupo. O grupo ficou afastado do mercado num período maluco em que surgiram artistas lançando discos mínimos, em que EPs se tornaram um dos padrões do mundo fonográfico, em que músicas de um minuto e meio viraram a saída para muita gente, e em que a chefia do Spotify passou a sugerir que artistas lançassem singles quase como quem bebe água.

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Com With you in spirit, o disco novo, o quinteto retorna quase transformado numa máquina de singles – metade do álbum já foi publicada em compactos desde maio. Soa também como uma banda verdadeiramente pós-grunge. Músicas como Any means, Believe the hype, Sorrow machine e a faixa-título vão além do rock dos anos 1990 e incluem elementos de pós-punk, batidas quebradas e tempos pouco usuais como no pós-hardcore, e em alguns casos, clima de valsa punk com paredão de guitarras (como em Closer to god).

No mais, Cross to bear é o baladão emocore do disco. Ain’t it sweet adequa as batidas do punk aos blips eletrônicos da abertura. E o Balance And Composure retorna de olho nas emoções em frangalhos, na angústia existencial e no pessimismo dos novos tempos, em faixas como Any means (“perdoei deus por todas as suas pequenas catástrofes/devo estar me sentindo horrível”), With you in spirit (“estou mortificado/acordado a noite toda/sufocando quando começa a ficar pesado, não consigo suportar todo o peso disso”) e outras.

Nota: 7,5
Gravadora: Memory Music

Crítica

Ouvimos: Youbet – “Youbet”

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Resenha: Youbet – “Youbet”

RESENHA: Youbet mistura folk, punk e ruído num disco instável, psicodélico e cheio de identidade própria.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Hardly Art
Lançamento: 1 de maio de 2026

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O que chama mais a atenção no Youbet é o fato do projeto musical comandado pelo professor de música Nick Llobet ter uma cara própria forte pra burro – não apenas em composição como também em produção. O som deles parece uma construção de cenário, ou uma instalação em que se vai por diferentes caminhos, dos mais calmos aos mais tensos.

E isso aí parece bem mais pronunciado agora que o Youbet não é mais uma viagem solo, já que no segundo disco, intitulado apenas Youbet, Nick tem a companhia agora da baixista e também professora de música Micah Prussack. Nem adianta que Ground kiss, a faixa de abertura, inicie com uma bateria leve, com escovinha, e tenha vocais bem melódicos, com cadência quase folk. Até porque você vai acabar lembrando mesmo é das guitarras que fazem um estrondo tão grande, que parecem estar saindo de um alto-falante com defeito.

Essa estética de “som comprimido” é a cara de muita coisa feita hoje em dia, e às vezes parece uma brincadeira-comentário-adesão disfarçada à loudness war dos anos 2000. Mas tem outras ideias misturadas ali. See thru é punk rock com vocal gritado e cheio de efeitos – às vezes lembra Sugarcubes. Worship é soft rock com maldade e ruído, ganhando clima psicodélico e sombrio lá pelas tantas.

Mais: Receiver, cuja letra mistura crença, compaixão e meritocracia furada na mesma história, é um punk rock com cadência lembrando bastante Kurt Cobain. Fertile eyes invade o corredor do alt-country. E se você já se pegou pensando que uma determinada música deveria durar 20 minutos, digo que é o caso de Nadia, folk cigano de letra curta, com melodia lindíssima.

Outras faixas em Youbet, o álbum, vão da beleza ao ruído em pouco tempo, como na psicodelia de Undefined e no soft rock de Bad moon. Tudo combinado a momentos como Embryonic, música tranquila e pop que tem lá seus lados estranhos, e chega a lembrar os Cardigans. Instabilidade transformada em identidade própria.

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Crítica

Ouvimos: Una Sofía – “Canção para o caminho” (EP)

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Resenha: Una Sofía - "Canção para o caminho"

RESENHA: Una Sofía mistura samba, folk latino e bolero em Canção para o caminho, EP delicado, cinematográfico e cheio de travessias internas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 14 de maio de 2026

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“Esse EP fala sobre movimento, penso nele como um coming of age em forma de música. É um deslocamento externo, unindo as raízes colombianas e brasileiras que têm crescido dentro de mim, mas também é uma travessia interna”, conta Una Sofía, cantora colombiana radicada em São Paulo, sobre Canção para o caminho. O EP de Una Sofía é balizado pelo samba, mesmo começando pelo bolero + jazz em espanhol (Confesiones, que lembra João Bosco e Aldir Blanc) e prosseguindo no corredor do folk latino (Cadê?, música de vocais em português, com sotaque hispânico e extensão de longo alcance).

  • Ouvimos: Duo Violeta – Mar pequeno

Com voz, violão e percussão tomando a frente em todas as seis músicas, Canção para o caminho destaca a delicadeza e o clima introvertido de algumas faixas, como o jazz latino Só eu sei (com Nina Nicolaievsky). Pido perdón é um samba com alguma coisa de Jorge Ben e de Elis Regina, em que Sofía olha para trás e conclui que “passei a vida pedindo perdão por existir”. Nubes é uma canção delicada e chuvosa, combinando valsa tocada ao piano, jazz e clima de sonho.

A faixa-título encerra o EP inserindo confiança e esperança na história – é uma balada folk linda, com clima interiorano e sons que lembram os discos setentistas de Lô Borges e Beto Guedes. Canção para o caminho é um filme sonoro (por acaso, Una Sofía é compositora e cineasta) em que sempre se trabalha pelo final feliz.

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Crítica

Ouvimos: Corespondents – “Exploding house”

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Resenha: Corespondents – “Exploding house”

RESENHA: Corespondents mistura jazz, psicodelia e post-rock em Exploding house, disco instrumental irônico, sujo e cheio de climas estranhos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Antiquated Future
Lançamento: 12 de março de 2026

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Banda que existe há 23 anos e que veio de Seattle, o Corespondents faz música instrumental irônica – às vezes lembrando um pouco a proposta sonora da banda carioca Brasov, já que toques ciganos e latinos volta e meia tomam conta do som deles. Há um elemento ou outro de post rock, o que ajuda a modernizar e sujar um pouco o som.

  • Ouvimos: Soma Please – Ballet (EP)

Exploding house, o novo álbum (que é mais um lançamento do inventivo selo Antiquated Future, do Oregon), abre com Rubber my dirt ball – tema de onda jazz-psicodélica-misteriosa, com efeito que vem surgindo aos poucos e guitarras em clima de faroeste. Queen nut vai migrando para o som funkeado, com guitarras wah wah. Já It’s healthy to feel this uncomfortable daria uma boa canção “de rádio” se tivesse uma letra: é uma balada instrumental de clima tranquilo – mas mesmo assim vai ganhando uma onda espacial e sombria.

Furtive lurker começa com guitarra dedilhada e vai se parecendo cada vez mais com algo entre o fusion e o progressivo, com partes diferentes. Seguindo a onda de títulos engraçadinhos do Coresponders, Explodng house encerra com o som havaiano fake de Strawberry ashtray (literalmente “cinzeiro de morango”) e com a psicodelia relaxante (ou quase isso) de Vegan meditation Part 2: K-hole at the AI Weiwei Jawa Rave: Sisyphus Mix.

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