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Cultura Pop

Odessey And Oracle, dos Zombies, aos 50 anos: brigas, grupos fake e psicodelia

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50 anos de Odessey And Oracle, dos Zombies: brigas, grupos fake e pop barroco

Nesta quinta (19), um dos discos mais bacanas da história do rock chegou aos 50 anos. É Odessey and oracle, segundo disco da banda britânica The Zombies. Um daqueles álbuns de audição obrigatória, mas que – por muito pouco – não passaram totalmente batidos quando foram lançados. A começar porque quando o disco saiu, o grupo já não existia mais.

Os Zombies (Colin Blunstone na voz, Rod Argent nos teclados, Paul Atkinson na guitarra, Chris White no baixo e Hugh Grundy na bateria) tinham conseguido um contrato bastante interessante com a CBS para gravar o segundo disco. E a banda conseguiu gravar nos estúdios mais caros da época, Abbey Road e Olympic. Em várias músicas, usaram o mesmo gravador de quatro canais que os Beatles usaram em Sgt. Pepper’s, um ano antes – além do mesmo mellotron que John Lennon tocou nas gravações.

Estaria tudo bem se o orçamento da gravadora para Odessey and oracle não fosse apertadíssimo (mil libras!) e os Zombies não estivessem sendo atochados e pressionados de tudo quanto era jeito no estúdio.

Por dia, o grupo tinha apenas três horas para gravar – sempre de 10h às 13h, interrompidas para o almoço dos técnicos. O estresse gerou brigas no meio do trabalho. Só para piorar: com o disco já gravado em mono e praticamente pronto, a CBS decidiu que queria uma mixagem em estéreo. Argent e Chris White, únicos compositores da banda (e os únicos que ganhavam grana com royalties das músicas), levantaram mais mil libras e pagaram eles mesmos as horas excedentes de estúdio.

Os Zombies já acumulavam experiências ruins desde bem antes disso. No fim de 1966, após verem as vendas do primeiro álbum e dos primeiros singles naufragarem, o quinteto decidiu aceitar uma proposta de jerico de seus empresários e foi passar alguns meses nas… Filipinas. O grupo tinha compactos lançados lá desde 1964 e uma excelente base local de fãs. Olha aí o single filipino de She’s not there, primeiro hit da banda.

50 anos de Odessey And Oracle, dos Zombies: brigas, grupos fake e pop barroco

Não havia lugar mais inapropriado, já que o país estava sob as botas do ditador Ferdinand Marcos. O saldo da história foi de traumatizar qualquer um: os garotos fizeram shows por uma merreca, viveram praticamente em cárcere privado no Coliseu de Araneta (arena multi-uso local), foram ameaçados após pedirem aumento de cachê e ainda escaparam de um incêndio criminoso numa casa de shows. Voltaram tascados para a Inglaterra, sem gravadora e sem empresário.

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Odessey and oracle não reflete essa tensão em nada. É um disco de pop barroco finíssimo, com letras que variam do romantismo à psicodelia pura e simples. Time of the season, o maior hit, você já ouviu. Se não escutou, tá aí uma ótima oportunidade.

Durante a gravação dessa música, estourou uma baita briga entre Argent e Blunstone sobre a maneira como os vocais dela deveriam ser gravados – com o autor sugerindo divisões silábicas e o cantor respondendo coisas como: “Se você se acha tão bom assim, vai lá e canta você!”

Care of cell 44 parece, à primeira vista, um pop-rock romântico e ensolarado que poderia estar num disco dos Beach Boys. Só que a letra fala de um garoto apaixonado que espera a namorada sair da cadeia.

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E isso só para ficar em duas das melhores músicas. Você conhece todo o disco aqui embaixo. Os integrantes da banda relembraram detalhes da gravação do disco e fizeram um belo e informativo faixa-a-faixa nessa matéria da People.

Desiludidos com a falta de sucesso e com o apoio zero da gravadora, os Zombies terminaram em dezembro de 1967. Odessey and oracle saiu em abril de 1968. Pouco depois disso, o músico e produtor da CBS americana Al Kooper achou uma cópia de Odessey durante uma ida a Londres. Ouviu o disco e ficou fã. Tão fã que praticamente obrigou Clive Davis, presidente da companhia nos EUA a ouvir o disco. Clive, que havia solenemente cagado para os Zombies, foi persuadido a lançar por lá o LP. E, posteriormente, o single de Time of the season foi reeditado.

O resultado foi que os DJs descobriram Odessey and oracle e a música. E o single entrou nas paradas. Isso tudo com a banda defunta, e todos os seus integrantes envolvidos em projetos solos ou novos grupos. Rod Argent foi o mais bem sucedido, levando adiante por vários anos a banda de rock progressivo Argent. O grupo foi responsável por hits como Celebration, Liar e nada menos que God gave rock n roll to you. Essa é hoje um hit do Kiss e do… Roupa Nova (em português, como Tenha fé na música).

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A história mais maluca envolvendo os Zombies, no entanto, aconteceria naquele mesmo ano de 1969. E sem que nenhum dos ex-integrantes sequer estivesse envolvido.

Uma produtora americana chamada Delta Promotions decidiu, para aproveitar o sucesso de Time of the season, criar uma banda fake com o nome The Zombies, formada por músicos do Texas (!). Aliás uma não: pelo menos dois grupos diferentes, lançados pela empresa, circularam pelos EUA usando o nome. Um dos grupos, o mais famoso, tinha na formação Dusty Hill e Frank Beard, futuros baixista e baterista do ZZ Top.

50 anos de Odessey And Oracle, dos Zombies: brigas, grupos fake e pop barroco

Na foto acima, Dusty é o segundo à esquerda, e Beard é o terceiro. A história foi rastreada numa reportagem imperdível do site Buzzfeed. Um dos músicos do projeto, Mark Ramsey, contou toda a história aqui. Colin Blunstone, numa entrevista ao Chicago Reader, disse lembrar de mais um grupo fake dos Zombies, só que lá mesmo da terra da Rainha. Com um detalhe: eles tinham um baixista com o mesmo nome do batera dos Zombies original, Hugh Grundy.

A novidade para os fãs é que os Zombies continuam à solta, contando com Colin e Rod Argent na formação. Além de Steve Rodford, baixista que se juntou ao grupo ainda em 1969. Olha eles ao vivo aí.

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Isolaram o piano de Rock The Casbah, do Clash

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Isolaram o piano de Rock The Casbah, do Clash

Combat rock, último disco do Clash com a formação clássica, saiu em 14 de maio de 1982 (opa, fez 40 anos há pouco) e vendeu muito. Vendeu tanto, que ficou 61 semanas nas paradas americanas, estourou os dois hits do Clash que-todo-mundo-conhece (Should I star or should I go e Rock the Casbah) e levou jornalistas com bastante senso de criatividade a compararem a banda ao Fleetwood Mac (!).

Olhado mais de perto, é um disco ame-ou-odeie, que traz o quarteto inglês tentando fazer com o punk o que a turma do dub fez com o reggae – canções fora do formato canção, letras enormes com ambientação ritmada e “psicodélica”, texturas instrumentais relaxantes (a bela Sean Flynn é um bom exemplo disso).

Mas fica para outra ocasião darmos uma olhada mais de perto em Combat rock. Por enquanto, a pergunta é: já ouviu o piano isolado de Rock the Casbah?

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O piano de Rock the Casbah foi tocado, se é que você não sabe, pelo baterista Topper Headon – que além de ser um dos melhores bateristas do punk, tocava piano e criou praticamente a música toda sozinho. Aliás ele tocou quase tudo sozinho na faixa, menos as guitarras. Fez piano, baixo e bateria, aproveitando a ausência dos camaradas durante uma sessão de gravação.

(ei, temos um podcast do Pop Fantasma Documento sobre o Clash)

Os outros três, quando escutaram a música, acharam que já estava tudo mais ou menos completo e só acrescentaram vozes, guitarras, percussão e uns efeitos de gravação. Paul Simonon fez só os vocais de apoio. Joe Strummer deixou a letra original de Headon de lado (que era uma poesia romântica sobre a namorada dele) e, como já vinha trabalhando na frase “rock the Casbah”, criou a letra inteira em cima disso.

Aliás, ao vivo, sem o piano, a música ficava sem parte da graça. Bom, pelo menos no último show da banda, no Us Festival, em 1983 (detalhe: sem Topper na bateria), a canção ficou assim. Procura aí no vídeo, lá pra 8m43.

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Quando Pat Boone gravou Elvis Presley mas não podia citar o nome dele (!)

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Quando Pat Boone gravou Elvis Presley mas não podia citar o nome dele (!)

Tido como a maior ameaça ao reino do colega Elvis Presley, o cantor americano Pat Boone surgiu antes dele no mercado e já era uma estrela quando o cantor de Don’t be cruel ainda era uma promessa. “Agora, quando ouvi que Bill (Randall, DJ) estava trazendo um cantor country cujos discos eu tinha visto na jukebox no Texas, achei que ele estava um pouco louco porque um artista country não seria emocionante para esses adolescentes que queriam rock and roll”, chegou a afirmar Pat, que conheceu Elvis numa loja de meias em Cleveland, Ohio, e declarou ter ficado assustado com a timidez do futuro amigo.

Isso rolou no comecinho da carreira do cantor, quando Pat ainda era também uma novidade e tinha só dois discos de sucesso. Agora corta para alguns anos depois, quanto Pat e Elvis já eram artistas famosos da música e da telona, mas Elvis, para todos os efeitos, era o Rei. “Claro, nunca mais segui Elvis em nenhum programa. Nós nunca aparecemos juntos depois disso”, contou Pat num papo com o fã-clube australiano de Elvis, afirmando também que se tornou amigo de Elvis, e que acreditava que se o cantor pudesse ter tido uma vida mais próxima do “normal”, poderia estar vivo ainda.

Agora, a maior curiosidade envolvendo Pat e Elvis nem era essa proximidade toda. É o fato de que Pat lançou em 1963 um disco com repertório de Elvis Presley mas não podia de jeito nenhum citar o nome de Elvis. Esse aí de baixo.

Pat Boone sings Guess Who? (Pat Boone canta adivinha quem?) saiu quando Pat já havia quase largado o rock. Pouco antes disso, o cantor era casado, mas vivia caindo na farra e bebendo além da conta. Viu o casamento descer morro abaixo. A esposa levou Pat para a igreja católica carismática e ele virou cristão.

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O artista passou a se dedicar a discos gospel, em meio a um ou outro lançamento secular, e virou ídolo de um fã-clube bastante conservador. Em 1962 saiu até um Pat Boone reads the Holy Bible, com o cantor firme no mesmo propósito que, anos depois, aqui no Brasil, ajudaria a engordar o caixa de Cid Moreira: ler trechos da Bíblia para lançamento em disco. A propósito, e lógico que nem daria para imaginar outra coisa: Boone apoiou Donald Trump nas eleições presidenciais em 2016, e disse que o candidato seria reeleito em 2020 (não rolou, como é público e notório).

O disco de Pat cantando Elvis surgiu da ideia literal de homenagear o amigo (e, claro, abiscoitar parte do público do cantor). Problemas à vista: Coronel Parker, empresário espertalhão de Elvis, queria um levado enorme pelo uso do nome de Elvis no título. Não adiantou nem Pat alegar que era amigo do homenageado. Restou a ele cortar o nome de Elvis do título e referir-se a ele no texto de contracapa como “Guess Whosley”.

No fim das contas, tudo acabou dando certo. “Tom Parker acabou tirando o chapéu para mim e disse: ‘Bem, você enganou o vigarista. Você superou o traficante, e eu o saúdo’. Mas o álbum foi um dos melhores álbuns que eu já fiz, musicalmente”, disse Pat. Bom, pelo menos ele teve mais sorte do que quando resolveu tirar totalmente a maldade de Tutti Frutti, de Little Richard, e fez uma versão cagada da música.

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Life With Lucy: a última série de Lucille Ball em 1986

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Life With Lucy: a última série de Lucille Ball em 1986

O sucesso de séries como As supergatas, lançada pela NBC em 1985, acabou fazendo com que o mercado televisivo acordasse para uma realidade: o público mais velho queria se ver na telinha, e séries protagonizadas por atrizes e atores mais velhos dava certo. Foi por causa disso que, em 1986, a concorrente ABC decidiu produzir uma nova série com ninguém menos que Lucille Ball, que estava com 75 anos, vinha fazendo poucos trabalhos na televisão e não botava tanta fé na história de que poderia estourar com uma nova série.

Foi daí que surgiu a última série de Lucille na TV, Life with Lucy, exibida por apenas uma temporada, entre 20 de setembro e 15 de novembro de 1986. Pode acreditar: apesar do sucesso de toda a produção anterior de Lucy na TV, o público correu da nova série dela, que teve apenas treze episódios e cinco deles nem sequer foram exibidos. Houve ainda um décimo-quarto episódio na jogada, escrito mas nunca gravado.

A novidade é que a temporada única da série está no YouTube.

Life with Lucy, para quem curte bastidores da TV, era um reencontro de Lucy com vários colaboradores de longa data. A emissora queria que os roteiristas da série M*A*S*H, sucesso na época, fizessem o roteiro. A atriz insistiu que Bob Carroll Jr. e Madelyn Pugh, que trabalhavam com ela há bastante tempo, escrevessem todo o seriado. Mandou contratarem o técnico de som Cam McCulloch, que trabalhava com ela desde a série I love Lucy – e, aos 77 anos e apresentando surdez galopante (!).

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No papo abaixo, Lucy apresenta ao público Gail Gordon, um ator veterano e aposentado que havia trabalhado com ela na juventude e que voltava em Life with Lucy.

Life with Lucy, até por causa do controle total assumido pela atriz, não teve interferência alguma do canal. Lucy fez tudo da maneira que queria, e a ABC punha fé que o programa seria um sucesso. Aaron Spelling, produtor da série, viu os números desceram morro abaixo assim que a série foi prosseguindo – algum tempo depois, afirmou que seu erro foi ter deixado a atriz fazer o programa da mesma forma que os clássicos da carreira dela tinham sido feitos, havia muitos anos. Algumas publicações chegaram a classificar Life with Lucy como “o pior programa de todos os tempos”, ou algo do tipo.

Maldade com uma série que acabou sendo o último programa de Lucille Ball e que, ao menos, tem valor histórico. De qualquer jeito, até mesmo o plot da série – Lucille interpretava uma viúva que herdava uma loja do falecido marido e tentava tocar o negócio coma família – parecia um tantinho ingênuo se comparado às séries da época, inclusive no caso das idosas super-poderosas de As super gatas. De qualquer jeito, a série foi lançada inteira em DVD em 2019 e tá no YouTube para quem quiser tirar suas próprias conclusões.

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