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Crítica

Ouvimos: Nastyjoe – “The house”

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Banda francesa Nastyjoe estreia em The house com pós-punk sofisticado: vocais graves, guitarras nervosas e clima indie cerebral. Pode virar favorita.

RESENHA: Banda francesa Nastyjoe estreia em The house com pós-punk sofisticado: vocais graves, guitarras nervosas e clima indie cerebral. Pode virar favorita.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: M2L Music
Lançamento: 16 de janeiro de 2026

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Assumidamente referenciada em bandas como The Cure, Blur e Fontaines DC, a banda francesa Nastyjoe soa mais indie rock do que o grupo de Robert Smith e mais voltada ao pós-punk do que a banda do hit Country house – também soa mais cerebral que a fase atual do Fontaines. A cara própria deles está numa noção sofisticada de pós-punk, com vocais graves combinados a guitarras ágeis, baixos cavalares e bateria motorik.

  • Ouvimos: Bee Bee Sea – Stanzini can be alright

Esse som aparece nas faixas de abertura de The house, disco de estreia do grupo: a boa de pista Strange place e a maquínica faixa-título, que lembra bastante Stranglers nos timbres de guitarra. Por sinal, o Nastyjoe é uma banda nova recomendadíssima para quem curtia a base carne-de-pescoço do grupo punk britânico, com direito a vocais falados no estilo de Hugh Cornwell na gozadora Dog’s breakfast – uma crônica musicada em que um sujeito começa a sentir inveja de um cachorro na rua (!).

The house tem ainda uma curiosa mescla de Stooges e Psychedelic Furs (Worried for you), uma concessão às vibes góticas oitentistas (a anti-fofinha Hole in the picture, que prega: “estou de saco cheio de ser gentil”), breves lembranças do Wire (numa pérola krautpunk intitulada justamente… Wire), guitarras em meio a nuvens (as duas partes de Things unsaid), punk garageiro turbinado (Blood in the back) e som deprê e frio (Cold outside). Pode ser sua banda preferida, um dia. Ouça e fique de olho.

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Crítica

Ouvimos: Wet For Days – “Wet For Days”.

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RESENHA: Wet For Days, trio punk canadense de mães, mistura Ramones, L7 e Buzzcocks em disco de estreia pesado, feminista e sem paciência pra machos imbecis.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 9 de setembro de 2025

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“Banda punk rock de mães de Ottawa. Tendo seis filhos entre nós, nos unimos pelo amor ao rock and roll e por criar boas pessoas em um mundo difícil”. É assim que esse trio canadense define, mais do que seu som, seu propósito. Sarah (guitarra, voz), Steph (baixo, backing vocal) e Deirdre (bateria, backing vocal), as três do Wet For Days, somam emanações sonoras de bandas como Ramones, L7, Buzzcocks e Babes In Toyland em seu disco epônimo de estreia, e apresentam canções sobre sexo, feminismo, machos imbecis – e sobre não aturar gente imbecil de modo geral.

  • Ouvimos: Besta Quadrada – Besta Quadrada

A banda abre com as guitarras distorcidas e o clima Ramones de Wet for days, seguindo com o imenso “larga do meu pé!” de Alpha male e os riffs graves de Anxiety, punk rock numa onda meio Dead Kennedys, cuja letra fala em “cérebro bagunçado e taquicardia” e pede que a ansiedade fique bem longe. Lembranças de The Damned e Motörhead surgem nas furiosas On the run e Listen up, e sons entre os anos 1980 e 1990 dão as caras nas esporrentas Kill your ego e Smile. No final, lembranças ruins na ágil Bad date.

Wet for days ainda tem duas vinhetas fofas em que as integrantes aparecem interagindo com suas crianças: em Don’t worry be mommy, uma brincadeira com os versos de Don’t worry be happy, de Bobby McFerrin, vai fazer você ficar com um sorriso bobo na cara o dia inteiro. Mas o principal aqui é o peso.

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Crítica

Ouvimos: Vá – “Pra domingo” (EP)

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Quarteto gaúcho Vá mistura prog autoral, MPB e indie rock em Pra domingo, EP ao vivo contemplativo, com pianos, guitarras e ecos de Radiohead e Khruangbin.

RESENHA: Quarteto gaúcho Vá mistura prog autoral, MPB e indie rock em Pra domingo, EP ao vivo contemplativo, com pianos, guitarras e ecos de Radiohead e Khruangbin.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 25 de janeiro de 2026

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Progressivo de malandro? Esse é um dos estilos musicais que a banda gaúcha Vá diz moverem seu som. No release do EP Pra domingo, registro audiovisual apresentando quatro músicas gravadas ao vivo em 2024 no Estúdio Trilha (Sapucaia do Sul, RS), o quarteto de Canoas (RS) conta misturar essa vertente própria do prog com MPB e estileira indie rock.

  • Ouvimos: Assombroso Mundo da Natureza – Espectros

Com quatro faixas e 18 minutos de duração, Pra domingo é um disco marcado pelo clima contemplativo, em que pianos e guitarras constroem paisagens sonoras que fazem lembrar tanto o Pink Floyd quanto algumas mumunhas de soul progressivo e MPB. Estas últimas surgem em faixas como Via infinita e Arco íris, até que o som ganhe mais peso, mais dinamismo e uma ambiência sonora menos “vazada” – que remete tanto a Khruangbin quanto a Radiohead.

O lado “progressivo” surge em detalhes como as mudanças no andamento e no clima de Arco íris, criando quase uma parte 2 na música. Na segunda metade de Pra domingo, a tranquilidade de Desleixar, marcada por guitarras meio sombrias e um piano Rhodes – até que o clima relax proposto pela letra cede espaço para um interlúdio e um solinho de sintetizador. E um mergulho maior nas progressões, embora filtradas pelo peso dos anos 1990, nos vários segmentos de Olhos nos olhos.

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Crítica

Ouvimos: Dick Move – “Dream, believe, achieve”

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Dick Move entrega punk politizado e urgente: raiva feminista, riffs tensos e manifesto por libertação em 25 minutos afiados

RESENHA: Dick Move entrega punk politizado e urgente: raiva feminista, riffs tensos e manifesto por libertação em 25 minutos afiados.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Flying Nun Records
Lançamento: 14 de novembro de 2025

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“O que você quer de mim? / uma vadia e uma mãe? / eu gostaria de ver você se dar bem / em um sistema construído para te foder”, diz a vocalista Lucy Suttor em Fuck it, uma das melhores e mais diretas faixas do terceiro álbum da banda punk neozelandesa Dick Move, Dream, believe, achieve. Não é apenas um hino feminista: é uma canção de raiva, ódio e defesa pessoal (tanto a letra quanto a capa do single citam a técnica de uso de chaves apertadas na mão como autodefesa). Assim como o novo disco do grupo, antes de ser um álbum raivoso, é um manifesto por libertação.

Ouvido de primeira, o som do Dick Move tem lá suas semelhanças com bandas como Amyl & The Sniffers: vocais raivosos e falados, instrumentação punk + new wave tensa. Só que Dick Move é uma banda extremamente politizada, e na maior parte do tempo soa como uma mescla de Devo e Babes In Toyland – às vezes tem climas próximos do pós-punk. Faixas como Fuck it e Try hard têm riffs e bases costurando toda a faixa, músicas como Run for your money, Shut your mouth, Cracks e Up the bus soam às vezes como um D.R.I. mais musical e mais referenciado em bandas como Swans e Ramones (e no lado mais feroz do B-52s, vale dizer).

Dream, believe, achieve dá sensação de perigo e de caminhar entre sombras em faixas como Handful, Suits, Scared old man e Nurses, com riffs sombrios e clima urgente. Letras como Try hard, por sua vez, fazem jus a um disco que se chama “sonhar, acreditar, conquistar”, falando de um mundo ideal em que, em vez do esforço individual, cada pessoa deve se esforçar pela outra. “O mundo está fodido, cara / é tudo o que podemos fazer”, avisa Lucy. Treze faixas, 25 minutos, agilidade musical e muita verdade.

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